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Phuket: Praias e música no sul da Tailândia

Poucos ainda não ouviram falar das praias da Tailândia. Mundialmente elas são famosíssimas. Mesmo para nós, que no Brasil temos praias belíssimas “em casa”, não dá para vir à Tailândia sem conhecer este sul do país, de mar, praias, ilhas e sol — ah, e também de perdição, muita bebedeira, festas à luz da lua cheia, etc. Pra quem não sabe, o sul da Tailândia é geralmente o ponto de “iniciação” dos mochileiros europeus e norte-americanos.

Phuket é, seguramente, o coração deste sul, embora não seja o seu lugar mais bonito. (Tailandês não é latim, então o Ph se pronuncia com som de P mesmo, seguido de um H aspirado, não de F.) Trata-se de uma grande ilha, tipo 1h de uma ponta a outra, e ligada ao continente por uma ponte. Perdeu o Ko (“ilha”) que precede quase todos os outros destinos daqui (Ko Samui, Ko Phi Phi, Ko Pha Ngan, e dezenas de outras ilhas).


Eu vim porque queria conhecer este tão afamado lugar. Já é um destino turístico um tanto “batido”, mas que não deixa de ter uns atrativos — e, o mais importante, serve de ponto de partida para se conhecer as demais ilhas.


Prepare-se para um nível maior de malandragem que nas outras partes do país (tipo o que ocorre com Bali em comparação ao restante da Indonésia), e para o calor, é claro.

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Rua simples no centrinho de Phuket Town, as pessoas montando o Sunday Night Market. Essa é a principal atração “urbana” de Phuket, que tivemos a sorte de conferir.

Acordamos às 4h da manhã para seguir ao aeroporto de Chiang Mai, e trocar o fresquinho suave do norte da Tailândia pelo abafo quente do sul. Aqui é calor tropical o ano todo — chegando a ser tão quente no verão (jun-set) que despenca o céu em chuvas quase todos os dias. Mesmo neste inverno (dez-mar), a sensação era de estar num dia de verão na Bahia.


Desembarcando no aeroporto, após um cochilo reenergizante no avião, fomos apresentados à muvuca comercial pega-turista que é Phuket.


Antes mesmo do portão de chegada, você passa logo após pegar as bagagens por um saguão de agências de turismo chamando você, abordando, querendo saber a que hotel você vai, o que vai fazer, qual a sua idade, etc. Os preços aqui são altíssimos se comparados ao que depois encontraríamos pela cidade, então nem perca o seu tempo e nem a sua paciência. Os vendedores aqui farão drama, dizendo que depois que você sair pelo portão não haverá mais volta, e alguns são inclusive desaforados, mas ignore todos.


Ignore também os taxistas na saída. Há um serviço de van que leva você a várias partes da ilha por preços bem mais em conta, é só se informar no aeroporto. (Se disserem que esse serviço não existe mais, é mentira. Pergunte a outra pessoa até descobrir.)

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Eu, depois, almoçando numa das bodegas de Phuket Town.

Na van, Travis encheu uma sacola plástica de um líquido verde — vômito com cor do picolé artificial que chupou, disse-me sua namorada. Na frente, uma figura andrógina (creio eu uma mulher, com jeito de cara baixinho arrumador de caixas) arrumava os passageiros e ficava de olho em Travis para que ele ficasse bem — e não vomitasse nas poltronas. Sua namorada, como ele da Califórnia, falava comigo com aquele nauseante sotaque californiano estilo As Patricinhas de Beverly Hills (“Like, oh my God, it was so awesome“). Contou-me que ela e Travis estavam em lua de mel, mas que passaram a maior parte do tempo na Tailândia com dor de barriga. Recomendou-me Siem Reap, no Camboja.


