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Bem vindos a Seul: As minhas primeiras impressões na Coreia do Sul

Bem vindos a Seul, a capital sul-coreana que tantos brasileiros conhecem de nome, mas que bem poucos visitam. Por alguma razão, a Coreia do Sul não está costumeiramente na lista de turismo dos brasileiros. Claro, é longe pra caramba. Além disso, a Coreia não conta com o mesmo apelo cultural que temos pelo Japão — por toda a imigração japonesa no Brasil, exposição à cultura tradicional japonesa de muitas formas, etc. Curioso, porque a Coreia e o Japão são muito parecidos. (Meo deos! Jamais diga isso a um japonês ou a um coreano.

O aeroporto internacional de Incheon, que serve Seul, é humilhantemente moderno. Você chega a ficar com vergonha pelos outros. Tem até trem com tecnologia Maglev (por levitação magnética, em que o trem sequer encosta nos trilhos), além de enormes saguões iluminados e excelentes serviços. Parece do futuro. Quando você pensa na maioria dos aeroportos do Brasil, sente uma humilhação.

Se as cidades da Europa cheiram ao século XIX e as dos EUA ao século XX, Tóquio num geral ainda cheira a começo dos anos 2000, já Seul parece-se mais com anos 2020. 

Aeroporto Internacional de Incheon, o principal da Coreia do Sul.
Você aí no Brasil se acha todo moderno usando Uber, aqui eles têm transporte de massa a levitação magnética sobre os trilhos.
Aeroporto de Incheon.
O modesto metrô de Seul. A cidade tem 25 milhões de pessoas em toda a região metropolitana, metade dos 51 milhões da Coreia do Sul.
Ruas de Seul.

Antes que alguém pergunte: não, brasileiros não precisam de visto para vir à Coreia. (Ao contrário do Japão.)

Cheguei saído de Hong Kong, num voo de tortuosa conexão na China continental. Na imigração não houve sequer uma troca de palavras. Tomei o metrô (o normal, não o Maglev) e entreguei-me no albergue que havia reservado numa das áreas centrais de Seul. Falo em “áreas centrais”, e não em “centro”, porque essa é uma diferença que você rapidamente nota entre as cidades asiáticas e as ocidentais: aqui, centro da cidade (o velho downtown) é irrelevante. Há comércio por todas as partes.

Atendeu-me ao albergue David, um coreano de cabelo emo descolorido, alourado. (Coreanos, assim como os chineses, têm o hábito de “adotar” um nome ocidental para facilitar a vida dos estrangeiros. Então provavelmente esse não é o nome real dele.) Parecia uma versão menos insana do cara com chapéu de cowboy que aparece dançando no elevador no clipe de Gangnam Style (assistam).

Foi simpático, e me orientou pelo albergue de fechaduras e armários eletrônicos (faz uma barulheira danada na hora de dormir, com o povo entrando e saindo, abrindo e fechando). No mesmo dormitório que eu, uma garota tailandesa das mais fofas que já vi na vida. Não acertava uma frase em inglês, só sorria. (Meu Deus, como era encantadora.) Havia, além dela, um par de jovens californianos de seus 20 anos, e mais outros que mudavam a cada noite. Ninguém dormia antes das 1 da manhã.

Ubíquo por toda Seul está o CU, uma onipresente rede de lojas de conveniências. (Acho que eles quiserem fazer pra ser lido soletrado em inglês, See You, e escolheram esta desafortunada sigla para o divertimento dos brasileiros). Para onde quer que você vá na Coreia, você facilmente encontra um CU. 

Está por toda parte. Faz as vezes da 7-Eleven, onipresente no Japão.
Várias das lojas de conveniência têm até mesinhas do lado de fora, pra você aproveitar uma comida rápida. Fresh & refresh.

As ruas de Seul são arborizadas, amplas, com calçadas largas e prédios altos. O metrô está por toda parte, complementado por ônibus.   

Mas, apesar dessa capa de ultra-modernidade — e de uma infraestrutura invejável nos transportes — a Coreia ainda não está no nível do Japão em termos de desenvolvimento socioeconômico. Aqui há tecnologia de ponta em alguns setores, mas você vê também muitas vizinhanças humildes. Vi até alguns mendigos dormindo nas ruas e estações de metrô de Seul (são poucos, mas há). Fui passando numa rua e quase tomei a cusparada de um tio que ia saindo da loja e deu uma daquelas cusparadas fortes que chegam a fazer ruído quando acertam o chão. Aqui e ali você ainda vê algumas pessoas jogarem lixo no chão, embora seja raro. (No Japão, em um mês lá eu não vi uma única vez.)

Comparo com o Japão porque é meio inevitável, e não deixa de ser uma referência mais conhecida para nós. Os coreanos me pareceram tão reservados quanto, mas menos polidos que os japoneses. Não se surpreenda se os vir furando fila, empurrando, etc. Há pessoas muito simpáticas e cortesas, só não espere aquele Reino da Polidez que é o Japão. (Por outro lado, a Coreia é muito mais barata. Farei uma comparação geral mais sistemática num post depois.)

Vim para passar algumas semanas aqui na Coreia do Sul, e aos poucos a descobriremos juntos.

Continua em Conhecendo Seul, Coreia do Sul (Parte 1): Gangnam, a “Manhattan coreana” e distrito do Gangnam Style.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Bem vindos a Seul: As minhas primeiras impressões na Coreia do Sul

  1. uaaaauu que modernidade. Trem que levita, esteiras sofisticadas, metrôs por toda a parte e um aero com desenhos avançados. Nossa, quem diria. Não sabia estar Seul nesse nivel de desenvolvimento. Muito bom.
    Gostei também das suas belas, largas e arborizadas avenidas e seu lindo kioske na foto de abertura da postagem. Um charme.
    Pena que ainda haja essa desigualdade e esses hábitos ainda por polir. Tive muito boa impressão.

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