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Samos, a ilha natal de Pitágoras (e indo de ferry da Grécia à Turquia)

Naquele dia em que visitei a caverna ainda dei umas voltas em Patmos. Aproveitei para checar uns souvenirs (encontrei cópias do Livro do Apocalipse em não sei quantas línguas), e ver um pouco mais da ilha. É um lugar pacato, diferente de Santorini e das ilhas mais movimentadas. Aqui a maior parte dos visitantes são fieis fazendo turismo religioso (principalmente italianos), mas em outubro a alta estação já havia acabado.


Falando nisso, programem-se para vir à Grécia assim em final de estação (setembro-outubro), pois os preços caem todos pela metade. Em maio, junho e julho é tudo o olho da cara e lotado. Já entre novembro e abril está quase tudo fechado, pois não há turistas. Então vale a pena se programar.


Quanto à minha estadia, esta estava chegando ao fim. Saí de Patmos depois de 1 dia, no barco em direção à ilha de Samos, onde nasceu Pitágoras, e que fica no caminho para a Turquia.


A ilha de Samos é um pouco maior; tem dois portos. Pra facilitar minha conexão, eu chegava de Patmos num e minha conexão para a Turquia saía do outro, então tive que pegar um táxi. Motorista esperto, quis cobrar a tarifa inteira de cada um e ao mesmo tempo fazer lotação, pra ganhar em dobro. Não reclamei. Não havia nenhum outro taxista na área, meu tempo era curto, e além do mais, quem achou os outros passageiros foi ele, não eu. Ele de quebra parou na estrada para eu tirar umas fotos.

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Vista para o porto de Vathi, na ilha de Samos.

Já no porto de Vathi, de onde sairia meu barco para a Turquia, eu sentei para almoçar, com vista para o mar, um prato de macarrão. Aquela coisada toda de pirão de suco de uva, arroz no espinafre etc. que eu provei em Creta é a comida caseira dos gregos, não é o que eles servem nos restaurantes, e pra isso a brasileira que encontrei morando aqui (em Aráhova) já havia me alertado.

Infelizmente, nos restaurantes de turista aqui na Grécia você não acha nem metade da culinária grega. Nesses só se acha essas bobagens de macarrão, kebab (aqui às vezes chamado de gyros, e que é uma carne de terceira, prensada igual madeirite pra ser comida no espetinho ou no pão), e umas entradinhas mais decoradas que lhe dão a ideia de que a Grécia tem culinária, mas que são só a ponta do iceberg. Então, não se enganem. Se tiverem a sorte, façam algum amigo grego e vão comer na casa de algum (eles são extremamente amistosos). Ou, senão, procurem os restaurantes onde os gregos vão comer, fora das áreas bem turísticas. Isso é mais fácil em Atenas. Nas ilhas é mais difícil, pois nelas os restaurantes são quase que exclusivamente para turistas. Então fiquei com o meu macarrão mesmo, e fui andar pra fazer a digestão antes de pular no barco.

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Ruas de Samos à beira do mar. Parecendo cidade de praia no Brasil, exceto pelo pavimento.
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Já a beira-mar em si não se parece com as tupiniquins.
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Senhor caminha ao lado dos barcos no porto de Samos.

Apesar de haver inúmeras pensões, bares, e o que você imaginar com o nome de Pitágoras na ilha, não há muito sobre o próprio aqui em Samos.

Pra quem não sabe, Pitágoras foi muuuuito além do teorema dos triângulos. Aquilo lá dos catetos e da hipotenusa é o que te ensinam na escola, mas na verdade Pitágoras fundou toda uma corrente filosófica que combinava matemática e misticismo, e que influenciou muito Platão — e consequentemente o pensamento ocidental.

Pitágoras daqui se mudou para Croton, no sul da Itália, e lá fundou uma escola — tipo uma versão antiga da Academia do Professor Xavier, dos X-Men. Isso lá pelos idos de 550 a.C., por volta de 150 anos antes de Platão. Pitágoras estava tão à frente do seu tempo que, naquela época, já falava até em direitos dos animais. (Era vegetariano.)

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Pitagóreos celebram o nascer do sol (1869), quadro do pintor russo Fyodor Bronnikov.

Finalmente, era chegada a hora de dizer “até a próxima” à Grécia. O barco para a Turquia, pertinho, a 1h dali, já me aguardava.

Nessa hora eu me dei conta de que na minha mochila havia leituras de viagem “ótimas” para se cruzar fronteira e passar por alfândega (crianças, não façam isso em casa): Why do people hate America? (“Por que as pessoas odeiam a América?”, com uma bandeira dos EUA queimando na capa; na verdade um livro ótimo, de autores britânicos, sobre a atitude dos EUA em relação ao restante do mundo e vice-versa), e Muhammad: Prophet of Our Time (“Maomé: Profeta do Nosso Tempo”, outro livro muito bom, de uma ex-freira inglesa, desmistificando preconceitos acerca do Islã, e contando como Maomé combateu a ganância e o individualismo no século VII na Arábia, coisa também muito comum à mentalidade capitalista de hoje).

Por sorte, o país a entrar é a Turquia, que é muçulmana, então não havia problema. E zarpei rumo ao oriente, deixando um belo pôr do sol para trás, em direção a mais um país.

Esta viagem continua em Desembarcando em Kusadasi, Turquia: Muvuca e malandragem.

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Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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