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Ollantaytambo e o Vale Sagrado dos Incas

O vale do Rio Urubamba, mais conhecido como o Vale Sagrado dos Incas, recorta a porção sudeste dos Andes peruanos, onde as montanhas já começam a se aproximar da Amazônia. Ainda não há, é claro, traços da exuberante selva que se encontra quilômetros mais adiante; mas tampouco há a secura do oeste peruano. Aqui, neste vale, os incas cultivaram milho desde muito antes da chegada dos espanhóis. Outros indígenas já o faziam muito antes da chegada dos incas aqui. 


O vale é uma riqueza de visuais, com paisagens naturais magníficas pontuadas por vilarejos de origem inca aqui e ali. O Rio Urubamba em si é modesto, nada a se comparar aos rios amazônicos. Porém, ele deu — e ainda dá — a vida a uma das regiões mais lindas do Peru.

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Cultivo milenar do milho na região. (Percebam a miudeza do ônibus na imensidão da paisagem.)
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Vista no alto para as montanhas e os terraços em degraus, construídos pelos incas. Esses terraços podiam servir para cultivo, com a técnica de fazer a mesma água da chuva descer gradativamente e irrigando tudo, em vez de em torrente.
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Construções incas no alto. Nenhuma civilização se acostumou ao sobe-e-desce tanto quanto os incas. Imagine percorrer estas alturas (e com pouco oxigênio, pois estamos a mais de 3.000m).
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Você se sente um ponto na imensidão.

A forma mais fácil de chegar ao Vale Sagrado dos Incas é a partir de Cusco. Foi o que fiz. So que, em vez de pegar o passeio de um dia inteiro que retorna a Cusco, resolvi que não voltaria; ficaria em Ollantaytambo, um vilarejo (que foi minha parada favorita neste vale) já nas proximidades de Machu Picchu. Lá eu pernoitaria para no dia seguinte ir à famosa “cidade perdida dos incas”. 


Tivemos muita sorte de a chuva nesse dia dar uma trégua. A melança é grande quando chove, como você pode supor pelo visual das fotos. A subidas se tornariam ainda mais problemáticas. É preciso ter pernas.


Sua viagem terá breves paradas aqui e ali, com tempo livre para explorar as ruínas nas alturas e — se quiser — fazer compras. Este é um roteiro bem turístico, e há portanto vendedores de souvenirs andinos por toda parte. A cada parada onde o ônibus estaciona, há barraquinhas e ambulantes vendendo milho cozido (de diferentes tipos!), batata com molho tradicional apimentado, roupas de alpaca (ou não; leia aqui para saber diferenciar), bolsas de tecido, etc. 

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Como você pode ver, os lugares (e as pessoas) são bastante pobres e simples.
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Acho que paguei R$ 2 nesse pratinho de batata e ovo cozidos regados com uma salsa picante por cima. A batata ficou meio seca depois a salsa acabou, mas deu pra complementar o café da manhã.

Com o tempo eu percebi que não era o único brasileiro do grupo. Encontrei uma curitibana morena que estava viajando só, e nos ajudamos com as fotos. Mais adiante, comprando trufas de maracujá numa parada, percebi que a vendedora era brasileira também, uma loira de Salvador que veio ao Peru e nunca mais voltou ao Brasil. “Uma energia dessas… Eu vim pra cá e nunca mais saí.”, disse-me a conterrânea de tranças no cabelo e trufas deliciosas. 

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Vendedoras fazendo marcação.
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Com a vista ao fundo.

Chegaríamos a Ollantaytambo no meio da tarde. Como o vilarejo fica “escondido” entre as montanhas, o pôr do sol acontece bem cedo. É fundamental chegar aqui antes dele, senão você não enxerga mais nada. Há escadarias imensas do tempo dos incas subindo a montanha, assim como mirantes e passadiços lá no alto.


Acho que nunca estive num lugar mais “Indiana Jones”.

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Eis as escadas, rumo à luz.
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Eis a vila, entre as montanhas.
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E eis as alturas, com os miúdos caminhantes ali.

