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Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

Cá estamos em Teerã, a capital iraniana de 12 milhões de habitantes. Última capital da Pérsia antes de ela mudar de nome para “Irã”, e um dos grandes centros do Oriente Médio. Tráfego louco, mas boulevards bonitos e lindos jardins. Palácios persas de outrora lado a lado com prédios públicos onde figuram (por lei) as faces dos governantes da República Islâmica que o país se tornou desde 1979. Bem vindos ao Irã! Comecemos, devagar, por Teerã, que não é a melhor cidade iraniana a se visitar, mas é a capital e onde a minha aventura começou.


Deixem-me dizer logo: as ruas de Teerã são as piores de todas as cidades de todos os 57 países que já visitei. Nunca antes havia eu estado num lugar onde achava que ia ser atropelado cinco vezes ao dia. Se você acha motorista brasileiro mal-educado, saiba que aquilo está looonge de ser o fundo do poço. 


Aqui no Irã ninguém pára. Os semáforos piscam inutilmente em amarelo o dia inteiro na maior parte dos lugares; faixa de pedestre é decoração; e cada travessia de rua é como atirar-se num motorizado rio constante. As avenidas são largas, como você pode ver. Motoristas podem ter mais dor de cabeça na Índia ou na Indonésia, onde tudo se engarrafa, mas o pedestre facilmente ziguezagueia entre os carros. Já aqui, não. Há fluxo o bastante para não lhe deixar atravessar. Enquanto isso, motos vão na contramão e pelas calçadas, que às vezes transformam-se em verdadeiras motovias. De quebra, a poluição do ar lhe irrita o nariz e come os pulmões. É um aspecto real e muito pouco pitoresco aqui do Oriente Médio.

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Uma avenida em Teerã, vista do alto de uma passarela que quase ninguém usa. O semáforo em amarelo piscando, como eu disse. E a faixa de pedestres que tampouco importa. O tiozinho ali no meio, que parece que vai ser atropelado pela van verde, se salvou. Os iranianos têm uma destreza imensa. A forma mais segura de atravessar a rua é seguindo um deles.

Mas calma. Metade de vocês já deve estar pensando: “Deus me livre, tá vendo que eu não vou a um lugar desses. Ainda mais perigoso, cheio de radicais islâmicos“. O único perigo aqui é ser atropelado. Teerã é provavelmente mais segura que qualquer cidade brasileira, com exceção de Gramado e Canela. Me senti à vontade todo o tempo que andei. E preste atenção que praticamente nenhum dos ataques suicidas ou terroristas que você vê nos jornais ocorre no Irã, ou é sequer levado a cabo por iranianos. É quase sempre Iraque, Afeganistão, Paquistão… Eu sei, é uma vizinhança barra-pesada, mas não é tudo igual. Achar que é tudo igual é ignorância nossa. Repare da próxima vez e veja quantas notícias você encontra onde o terrorista ou homem-bomba era iraniano.  


”Ah, é tudo árabe“. Pelo amor de Jesus e de Allah, não diga isso. Os iranianos são persas, não árabes. Morenos, sim, mas em geral de cabelo mais liso. Eles em geral não gostam uns dos outros e abominam serem confundidos. (Chegue a um bar e diga a um russo que ele e alemão são que tudo a mesma coisa só porque ambos são brancos e cristãos, e porque você, do Brasil, de vista não consegue diferenciar um do outro. Boa sorte.) 


O Irã é a Pérsia, só que com seu nome original. “Pérsia” foi um nome dado pelos seus rivais os antigos gregos, e que permanece até hoje no Ocidente. Os persas sempre chamaram a sua terra de Aryân, Eran, Irã ou variações do mesmo. Aí em 1935, o monarca iraniano se retou e exigiu que a comunidade internacional tratasse o país como Irã em contextos oficiais, então a “mudança” de nome oficial. No plano cultural, entretanto, os dois nomes continuam. A língua que eles falam é o farsi (ou persa), que na antiguidade tinha o seu alfabeto próprio e que há séculos adotou a escrita árabe, mas que é outra língua — do mesmo jeito que o português e o finlandês usam o mesmo alfabeto latino mas são línguas diferentes.


