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Kiev (Ucrânia) no final do inverno: Uma breve passagem

Escuro, frio, molhado. Assim é o ambiente que encontramos em Kiev, capital da Ucrânia, num começo de abril. Embora teoricamente já fosse início de primavera, na prática o restinho de inverno ainda persistia. Se não tínhamos mais as neves e as temperaturas negativas de um janeiro, tínhamos chuva e coisa de 7-10 graus.

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Localização da Ucrânia.

Eu me impressionei ao observar uma realidade tão humilde em plena Europa. Aterrissei no aeroporto de Kiev e Nataliya (Natasha para os amigos) me esperava, uma colega ucraniana, moça branca, magra, de cabelos castanho-escuros longos e olhar sóbrio, atento. Revelaria-se boa de papo. (E depois eu descobriria que faz aniversário no mesmo dia que eu.)

Tomamos o ônibus do aeroporto e fomos ao centro de Kiev, onde eu teria algumas noites num albergue. Como ainda era tarde, fomos dar uma volta breve pela cidade. Tocas de metrô parecem ser o abrigo da chuva e ao mesmo tempo muito do comércio popular em Kiev — aqueles túneis de concreto, repletos de “lojas” baratas, dessas de rodoviária, vendendo bala, lanches caseiros ou roupa íntima.

As vendedoras pareciam ser quase sempre senhoras pesadas, de lenço amarrado na cabeça e aspecto de dona de casa, pernas inchadas e os pés largos espremidos naquelas sandalinhas de avó. O vento frio da superfície às vezes entrava no túnel e varria os cabelos das pessoas. E eu a imaginar como seria aquilo no inverno. Compramos uns bombons de chocolate, daqueles bem baratos, de embalagem bastante colorida.

Isso aqui parece o Brasil, com a diferença de que aqui as pessoas pobres são brancas“, declarei eu a Natasha. Ela achou curioso, já que conhece a América Latina apenas à distância. (Os prédios históricos podem parecer diferentes, mas o nível socioeconômico, não.)

Aqui não é União Europeia, mas não deixa de ser parte da Europa, esse continente rico que aprendemos a ver consciente ou inconscientemente como o centro do mundo. É curioso notar que ela tem seu lado pobre também, especialmente cá no leste europeu, muito mais humilde.

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Ruas de Kiev neste abril.
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Lugares bastante simples.
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As entradas do metrô em Kiev, com seus longos túneis desse concreto lá embaixo.

Também o lado de dentro das paredes nos mostraria um pouco mais das coisas da vida na Ucrânia. 

Natasha foi pra casa e me deixou no albergue, onde encontrei colegas europeus — exceto por uma alemã que foi para o aeroporto sem o passaporte, achando que poderia voar à Ucrânia só com a carteira de identidade.

Eu estava aqui para reunião de fim de semana da ONG com a qual iniciei um trabalho voluntário, em preparo para um evento a ser realizado neste verão. (Ironicamente, passei mais tempo tirando o visto ucraniano do que de fato aqui, mas eu não tinha controle sobre isso.) Nós ficamos a maior parte do tempo no próprio albergue — onde, afora, uma simpática moça, todos os funcionários eram gay. Igor, o gerente, trazia um “amigo” diferente por noite.

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A TV no albergue ficava ligada numa espécie de MTV. Se você achava que as apresentadoras brasileiras se vestem de modo provocante…

Na primeira noite, pedimos pizza. “De brinde vem duas garrafas de vinho“, anunciou-nos Igor, que havia feito o pedido por telefone para nós. Oi? Garrafa de vinho como brinde? 

Eis as “garrafas” de vinho aí na foto.

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Pizzas e “garrafas” de vinho de brinde.

A Ucrânia, como a Rússia e todos esses países vizinhos, tem uma forte tradição de alcoolismo. Não acho que haja gente noutra parte do mundo que beba tanto quanto estes daqui.

Chegamos a fazer uma aposta, e quem perdesse beberia o vinho, mas depois tivemos pena da colega da Letônia que perdeu. Segundo ela, era gosto de vodka com vinho barato.

Quando fomos comer fora, na noite seguinte, também reparamos que a arrumação da mesa aqui já inclui estrategicamente o copinho da dose de vodka.

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Mesa posta num restaurante em Kiev. O copinho da dose de vodka já ali. Aqui as pessoas às vezes tomam vodka com a refeição como se fosse vinho ou suco (e terminam a garrafa).

Já a comida em si não me pareceu nada muito especial: Legumes fervidos, batata amassada, peixe cozido no sal… e quase tudo com um creme azedo (sour cream) que eles aqui adoram, e que é basicamente um creme de leite com gosto de coalhada, que eles põem por cima das batatas, do peixe, de tudo.

Esta viagem foi ultra-rápida, mais do que eu gostaria. Era um contato inicial. Conhecer Kiev mesmo teria que esperar até o meu retorno aqui, no verão, quando eu encontraria a cidade já bem diferente.

Deixo vocês com mais algumas imagens de Kiev nesse ar ainda invernal, a contrastar com o que verão a seguir, no verão.

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Ruas comuns em Kiev.
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As árvores na praça ainda desfolhadas do inverno.
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Algumas das coloridas igrejas ortodoxas, que eu reveria dali a uns poucos meses, no verão.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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