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Georgetown, Penang, Malásia (Parte 4): Mansões coloniais e templos budistas birmanês e tailandês

[Continuação de Georgetown, Penang, Malásia: Onde as culturas chinesa, hindu, e malaia islâmica convivemGeorgetown, Penang, Malásia (Parte 2): Comidas, curiosidades e templos, e Georgetown, Penang, Malásia (Parte 3): No meio do povo nestas terras tropicais]

Estas terras tropicais têm de tudo.

Eu já havia visto bastante aqui em Georgetown, mas não tudo. Embora as culturas malaia, chinesa, e hindu tâmil sejam mesmo as dominantes nesta região dos Estreitos de Malacca (incluso em Singapura), há outras também. Dentre essas outras estão os birmaneses (do atual Myanmar, antiga “Birmânia”) e tailandeses budistas que se instalaram aqui. Se você sentiu falta do budismo no pot-pourri de religiões que mostrei nos posts anteriores, chegou a sua hora. 

Há dois templos budistas bem impressionantes em Georgetown, um de estilo tailandês e outro, birmanês. Eles ficam um em frente ao outro, numa área moderna a uma caminhada de 30 minutos do centro histórico. (Ou você pode ir de ônibus. Como eu não sabia direito qual ônibus tomar, fui de pé e voltei de ônibus, pois quase todo ônibus indo para o centro termina no prédio Komtar — que mostrei no post inicial e serve bem de referência.)

No caminho, eu mostro pra vocês também uma das várias mansões tradicionais de mercadores aqui dos estreitos que visitei. São casas antigas transformadas hoje em museus. Há várias disponíveis, mas depois de visitar uma ou duas você já pega o espírito da coisa. (Por alguma razão, quase todas elas são casas de famílias de comerciantes chineses, portanto a decoração segue essa linha.)

Uma das casas hoje museu em Georgetown. Por fora o design é europeu, mas por dentro — vocês verão — é uma mistura de tradições chinesas com o colonial tropical britânico (que, por sua vez, bebeu algo do colonial português, que é mais antigo).
Hall de entrada, com mobílias de madeira de lei e mármore. Ali adiante, aquelas divisórias douradas de madeira são bem características daqui. (Já as portas laterais de arcada redonda você reconhece facilmente também em lugares de colonialismo português, como no Brasil.)
Sala com estantes e espelhos. Este estilo é essencialmente século XIX e começo do XX aqui nos Estreitos de Malacca. (Os portugueses andaram por aqui desde o século XVI, então não se surpreenda com algumas semelhanças, embora os holandeses e ingleses os tenham posto pra fora depois.)
Mobiliado com um toque chinês, do requinte das famílias locais.
Se alguém quiser me dar uns banquinhos de pedra assim lá pra casa, tô aceitando.
Namoradeira de madeira e engraves em marfim.
Vejam as fotos dos dignatários chineses, num design colonial completamente europeu.

Eu passaria dali por algumas quadras de áreas modernas de Georgetown (com prédios etc.) antes de chegar aos templos budistas. Valeu a pena, pois eles são esplendorosos, especialmente o birmanês. (Myanmar, a antiga Birmânia, é um dos países mais fervorosamente budistas no mundo, se não o mais. Ele fica entre a Índia e Tailândia, caso você precise de orientação.) Foi este que eu visitei primeiro. Ambos têm entrada gratuita, como costuma ser o caso.

O Dhammikarama, o templo birmanês, tem muitos pavilhões em dourado e um curioso corredor com cenas pintadas da vida de Buda. É como as cenas da Paixão de Cristo, que você encontra em igrejas católicas.

Portal de entrada do templo budista birmanês Dhammikarama em Georgetown.
Um dos pavilhões em meio às palmeiras no interior.
Corredor de quadros com várias cenas da vida de Buda.
Quando Buda acalmou o elefante.
Quando Buda realizou milagres para subjugar o orgulho dos seus parentes da realeza (antes de buscar a iluminação, Siddharta Gautama, que veio a se tornar o Buda, era parte da realeza nepali). Se dizem que Jesus multiplicava pães e fazia aparecer vinho, Buda quando caminhava, dizem, às vezes fazia brotarem flores de lótus do chão. Do Buda também dizem que ele era capaz de andar sobre a água.
Quando Buda subjugou um homem cruel que atacava viajantes na estrada.
O Buda num dos céus, transmitindo sabedoria a entidades de lá.