É engraçado porque, tanto no Brasil quanto no restante do Ocidente, se você fala em Pérsia as pessoas logo pensam em história antiga, em Príncipe da Pérsia, cultura, sensualidade, charme, beleza. Mas se fala em Irã, logo pensam em terrorismo, radicalismo islâmico, num país desértico e empoeirado. Não se dão conta de que é o mesmo lugar, a mesma civilização, com vários desses elementos juntos ao mesmo tempo. Então é hora de corrigirmos essa visão artificialmente dividida, meio esquizofrênica.  

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O interior do um palácio persa, iraniano, que eu visitei em Teerã.
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A escrita da Pérsia Antiga, numa pedra milenar guardada no Museu Nacional. Não me perguntem o que está escrito. (Essa escrita já não se usa mais).
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Agora sim, a escrita persa atual, com o alfabeto árabe. Eis uma singela passagem de ônibus minha no Irã, pra verem com o que eu me deparei. Vocês provavelmente não sabiam, mas os números também são diferentes dos nossos. Os algarismos arábicos a que estamos acostumados são os arábicos ocidentais, isto é, do oeste do mundo árabe medieval: norte da África e Península Ibérica. Já nestas bandas de cá (Irã, Síria, Arábia Saudita, Paquistão…) eles usam os números arábicos orientais, que são diferentes. Vejam abaixo. Assustam no início, mas, como tudo na vida, você aprende.
Eastern arabic numerals
A que encontrei no Irã foi a variante perso-arábica. Nunca vou me esquecer do dia em que paguei 50 num chocolate quente que custava 40, mas onde havíamos incorretamente lido 60, e eu paguei 50 achando e saí crente que tinha conseguido por menos. E, sim, o cara me enrolou cobrando mais, tirando vantagem do analfabeto aqui. (Caso alguém esteja a se perguntar sobre o Urdu, é a língua falada no Paquistão, que soa quase idêntica ao Hindi, da Índia, mas que assim como o persa usa o alfabeto árabe e esses números aí na escrita.)

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Era uma noite quente de primavera quando eu cheguei ao Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerã. O nome é o do líder da Revolução Iraniana de 1979. Tirei o visto sem dificuldades na embaixada do Irã na Holanda. Sabendo que você é brasileiro, eles facilitam tudo. Em geral gostam muito do Brasil. O rapaz que me atendeu ainda puxou conversa de futebol (claro), e foi tudo muito tranquilo. O visto ficou pronto em uma semana, e controle de passaporte no aeroporto é mais tranquilo que na Europa, pra não falar nos Estados Unidos. 


Já o aeroporto em si, é uma esculhambação. Pequeno e decaído, mas com gente como formiga. A sorte foi chegarmos tarde da noite, e assim não tivemos dificuldade em encontrar o humilde taxista que nos aguardava com a plaquinha com o nome da amiga turca que me acompanhou. 


Homem aqui normalmente não aperta mão de mulher (e nem encosta), então o cumprimentado fui eu. Com ela só aquele olhar de “Oi, sou eu”, “Oi”. Ela, como manda a lei, assim como todas as demais mulheres, turistas ou não, precisou cobrir o cabelo com um véu a partir do momento em que desembarcou do avião. Quem sair sem o véu na rua é parada pela polícia. E se tiver pega-pega entre mulher e homem, ambos podem ser multados ou ir parar na delegacia. (Eu acho ironissíssimo que tocar em mulher não pode, mas andar de moto na calçada, eles deixam). Em tese, me diziam que homem e mulher não podem nem se tocar em público, mas na prática há casais de mãos dadas. Porém não vai muito além disso; nada de abraços ou grandes afeições às vistas. 


O carro tinha aquele cheiro gostoso de estofado que não vê limpeza há anos. Depois de 1h nele, chegamos ao nosso belo hotel duas estrelas. O setor turístico no Irã é precário, normalmente há as opções cinco estrelas (caras) e o resto. Eu fiquei no resto. Ainda que haja muito a ver no país, as sanções econômicas do ocidente impedem o uso, por exemplo, de cartões de crédito estrangeiros, além de dificultar-lhes receber investimentos, então é uma pindaíba. O nosso hotel tinha uma decoração demodê anos 40, cano velho, pia que vaza e chuveiro por cima do vaso sanitário. Uma janela de vidro duplo dava para uma avenida tipo o Minhocão de São Paulo, com carros trafegando desde cedo. Agregue-se a isso um calor do cacete (pra não usar aqui palavras de baixo calão); e não, tolinho, não tinha ar condicionado. Apesar disso, os funcionários eram cordiais, a maioria mulheres.


