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Estrasburgo, a Capital do Natal

Este é um post especial de Natal e bastante visual.

Na minha experiência tendo visitado até agora 35 países europeus, Estrasburgo é uma das mais belas cidades do continente. Uma cidade que muitos brasileiros, devido ao seu nome alemão, sequer sabem que é francesa, e que — às margens do Rio Reno, na fronteira entre a França e a Alemanha — tem mesmo um ar germânico. Tirarei um momento posterior para falar da sua importante história e mostrar a sua linda herança como divisora de águas de dois mundos europeus, o francês e o germânico, mas hoje eu falarei exclusivamente da época em que Estrasburgo dá o seu melhor: o Natal.


O mês de dezembro é a alta estação na cidade. Os preços triplicam, os turistas se multiplicam, e não sem razão. Como retratado noutros posts meus da Europa, aqui há a tradição de se fazerem Feirinhas de Natal (Christmas Markets, Marchés de Noel, Christkindlmarkte), um costume germânico medieval e que hoje todas as nações da Europa Central mantêm. São barraquinhas em jeito de casa de lenhador, tradicionalmente em madeira, onde se vendem artesanatos, biscoitos caseiros, e vinho quente com especiarias — o gluhwein, vin chaud, mulled wine ou, no brasileiro popular, quentão.


Já estive em festas de Natal de quase toda a Europa, e Estrasburgo talvez seja a melhor delas, ao menos em termos de decoração e visual. Se em outras cidades da região, como Viena ou Berlim, há as tais feirinhas em alguma praça da cidade, aqui em Estrasburgo elas estão por toda parte. A cidade histórica inteira se converte numa “disneylândia natalina”, onde as estreitas ruas e largas praças enchem-se de gente e do clima de Natal.


Se você não gosta de multidões, evite; mas se não liga, caia na gandaia como eu. Dei ainda “sorte” que este ano, devido aos atentados em Paris, os franceses ficaram com medo e vieram em menor número — disse-me a funcionária do hotel.

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Uma das praças centrais de Estrasburgo à noite. (Aqui na Europa as árvores de Natal tendem a ser de verdade, não de plástico.)
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Casinhas tradicionais de madeira montadas pela cidade vendendo produtos de Natal.
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Os famosos biscoitos alsacianos, aqui chamados de Bredele ou Bredle. Eles são comuns em toda a Europa Central nesta época do ano. Normalmente são biscoitos com mel, doces de frutos silvestres, ou mais caracteristicamente com especiarias exóticas tipo cravo e canela. Essas especiarias, caras e apreciadas na Europa medieval como um luxo, eram guardadas justamente para a celebração mais importante do ano, o Natal.
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Quentão. O vinho, como os biscoitos, leva as especiarias e casca de laranja, também exótica (as laranjas são da China e foram trazidas à Europa mediterrânea pelos árabes como algo exótico). O quentão, doce, também leva o não menos exótico açúcar, especiaria que vendia a preço de ouro na Europa, vide a História brasileira.
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Muito típicas por toda a Europa a esta época do ano são também as castanhas portuguesas (como estas são conhecidas no Brasil). Assadas e vendidas na rua, elas são uma delícia.

A cidade em si já é pitoresca, e na época do Natal o fica ainda mais.

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Ruas do centro histórico de Estrasburgo. Arquitetura alemã, alma francesa.
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Decoração de Natal no casario antigo.
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Enfeites mil.
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Canal que circunda o coração da cidade.
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Astral ótimo.
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Pra ver arte gótica e a parte cristã do Natal, não deixe de conferir a linda catedral de Notre Dame de Strasbourg, que em 2015 completou mil anos de sua fundação. (O interior da catedral eu mostro quando comentar melhor Estrasburgo.)
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Mostro, por ora, o presépio montado na igreja em diversas partes, a iniciar pelo anúncio do Arcanjo Gabriel a Maria.
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…seguido do encontro de Maria com sua prima Isabel, que já estava grávida de João Batista…
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O nascimento de Jesus na manjedoura.
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A visita dos Reis Magos.
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E, por fim, a apresentação de Jesus ao templo, conforme a tradição judaica 40 dias após o seu nascimento. Ali Simeão, no centro, o segura.

Comentarei melhor a minha experiência na cidade num post futuro. Por ora, um ótimo Natal a todos!

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Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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