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O centro de Délhi: Connaught Place, Palika Bazar, e o India Gate

O centro de Délhi provavelmente é o mais hediondo que eu já visitei na vida. Em geral, não há nada que interesse os turistas nesta parte da cidade, mas como eu estou aqui na Índia também a trabalho, não pude evitá-lo. 

Na verdade, muitos indianos aqui dizem que não há downtown (centro da cidade) em Délhi. De fato, há comércio por toda parte, e os bairros aqui me parecem bastante “independentes”. É radicalmente diferente das cidades da Europa, onde você sente a importância daquele núcleo onde geralmente está a estação principal de trem, o centro histórico, etc. Nada poderia ser mais diferente daqui de Délhi, que é completamente espalhada.

Apesar disso, a maior parte do povo em Délhi ainda me parece se referir a Rajiv Chowk (também conhecido como Connaught Place, nome dado pelos ingleses) como o que mais se aproxima de ser um “centro da cidade”.  O lugar é odioso. Num dia de chuva então, delícia pura.

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Connaught Place, com um restinho ainda de prédios coloniais ali em branco. É de certa forma considerado o centro porque aqui costumava ficar a sede do governo colonial britânico, quando o Reino Unido governou a Índia. “Connaught” era o nome de um duque inglês.
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Camelô na rua coberto com lona. (Um parêntese aqui: Eu acho engraçado quando, no Brasil, vendem-se “camisas indianas” e as pessoas têm a impressão de que os homens indianos vestem-se daquela maneira. Eis como os homens indianos realmente se vestem. Sempre de calças compridas, e comumente com camisas listradas ou quadriculadas.)
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Uma delícia de lugar. Ali as pessoas amontoando-se pra comprar calças jeans. (Não se engane: muitas das vendidas no Ocidente são essas mesmas daqui, só que numa loja com ar condicionado e o quíntuplo do preço.)

Ao que eu tirava essas fotos, um vendedor ambulante de mapas me abordou. Como meus olhos se detiveram por um simples segundo no produto, ele percebeu o meu interesse e soube que ali havia um cliente em potencial (os vendedores aqui são muito perspicazes). O cara me seguiu por uns 10 minutos, e eu acabei comprando um mapa da Índia que ficaria ao fundo da porta do meu quarto na casa do Seu Bhalla.

Seu Bhalla que, inclusive, foi engraçado. Quando eu lhe disse que havia visitado o Palika Bazar, que fica aqui no subterrâneo do centro, ele deu um sorrisinho: “Ah, o bazar dos ladrões (thieves bazar)”. De fato, ele merece a alcunha. Des-recomendo-o completamente, a menos que você seja curioso pra ver um submundo comercial pior que Ciudad del Est no Paraguai.

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Uma das muitas entradas e saídas do Palika Bazar. O ambiente é daqueles prédios velhos que desmoronam uma vez por ano em Bangladesh.
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O ambiente é todo esse aí, e você encontra toda sorte de produtos baratos e falsificados pra comprar. Cuidado, os vendedores são ainda mais espertos que o habitual aqui.

“Rajiv Chowk”, a estação que fica aqui, acaba sendo o núcleo central da rede de metrô de Délhi — e a estação mais infernalmente agitada de todas. Evite-a por tudo neste mundo durante o horário de pico.

Numa das vezes em que me vi aqui, optei por ir andando rumo ao India Gate, um dos monumentos de Délhi que dizem valer a pena visitar. De fato, o portão monumental é bonito, embora provavelmente não vá entrar no seu rol pessoal de maravilhas do mundo.

A caminhada acabou chamando mais a atenção.

Segui a pé pela Janpath Road no ermo daquelas longas avenidas sem calçada, só terra ao lado do asfalto. Você chega a uma área ampla onde há apenas gramados e rodovias. O monumental India Gate está ali no meio, assim como o palácio presidencial. (A Índia, assim como a Alemanha ou a Itália, tem um primeiro-ministro que manda e um presidente que faz as funções cerimoniais de chefe de estado, como faz a Rainha da Inglaterra.)

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Caminhei quilômetros assim. Lá ao fundo o Palácio Presidencial indiano.
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O India Gate lá no outro extremo. (Isso cinzento não são apenas nuvens; Délhi tem níveis altíssimos de poluição.)
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Um grupo de homens escutando um guru no gramado. Há muitos desses por toda parte aqui. Cada um dá sua interpretação pessoal do hinduísmo e sua tônica.
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Finalmente, o India Gate. Inaugurado em 1931, ele é um memorial aos 82 mil soldados indianos que morreram lutando pela Coroa Britânica nos vários teatros da Primeira Guerra Mundial.

Foi numa dessas minhas caminhadas pela cidade que, outro dia desses, a chuva me pegou. E as chuvas aqui na Índia, colega, não são chuviscos, são acaba-mundo. Este setembro peguei dias do finzinho das monções — a estação de chuvas aqui da Ásia, que seguem o verão e que costumam vir entre junho e setembro. Estava indo para uma entrevista e, a uma quadra do lugar, tive de me esconder com uns taxistas num abrigo. Acabei tendo que enfrentar o dilema: aguardar ali a chuva passar, permanecer seco e perder a entrevista, ou chegar pontualmente e molhado.

Encharquei-me feito um pinto na chuva. Para a minha sorte, as pessoas do lugar foram solidárias e amistosas. Não era sempre o caso. A vida em Délhi tem suas coisas interessantes, suas descobertas, mas é cansativa.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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