O café da manhã no hotel era — todo dia — sopa de lentilha, chá preto, pão chato com sementes de gergelim, pepino, tomates, ovo duro, azeitonas pretas, e queijo branco salgado. Hardcore, mas não me assustou muito. Eu prefiro refeições salgadas aos cafés-da-manhã doces cheios de geleia e pão açucarado da Europa. O meu problema foi que não havia café, e como é que você toma café sem café? Só havia uns sachês malignos da Nestlé com uma mistura em pó “3 em 1”, que consistia (teoricamente) em café, leite em pó e açúcar. Parecia-se com aqueles “pingados” de rodoviária do interior que o cara lhe dá já bem adoçado e com bem mais leite que café. Tenebrosa a mistura, mas era o jeito. 


Era sol, e no primeiro dia descobrimos a beleza de Teerã que a mídia ocidental não nos mostra. Não estou sendo irônico. Apesar das ruas agitadas, encontramos belos jardins, limpos e arrumados, além de praças bem verdes. Um asseio e beleza que não vejo no Brasil, ou mesmo na maior parte das cidades da Europa. Confiram com seus próprios olhos.

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Uma praça qualquer de Teerã, com jardins, fontes e as pessoas nos bancos. Não vi nem pedinte nem desordem, muito menos ladrão.
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Mulher tirando foto dos meninos num jardim de tulipas.
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Isto é um parque público no centro de Teerã. Ao fundo você vê as montanhas do norte do Irã, que você avista da maioria das ruas da cidade. Embora hoje em dia a Holanda seja a mais famosa pelas tulipas, foi aqui na Pérsia que elas começaram a ser cultivadas, desde o século X. Depois, os turcos otomanos abraçaram a ideia e os embaixadores europeus, maravilhados, as levaram aos seus países, séculos mais tarde.

Eles aqui têm um capricho muito grande com esses espaços públicos. Desse nível eu só vi na Turquia e, até certo ponto, no Marrocos. Não sei se é algum apreço islâmico pela jardinagem, sei que é bonito. Vá procurar em Chicago, Roma, ou mesmo em Paris um espaço assim. 


Teerã tem duas faces, por assim dizer. O norte da cidade é mais alta-classe, com casas e lojas mais caras, shoppings, e alguns cafés à moda europeia onde andam os jovens. Já o sul é mais povão, com os bazares, coisas e gente mais simples — e mais conservadora. Nestas partes você vê muitas mulheres de xador preto (um manto que expõe só o rosto, diferente da burqa, que cobre o rosto também). 


Comecei pela parte povão. É movimentado, agitado, mas agradável. Os bazares são uma riqueza de cores, com tapetes, tecidos, trabalhos em vidro, jóias, especiarias, frutas secas e mais uma pá de coisas. Não demorei (ou melhor, não resisti) e barganhei logo um tapete pra mim. 

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Senhora com um xador e os vendedores de especiarias, temperos e frutas secas.
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Frutas secas de vários tipos, comumente maçã, damasco, e ameixas de vários tipos. (Ali está o preço, não consegue ler não?)
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Falando em números, estes aqui ficaram me zoando quando souberam que eu era brasileiro, devido à derrota de 7 a 1. Gente muito boa. (Percebam os narizes grandes persas característicos. Tipo o meu).
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E a comida! Aqui no Irã há uns mil tipos de azeitonas. Essa massa roxa ao lado são azeitonas temperadas com outras azeitonas e tempero.
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Este rapaz vendia “tapetes” de doces de frutas. Ele corta com a tesoura e pesa. (Se bem que deveriam se chamar azedos de frutas, pois são sem açúcar e azedos pra cacete. Quem for me visitar em Feira de Santana neste fim de ano poderá experimentar.)
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Sopas típicas que tomamos na rua. A da esquerda continha iogurte, que nesta região do mundo as pessoas comem com a comida. A da direita tinha uma folha azedinha, que acredito ser de videira (uva). Não eram más.
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E, claro, o meu novo tapete com motivos tribais, comprado na mão do brother.

O bazar é legal, sobretudo o da rua. Há também uma grande parte coberta, muito parecida com o Grand Bazar de Istambul na Turquia, mas menos interessante aos meus olhos. Muita coisa de fábrica, do dia-dia, e jóias. O mais bonito pra mim é a arquitetura.

