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Descobrindo Tóquio (Parte 3): Da tranquilidade de Ueno às badalações de Shinjuku, Harajuku e Akihabara

Este post dará um nó na sua cabeça — mas também mostrará claramente os contrastes de Tóquio — ao ir de um extremo ao outro, do passado ao futuro, do dia à noite. Você custará a crer que aqueles distritos se encontram na mesma cidade.

Comecemos pelo afortunado encontro que eu pude ter com uma amiga brasileira no distrito de Ueno. (Uma daquelas coisas de você dizer que está em Tóquio e aquela sua amiga que você não vê há anos enviar uma mensagem “Você está no Japão?? Eu também!“) Ueno é um dos distritos mais tradicionais de Tóquio, com um dos maiores e mais populares parques da cidade, o Ueno Park. Tem recantos antigos e templos que fazem você se sentir no século XVII, senão antes. Ela já estava em Tóquio há mais dias que eu, e recomendou. Eu estendo a recomendação.

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Pagode no parque de Ueno numa tarde de inverno.
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Tranquilidade.
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Casas tradicionais em Ueno.
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Portais xintoístas.

Sentamos-nos por ali para tomar um belo bule de chá com bolo. Embora esses quitutes ocidentais não sejam exatamente mais forte dos japoneses, o lanche foi agradável. Dali seguiríamos depois para o distrito de Shinjuku, ver uma face completamente diferente de Tóquio.

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Chá de pétalas.
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Sobremesas ocidentais no Japão. Elas aqui no oriente são consideradas algo muito chique (e o preço acompanha).

Shinjuku é chamado de o segundo centro de Tóquio. É onde fica a humilde prefeitura de 48 andares, e onde há também uns guetos tidos como redutos da famosa yakuza, a máfia japonesa. De fato, há uns becos bem esquisitos e cheios de tocas de coelho.

Ali ficamos até a noite. Como os distritos de Tóquio são extensos e nem sempre perto um do outro, é difícil ver direito mais do que dois num mesmo dia.

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Vista do alto da prefeitura de Tóquio, em Shinjuku.
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Muitos bequinhos com comidas de rua em Shinjuku — e, dizem, esconderijos da máfia Yakuza. Mas não se preocupe com criminalidade aqui; o Japão inteiro é muito seguro. A máfia deles não é crime de rua. O que realmente pega nestes bequinhos é o cheirão de fritura inebriante.
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Outras ruas em Shinjuku à noite.

No dia anterior, após visitar o Parque do Palácio Imperial, eu havia visitado Harajuku, um outro distrito de Tóquio, de nome similar mas jeito diferente. Se Shinjuku é tipo um centrão, Harajuku é tipo a Savassi de Belo Horizonte, o Batel de Curitiba, ou o bairro da sua cidade onde as classes mais altas vão se divertir e desfilar moda no final de semana.


Hooordas de pessoas. Rapazes de cabelo laranja e moças de sainha e salto alto sem saber andar, você vendo a hora de ela torcer o pé.

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Uma quantidade razoável de pessoas.
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Muitos jovens em Harajuku. Foi difícil tirar fotos decentes na multidão movimentando-se, mas creia-me quando digo que alguns deles pareciam saídos de algum mangá.

Há basicamente lojas, grifes, e estabelecimentos voltados ao público jovem que tem algum dinheiro sobrando. Você vê um desfile de iPhones na rua, já que os japoneses, por antagonismo aos coreanos, recusam-se a comprar Samsung. 

E falando em eletrônicos, eu também fui conferir Akihabara, o distrito dos games e dos animês. Entrei em cada cafofo de fliperama, com cheiro de cigarro (pois fumar é permitido nesses interiores) e jovens com caras de saídos da escola, do trabalho, ou da festa à fantasia. A quantidade de bugingangas coloridas (DVDs, bonecos, etc.) faz você se sentir na Rua 25 de Março, em São Paulo, ou em Ciudad del Este, no Paraguai — só que, é claro, com muito mais limpeza e segurança, e acho que mais luzes também.

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Jeitão do distrito de Akihabara, o mais voltado para animês e eletrônicos em Tóquio.
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Imensas casas de fliperamas e lojas que vendem de tudo em matéria de games, quadrinhos e animação japonesa.
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Arquetípica foto do interior de uma das casas de fliperama em Akihabara. Rapazes adolescentes com roupa social, garotas de saia e meião até o joelho, e tudo o mais.

E ao fim do dia, voltando para casa, depois de boas doses do Japão luminoso e eletrônico, avisto a quiromante de toda noite na calçada com uma vela na banquinha, aguardando transeuntes interessados em saber a sorte escrita na mão. Para quem acha que isso são crendices de sociedades pobres, o Japão está aí para desafiar você. 

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É uma sociedade econômica e tecnologicamente avançada, só que mais espiritualizada que a Europa ou os Estados Unidos. Aqui as coisas se misturam, em vez de haver uma ala cristã conservadora e uma ala progressista materialista. É diferente, e não é tão fácil de entender, e talvez exatamente por isso seja tão fascinante.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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