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O Melhor e o Pior do Canadá – Parte 8 (final)

2° Melhor: As Coisas Funcionam


Como tudo na vida, isso é algo que você só aprende a dar valor quando não encontra. Depois de anos no Brasil, acostumado com as burocracias, a papelada que sempre se precisa preencher, e com a enrolação que é pra se conseguir documentos, essa estadia no Canadá foi um banho de água fresca.


Você não precisa esperar uma eternidade pra as coisas ficarem prontas, não precisa pegar filas enormes e gastar uma manhã inteira esperando que o funcionário te atenda, não precisa conhecer fulaninho que trabalha lá dentro e que agiliza o processo pra você, não precisa de nada disso. Talvez em outros países a coisa seja ainda melhor, mas se comparado com o Brasil, quase tudo aqui é mais rápido e eficiente.


Por e-mail ou telefone você se comunica bem com quase todas as repartições, os funcionários em geral te tratam bem, eles enviam documentos por correspondência, não é preciso uma infinidade de papéis pra se resolver as coisas, e portanto tudo num geral flui muito melhor. Sem falar que eles te respeitam muito mais e sabem ter educação.


Então, nesse sentido, o Canadá é mesmo excelente. Como diz o ditado, “É preciso conhecer o amargo para se poder apreciar o doce”.


1° Lugar, O Melhor: Diversidade Internacional


Diversidade internacional, isso é pra mim o maior trunfo do Canadá. É algo realmente especial neste país. Asiáticos, europeus, latino-americanos, canadenses, alguns africanos… são tantas pessoas das mais diversas partes do planeta que você realmente se sente um cidadão do mundo. Tantas culturas diferentes, e juntas. Só pra dar uma idéia, quase metade de toda a população de Toronto (maior cidade do Canadá) nasceu em outro país. Você aqui vê simplesmente tantas caras diferentes que você logo se pergunta: Cadê os canadenses??


Na verdade, é difícil achar um canadense que não tem um pai ou avô de outro país. São sempre poloneses-canadenses, ítalo-canadenses, indiano-canadenses, chineses canadenses… e você vê que eles ainda mantêm muito da origem que têm. No Canadá você vê um pouquinho de cada uma dessas culturas. O Canadá não tem uma identidade própria que seja forte, então a identidade do país é exatamente o multiculturalismo, este micro-universo em que todas as culturas vivem juntas e com liberdade. É em parte por isso que tantos imigrantes chegam ao Canadá todos os anos.


Ônibus e metrôs, especialmente nas grandes cidades, são como uma jornada através do mundo. Num único dia você avista pessoas de mais de umas 15 etnias diferentes, e ouve num só ônibus várias línguas sendo faladas ao seu redor.


As universidades são como uma completa mistura de pessoas provenientes de todas as partes. Numa só semana no Canadá eu conheci pessoas de mais países do que em 20 anos no Brasil. Eu conheci até mesmo pessoas vindas de países que eu nem sabia que existia.


Eu não preciso explicar o valor de uma experiência dessas, os aprendizados de vida que esse contato com estrangeiros traz. Apenas acredite quando eu digo que é uma vivência muito, muito mais poderosa do que você pode imaginar. Poderosa porque ela é capaz de abrir a sua mente e muito; capaz de te acordar pra o tamanho e pra a diversidade do mundo. Basta aproveitar as oportunidades e partir pra conhecer os estrangeiros, de tantas origens diferentes quanto você puder. E aí você vai ver como é essa sensação, de ser como um peixe de aquário que de repente foi jogado no imenso oceano de diversidades e pontos de vista diferentes.


Honestamente, o Canadá pode não ser o lugar onde eu quero criar raízes nessa minha vida internacional, mas foi sem dúvida um lugar perfeito para começar.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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