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Arquitetura mourisca e os monumentos de Marrakech: Dar si Said, Madrassa Ben Youssef, e o Palácio da Bahia (sim, fica no Marrocos)

Arquitetura mourisca. A quem eu estiver falando grego (ou árabe), trata-se da arquitetura clássica dos árabes mouros, aqueles que vieram cá ao norte da África a partir do século VII, mesclaram-se aos povos berberes nativos da região, e daqui se expandiram para Portugal e Espanha. Azulejos, portas decoradas com vidros coloridos, pátios e jardins coloniais… tudo isso é influência deles.


Do árabe também vieram inúmeras palavras hoje usadas no vocabulário em português e espanhol, como açúcar, algodão, camisa, azeitona, álcool, laranja, café… nada disso veio nem do latim e nem do grego, mas do árabe. Também com os árabes vieram os produtos em si, que muitos a Europa desconhecia antes de os árabes a invadirem. (Para os mais curiosos, a expressão “oxalá” vem de inshallah [se Deus quiser], e “olé” vem de Allah, da época em que nem se sabia ainda o que era futebol. O “olé” surgiu nas danças e manifestações artísticas que de tão brilhantes eram vistas como expressão da presença de Deus, e as pessoas gritavam Allah).


Bom, de lá pra cá as civilizações árabes se tornaram pobres, e já não há aquele glamour arquitetônico de outrora, mas muito se preservou. Marrakech guarda ainda algumas belezas de séculos atrás, que valem a pena serem visitadas. Todas custam uma pechincha de, em média, 1 euro, e não há por que não visitar todas.


A Madrassa Ben Youssef é das mais bonitas. Madrassas são escolas islâmicas onde eram ensinadas a alfabetização (em árabe), leitura do alcorão, matemática, lógica, história, etc. Os árabes tiveram dos mais inspirados matemáticos da Idade Média, a vale lembrar que os nossos números foram inventados por eles e pelos indianos. A Madrassa Ben Youssef, aqui em Marrakech, foi a maior do Marrocos. Foi fundada no século XIV em homenagem ao sultão da dinastia almorávida Ali ibnYusuf, que reinou aqui entre 1106 e 1142, e ela funcionou até os anos 1960. Hoje é um museu onde você apreciar a arquitetura.

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Pátio principal da Madrassa Ben Youssef, em Marrakech.
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Portal de entrada, com a típica arcada mourisca e a decoração nas paredes. Parecido com a sua escola, não é?
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Homem escreve o nome da menina em caligrafia árabe.
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Detalhe da decoração nas paredes. São em madeira, massa, e outros materiais.
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Me sentindo o próprio sultão na madrassa.

Ali perto da madrassa há também o Museu de Marrakech, que apesar do nome é na verdade uma mansão convertida em museu, e que mostra mais da arquitetura típica.

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Pátio interno, com fontes dentro de casa… E se você achava que já tinha visto lustre grande, que tal este?

Vamos agora ao outro lado da medina de Marrakech, onde estão o Dar si Said e o Palácio da Bahia (é isso mesmo, eu não estou inventando). O Dar si Said é mais uma mansão convertida em museu, e que tem dos mais belos jardins mouriscos. São meu elemento favorito, essas áreas internas com árvores, água correndo… Aqui havia laranjais. Dá uma paz danada. Vontade de ter em casa.

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Dar si Said, Marrakech.
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Interiores decorados.
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Nos jardins.
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Mais interiores decorados, no Dar si Said.

E vamos ao Palácio da Bahia onde o governador não habita. Bahia em árabe quer dizer brilho, uma denominação natural para nós baianos. Este palácio foi erigido no século XIX por Ahmed ben Moussa, um camareiro-mor que ascendeu a grão-vizir do sultão Moulay [Mulá] Hassan. Quando o sultão morreu, Ahmed se tornou basicamente o regente do reino do Marrocos. Ele tinha aqui quatro esposas e vinte e quatro concubinas. Já quando ele morreu, dizem que foi um pega-pra-capar, com os escravos pilhando tudo o que puderam e as mulheres brigando entre si pelas posses das jóias. De quebra, o sultão seguinte botou todo mundo pra fora e tomou o palácio pra si.

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Entrada para o Palácio da Bahia, com palmeiras e laranjeiras.
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Pátio interno no palácio.
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Portal para os jardins internos.
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Teto decorado igual ao de lá de casa.
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Portas também como as de lá de casa.

Ainda faltam alguns monumentos de Marrakech, mas esses virão no próximo post. Fiquem na paz de Allah.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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