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Sobek e os crocodilos mumificados do Antigo Egito, em Kom Ombo

Você aí achava que os antigos egípcios mumificavam apenas pessoas? Não sabia que eles mumificavam também crocodilos? Nem eu.

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Um mimoso Crocodylus niloticus, pra usar o nome preciso.

Os crocodilos são dos animais mais simbólicos do Rio Nilo. Nos tempos antigos, eles habitavam todo o rio até o seu delta, lá no norte em Alexandria, e devoravam fulanos e beltranos por todo o país. Estas criaturinhas tem entre 3-6m de comprimento e pesam de 500kg até mais de uma tonelada. São sociáveis, numa hierarquia determinada por tamanho. E no Antigo Egito eles eram cultuados na forma do deus Sobek, aquele com cabeça de crocodilo no mural abaixo.

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Mural no templo de Kom Ombo com Sobek ali, o deus com a cabeça de um crocodilo. Ele era o deus da força física e da agressividade militar, embora também fosse sorrateiro (como é o crocodilo propriamente dito). Um das alcunhas de Sobek era “aquele que ama a roubalheira” (é sério, isso está registrado nos textos egípcios). Os egípcios antigos faziam oferendas e pediam a ele por proteção quando iam navegar no Rio Nilo. 

O nosso navio aportou em Kom Ombo após o almoço, no mesmo dia em que havíamos visitado o Templo de Hórus em Edfu, pela manhã. Estamos no sul do Egito (que era chamado de Alto Egito antigamente), indo contra a correnteza do rio até a cidade de Aswan (ou Assuã), no extremo sul do país.

Há aqui hoje um museu sobre os crocodilos do Nilo (onde eles expõem alguns exemplares dos mais de 300 crocodilos mumificados encontrados aqui) ao lado do Templo de Sobek.

Este templo, como aquele de Hórus, foi construído na época do Egito Ptolemaico, a dinastia de Cleópatra, no período entre 180-47 a.C.

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No que restou do Templo de Sobek em Kom Ombo, no sul do Egito.
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Inscrições hieroglíficas num dos pórticos.
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Sobek ali em verde numa das ilustrações. Cores originais, pois este templo ficou mais de mil anos escondido sob a areia depois de abandonado.

Kom Ombo se tornou o principal centro de culto a Sobek nesse período ptolemaico, mas antes dele o mais importante era na região do Oásis de Faiyum, na cidade então conhecida como Shedet, ao lado de um grande lago. Não é de surpreender que houvesse uma abundância de crocodilos entre o Rio Nilo e o lago. Tanto que Shedet era conhecida pelos gregos antigos como Crocodilópolis (se duvidar, ponha no Google).

Havia em Crocodilópolis um crocodilo especial que era tido como o totem de Sobek, ou seja, era como se ele fosse um avatar do deus. Esse crocodilo sagrado, chamado de Petsuchos, era adornado com jóias e alimentado diariamente pelos sacerdotes com doações dos fiéis. Ele vivia numa lagoa sagrada dentro do templo. Quando um Petscuchos falecia, outro era posto em seu lugar.

Daí a mumificação, que ocorria com esses crocodilos sagrados.   

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Crocodilos mumificados, expostos no Museu dos Crocodilos em Kom Ombo, ao lado das ruínas do Templo de Sobek.
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Ícone milenar de granito com a imagem de um crocodilo. Hoje no museu aqui em Kom Ombo.

Esses crocodilos não são espécie ameaçada, mas já não habitam a maior parte do Egito. Desde a construção da Represa de Aswan (no extremo sul do Egito) nos anos 1960, eles já não descem mais o rio para além daquele ponto. Ficaram limitados ao grande Lago Nasser, um imenso lago artificial de 500km de extensão feito como consequência da obra, com a água represada. (E, claro, eles continuam a habitar os países africanos mais a sul, como Etiópia, Quênia, e outros.)

É lá para o sul que agora eu ia, conhecer Abu Simbel à margem do lago, quase na fronteira com o Sudão.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Sobek e os crocodilos mumificados do Antigo Egito, em Kom Ombo

  1. Nossa, crocodilos mumificados!…” mimosos” haha uaauu enormes, terriveis, de grandes dentes.. imagino como eram bem alimentados e como erra o terror naquelas águas naquele tempo com tantos ‘mimosos ‘desses nadando. Deus é mais… Avemaria, Deus nos livre haha… Com certeza precisavam de muita proteção.
    Uaaaauuu que maravilha esse templo e que linda foto.Belo mural. Excelentes nos seus hieróglifos. perfeitos .Que belo templo. Um espetáculo para os olhos. e o senhor, como sempre ótimo. Gosto muito dessas fotos de braços abertos como se quisesse abarcar o mundo. Bem próprio.
    Nossa as inscrições estão mesmo perfeitas. Impressionantes as imagens a perfeição e a conservação. Linda coloração.
    e o viajante continua subindo o majestoso rio. eita cara corajoso sôrr. haha navegar é preciso. ótima série essa do grande Egito. obrigada.

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