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Prizren, a cidade mais charmosa de Kosovo

Ônibus a todo momento levam você de Pristina, capital de Kosovo, até Prizren, sua cidadezinha mais charmosa. É pouco mais de 1h de viagem. Quando cheguei, a chuva que já havia me pegado em Pristina me pegou de novo. Estávamos em março, mês ainda de inverno mas já não tão frio — coisa de seus 10 graus e chuva.

Prizren não é um vilarejo, mas uma cidade de porte médio — para os padrões europeus — com quase 200.000 pessoas. Ainda assim, tem um centro com ar de cidade pequena, onde um riacho passa no meio. A cidade existe desde o tempo antigo dos romanos, mas é do tempo dos turcos otomanos que ficaram as marcas mais notáveis que você vê hoje.

Os turcos dominaram esta região europeia por quase 500 anos (1454-1912), construindo suas mesquitas e pontes arqueadas de pedra que você encontra ainda hoje. Além disso, há casas de arquitetura típica otomana — sem se falar no legado gastronômico, genético, e religioso, pois a grande maioria dos kosovares é muçulmana devido à longa influência turca.

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Centro de Prizren.

A rodoviária fica a uns 15 minutos de caminhada desse centrinho bonito. Fui pedindo informação na rua para achar o caminho, e parei para almoçar sanduíche. Embora a culinária regional de influência turca seja rica (ver algo disso no meu post de Ohrid), hoje a maior influência gastronômica turca é na forma dos doner kebabs presentes por toda a Europa: aqueles fast foods com cilindros de carne prensada girando, e que eles vendem no pão chato. (Turcos que se prezem lhe dirão que um verdadeiro kebab nada tem a ver com aquilo.)

Há umas versões com falafel, aqueles bolinhos fritos de grão-de-bico com ervas, e mais salada. Comi algo rápido e confirmei as direções que eu deveria seguir. Gente muito prestativa. Num gesto de agradecimento, eu percebi como — ao menos entre os homens — um firme aperto de mão às vezes comunica mais que as palavras.

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Khaled.

Já o funcionário do meu albergue era um sósia de Khaled, o cantor argelino, só que menos risonho (afinal, ninguém neste mundo consegue sorrir com o Khaled). Me levou gentilmente para passear e ver os principais pontos da cidade. São poucos, já que é um centro pequeno, mas há uma pequenina área bonitinha para pedestres e uma fortaleza medieval lá no alto.

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Centrinho histórico de Prizren neste inverno, com uma catedral ortodoxa ali ao fundo.
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É bonitinho, mas é pequeno. Em uma hora você vê tudo.
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Mesquita ali ao fundo. A grande maioria dos kosovares é muçulmana, embora poucos sejam praticantes. Há também uma minoria cristã.

Já a fortaleza lá no alto, convenhamos, é mais interessante pela vista do que pela estrutura em si. (O acesso é livre.) Você sobe uns becos mal-acabados por detrás de umas casas, mas seguindo as setas pichadas nas paredes (dizendo Kaljaja, a fortaleza) você acha o caminho.

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Caminho improvável para a fortaleza lá no alto. Há setas desenhadas ou pichadas nas paredes indicando a rota. Siga sempre avante.
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A fortaleza medieval. Ela foi primeiro construída pelos romanos do oriente, os bizantinos, na altura do ano 1000. Depois foi conquistada e utilizada pelos sérvios num levante dos eslavos, e a seguir pelos turcos otomanos durante 450 anos, que lhe deram o formato atual.
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Portões de entrada sob a muralha.
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Lá do alto.
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A vista para a cidade de Prizren.
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Lá de cima, neste dia de chuva fina.

Na descida, passei pela Mesquita do Sinan Pasha, de 1615, com seu agradável jardim atrás, onde há também umas lojas de souvenirs de Kosovo. Após certa barganha com um vendedor, comprei dois tapetes com designs típicos aqui da região dos Bálcãs. (Desculpem, não tirei foto dos meus tapetes, mas a quem vier me visitar em minha casa eu mostro.

Quando fui dali com a baita sacola com os tapetes enrolados visitar a igreja ortodoxa, a polícia me parou. Olhou para a minha cara barbuda, e olhou para o pacotão que eu levava. Eu vi a cara assustada com que o guarda de repente me olhou (achou que ia explodir), e pediu meu passaporte, e aonde eu ia, etc. Por nada, pois a igreja estava trancada. Devolveu-me o documento e eu segui.

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A Mesquita de Sinan Pasha, construída aqui pelos turcos otomanos em 1615. (Sinan Pasha foi um importante grão-vizir dos otomanos.)
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Lojinhas com souvenirs aos fundos da mesquita.
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A catedral ortodoxa sérvia, onde fui parado pela polícia.

Encerro com algumas fotos do centro de Prizren à noite. Eu, já na manhã seguinte, seguiria finalmente para a Albânia.

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Ponte de pedra sobre o riacho no centro de Prizren iluminada à noite.
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Iluminação no centro, com os holofotes brancos sobre as muralhas da fortaleza lá no alto, ao fundo.
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As ruas quietas do centro à noite, neste inverno.
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A Mesquita Sinan Pasha, a principal de Prizren, iluminada à noite.
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Detalhes do teto da mesquita.
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Casario tradicional desta região, semelhante ao de Ohrid, na Macedônia, e também ao que eu viria a encontrar a seguir na Albânia.
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Cedo na manhã seguinte, despedi-me das ruas ainda vazias de Prizren e fui rumo a Tirana, capital albanesa, a algumas horas dali.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

3 thoughts on “Prizren, a cidade mais charmosa de Kosovo

  1. Linnnda a cidadezinha. Amei. Como sempre me sinto atraída pelo clima de interior, um certo aconchego, o romantismo das pontes de pedras, sobre correntes de água,sobretudo arqueadas como estas, com casario de telhadinhos vermelhos como, os brinquedos da minha infância, calçadas com mesinhas que me encantam e o jeito acolhedor que parece ser uma constante nesses cidadezinhas. lindas, amoráveis, bela igrejas e mesquitas, luzes, cores, vida simples e cativante, paisagens de encher os olhos em qualquer estação. Lindas paragens, Ótimos lugares para visitar. Parabéns pelas escolhas e postagem. Adoro viajar nessas suas andanças, meu jovem. Obrigada. Vamos que vamos.

  2. Agradeço pelo seu relato e fotos. Vou aos Balcãs em fevereiro e ando assustada com o clima. Por favor, me ajude. Vale a pena ir no inverno?

    1. Oi Bruna!
      Bem vinda à página!
      Fevereiro talvez não seja mesmo a época mais bonita ou confortável, mas definitivamente é factível (ou seja, o clima não vai ser tãão terrível assim) e dá pra apreciar várias das belezas. Se essa for a sua única opção, vale a pena. O finzinho de fevereiro e começo de março, inclusive, já começam a ficar com cara de primavera. (Foi a época em que eu estive aí em Kosovo, na Macedônia e na Sérvia.)

      Você precisa de um agasalho, as temperaturas normalmente estão entre 0-10 graus, e há dias nublados e de chuviscos. Mas todos os ambientes internos têm calefação, e há a vantagem de haver bem poucos outros turistas, então é muito tranquilo de conseguir acomodação, e não há grande massas de gente nos lugares.

      Se eu tivesse escolha, optaria mais por março-maio ou setembro. Mas se sua única opção viável for ir no inverno, eu iria assim mesmo.

      Qualquer dúvida, estamos aí.

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