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Kyoto, Japão (Parte 3): Entre comidas japonesas e os bosques de bambu de Arashiyama, com o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji)

Naquela tarde em que encerramos a visita ao Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), fomos logo à rua comer. Os templos no Japão todos fecham às 4 ou 5h da tarde no inverno (normalmente, templos budistas se fecham ao pôr do sol). (Ver Kyoto, Japão: Jardins Zen, o Caminho do Filósofo, e o Pavilhão de Prata.)

Brasileiros que acham que churrasquinho de beira de calçada só existe no Brasil estão enganadíssimos. Os japoneses ADORAM.

Um de nós foi no churrasquinho (que, aqui, acredito eu não serem de gato), e todos fomos jantar num restaurante tradicional. No dia seguinte, iríamos ao lado oeste de Kyoto, conhecer os jardins e bosques de bambu de Arashiyama e o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji).

(Preciso lembrar-lhes que nos restaurantes tradicionais japoneses você se senta no chão, o que se você não estiver habituado é um desconforto sem nome. Eu, já experiente da minha dor nas costas do meu almoço no Monte Kurama, desta vez peguei um lugar de costas para a parede pra poder recostar. Fez toda a diferença — mas, ainda assim, se você não estiver acostumado, as pernas doem, ou você fica parecendo galinha de primeiro ovo querendo a toda hora mudar de posição.)

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Churrasquinho de rua em Kyoto.
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Jantar em Kyoto. Arroz temperado; molho de soja; ervinhas que eu não sei o nome; tempura de abóbora e de camarão ali em cima (ou seja, no ovo batido); cogumelos; e uma sopinha de macarrão com tofu, algas e outros. Essas estrelinhas cor de rosa parecendo saídas de Super Mario ou de Kirby são na verdade um processado de marisco e peixe (se é que há mesmo algo de natural aí nesse negócio).

De manhã, antes de sairmos, tivemos um desjejum inusitado: sorvete de limão. Havíamos passado no supermercado, e achamos limão e leite condensado em meio a algumas coisas não-identificadas e a outras identificadas mas inesperadas, como pão de queijo. A preparação na cozinha do albergue à noite foi uma folia, com muitos tubos usados de leite condensado (que aqui é vendido como se fosse pasta de dente), e a cara de choque do povo no outro dia de manhã: “Vocês estão tomando sorvete como café da manhã???“.

Pronto, agora estávamos preparados para mais visitas zen.

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Pão de queijo congelado à venda no Japão.

E vamos direto ao mais chamativo, o Pavilhão de Ouro (Kinkaku-ji), que de fato é um cartão postal e tanto.

O pavilhão é hoje um templo cercado de jardins e por um lago, e tem estado ali desde os idos de 1400. Ele era originalmente a mansão de um xogum, Yoshimitsu Ashikaga, que determinou em seu testamento que a sua morada fosse transformada em templo após a sua morte. É hoje Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela UNESCO por seu valor histórico e artístico — junto com nada menos que outros 16 sítios em Kyoto, uma das cidades mais “tombadas” do mundo.

O templo é controlado pela corrente Rinzai do budismo zen, tida como a mais rígida do Japão. Enquanto que outras se focam na meditação livre, em que você tenta ficar ciente da sua mente e do passar dos pensamentos, a Rinzai usa bastante os koan (questões ou formulações aparentemente ilógicas sobre os quais você reflete) e samu, que não é a ambulância e sim o nome dado às tarefas físicas ou cotidianas realizadas com o propósito de evitar as divagações da mente e trazê-la para a situação presente (quantas vezes já não vimos em filme os aprendizes limpando as escadarias do templo ou fazendo coisas do tipo?).

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A entrada para os jardins do Pavilhão de Ouro, a antiga propriedade da família Ashikaga.
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O Pavilhão de Ouro (Kinkaku-ji), em Kyoto, e seus arredores.
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Reflexo de sua imagem no lago.
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Arredores simpáticos ali perto.
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Lugar bastante zen.

Como no caso do Pavilhão de Prata, não há acesso público ao interior. (E, como comentei naquele post, prepare o dinheiro, pois a maior parte desses jardins zen cobram entrada. No fim do dia, após visitar vários templos, você sente o bolso vazio e se pergunta aonde foi todo o dinheiro.)

Como cheguei até Kyoto, obviamente não sairia daqui sem ver as suas principais atrações. Por sorte, uma delas — os bosques de bambu de Arashiyama — é de graça, pois está numa área pública.

Os bosques de Arashiyama farão você se recordar dos filmes chineses de época, como O Tigre e o Dragão (1999), Herói (2002), ou O Clã das Adagas Voadoras (2004). Se você conseguir ficar a sós na área (o que não é necessariamente fácil, pois vêm muitos turistas), terá a sorte e a tranquilidade necessária para sentir-se no ambiente daqueles filmes. Já lhes digo que a área é pequena — praticamente um corredor que você percorre em cinco minutos, e não uma floresta inteira — mas muito simbólico.

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O bosque de bambu de Arashiyama, com vários visitantes ali posando pra fotos.
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Num momento mais quieto.
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Um “cemitério” japonês ali perto. Os japoneses em geral cremam os seus mortos e põem as cinzas junto com as demais da família num recipiente sacro.

Esse cemitério nós encontramos quando tivemos a ideia de “pegar um atalho” para sair de Arashiyama. Acabamos perdidos pela área, rodando por uma vizinhança, mas também nos deparando com belas vistas de um rio que passa ali.

Meus planos de visitar o templo Fushimi Inari, dos “mil portais”, no outro lado da cidade, foi por água abaixo e ficou para a manhã seguinte.

Em vez disso, fomos comer. (Vocês aí achando que eu é que sou comilão, saibam que os asiáticos comem o tempo todo, e em geral pontuam seus passeios com refeições. Em Roma, faça como os romanos.)

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À margem de um rio tranquilo com que nos deparamos ali nos arredores de Kyoto.
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Caminhando por trilhas vazias. (Me pareceu uma tumba com uma roseira plantada ao lado, mas não consegui ler.)
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O Tenryu-ji, templo do dragão celeste.
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Japonesas distintas ali perto.
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Não muito longe dali.
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Hora de comer!
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Bolinhos de arroz com pó de amendoim por cima. Hmm!
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O Mercado Nishiki, no centro de Kyoto, aonde fomos no fim do dia. Um ótimo lugar para encontrar curiosidades gastronômicas japonesas.

Continua em Kyoto, Japão (Parte 4): O Fushimi Inari Taisha, dos “mil portais”, o templo do filme Memórias de uma Gueixa.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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