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De volta à Itália: Andanças em Milão

Cá estamos, de volta à Itália, para continuar de onde parei. Estávamos eu e minha amiga turca Filiz passando o Natal. Eu já relatei como passamos o “Filiz Natal” com amigos italianos em Veneza, mas não como continuou a viagem. Chegou a hora.


Milão (ou Milano), apesar de grande, não é lá das cidades mais turísticas da Itália. Não tem o charme de uma Veneza, ou o peso histórico de Roma, e nem o glamour renascentista de Florença. Em vez disso, Milão — que é a segunda maior cidade do país (depois de Roma) — é conhecida pelo seu peso econômico, pela moda e lojas de grife. Prada, Armani, Gucci… essas estão aqui por toda parte (mas veja um alerta abaixo).

Como turista, há quem diga que basta ver a catedral e ir embora. Um exagero, ao meu ver. Como em toda a Itália, há inúmeras galerias de arte renascentista com obras dos mais reconhecidos mestres, museus, e centenas de igrejinhas góticas, barrocas e dos mais diversos estilos. A alma da Itália é muito essa arte, afora a culinária e o valor dos laços sociais e de família. Como dizem uns amigos italianos: “Em termos de política não temos orgulho algum, mas em matéria de cultura nós italianos somos todos muito nacionalistas“. Têm suas razões.

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Área da Pinacoteca di Brera, uma das maiores da Itália, em Milão.
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Feirinha de Natal ao lado da imensa catedral de Milão, Il Duomo.

Forza Itália!“, brincou comigo o guarda após me revistar, quando eu fui entrar de mochilão e tudo na catedral. Verificam todo mundo à entrada, mas visto o tamanho da minha mochila, ele pediu para abrir e perguntou de onde eu era. Aí, claro, houve aquela conexão imediata com o futebol. Mal sabia ele do fiasco que ambos Brasil e Itália seriam na Copa de 2014.


Passado o guarda, lá estava eu dentro de uma das maiores catedrais que já vi. Levou 600 anos pra ser construída, e é a quinta maior do mundo — a maior em território italiano, ou seja, descontando-se a Basílica de São Pedro no Vaticano. Só foi inaugurada em 1965. Como passou por várias mãos e mistura diversos estilos, as opiniões dos críticos de arte se dividem. E, de fato, talvez o interior não seja dos mais bonitos que eu já vi, mas ainda assim o tamanho impressiona.

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Nave da catedral de Milão. Veja o tamanhico das pessoas.
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Um dos muitos vitrais.
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A catedral em toda a sua imensidão.
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A Piazza del Duomo em Milão num dezembro de inverno.

Essa praça, à noite, enche-se bangladeshis, paquistaneses e indianos vendendo rosas vermelhas. Sem exagero: você não anda 1 minuto inteiro sem ser abordado. Deviam dizer a eles que Milão não é exatamente um destino romântico. Mas eles são matutos, colocam o homem na saia justa, porque se você estiver em casal pega muito mal você dizer na cara da namorada\noiva\esposa que não vai comprar a rosa. Como não era o caso de Filiz e eu, eles ficaram sem vender, mas vinham como um enxame. Por outro lado, você que tenha um mínimo de sensibilidade social lamenta ver tantos imigrantes pobres dependendo assim da boa vontade alheia. Em retrospecto, talvez eu devesse ter comprado.

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Vendedor sul-asiático buscando alguém que compre as suas rosas.

Mas nem tudo são flores. Aqui nessa mesma região há a bela galeria comercial Vittorio Emmanuele II, a da foto inicial do post. Aí se encontram muitas lojas de marca, das acima citadas. Claro que tudo custa o olho da cara. Se você quiser algo mais em conta, pelas calçadas de Milão — e de quase toda a Itália — o que não faltam são imigrantes africanos vendendo versões falsificadas e imitações da China. Você os vê “no ponto” com as bolsas de couro dispostas sobre um pano no chão, iguala vendedor no Brasil quando está preparado para o caso de a polícia aparecer. Compre por sua própria conta e risco. Há até quem diga que a qualidade não é tão ruim assim (muitas hoje em dia são fabricadas por chineses dentro da própria Itália).  

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Galeria Vittorio Emmanuele II. (Antes que alguém ache que Vittorio Emmanuele foi algum designer italiano colega de Giorgio Armani, ele foi o que no Brasil é conhecido pelo nome de Victor Emanuel, Rei da Sardenha, da dinastia de Sabóia, primeiro rei da Itália unificada a partir de 1861).
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O belo interior da galeria.

E, afinal, visitada a catedral, o que mais há pra se ver em Milão? Se você for um apaixonado por artes, talvez queira saber que o original d’A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, está aqui. A pintura se encontra na igreja de Santa Maria delle Grazie, apropriadamente disposta no refeitório do convento. O porém é a burocracia: você precisa agendar a visita pela internet e comprar um ticket de entrada com semanas ou meses de antecedência. Meio demais para ver um quadro, ainda que seja A Última Ceia. Ou talvez eu não seja fissurado o suficiente. Acabei não podendo ver, mas quem sabe numa próxima vez. 


Eu e Filiz optamos, em vez disso, por ir à Pinacoteca di Brera, uma galeria pública com muitos trabalhos de outros pintores italianos (dentre outros, Raffaello e Caravaggio). Ainda que você não seja fascinado por arte renascentista, vale a pena ir para conhecer esse sabor da Itália. (Não podia tirar fotos no interior). 


De quebra, nós ainda entramos numas igrejinhas aqui e ali, que nem me lembro o nome. Como eu disse, são pequenas, despretensiosas, mas quando você entra, se impressiona. 

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Interior de uma rotunda, igreja de arquitetura redonda.
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Interior da cúpula no alto.

Por ser muito pouco turística, Milão não tem aquelas hordas de visitantes tirando foto e competindo com você por espaço, então dá pra visitar mais em paz. 


A outra vantagem é que, quando chega a hora de jantar, você facilmente encontra lugares bem autênticos, frequentados por italianos e não por turistas. Num bistrô simples, comi à noite um gnocchi al pesto melhor do que em muito restaurante frondoso fora da Itália.

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Gnocchi al pesto que está me dando fome só de olhar. O pesto, pra quem não conhece, é feito com manjericão. E tome-lhe azeite de oliva. O parmesão ali está sempre à mesa para ser posto a gosto (parmesão ralado de verdade, não essa enrolação vendida em supermercado já ralada no saquinho).

Milão foi uma passagem bem curta. Como não há tanto assim a ver, não alocamos muito tempo para a cidade. Ela foi um breve ponto de apoio para idas a Gênova e Turim (Torino), bate e volta — exceto que a Gênova nós fomos e não voltamos, mas isso é história a ser contada depois


Eis o nosso principal ponto de passagem, a bela estação de trens Milano Centrale (favor pronunciar com o som “tchentraaale” do italiano, e de preferência gesticulando também).


Baci e abbracci. E até o próximo post, dedicado à fartura — e também à loucuras e ao lado allegro non molto que você provavelmente não conhece — da cozinha italiana.

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Em Milano Centrale.
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Baci & abbracci.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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