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O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 1

Eu vou começar o blog com uma série do que eu achei de melhor e pior aqui no Canadá. Depois de morar aqui por 2 anos, acho que há bastante coisa que eu posso dizer com a minha visão de estrangeiro. Muita coisa do nosso próprio estado ou país a gente nunca percebe até que tenha saído de lá e vivido em outro lugar. É aí que a gente ganha um referencial pra comparar, e começa a perceber o que o nosso país tem de bom e de ruim, ou simplesmente de diferente, e que o torna único.


Isso também vale pra outros países, que a gente compara com o nosso, então eu me pergunto se não há muita coisa que os próprios canadenses não percebem sobre o Canadá, já que na maior parte passaram a vida toda aqui e não conhecem outras realidades. Por isso é que eu acho que meu ponto de vista de estrangeiro pode ser de alguma ajuda. E, é claro, acho que vai ser também interessante pra aqueles que nunca tiveram a oportunidade de morar aqui e que não ainda conhecem muito sobre o Canadá e os canadenses.


Então farei dois Top 5, um com o que eu achei de melhor e outro com o que achei de pior no Canadá (lembrando, é claro, que isso é só minha opinião).

Apesar de quaisquer pontos negativos, estes anos aqui têm sido uma experiência maravilhosa, então eu gostaria de concluir essa série com os pontos positivos do Canadá. Desse modo, não tenho alternativa senão começar com o que há de ruim. Então, sem mais delongas, aqui vai, do menos pior pra o pior de todos.


5° Pior – Os (e as!!) canadenses são frequentemente obesos(as) (e não parecem se importar muito com isso)


Ok, não é todo mundo, há muitos canadenses que são sadios e em forma, tanto homens quanto mulheres. Mas só pra dar uma idéia: 60% da população tem sobrepeso e 1 em cada 4 canadenses é obeso (estatísticas oficiais). Felizmente, o Canadá sabe que é uma das nações mais “pesadas” do mundo, mas eu tenho minhas dúvidas se o povo aqui se importa mesmo com o peso que tem. Vindo aqui você provavelmente ficaria impressionado com o tanto de gordos na rua. Se no Brasil sua roupa é M, aqui com certeza você será P, e assim por diante. Há aqui também o tamanho GGG, que no Brasil eu pelo menos nunca vi.

Não é questão de “gordofobia”, mas neste caso de saúde pública mesmo.


Se você for a uma praça de alimentação as maiores filas são sempre pra o que há de menos saudável (ok, no Brasil não é tããão diferente, mas acho que aqui é ainda pior). A gente acaba sempre encontrando a típica família “feliz”: pais gordos e os filhos já rechonchudinhos se empanturrando de batata frita e coca-cola. Se estivessem fumando provavelmente todo mundo iria criticar, e ainda ficar aborrecido de ver adultos fumando junto das crianças. Concordo. Mas por que é tão diferente no caso de comer porcaria? Sinceramente não acho que a saúde dessas crianças (ou dos pais delas) vá ser muito melhor do que se estivessem fumando.


Outra coisa é que as pessoas aqui simplesmente se acostumam com isso. Como a maioria tem sobrepeso, ser assim é simplesmente normal. A maioria nem parece se incomodar muito, e de repente estar sem saúde vira o comum. Eu aplaudo o aparente conforto delas com a imagem que têm, mas infelizmente isso significa também que se acostumam a não ter saúde. Na América Latina as pessoas simplesmente se sentem esteticamente desconfortáveis quando estão gordas, e normalmente fazem algo a respeito. Eu acho, sim, que no Brasil as pessoas se preocupam um pouco demais com a aparência (especialmente as garotas, que sempre acham que estão gordas), mas por outro lado o senso de auto-imagem também pode ajudar a estar mais saudável.


4° Pior – Os canadenses não são muito afiados quando se trata de geografia mundial


Ok, no Brasil nós não somos todos excelentes em geografia, mas isso é principalmente porque a maior parte das pessoas simplesmente não termina a escola. Mas antes mesmo de entrar na universidade a gente já aprende um bocado de coisa sobre outros países… história, geografia, língua. Meu Deus, a língua…

Sério: pelo menos metade dos canadenses que eu conheci pensavam que no Brasil se fala espanhol. Alguns até começam a falar em espanhol comigo e estranham quando eu digo que não falo espanhol. Alguns até perguntam: “E o que é que vocês falam, então?“. Os europeus que eu conheci aqui, ao contrário, praticamente todos sabiam que no Brasil se fala português.

Falando em europeus, eles aqui também sofrem um bocado. O melhor caso foi de uns amigos da Suíça e que sempre eram perguntados: “Sua cidade fica perto de Estocolmo?

Semana passada me perguntaram se Buenos Aires era mesmo no Brasil. E não foi a primeira nem a segunda vez.


Eu fui a uma espécie de centro de biologia aquática em Vancouver, com animais, reprodução de ecossistemas aquáticos e talz, e tinha uma seção sobre a Bacia Amazônica com um mapa. Sério: pelo tamanho no mapa, eu acho que até São Paulo e Minas Gerais faziam parte da bacia amazônica. Se bobear chegava até o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Depois pergunta porque é que tantos norte-americanos pensam que o Brasil é só amazônia.


3° Pior – Conversa “rasa”


”Hi, how are you?”

“I’m good! What about you?”

“Great!”

“Good!”


Não parece aquelas conversas-modelo em aula de inglês? Pois é, e isso acontece de verdade.

Eu pessoalmente não gosto dessas respostas automáticas que são tão comuns aqui na América do Norte, mas tá bom, dá pra entender se for uma conversa no elevador ou com o caixa do banco. Mas com pessoas que você conhece? Fala sério.


Quantas vezes, conversando com seus amigos, você se pega falando sobre o tempo, sobre se vai chover, etc? Canadenses costumam ser reservados, normalmente eles não falam de coisas pessoais mesmo entre amigos, então você pode conhecer a pessoa por 2 anos e se pegar conversando com ela sobre a previsão do tempo que falou que ia fazer sol no fim de semana. Peraí, né.


De repente você percebe que “conhece” a pessoa por um bom tempo e que na verdade você não sabe nada sobre ela, e nem ela sabe nada sobre você. E frequentemente fica nisso. E de fato, a profundidade de uma relação é a mesma das conversas que você tem com a pessoa, e no Canadá a gente gasta tempo demaaais em conversa em que ninguém diz nada do que realmente pensa, que não leva de nada a lugar nenhum, e que nem mesmo ajuda duas pessoas a se conhecerem.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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