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Sófia, Bulgária

Sófia, a capital da Bulgária, é uma cidade relativamente simples e pequena, com algumas partes bonitinhas, fácil de andar, e que você vê toda em um ou dois dias. Tive amigos búlgaros pra dar umas voltas, e além disso fiz um ótimo “free walking tour”, mania nas cidades turísticas da Europa, e que funciona na base de gorjeta.


São muitas as igrejas em estilo bizantino, do cristianismo ortodoxo de tradição grega. Afora isso, há belos prédios de arquitetura comunista ou neoclássica, além de praças verdes e bom preço pra compras. De todos os países europeus que visitei (mais de 20), a Bulgária é o mais barato. Em especial, procure os produtos de rosas, pois — você, assim como eu, provavelmente não sabia — mas a Bulgária produz 3/4 de todo o óleo de rosas do mundo.

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Franquia em Sófia. A loja vende todo tipo de cosmético feito com essência de rosas. O interior é inebriante. Você achará produtos de rosas em qualquer lojinha de turista, mas é melhor negócio comprá-los nessas lojas de cosméticos, que são bem mais baratas e dão mais opções.

Era ainda cedo quando eu despertei no meu albergue defronte ao sex shop (ver post anterior “Chegando a Plovdiv“). Meu quarto mal tinha janela ou iluminação natural. A única abertura dava para um paredão cinza ao fundo. Todo o ambiente era escuro e lembrava aqueles filmes de drogado, tipo Réquiem para um Sonho (2000). Apartamento malacabado, TV ligada, e gente estranha largada no sofá o dia inteiro. Sem as drogas (ao menos que eu visse), mas repleto de gente esquisita.


Sendo assim, fiz questão de passar o dia inteiro na rua. Quando saí pela manhã as lojas ainda estavam fechadas, com alguns cães de rua dormindo na calçada. O centro de Sófia não é nenhum espetáculo: é uma típica vizinhança ex-comunista, com prédios grandes cinzentos e de aparência meio acabada. Mas é uma cidade bem arborizada, com boas praças, bondes elétricos, e alguns prédios especiais suntuosos, como a Academia de Ciências, o Teatro Nacional, alguns prédios do governo e as igrejas.

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Centro de Sófia.
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Tendas vendendo livros numa das praças do centro.
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Trilhos do bonde elétrico e prédios da era comunista.
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Rua transversal no centro.
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Prédio onde mora a minha amiga: também em estilo comunista, e sem pintura.
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Na rua.

Na Bulgária as pessoas falam mais inglês que no Brasil. Não é comuuuum, mas você encontra vendedores falando inglês, especialmente entre a turma jovem. Ao dizer que é brasileiro, aqui todo mundo logo fala: “Ah! Sua presidente é búlgara!“. (Os europeus quase sempre vinculam nacionalidade a etnia, ao sangue). Ao que eu logo corrijo dizendo que o pai dela é que era búlgaro, mas mesmo assim é sempre motivo de orgulho pra eles. (Pra quem não sabia, o pai de Dilma Rousseff era búlgaro, e o nome era originalmente Roussev, sendo depois alterado). Gostando ou não de Dilma, sinta-se à vontade pra usar isso pra puxar conversa na Bulgária. Quase sempre funciona.


Afora isso, nunca comente com um búlgaro que eles usam o “alfabeto russo”. O alfabeto cirílico foi desenvolvido e adotado pela primeira vez na Bulgária, no século X. Depois é que os russos, ucranianos, sérvios entre outros o adotaram. Os búlgaros têm o maior orgulho disso. (O nome “cirílico” vem do fato de que ele começou a ser desenvolvido por São Cirilo e São Metódio, dois monges gregos, nesta região).

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Mural com São Cirilo e São Metódio com o alfabeto no pergaminho, do pintor búlgaro Zahari Zograf (1810-1853) no Mosteiro Troiano, na Bulgária.
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Lanchonete em Sófia, com o nome em vermelho no alfabeto cirílico.

Encontrei-me com minha amiga Romina pela manhã e ela me mostrou várias igrejas. Passamos pelo teatro nacional, e além disso ela me levou pra comer algo que disse ser típico: uma torta de biscoito com nutella bem boa (mas bem pesada também).

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Igrejas arredondadas, de arquitetura de estilo bizantino.
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Gravuras em madeira na porta da igreja.
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Prédio do governo búlgaro, de arquitetura da época comunista.
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Interior da capela, no estilo antigo do cristianismo ortodoxo.
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Rotunda de São Jorge, um dos templos cristãos mais antigos do mundo. Do século IV, da época em que Sófia era ainda a cidade romana de Sérdica.
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Igreja Sedmochislenitsi, nome dado ao grupo dos cinco discípulos de São Cirilo e São Metódio.
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A Catedral de St. Alexandr Nevsky.

Pra quem não sabe, nas igrejas cristãs ortodoxas espera-se que as mulheres cubram a cabeça de alguma forma, então várias andam com um lencinho ou algo pra pôr. Passeei com minha amiga, comemos a torta, e em seguida fiquei por minha própria conta.


Foi aí que descobri os belos preços e que testei minha habilidade de me comunicar com os búlgaros, às vezes em inglês, às vezes usando o básico de russo que sei (as línguas são parecidas, e os búlgaros escolados na época da Guerra Fria tinham que aprender russo). Os números são quase a mesma coisa, então ao menos dá pra saber os preços.


Comprei botas, casacos… cheguei no albergue feito um sacoleiro. Além disso, deu pra experimentar guloseimas tais como framboesas e abóbora assada na rua (muito bom!).

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Abóbora assada à venda nas ruas de Sófia.
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As ruas de Sófia e seus copinhos de framboesas.
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A bela torta de nutella a que me referi antes. Uma bomba!

E por fim deixo vocês com o belo Teatro Nacional e o imponente Palácio de Justiça. No dia seguinte, iríamos ao Monastério de Rila, a poucas horas da cidade. Uma dos maiores atrações turísticas da Bulgária, e não sem motivo. Aguardem as fotos e verão.

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Teatro Nacional da Bulgária.
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O belo Palácio da Justiça, com leões à frente.
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E do alto de uma das várias colinas verdes nos arredores de Sófia, alguns dias depois.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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