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Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

É primavera. Te amo.” Tim Maia não compôs a canção aqui em Paris, mas poderia tê-lo feito. Paris, apesar de todos os pesares e riscos dos últimos tempos, ainda é uma das cidades mais elegantes, charmosas e românticas do mundo. Na primavera então, tudo isso se acentua.

Verdade seja dita, eu não sou um desses apaixonados por Paris, mas reconheço o charme da cidade e respeito a sua sólida tradição cultural e intelectual. Aliás, não só respeito, como gosto. No entanto, é preciso reparar que Paris não é exatamente aquele mundo de sonhos que os mais entusiastas pintam. Você abre um livro de viagens sobre Paris, e muitas vezes parece que o escritor viaja mais na própria paixão que pela cidade. É o que leva tantos turistas a sofrerem a chamada Síndrome de Paris (o nome é este mesmo!), distúrbio momentâneo provocado pela desilusão diante de algo que você idealizou demais e cuja realidade agora o choca.

Vamos, portanto — como de hábito —, reconhecer as belezas sem nos iludirmos além da conta. 

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Esta Paris não tem nada de ilusória. As suas calçadas amplas, com ruas bem arborizadas, e recheadas de livrarias e outras lojinhas que vendem de tudo (até quinquilharias) são muito reais.
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A estrutura de bairros de Paris, em arrondissements, ou “arredondamentos” numa tradução meio grosseira. Note como os números vão crescendo em espiral.

Instalei-me no 17º arrondissement, perto do centro, a uma distância que dava pra cobrir a pé. Paris, caso você não saiba, tem uma estrutura de bairros em forma de espiral. Tudo começa do centro do centro, no número 1, e vai contornando até chegar ao 20º. (Daí o nome, que quer dizer algo como “arredondamento”.)

O metrô funciona muito bem, mas andar em Paris é gostoso — e fundamental à experiência de estar em Paris — então ficar próximo do centro tem sua utilidade.

No hotel, no salão do café da manhã duas funcionárias portuguesas fofocavam sobre a chefe como se não estivessem sendo compreendidas por ninguém. Há um sem-número de portugueses que imigraram a Paris nas últimas décadas e hoje são famosos aqui na França por tipicamente trabalharem em restaurantes e portarias de prédios. “P’lo ménux aqui xtou a g’nhar o meu dinheirinho. M’lhor du q’ lá embaixo.“, respondeu-me uma delas quando a interpelei e perguntei como era a vida aqui. (A fofoca diminuiu depois de saberem que estavam sendo compreendidas.)

Perto dali estava o belo Parque Monceau, onde crianças de escola brincavam supervisionadas por suas professoras. Sobretudo na primavera, você não pode ficar só nas atrações famosas e ignorar os parques de Paris.

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Os parques em Paris ficam floridos e movimentados na primavera. Aqui o Parque Monceau.
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“Avenida” dentro do parque, esta em homenagem ao poeta medieval persa Ferdowsi (940-1020 d.C.), autor do mais longo poema épico da literatura mundial, o Shahnameh.
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Prédios da típica arquitetura francesa do século XIX margeando o parque. Os prédios na França têm em geral 5 andares porque esta era a altura máxima a que conseguiam bombear água satisfatoriamente naquele tempo. Após a Revolução Francesa iniciada em 1789, toda a parte antiga de Paris foi varrida para dar lugar aos amplos bulevares de hoje e a esses prédios (daí Paris não ter mais um centro histórico medieval).

E logo mais adiante estava o Arco do Triunfo, provavelmente o mais famoso ícone parisiense depois da Torre Eiffel. Ele foi inaugurado em 1836 para honrar os franceses mortos durante a Revolução e as campanhas napoleônicas pela Europa no começo do século XIX. Ele foi inspirado no arco romano de Tito, erigido na Via Sacra de Roma em 82 d.C. (ainda está lá, a quem for visitar Roma). O Arco do Triunfo francês é, no entanto, mais de três vezes maior, com 50m de altura. (Curiosamente, há uma réplica aumentada do Arco do Triunfo em Pyongyang, na Coreia do Norte, com 60m. Ainda não vi, mas duvido que tenha o charme do francês.)

