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O Mosteiro de Rila, Bulgária: Arte sacra em meio à natureza

O Mosteiro de Rila, do século X, é provavelmente a maior atração turística da Bulgária. E não sem motivo. O lugar parece retirado de algum conto histórico medieval: bela arquitetura, cercado de montanhas cobertas de floresta, e lindos murais de arte cristã ortodoxa. A própria jornada até aqui (2 horas de carro desde Sófia) já impressiona pela beleza natural da Bulgária, ainda bastante verde (até quando, não sei).


Eram meados da manhã quando deixamos a capital. Meus amigos planejaram parar na beira da estrada para comer omelete de avestruz. Teria sido minha primeira vez, mas infelizmente o criador estava ausente e o botequim fechado. Por sorte eu havia comido algo leve (essas enrolações que são os cafés da manhã de albergue, tipo pão com manteiga e café), pois só veríamos comida novamente no mosteiro — as mekitsas, umas frituras tradicionais búlgaras que os monges fazem. No mais, passamos fome. Expiação no nosso retiro ao mosteiro.

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Estacionamento nos arredores do Mosteiro de Rila.
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Vista do pátio central do mosteiro, rodeado de montanhas verdes.

Ivan de Rila era um monge cristão eremita que resolveu se instalar aqui no século X. Morava numa simples caverna, mas havia estudantes que o seguiram, e vinham outros cá para aprender, então aos poucos um mosteiro foi sendo construído. Os turcos o destruíram na sua conquista da Bulgária no século XV, mas com o movimento de independência no século XIX o mosteiro foi reerguido.


Hoje é um belo e agradável complexo onde dá bem pra se passar umas duas horas vendo e sentindo o lugar (mais se você quiser passar tempo dentro do templo e do museu). O ar é ótimo, há barraquinhas de lembrancinhas nos arredores, e todo o ambiente é bem cênico, com pequenas pontes sobre córregos, etc. Parece que você está na Idade Média.

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Arredores do mosteiro.
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A entrada.

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No interior o que mais me impressionou foram os murais, todos da restauração do Século XIX. Estão por toda parte na igreja do mosteiro, das paredes ao teto.

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Arte sacra fabulosa.

Depois de prestar nosso respeito ao mosteiro e ao ambiente, era hora de comer. Por azar, haviam somente as mekitsas, que eu sinceramente não sei porque os búlgaros fazem tanto alarde (e fila) por causa delas. Não passam de uma massa frita com açúcar em cima, que lembram esses lanches de rodoviária ou ponto de ônibus (até o guardanapo cor-de-rosa é igual).

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Uma mekitsa, que literalmente quer dizer “maciazinha”.

Dá ainda pra fazer trilha nos arredores, pra se sentir perseguindo orcs em O Senhor dos Aneis ou algo assim. Por ali há a caverna onde se acredita que Ivan de Rila morou, e onde muitos peregrinos vão fazer orações.

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Em meio às árvores e rochedos.
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Vista das colinas de Rila.
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Veneração a St. Ivan de Rila, onde se acredita que ele viveu.
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A visita à caverna termina saindo-se por este buraco. Havia uma senhora com um bundão na minha frente que eu sinceramente duvidei que fosse passar, mas passou.

Do nosso grupo ninguém entalou. Pra apimentar, logo atrás de nós vinha um grupo de crianças de seus 10-11 anos, de alguma escola. Agora imagina essa meninada atrás de você. (Nós dizíamos que eles eram os orcs, nos perseguindo).


Após a visita, fizemos o caminho de volta e pegamos novamente a estrada pra finalmente comer algo de sustança. Compramos um mel ótimo de um apicultor na beira da estrada, inclusive para os amigos (que eu ainda não conhecia) e que me albergariam hoje de noite. (Saí do albergue escuro junto do sex shop).


Já eram meados da tarde quando paramos para comer, e já estávamos famintos. Por sorte, comer na Bulgária é bem barato (nesse restaurante, até aconchegante e arrumado, o prato mais caro — uma bisteca lá — era o equivalente a 8 euros). Portanto pedi sopa, pão, lyutenica (um molho de tomate com pimentões vermelhos) para comer com o pão, e um mexido de ovos. Nada que entrasse pra o meu Hall da Fama, mas satisfez.

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Minha sopinha, pão e lyutenica, um molho de tomate e pimentão vermelho. Minha amiga disse que esse estava malfeito, pois tinha gosto de ketchup e provavelmente havia sido ‘batizado’ com o tal. Fique aí achando que essas coisas só acontecem no Brasil…
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Meu mexido de ovos. Não estava mau.

Chegaríamos em Sófia já ao escurecer. No dia seguinte, eu sairia cedo sozinho para Veliko Tarnovo, uma das cidades mais atraentes da Bulgária e a sua antiga capital histórica.

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Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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