Passados alguns dias aqui na ilha de Penang, chegava a hora de seguir viagem à capital da Malásia, Kuala Lumpur (também conhecida como K.L.).
Há trens e ônibus indo daqui para lá, mas os bilhetes de trem precisam ser comprados com antecedência. Não espere aparecer à estação e pedir “um para o próximo trem“, como eu fiz. Naquele dia já estavam todos já lotados, e a moça do guichê me mandou para a rodoviária.
Por sorte, ambas rodoviária e estação de trens ficam lado a lado. Você toma o ferry gratuito de Georgetown até elas, que ficam no continente. Coisa curta, de 20 minutos de travessia, se muito.
A rodoviária é repleta de malandros. Não do tipo brasileiro, que te assalta; mas do tipo asiático, que enrola você. Eu, por alguma razão do destino, estava lerdo e caí no canto da sereia. Há muitos ônibus, e vários cidadãos à entrada das bilheterias perguntando aonde você vai, dizendo que há um ônibus saindo já, e vendendo passagens a preços aumentados.
Não compre passagem com os ambulantes; entre na área dos guichês e compre lá dentro direto do caixa. Depois me dei conta de que paguei um pouco mais do que teria pago se comprasse direto no guichê. Enfim, por sorte tudo na Malásia é bem barato.
Comprei um frasco de suco de noz-moscada, um pacote de batatas imitação barata da Pringles, e segui para as minhas 6h de ônibus que separam Penang e KL Sentral station (assim com S mesmo).



Se eu tivesse que elencar as 20 coisas mais engraçadas que eu já vi na vida, estaria um tio que foi comigo nesse ônibus.
Um desses indonésios morenos, de Padang, dançava no assento segurando o seu smartphone com uma mão e olhando fixamente pra ele, enquanto a outra mão mexia os dedos como uma bailarina, e remexia-se na cadeira e às vezes passava a mão livre pelo pescoço e pelo resto do corpo, feito menino no chuveiro se ensaboando. E cantarolava intenso, ignorando totalmente o menino do seu lado — que eu não sabia se era seu filho ou sobrinho — e que dizia-lhe coisas e olhava ao redor tipo “Pai, o povo ta olhando”. O tio, empolgadíssimo, nem aí. Aquele cantar pra lá de amador, de karaokê.

O ônibus atrasou, mas chegou. Eu normalmente opto por chegar a lugares onde nunca estive quando ainda há luz do dia, mas neste caso não houve escolha. Chegamos a KL Sentral no comecinho da noite — uma estação grande e movimentada, de onde é possível tomar um metrô a quase qualquer parte da cidade.
Num desses viadutos de pedestres, com o zam-zam-zam de gente passando pra lá e pra cá entre rodoviária e estação de metrô, param-me três indivíduos (entre eles uma garota de seus 10 anos): “Você está com a sua carteira aí?“
Eu, como brasileiro, obviamente achei que estava sendo assaltado (embora a figura de uma menininha dentre os assaltantes me fosse inédita até então). Na verdade, eles estavam procurando alguém que teria perdido a carteira no ônibus, e eles a encontraram.
Mais adiante, finalmente chego à bilheteria de passagens do metrô, onde havia um rapaz loiro à minha frente. Chegando a vez dele, vejo-o de repente agachar e abrir a mochila desesperado, procurando algo. Plim. O dono da carteira. Vejam que mundo pequeno.
Avisei ao rapaz a área onde estavam as pessoas que me abordaram. Ele conseguiu reaver a carteira, e tomou o mesmo metrô que eu. Era de Minnesota.
Reporto-me a vocês de Kuala Lumpur.
Nossa, que interessantes e oportunos esses encontros, entre achados e perdidos. Ainda bem que com happy end haha. Essas viagens pelo interior sempre revelam tipos e situações curiosas.
Região muito semelhante ao SE asiático como ao norte da Tailândia, com verdes e estradas cheias de barracas, as mais diversas. Horriveis essas beberagens haha
Bom terminal “Sentral” haha. Olhe hahah. Prefiro viagem de trem. Quando for prefiro reservar os bilhetes antes haha