(Aí eu ouço gente no Ocidente dizer que “Budismo não é religião”. Tá bom. Tô sabendo. Se fosse assim, a mensagem de Jesus poderia ser chamada também de uma filosofia de vida, desconsiderando-se a religião que foi construída ao redor.)

Buda no interior do templo.
Estupa, esse monumento em formato de cone, típico de templos budistas e que representa a ascensão rumo à iluminação.
Corredor de budas.

Você dá umas voltas legais aqui, circulando por esses recantos bonitos.

Do outro lado da rua, há o templo tailandês, menos suntuoso, mas com comida à venda, o que compensa. 

Encontrei uma tailandesa simpática (como os tailandeses normalmente são) vendendo sorvete no pão, e de repente fiquei com saudades da Tailândia. Sim, o sorvete no pão era uma ideia meio exótica demais pro meu gosto, então optei pelo sorvete no copinho mesmo — com milho.

Sorvete no pão. Eu nunca havia encontrado isso.
Fiquei com o meu sorvete de côco no copinho, com milho por cima. Não é ruim.

Era engaçado que, mesmo com toda essa diversidade étnica e cultural daqui, quando perguntavam de onde eu era e eu dizia “Brasil”, reagiam e olhavam-me como se eu tivesse dito que era de Júpiter. Apesar de toda essa mistura aqui, acho que o Brasil ainda soa como fora do universo habitual deles. Outros asiáticos, sim; o ocasional europeu ou norte-americano, ok. “Brasil? Waw!

O feirão na frente do templo tailandês, com frutas e pedaços de manga cortada.
Portal de entrada para a área interna do templo, com um pátio, os carrinhos de comida, área onde acender incenso, e o templo propriamente dito. Ali fora é a rua.
Moça acendendo incensos em oração, no pátio do templo budista tailandês em Penang.
Entrada para o templo propriamente dito, com seus dragões protetores. Para entrar é preciso estar descalços.
… mas cuidado com os ladrões de sapatos, esses nazistas. (Brincadeira, a suástica é um símbolo tradicional hindu/budista de bons auspícios, pra quem perdeu aquela aula de História.)
O interior, simples e bastante colorido, como os templos asiáticos frequentemente são. Ali uma imagem do Buda deitado, inspirada na do templo Wat Pho em Bangkok, na Tailândia.
Velas coloridas, e ali uma mulher indiana mostrando que, embora as culturas aqui pouco se misturem, há, sim, alguma interação entre elas.

E fica aí o input budista, para quem estava sentindo falta nesta tão culturalmente colorida região da Ásia.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Georgetown, Penang, Malásia (Parte 4): Mansões coloniais e templos budistas birmanês e tailandês

  1. Meu jovem, estou encantada com essa maravilhosa região e seus acervos culturais tão diversos e tao belos, e milagrosamente convivendo sem grandes conflitos, pelo visto.
    É muita beleza, muita cultura e religiosidade vivendo junto em um espaço que me pareceu não tao grande.
    Tais manifestações ricas em criatividade, colorido, simbologia transformadas em arte do mais fino gosto. Difícil de descrever tanta beleza porem fácil de sentir a sua espiritualidade. Maravilhosos. impressionantes e tão desconhecidos aqui no Ocidente.
    Belas e curiosamente familiares , os exteriores e interiores dessas casas museus. Semelhantes a fachadas e interiores das casas dos ricos portugueses aqui no Brasil, em particular no NE. talvez com material diferente mas com o mesmo requinte e beleza. Linda postagem. Parabéns meu jovem pelas escolhas e pelas belas fotos. Maravilha. Lindo lugar. Linda postagem.
    Só viagens e viajantes como o senhor, meu jovem para nos desvelar tanta beleza. Valeu.

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