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O portentoso Arco do Triunfo no centro de Paris. São 50m de altura por 45m de largura e 22m de espessura.
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Posando.
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O fotogênico arco fica no centro da maior intersecção de Paris, onde nada menos que 6 avenidas se encontram, num total de 12 saídas. Uma dessas é a mais famosa avenida da cidade, a Campos Elísios, ou Champs Elysées.
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A Avenida Champs Elysées, a maior artéria de Paris, com o Arco do Triunfo lá ao fundo.
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Em meio àquelas árvores, deliciosas calçadas largas e movimentadas.
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E no outro extremo da Champs Elysées, a Place de la Concorde, com um dos dois obeliscos egípcios do Templo de Luxor. (Neste post eu mostro o outro, que continua no lugar original, e conto como este veio parar aqui em Paris.)

Você caminha por ali sentindo-se o “ó do borogodó”, se puser a mente para funcionar. A avenida é uma simples avenida — arborizada, bonita e bem estruturada, mas ainda assim uma mera avenida. No entanto, Paris é uma daquelas poucas cidades do mundo que fazem você crer que ela é o lugar onde você deve estar; que, se você não estiver em Paris, você ficou pra trás, está fora de onde as coisas estão acontecendo, está marcando passo. Então, quando você finalmente está em Paris, há aquela sensação de se estar finalmente no lugar certo, no epicentro da humanidade. Claro que é uma sensação subjetiva. É uma sensação curiosa, romântica, mas também real.

Claro que a gente critica a pretensão dos franceses em se acharam “a” civilização, mas não deixa de curtir a beleza e a sensação do lugar.

Tomei um café com um croissant numa das muitas cafeterias (que servem sobretudo os turistas) da Champs Elysées para absorver mais da atmosfera antes de seguir caminhando — e também simplesmente porque eu gosto de ficar parando para tomar café quando viajo. As cafeterias desta parte de Paris se parecem muito mais com McDonald’s e outras redes de fast food que com aquelas cafeterias românticas à antiga que você pode imaginar, mas o croissant era bem feito e o café caiu bem.

Perto dali, após a Place de la Concorde, está o belo Jardim das Tulherias, pouco comentado no Brasil mas imperdível — ainda mais na primavera. Ele separa a Place de la Concorde da área do Museu do Louvre, o maior museu de arte do mundo, e que eu apresentarei num dos próximos posts. O jardim é, na verdade, mais o que chamaríamos de um parque, construído no século XVII ao estilo francês nos tempos da realeza.

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O Jardim das Tulherias em Paris na primavera, em estilo típico francês, simétrico e ornamentado com estátuas, como no palácio real de Versalhes. Lá ao fundo você ainda pode ver o obelisco da Place de la Concorde mais ao longe.
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Espelho d’água na área do jardim.
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Posando no Jardim das Tulherias, em Paris.
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E, para alegrar o cidadão e trazer umas cores a esse céu que já estava querendo nublar, um delicioso sorvete italiano. Amorino é uma das melhores redes da Europa, e tem um trailer bem aqui no Jardim das Tulherias. Não perca a oportunidade.

Por toda essa área, assim como na Place de la Concorde, fique atento aos ciganos com seus abaixo-assinados falsos — algo que você certamente não previa no seu script da viagem a Paris. Eu, como já fui surrupiado por três ciganas na França há uns anos atrás, já estava escolado. Dispense-os todos, e olho nos seus pertences. (Um dia eu conto a treta, quando relatar a minha viagem a Lyon.)

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E olha quem está ali! O famoso Rio Sena, que corta Paris, e a Torre Eiffel ao fundo. (O Rio Sena não tem aquela cor azul-photoshop das fotos da internet não, viu gente? Mas é bonito mesmo assim.)
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Paris dispensa photoshop. É uma das cidades mais fotogênicas do mundo, sem dúvida.