Você passa bem umas duas horas circulando lá por cima, se não mais. É preciso pagar pra entrar, mas o preço é modesto, e vale muito a pena. Eu já disse que prepare as pernas? 

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Subir, subir.
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As formiguinhas rumando ao alto.
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E, no alto, edificações dos tempos dos incas.
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Pausa para um descanso…
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… e gaiatices fotográficas, mirando o pôr do sol lá do alto.
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A luz já deixando Ollantaytambo ao final da tarde.

Depois de vasculhar antigas casas de estocagem, postos de observação, e caminhos pelo alto das montanhas — e depois se sentir miúdo nessa imensidão montanhosa — a noite cobre tudo e você não vê mais nada. Nem se dará conta das gigantes que o circundam.


Aquela formação na parte baixa da foto acima são barracas de souvenirs. Elas lotam aquela praça principal de Ollantaytambo, mas vão todos embora assim que o sol se põe e que os turistas partem.


Peguei minha mãe, que estava aguardando lá embaixo, e peguei também uma deliciosa Inca Cola para refrescar. (Mentira que não é deliciosa, o troço é ruim pra diacho, com um gosto artificial que lembra chiclete e uma cor amarelo-ácido-de-bateria. Mas quebra o galho.)

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Tomando Inca Cola. (A cara não foi proposital. Esta foto foi tirada sem o meu consentimento. O alívio é autêntico. Beba Inca Cola.)
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Meninada vestida com trajes tradicionais da região na feirinha.

Terminado o dia, despedimo-nos do restante do grupo e ficamos para pernoitar aqui em Ollantaytambo. Em retrospecto, acho até que poderíamos ter passado um pouquinho mais de tempo nesse vilarejo. 


Você pode pensar que, terminado o sol, terminou o espetáculo. Mas Ollantaytambo é bem bonitinha, toda de ruas e regos e calçamento e aquedutos feitos pelos incas nos séculos XIV e XV, e com casas que conservam até hoje suas sólidas bases de rocha maciça.  

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Ruas do vilarejo de Ollantaytambo. (Me disseram que ficasse de olhos abertos se perambulasse à noite por corredores estreitos, mas não cheguei a sentir risco.)
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As casas com suas fundações inteiras feitas no tempo dos incas.
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Arcadas seculares que hoje servem de entrada a restaurantes.

No final das contas, achei Ollantaytambo um vilarejo muy precioso, como gostam de dizer em espanhol. De quebra, é cheio de albergues, hostels e pousadas fofinhas. (A que ficamos tinha jardim, quintal com plantas e rochedos, etc.) E não são caras. 


Chegando a noite, o pretume vai se formando onde antes havia as montanhas. O recorte fica delineado pelo céu, cuja cor vai se transformando mais devagar. A melhor decisão foi pernoitar aqui antes de ir a Machu Picchu, aqui perto. Entre cá e lá uma pizza, e a noite a ser admirada no céu.

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Uma outra praça de Ollantaytambo ao anoitecer.

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Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Ollantaytambo e o Vale Sagrado dos Incas

  1. Ahhhhh!… Ollantaytambo e aquele Vale sagrado são mesmo uma preciosidade. Considero com Machu Pichu o ponto alto dessa aventura pela grande Cordilheira com sua estupenda energia, seus encantos, sua significação, sua cultura, sua historia.
    Que maravilha a cidadezinha, que lugarzinho fofo que linda pracinha que gente boa e simpática..Que espetacular paisagem, que ruinas soberbas, que mundo maravilhosos este. E a Cordilheira magnifica, portentosa como que abraça e protege aquela gente, aquele lugar com uma energia impar. Imperdível a visita a esse recanto sagrado que guarda a magia de um povo espetacular e desconhecido. Que beleza de lugar que bela postagem, amigo jovem viajante. Maravilhoso.
    E o senhor como sempre parece parte da paisagem, integrado ao ambiente e sintonizado com a grande energia do gigante da America dos Sul; digno filho dessa maravilhosa parte do mundo com seus encantos e cultura impares.
    Maravilhosa região, excelente postagem. Valeu muito. Adorei. Repetindo uma canção de Ney Matogrosso. ” Deus salve esta America do Sul…..”

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