Uma hora depois, chegamos à rodoviária de Phuket Town, onde os funcionários não tinham o menor senso de direção. O lugar é todo a céu aberto, apenas com um teto amplo, tipo posto de gasolina. Estávamos a 20min de caminhada para o centro da cidade, mas ninguém parecia saber nos indicar para que direção ele ficava. Num guichê, um funcionário de ar preguiçoso me deu provavelmente a conversa mais gesticulada de toda a minha vida — mais que qualquer uma que tive na Itália — a ponto de o meu amigo nos observando começar a rir sozinho, eu ainda tentando fazendo sentido das “instruções”. Não fiz.


O meu palpite da direção, de toda maneira, estava correto, e seguimos debaixo do sol daquela manhã quente até fazer uma pausa para tomar café e comer uns quitutes simples de arroz com leite condensado — uma delícia!

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Nós com as bagagens e um dos bolinhos de massa de arroz cobertos com leite condensado e enrolados em folha de bananeira. Uma delícia! Comemos rápido e não nos lembramos de fotografar.

Na pousada, fomos recebidos por Pai, um rapaz tailandês baixinho, sorridente e muito simpático.


Phuket Town, a principal cidade da ilha, têm belas e antigas casas de estilo português, de quando os lusos tinham um entreposto comercial aqui, embora o “geralzão” fora do centro histórico seja pouco atraente. E o mais importante: é daqui de Phuket Town que sai a maioria dos ferries para as ilhas menores deste sul da Tailândia. (Há quem opte ficar em Patong, uma praia notória por suas festas, do outro lado da ilha, mas eu escutei que a praia lá é bastante suja. E fica mais distante se você quiser fazer passeios de barco.)


Fomos, em vez de a Patong, à Praia de Kata, que nos haviam recomendado. É bastante limpa e, embora não tenha exatamente o charme das praias brasileiras, nos pareceu legal.


Nós almoçamos naquela bodega que eu mostrei numa das fotos acima, circulamos um pouco pela cidade, e tomamos um dos camburões que fazem as vezes de ônibus aqui. Eu chamaria de “pau de arara” se não fossem cobertos. Você entra pelo fundo, tipo camburão militar.


Junto de nós havia um homem nórdico com uma garotinha de seus 10 anos (que parecia ser sua filha), uns jovens gringos, e um tailandês ou outro indo pra casa.

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Casas de influência portuguesa no centro histórico de Phuket. Os portugueses aqui chegaram em 1511 e foram os primeiros europeus a estabelecerem relações com o então Reino de Sião, que depois viria a se chamar Tailândia. Hoje são apenas resquícios históricos; não espere encontrar nenhum português aqui, exceto turistas.
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Lojinhas estilo boutique, pra quem gosta de compras.
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Mas a Phuket “real”, da maior parte dos lugares, é esta aqui. Mostro porque eu não sou revista de bordo de avião e não quero iludir ninguém.
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O nosso camburão-ônibus rumo à Praia de Kata. Aquela mulher alegre ali coletava as passagens. Não me lembro quanto foi, mas foi barato.

Foi engraçado quando o nórdico, antes de darmos partida, nos perguntou pra onde este ônibus ia, quando ainda estávamos aguardando o motorista voltar ao ônibus e decidir sair.

– “Praia de Kata“, respondi eu prestando assistência.

– “E a Praia de Kuta?“, perguntou ele com aquela cara séria imutável, típica dos homens nórdicos.

– “A Praia de Kuta fica em Bali, na Indonésia.”, respondi eu sem conseguir esconder o sorriso. “Você está um pouco longe“, completei.

Ele, imune à ironia, manteve aquele semblante nórdico a-emocional digno do Mika Hakkinnen e não disse nada. Saltou do ônibus com a menina e foi embora. (Não sei se resolveu ir pegar um avião para Bali.) Cinco minutos depois, ainda estávamos lá, e ele voltou com a menina. Acho que se resignou e aceitou ir pra Kata em vez de Kuta.


Sem mais delongas, um vídeo curto da Praia de Kata, pra você sentir uma palhinha da atmosfera do fim da tarde. (Esse ruído de fundo são os passarinhos nas árvores, e a música estava lá mesmo, não é edição minha.)