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Uma das mil entradas para o Grand Bazar de Teerã.
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“Ruas” no interior do Grand Bazar coberto. Nesta parte, mulheres de preto olhavam jóias nas vitrines.

Passando dali às áreas mais ao norte do centro, o ambiente é outro. Não vou lhe dizer que muda tão radicalmente quanto ir do Leblon a Pavuna no Rio de Janeiro, ou de qualquer periferia a bairro nobre no Brasil (a América Latina ainda é o continente mais desigual de todo o mundo), mas você percebe a diferença. Há menos gente vestida à maneira conservadora, mais lojas chiques, avenidas melhor arborizadas, etc. Há também muitas coisas que os olhos não veem, pois como muito é proibido no Irã, muito ocorre às escondidas, longe das vistas, sobretudo dentre a turma jovem de classe média. 


Eu gosto de dizer que os iranianos são os italianos do Oriente Médio. Na Europa, os italianos têm fama de serem os que melhor se vestem, os das maneiras mais refinadas, e os mais metrosexuais (de homem “metropolitano”, que se vestem de acordo com a moda, usam cosméticos, etc., independente da sexualidade). No Irã é parecido. Os homens desfilam no dia-dia com suas camisas sociais de manga comprida na rua, sempre sapato social para ir ao trabalho, e calças sociais em vez de jeans. As mulheres, apesar da obrigatoriedade do véu, desfilam seus óculos escuros sobre a cabeça, maquiagem, enfeites, véus coloridos, xales no pescoço e sobrancelhas feitas. 

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Este é um visual típico dentre as mulheres de classe média no Irã, que você vê comumente nas grandes cidades.

É diferente dos países árabes, onde as pessoas me parecem muito mais simples e básicas no vestir — os homens frequentemente saem de chinelão ryder no pé, e as mulheres quase sempre estão em trajes tradicionais de tons neutros. E não é só a roupa: os árabes são muito mais simples e rústicos, muitas vezes ríspidos (lembro-me que em Marrakech eu via pelo menos um bate-boca ou briga de rua por dia), enquanto que os iranianos, em comparação, me parecem cheios de educação e polimento — às vezes até demais, a ponto de serem meio falsos, mas falaremos disso depois. Não estou dizendo que um seja superior ao outro, mas que são comportamentos e hábitos sociais diferentes.


Falando em polir, nunca vi um lugar com tanta gente que tenha feito cirurgia plástica do nariz. Na rua, num dia você vê pelo menos meia dúzia de gente com curativo pós-cirurgia no nariz, sem falar em outros tantos (homens e mulheres) com o nariz já afinado. Das que trabalham com serviços então (ex. aeromoças), algumas chegam a se parecer com bonecas barbie. A moda é ter o nariz europeu, ao contrário do habitual nariz grande e comprido que os persas têm. Às vezes a cirurgia embeleza, mas às vezes fica artificial demais e feio. (Em reação a isso, há agora uma campanha chamada “Meu nariz natural” aqui no Irã, vejam aqui.)

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Restaurante no centro de Teerã com decoração características. Esses assentos onde você senta com as pernas cruzadas e come sem mesa são tradicionais aqui no Irã.
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Teatro Municipal de Teerã.

No cruzamento das avenidas Valiasr e Enghelab fica o teatro da cidade, um belo prédio, e fica também o coração da área frequentada pela juventude de classe média. Um amigo brasileiro trabalhou na Líbia e me disse que lá homem e mulher mal se olhavam nos olhos, que ele tinha medo de olhar a lambisgóia errada e se dar mal. Se é verdade, não sei, sei que aqui em Teerã isso está longe de ser o caso. O que eu mais vi foram casais jovens conversando livremente na praça — além de eu próprio ter tomado umas belas secadas aqui e ali. 


Foi só nessa área que eu, finalmente, consegui beber café. Antes, no bazar, eu tive que tomar mais uma vez a inglória mistura 3×1 na rua porque não consegui ficar sem café e foi só o que eu encontrei. As pessoas bebem é chá preto o tempo todo. Mas neste pedaço, não, aqui tem todos aqueles cafés à moda europeia (espresso, cappuccino, etc.). O lugar ficava mocado, meio escondido, quase como um lugar de jogo do bicho, por detrás de umas portas ao fundo de uma galeria. O interior, meio escuro onde as pessoas fumavam, embora arrumadinho parecia um salão de jogo de pôquer, com as luzes sobre as mesas, onde jovens ficavam de namorico e risadas secretas. Do bar, o despojado dono, jovem, tocava Red Hot Chili Peppers e outras bandas ocidentais proibidas no Irã como música “não-islâmica”. Na prática, há um abismo enorme entre o conservadorismo das leis e a mentalidade de grande parte da população. 


