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Coreia do Sul: Dicas De Viagem, Lugares Para Ver, E O Que Fazer

A Coreia do Sul está começando a aparecer como destino de interesse dos brasileiros. Aqui vai o meu resumo da experiência que tive lá na primavera (março-junho), um período bom para visitar este país de invernos bem frios e verões quentes e úmidos.

  • O que mais gostou. As facilidades da boa infraestrutura urbana sul-coreana, e a preços baixos. Admita-se que a Coreia não é assim cheeeeia de lugares “top” a visitar; não é um destino turístico por excelência. No entanto, Seul e algumas outras partes do país têm, sim, várias coisas bonitas a ver e interessantes a conhecer. Pra isso, gostei muito de ter um metrô barato e de ponta, com banheiros públicos limpos e gratuitos em todas as estações, além de lojas de conveniências com bebidas e comidas baratas por todas as partes das cidades. Nota 10 aos coreanos nessa infraestrutura. Ela torna a viagem independente muito tranquila, e barata. 
  • Visita obrigatória. Seul, a capital. Não há como vir à Coreia do Sul e não passar ao menos uns dias em Seul. Afora algumas trilhas pelas montanhas e em parques nacionais, quase tudo que há a ver na Coreia do Sul está na capital. As outras cidades são pouco interessantes. 
  • O que não gostou. A comida coreana é bastante focada em carne de porco, o que não me atrai. Há também uma certa falta de áreas históricas autênticas e bem preservadas; o grosso das cidades é coisa moderna, e mesmo suas áreas históricas são bastante gentrificadas, com lojas de roupa, cafés estrangeiros, e coisas que quebram um tanto o clima — além de serem muitas vezes brutalmente caras, preço de turista. Então, do ponto de vista turístico, a Coreia me pareceu um tanto fraca, ainda que suas cidades pareçam ser boas de viver.
  • Queria ter visto mas não viu. A Ilha Jeju, paraíso tropical dos coreanos (na medida em que isto é possível nesta latitude, isto é). Como meu tempo aqui foi limitado, não quis usá-lo indo à praia, coisa que temos de sobra no Brasil — e que eu veria bem melhor em países realmente tropicais dentro em breve.
  • Comida(s) a experimentar. Kim chi é o prato coreano mais mundialmente famoso: legumes fermentados no molho de pimenta, servidos frios, um tanto azedos e picantes. Não é assim uma iguaria, mas vale a pena conhecer. Como eu comentei antes, a comida coreana é bem focada em carne de porco. Há rolinhos de arroz na alga, aqui conhecidos como gimbap, e há uns mexidos de arroz com legumes, ovo, e outros ingredientes, o bibimbap, que foi o que mais me agradou. (Mais sobre a comida coreana neste post aqui.) Grosso modo, lembra algo da comida japonesa, só que com pimenta.
  • Momento mais memorável da visita. A conversa com o Sr. Lee num dos belos templos budistas de Seul, e os cênicos jardins com pavilhões dos seus palácios medievais. Muito bonito.
  • Alguma decepção. Gyeongju me decepcionou. Fui até lá seguindo comentários na internet em relação à sua importância histórica, de que era interessante, etc. Não vi nada que me prendesse a atenção, afora o templo budista Bulguksa. Se você busca História na Coreia, vá aos museus de Seul, que são excelentes. 
  • Maior surpresa. Os preços baixos, com albergues a menos de USD 10/noite e refeições a USD 2 na rua. Eu estou habituado a esses preços nos países pobres do Sudeste Asiático; imaginava que na desenvolvida Coreia as coisas seriam mais caras, mas não. 

Principais dicas

Visto. Brasileiros não necessitam de visto para a Coreia do Sul. Basta chegar, e você pode ficar até 90 dias.

Câmbio & Dinheiro. Atenção: não conheci nenhum ocidental que tenha conseguido sacar dinheiro nos caixas automáticos da Coreia do Sul usando cartões de crédito estrangeiros. Meus amigos europeus não conseguiram, e eu não consegui. Como no Japão, eles aqui na Coreia são bem fechados em seus próprios sistemas, e em geral preferem fazer transações em dinheiro vivo. Pode ser que você tenha uma sorte diferente com os caixas automáticos, mas venha preparado com moeda estrangeira em espécie (euros ou dólares).

Para fazer câmbio, evite o aeroporto (troque apenas o mínimo) e a área turística de Insa-dong. As casas de câmbio com as melhores cotações estão no centro. Você verá placas. As mais escondidas tendem a ser as melhores, e tudo me pareceu bem seguro. 

Custos & Acomodação. A Coreia do Sul é um país bem barato de se visitar — se você não cair nas armadilhas de turista. Consegui albergues bons por USD 10 /noite, e nas lojas de conveniência você acha rolinhos de arroz (gimbap) e outras comidas simples por coisa de USD 1-2, além de café de lata, se você topar. Eu fazia diariamente o meu café da manhã na loja de conveniência, sem vergonha. 

Os lugares estilosos é que são (bem) mais caros. Por exemplo, na Coreia é moda ir a cafeterias que imitam o estilo europeu. Você vai pagar caro, sem necessariamente gozar de um café de nível europeu (embora alguns sejam bons, mas é meio roleta russa). 