A praia, verdade seja dita, é legal, tranquila, mas eu não acho que se compare às praias brasileiras. A água é bonita e bem quieta, bom pra quem vai com crianças. Quase todos os visitantes são turistas.

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Praia de Kata, Phuket.
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Turistas a valer.
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Lindo pôr-do-sol.

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Para voltar, à noite não tem mais ônibus — você está refém dos táxis.


Foi aí que conhecemos um dos personagens mais inesquecíveis da minha vida: Mr. Thong. Passei 45 minutos com ele no seu táxi e não compreendi ao certo qual o seu sexo e nem orientação sexual. (Não que seja da minha conta, mas você fica meio desorientado.) Como ele se apresentou como “Mr. Thong”, suponho que se identifique como homem, embora na foto da licença do táxi houvesse o nome dele com a foto de uma mulher — no escuro, não deu pra ver direito se era o próprio. Eu, ingênuo, havia a princípio achado que era a esposa dele, até me lembrar que estava na Tailândia. “Tolinho, não é a esposa dele, é ele próprio“, me dei conta depois. Quando a matéria é sexo e gênero aqui na Tailândia, eu só sei que nada sei, como dizia Sócrates.


Mr. Thong foi o único que topou fazer-nos o preço tabelado de 550 bahts na corrida de volta para a cidade. (Todos os outros taxistas, malandros, queriam mais.) Mr. Thong falava um inglês quebrado, tinha vários anéis nos dedos e o hábito de bater na própria coxa pra dar ênfase ao que dizia. O meu amigo estava tendo espasmos de riso no banco de trás enquanto Mr. Thong e eu íamos conversando na frente. Quando o assunto era comida, ele dava gemidos de prazer listando seus pratos tailandeses favoritos. (Tom Yam! Oh! Tom Kha Gai, oh! ah!)


À noite, chegamos a Phuket Town a tempo do mercado noturno de domingo. Como no caso do mercado de sábado em Chiang Mai, é uma bonanza de comidas de rua, frutas exóticas, artistas, e souvenirs de todo o tipo. Embora seja lotado de turistas, você vê que os tailandeses também curtem e marcam presença em peso.


Abaixo uma palhinha de um músico tailandês na rua. O tio tem o típico visual dos tailandeses do sul, que têm a pele mais escura e o cabelo mais crespo. Gostei da musicalidade.

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O mercado noturno de domingo em Phuket. É pra quem não liga pra quantidade de gente.
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Tia vendendo jaca no mercado noturno em Phuket.
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Garotas tailandesas vendendo sabonetes artesanais.

Acho que esse mercadão semanal é a grande atração de Phuket. Afora ele, usa a cidade basicamente como ponto de passagem para as ilhas menores, mais bonitas. No dia seguinte, iríamos à lendária Ko Phi Phi.


Deixo vocês por ora com outro vídeo do simpático tio cantor de rua ali.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

3 thoughts on “Phuket: Praias e música no sul da Tailândia

    1. Valeu, Juliana! Gentileza sua. Fico contente que esteja acompanhando e gostando! Eu fui em janeiro, que é a época sem chuvas (nov – mar). É a época mais recomendada! Abs

  1. hahahaha. Phuket é mesmo um foguete.. animadissima quentiiiiisssima, movimentadisssimma, com belas praias, turistada até a medula, um lindo por de sol e um mercado noturno maravilhoso. Cousas linda e não caras. Uma beleza.. As bodegas são uma curiosidade à parte. eita Tailandia boa e bonita. Gostei da musicalidade, da simplicidade do povo.
    As figuras foram o ponto engraçado dessa viagem. Interessante o carinha do taxi de retorno . E que confusão ao se ver a tal foto que parecia ser da esposa. hahaha . A Tailandia ”da e deixa” como diz o povo hahah E o banzé? arrremaria. Haja coração e paciencia para a malandragem com os preços haha
    Inesquecivel viagem e paragens. Linda Phuket, aguas lindas e tranquilas. Mas claro, não se compara às praias brasileiras, em particular as do Nordeste do Brasil que são espetaculares. Parabens pela viagem e pela postagem.
    s
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