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Kyoto, Japão (Parte 2): Os Jardins de Rocha Zen

Os Jardins de Rocha são uma das demonstrações mais curiosas da estética Zen. O Zen, como eu disse no post anterior, é uma vertente do budismo que enfatiza a meditação, o auto-controle e o auto-conhecimento. É muito popular no Japão há mais de um milênio (embora tenha surgido na China), e presente na maioria dos templos que se encontram em Kyoto.

Nós conhecemos bem os jardins zen — aqueles ambientes japoneses com plantas, moinhos de bambu, pequenos lagos e muita tranquilidade no entorno de templos budistas (ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo e o Pavilhão de Prata). Os Jardins de Rocha, por sua vez, não incluem plantas nem lagos, mas apenas rocha e areia. (Geólogos, regozijem.)

A ideia é auxiliar a imaginação e o exercício de introspecção do observador, com imagens — feitas com o arranjo cuidadosamente disposto de rochas — que visam a representar paisagens ou elementos da natureza.

Nesse arranjo abaixo, por exemplo, do século XVI, as rochas representam um rio em corredeira com montanhas ao redor, segundo dizem.

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Jardim de rochas no templo Daisen-in, em Kyoto.

Como você pode perceber, a ideia neste caso não é estar no jardim, e sim observá-lo. (É proibido entrar no arranjo, é claro.)

Nesse outro abaixo do templo Ryoan-ji, do século XV, que eu visitei, o artista não se deu ao trabalho de explicar o que seu arranjo representa. Há interpretações que sugerem rochas ao mar, e outras que sugerem que são picos de montanha trespassando as nuvens no céu. Fica em aberto, e o ideal é exatamente esse: exercitar o imaginário e fazer você ir além do puramente racional.

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Jardim de rochas o templo Ryoan-ji, do século XV, em Kyoto. Há quem sugira que esse arranjo representa rochas ao mar; já outros falam em picos de montanha trespassando as nuvens.

Continua em Kyoto, Japão (Parte 3): Entre Comidas Japonesas E Os Bosques De Bambu De Arashiyama, Com O Pavilhão Dourado (Kinkaku-Ji).

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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