Transporte. O transporte coletivo na Coreia do Sul é excelente. Certifique-se de adquirir já no primeiro dia um cartão magnético de transporte, aqui chamado de T-money, semelhante aos que existem por outras partes da Ásia, onde você deposita dinheiro que utiliza no metrô, em lojas de conveniência, etc. Com o mesmo cartão você trafega pelos metrôs de todo o país, e compra em várias redes de lojas. É muito prático, e barato. 

Os trens também são confortáveis, rápidos, e — ao contrário dos trens japoneses — baratos. Há algo chamado Korail Pass, mas não utilizei pois não vi necessidade. Você pode facilmente chegar à estação de trens e comprar sua passagem na hora, sem ser necessário antecedência. Pode comprar no dia da viagem mesmo; chegar e comprar. No site Let’s Korail você pode mudar o idioma para inglês e investigar, em Rail Tickets, os horários dos trajetos que você pensa em fazer.

Entre Seul e Busan, as duas maiores cidades, há trens mais rápidos (e mais caros) e outros mais lentos (e mais baratos). Fica a seu critério.

Ônibus eu só utilizei entre Busan e Gyeongju. São muito bons e confortáveis, além de baratos também.

Quantos dias em cada lugar? Vai de cada um, mas eu diria que Seul merece pelo menos 3 dias inteiros. Há vários setores diferentes da cidade a visitar, com museus muito bons (e às vezes gratuitos!), palácios medievais vastos, templos budistas, áreas de compras como Insa-dong, partes históricas como Bukchon, e distritos modernos como o famoso Gangnam (inspiração para o Gangnam Style).

Se você espera visitar mais do que dois dos palácios medievais em Seul, compre um passe no primeiro deles. É um carnê com entradas para vários deles, por um preço total que sai mais em conta que entradas individuais para cada um.

Em Busan em acho que 1 ou 2 dias são o bastante.

Compras. A Coreia não é assim o paraíso de artesanatos que são o Sudeste Asiático ou a Índia, por exemplo. Você encontra relativamente pouco em termos de artes manuais tipicamente coreanas para levar pra casa. No entanto, há, sim, algumas coisas, como belas caixinhas de jóias laqueadas em designs da região, além de outras peças decorativas bem bonitas. Em Insa-dong você encontra muitas lojas com esses produtos, pois é uma zona bem turística. No mais, para coisas mais mundanas, vale procurar no centro de Seul.


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

9 thoughts on “Coreia do Sul: Dicas De Viagem, Lugares Para Ver, E O Que Fazer

  1. Oi Mairon! Muito legal seu relato! Fiquei curioso em relação aos albergues baratos que você mencionou. Poderia citar os nomes deles? Estou indo para Seul em menos de 20 dias e ainda não reservei nada!

    1. Oi Elton!
      Fico contente que tenha gostado! Em Seul, eu fiquei na Kimchee Downtown Guesthouse. (Repare que há da mesma rede, com o mesmo nome, em outros bairros, como Kimchee Gangnam, etc. mas com avaliações menos boas. Do Kimchee Downtown eu achei gostei.) Já em Busan, caso você vá pra lá, eu fiquei na “Kim’s House in Busan 2nd”, que também valeu a pena!

  2. Mairon, boa noite! Estava lendo sobre sua matéria, e achei bem interessante, esse ano vou viajar para Coreia, e lendo seu post, tive uma dúvida, até sobre isso que você disse sobre os saques. Nos caixas eletrônicos de lá não aceita nenhum cartão então para saques? O recomendado é andar apenas com dinheiro?

    1. Bom dia, Juliana! Fico contente que tenha gostado da matéria!
      Você entendeu certo, é isso mesmo, a recomendação é levar dinheiro em espécie (euros ou dólares) para trocar lá por Won, a moeda sol-coreana. Os coreanos, como os japoneses, ainda trabalham muito pouco com cartão de crédito, e preferem quase sempre receber em espécie. Você encontrará caixas eletrônicos, e pode até ser que num golpe de sorte o cartão do seu banco seja aceito para saques, mas isso é raro. Eu não consegui sacar nenhuma vez, e amigos meus de outros países que foram lá também não conseguiram. Normalmente, as máquinas só aceitam cartões coreanos.

      Sucesso nos preparativos! E qualquer outra dúvida, estamos aí.

  3. Olá Mairon!
    Gostei muito dos relatos sobre a Coreia. Fiquei surpresa com o relato de Gyeongju; imaginei que teria muuuuito mais a ser visto. Estou indo para Coreia em outubro e mudei meu roteiro.
    Gostaria de tirar uma dúvida contigo. As passagens de trem e ônibus precisa comprar com antecedência? Ou é tranquilo comprar de um dia para outro?
    Abraço, Milene

    1. Oi Milene!
      Que legal que você gostou dos relatos sobre a Coreia. Como você, eu também fiquei algo surpreso que Gyeongju não fosse mais interessante e tivesse mais pra ver. Fiquei algo desapontado. Foi a minha impressão.

      Sobre as passagens de trem e ônibus, pode ficar bem tranquila. Eles circulam com MUITA frequência, portanto não é necessário reservar com antecedência. É tranquilo comprar até no mesmo dia. Sobretudo no caso dos trens, basta chegar na estação e pegar o próximo. É muito raro esgotar (só mesmo em épocas muito excepcionais, como floração de cerejeiras ou véspera de feriado).

      Você vai vai pegar uma época linda, com as folhas de outono.
      Bons preparativos! Qualquer outra pergunta, é só dizer.
      Abraços,
      Mairon

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