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Sorrento e a Costa Amalfitana

Sul da Itália. Costa Sorrentina e Costa Amalfitana, das áreas de resort mais tradicionais de toda a Europa. A poucas horas de Nápoles, não faltam aqui mansões nas encostas, vinhedos, plantações costeiras de limoeiros para fabricação do licor tradicional aqui da região da Campânia, o limoncello — e, é claro, não faltam também belas vistas pra o mar. Sorrento é uma das mais famosas dentre outras cidadezinhas que pontuam esta parte da Itália, como Amalfi, Positano, e a ilha de Capri.


Se você não conhece a famosíssima canção napolitana Torna a Surriento, é hora de preencher esta lacuna. A canção é de 1902, e de lá pra cá já foi gravada por Pavarotti, Plácido Domingo, Andrea Bocelli, Frank Sinatra, Elvis Presley e, no Brasil, Jerry Adriani — dentre muitos outros mundo afora. Video’o mare quanto’è bello, spira tantu sentimento…

Uma chegada aqui é recomendadíssima pra quem for até Nápoles. O ambiente é outro. Enquanto Nápoles te lembra as metrópoles latino-americanas — caótica, vibrante, agitada, meio suja (ver aqui) — as cidadezinhas das costas sorrentina e amalfitana são românticas, tranquilas, sossegadas, bonitinhas e, é claro, bem mais turísticas. Vale a pena conhecer ambos os lados.


Cheguei a Sorrento de trem, vindo de Pompeia. A mim, sozinho, uma tarde foi o bastante para percorrer Sorrento, comer bem, tomar sorvete italiano, e ver o quanto o mar é belo. 

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Ruas em Sorrento. Muito tranquilas.
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Como também muito turísticas.

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As coisas aqui são caras, devo logo dizer. O mercado é quase todo para turistas; portanto, valem as dicas gerais sobre como comer bem na Itália e evitar ser passado pra trás com algo pega-turista, meia boca. Olho aberto e você conseguirá encontrar coisas autênticas.


Mas como nem só de massa vive o homem (nem a mulher), tenha os olhos abertos também para ver algumas preciosidades, como o Mosteiro de São Francisco. Fica bem no centro da cidade, e no seu interior a tranquilidade de Sorrento é multiplicada por dez. Fiquei um longo tempo sossegando na companhia dessa árvore aí abaixo.

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Claustro no Mosteiro de São Francisco, em Sorrento.
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Corredores do claustro.

Há numa das praças de Sorrento uma impressionante escultura de São Francisco, magro como era, em êxtase voltado pra o céu exclamando O Cântico das Criaturas. Dá a base da recente encíclica papal Laudato Si (Louvado Seja), sobre a necessidade imperiosa de conservação ambiental e empatia geral para com as demais pessoas e todas as criaturas.

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Escultura de São Francisco em Sorrento. Laudato sie mi Signore cun tutte le tue creature.

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Foi nessa andança que, curiosamente, encontrei um velhinho. Não esse da foto, mas o dono de uma loja, Seu Fernando. (Como o sul da Itália foi posse da Coroa Espanhola por séculos, há nomes ibéricos aqui). 


O que me fez parar foi a seguinte nota pregada numa vitrine por onde eu ia passando.

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Por favor ajudem cães que estiverem doentes. Se vocês são cristãos devem se lembrar de que Deus criou não apenas o homem, mas também os animais. Obrigado.

Me detive. À porta, um cachorro de médio a grande porte fechava a entrada, cochilando tranquilo, sem a menor cerimônia. Parecia um cão idoso. 


Entrei. Lá dentro Seu Fernando assistia algo numa televisão velha, fazendo também alguma coisa com as mãos detrás do balcão. Era um idoso de restos de cabelos brancos penteados pra trás, e um par de olhos azuis incisivos. Não conversava muito, mas lhe olhava perscrutando, com profundidade de atenção.


Resolvi que seria legal levar uma inspiradora imagem de São Francisco dali. Havia uma magnífica. Quando lhe disse que Fernando havia sido também o nome do meu avô, ele parou. Perguntou de volta se era sério. Eu disse que era. Ele continuou a me olhar, pensando não sei o quê. Eu sorri, e ele resolveu ir buscar uma outra imagem pra mim de presente.


Perguntei sobre o cachorro que fechava a porta. “Essa tem sido minha amiga há 20 anos”, e caminhou até ela.


Perguntei se poderia tirar uma foto.

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Seu Fernando e sua amiga.

Consegui que a viagem tivesse mais significado que o mero prazer estético. Vi o mar o quanto é belo, e Sorrento me inspirou mesmo muito sentimento.


Você pode ficar um tempo a apreciar a vista, como fazem muitos jovens e idosos, só tomando ar fresco e olhando o mar. Se tiver um sorvete em mãos, melhor ainda. 

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Lá embaixo as pessoas tomando drinques à beira-mar, e nadando. A descida é íngreme, como você pode ver.
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Garotada na praça.

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Se você estiver a fim de algo mais forte que o sorvete italiano, vá atrás do limoncello artesanal, o licor digestivo desta região. O que não faltam são lojas vendendo (com degustação grátis!), como na famosa l’Alambicco (do árabe al-Anbiq). Tem em torno de 30 graus, e se toma em doses pequenas, como um digestivo mesmo. O sabor é doce, mas não chega a ser enjoativo (a menos que você tome um copo cheio, aí o açúcar dele vai te fazer parar antes do álcool). Lembra uma sobremesa saborosa de limão, com aqueles detalhes interessantes do sabor do limão, e sem muito da sua acidez.

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… mas sugiro antes as garrafas maiores, artesanais, do que estes de souvenir. Experimente também o crema di limone, a versão cremosa, também muito saborosa.

Com certeza, o nome Sorrento também evoca algo mais a quem é fã de mitologia grega e assistiu a Os Cavaleiros do Zodíaco. Esta costa aqui era um ponto famoso, temido pelos marinheiros como uma alcova de sirenes, belas mas perigosas criaturas que cantavam belamente para atrair marinheiros, fazer seus navios encalharem nas rochas, e devorá-los. A Ilha de Capri, aqui perto, se acreditava ser um reduto delas, e era temida por isso, assim como toda esta costa escarpada daqui. Daí o nome do personagem, Sorrento de Sirene.

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É um hotel de verdade, não é uma casa assombrada (não estamos nos Estados Unidos).
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Varandas muito charmosas.

E viva a dolce vita

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Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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