Atravessando o rio, você já avistará e poderá caminhar até a Torre Eiffel. Ela é a prova cabal de como coisas simples — tão simples quanto uma simples torre de ferro — ganham contornos semi-míticos e se tornam merecedores de suspiros quando envolvidas pela atmosfera romântica de Paris. Eu, francamente, não acho a Torre Eiffel particularmente bonita ou artística — é diferente de algo inerentemente esplendoroso, como o Taj Mahal na Índia, por exemplo, que é em si uma notável obra de arte. 

A Torre Eiffel, projetada pela empresa do engenheiro francês Gustave Eiffel, foi construída de 1887 a 1889, uma época em que a industrialização tinha um quê de charme na França e na Europa. A Revolução Industrial anunciava um novo mundo, uma nova vida, a vida moderna, e muitas pessoas começaram a se fascinar com aquilo. (Confira aqui o meu post em Nantes, a cidade de Júlio Verne, em que comento como as obras dele foram muito fruto desse período.) A comunidade intelectual e artística da época odiou a Torre Eiffel, mas ela viria a se tornar um símbolo francês mesmo assim.

São três andares que você pode visitar pagando uma entrada, subindo de escada ou elevador. Se você não quiser passar uma eternidade na fila, recomendo comprar sua entrada online através do site oficial da atração. Custa 17 euros. Lá em cima, se você quiser gastar um pouquinho mais, pode reservar também uma mesa num dos restaurantes lá em cima (aqui). Não comento a qualidade porque não me dispus a pagar, mas saiba que é preciso reservar com antecedência.

Na real, a Torre Eiffel é mais um daqueles programas “turistão”, mas que você não deixa de fazer por isso.

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Turista asiático se preparando para tirar uma selfie com a Torre Eiffel. Você verá centenas de turistas fazendo o mesmo.
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Por debaixo da grande torre, de 324m de altura. É a estrutura mais alta em Paris.
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A Torre Eiffel na primavera.

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No próximo post, continuo o bordejo por outros lugares de Paris.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

  1. Estive em Paris pela primeira vez no começo do ano. Gostei, mas realmente não fiquei tão encantado como o mito faz-nos acreditar.
    É de fato uma cidade bela, culturalmente riquíssima: a capital intelectual do Ocidente, mas eu literalmente sofri a “síndrome de Paris”, pois ficou aquém de minhas expectativas – coisa que Madri superou, por exemplo. Confesso também que tive muito medo do terrorismo, porque o tempo inteiro havia alusões a isso.
    Entretanto é realmente um lugar para se vivenciar…especialmente a área da Sorbonne (que foi a minha preferida). Espero lá voltar em breve e quiçá tirar a má impressão.
    Ah! Eu fiquei encantadíssimo com a Eiffel. Esta superou em muito minhas expectativas.

  2. Ahhhhhhhh!……. Pariiiiiiiissss!;…. toujour Paris. como é dificil falar de um amor…expressar em palavras um sentimento, uma emoção que invade sua alma ao se aproximar da cidade luz. Definitivamente faço parte dessas pessoas apaixonadas por Paris, não pelos parisienses, que me perdoem, não são nada simpáticos. A minha síndrome é de estar longe de Paris. haha
    Minha paixao é a cidade….. com seus monumentos,museus, igrejas, casario, avenidas bem arborizadas, torre Eiffellll, linda Senhorita de Paris, belas praças, cafés, calçadões, praças, jardins, céu lindo, o Sena, suas pontes, seu bateau mouche, enfim, a Paris dos sonhos e fantasias. Amo Paris. E uma das cidades que acelera meu coração e me faz voltar aos 17 anos. Ver Paris me faz feliz. e na Primavera, então, nem se fala!… Linndissima colorida, florida, com belo céu azul, e parques maravilhosos. É magica a sensação de estar em Paris, na Primavera.
    Obrigada. linnndo

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