A parte mais inglória, contudo — e isso eu não havia previsto — foi a dificuldade pra achar lugares onde comer. Eu me dei conta de que a vida social não-religiosa aqui se dá mais em locais privados, não em público. As festas são quase sempre na casa de alguém, ou em bares e clubes escondidos. Não imaginei que até os restaurantes fossem tão escassos, a ponto de serem quase inexistentes fora dos hotéis e pontos turísticos. Parece que iraniano simplesmente não come fora. Só o que achamos foi fast-food, limitado sempre a hambúrguer, pizza chinfrim, e falafel frito no pão, que por demasiadas vezes teve que servir de jantar.

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Olha o falafel aí na minha mão. Pra quem não conhece, são bolinhos fritos de grão-de-bico com tempero. Não é mau, apesar de um pouco gorduroso. Você acha fácil cá no Oriente Médio e, hoje em dia, na Europa.

A sorte foi, nessa área aí mais nobre, Allah ter ouvido as minhas preces e eu me deparado com um buffet iraniano vegetariano. Olha que maravilha. Soltei até um beijo no ar, para delírio geral e o divertimento do povo atrás do balcão. 


Uma observação breve sobre os modos iranianos: jamais faça aqui o sinal de positivo com o polegar (o joinha), habitual no Ocidente e sobretudo no Brasil. Aqui ele significa o mesmo que mostrar o dedo do meio. Mas quem disse que eu consigo me policiar? Num país onde você não fala a língua, é quase automático agradecer uma informação ou o que for sempre com o gesto. Ainda bem que não entrei em confusão. O mais comum no Oriente Médio parece ser pôr a mão sobre o peito, como que no coração. Ou soltar um beijo, a depender da sua euforia. A minha por ter achado comida era enorme.

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Arroz de vários tipos temperados no buffet. Deixa eu dizer eu segredo a vocês: no Brasil a gente não sabe o que é arroz não, viu. Aqui no Irã você come o arroz até puro, de saboroso que é, diferente do bagulho parbolizado e sem gosto que se vende no Brasil.

Após uma bela refeição, retorno de metrô ao hotel. Haviam me dito que o metrô de Teerã era um inferno. Balela, o metrô funciona muito bem, obrigado. E nem tem tanta gente assim. É movimentado, mas nem se compara aos do Rio ou de São Paulo quando o bicho pega.


Na manhã seguinte, acordamos para o belo som de britadeira entrando pela janela, para complementar a canção dos carros e aumentar a poeira um pouquinho. Uma delícia. Dois dias foram o suficiente para vermos o que queríamos em Teerã, e seguir viagem. Vimos o belo Museu de Vidrarias (glassware) antigas, o Museu Nacional, obrigatório para os amantes de História, as jóias da coroa em exibição no Banco Central (proibido foto), e — o mais bonito ao meu ver — o belo Palácio Golestan, da Dinastia Qajar do século XVIII, que fez de Teerã a capital. 

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Jarra de vidro temperado da Pérsia medieval.
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Datada do século X ao XII.
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Nos jardins e fontes do Palácio Golestan, hoje atração turística.
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Uma das fachadas do palácio.
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Interior.
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Essas paredes decoradas com espelhinhos são bastante comuns aqui. É uma coisa do século XX, quando fizeram muitas reformas no palácio.
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Muros do Palácio Golestan, pelo lado de dentro.
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Galerias internas com os largos arcos mouriscos em estilo persa.

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Eis a capital do Irã, e uma breve introdução ao país. Veremos muito mais a seguir.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Pelas ruas de Teerã: Aventurando-se no Irã/Pérsia

  1. Gostei de suas descrições. Sempre admirei o Irã. Vi algumas imagens de Teerã e fiquei encantando. É como vc diz, o que nos chega é lá só tem terrorista, radicais, etc., mas não, vi muitos arranha-céus, avenidas, parece com alguma cidade do ocidente. Como eu gosto muito de vôlei e o Irã vem investindo muito nesse esporte. Parabéns pela iniciativa.

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