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Natureza em Rotorua, Nova Zelândia: Termas, sequoias, e enxofre

Acordei e, antes mesmo de abrir os olhos, lembrei onde estava. Quase que a minha primeira palavra do dia foi um palavrão. A cidade de Rotorua, à beira de lagoas termais ricas em enxofre, é envolvida num odor de ovo podre que te acompanha dia e noite. Se a sua acomodação for relativamente perto das lagoas, como foi o meu caso, esse cheiro será sua primeira inspiração ao acordar e o último suspiro antes de dormir.

Rotorua é o paraíso geológico da ilha norte da Nova Zelândia. Uma das cidades mais interessantes do país. Ela é famosa por suas termas, gêisers e lagoas cheias de elementos químicos exóticos. A maioria delas, digo-lhes desde já, é vetada a banho, pela simples razão de que você não iria querer estar lá. Grande parte tem pequeninos vulcões de água subterrânea emergindo a 80ºC ou mais. É algo mais para ver que para sentir, você há de convir.

A cidadezinha de Rotorua, uma miudeza de menos de 60 mil habitantes. Árvores no outono fresquinho, pelas ruas amplas de estilo típico dos países de língua inglesa (essa cidadezinha poderia facilmente estar no Canadá).
Ver a cidadezinha repleta de folhas em cor, nesse ambiente outonal, era de encher os olhos. Em junho.
O outono é lindo, não resta dúvida. Mas, antes que você encha a boca pra dizer “Que linda a natureza da Nova Zelândia!“, eu como biólogo eu me sinto na obrigação de dizer que tudo isso são espécies exóticas aqui, viu gente. A vegetação nativa da Nova Zelândia é sobretudo de samambaias e outras plantas que não perdem as folhas no inverno. Mas falamos mais sobre isso depois. Fica o ponto de educação ecológica do dia.

Eu havia chegado de ônibus desde Auckland na tarde anterior, e de pronto fui ver as lagoas térmicas que margeiam a cidade. É um espetáculo de vistas tranquilas, fumacinhas a sair de poros na terra, e aves aquáticas a passear tranquilas como se estivessem num paraíso.

Há, inclusive, cisnes negros (estes, sim, nativos exclusivamente aqui da Oceania, embora hoje em dia você os encontre mundo afora). É curioso porque os romanos e os europeus da Idade Média tinham até provérbios sobre como todos os cisnes são brancos; até que, pimba, europeus vieram aqui no século XVII e viram que não era bem assim.

Os arredores de Rotorua. Você caminha 20min e já está aqui, assim. (A lagoa não é necessariamente ácida, mas há partes perigosas; as aves sabem aonde ir e aonde não ir; as pessoas, não, por isso não é permitido banhar-se.)
Um cisne negro que flagrei no fim da tarde.
O cair do sol com as árvores à margem da lagoa.
Parece algo saído de Alice dos País das Maravilhas.
À margem da lagoa não faltam buracos de onde saem vapores e, às vezes, água quente.

Por favor, não se esqueçam do cheiro. Eu fiz um pequeno vídeo abaixo que mostra melhor os vapores fétidos saindo do chão.

Sequoias, alguns de vocês viram no título do post e devem estar se perguntando. As sequóias são nativas da costa oeste da América do Norte, mas, como vocês a essa altura já sabem, não faltam espécies exóticas introduzidas aqui na Nova Zelândia (prometo, até o fim desta viagem, mostrar o que é natureza nativa neozelandesa de verdade. Por ora, fiquemos com o introduzido, que apesar de exótico é muito bonito.)

Há um belo parque, nos arredores de Rotorua, que atende pelo nome maori de Whakarewarewa. Se preferir, fique com o nome em inglês: The Redwoods. Trata-se de uma plantação de sequoias, que aqui ainda não viveram tempo o suficiente para adquirir aquelas enormidades de tamanho que você encontra na Califórnia. Ainda assim, são árvores majestosas. O nome científico em latim, Sequoia sempervirens, refere-se exatamente ao fato de elas durarem séculos e darem a impressão de que vivem pra sempre (semper virens).

Já o nome em inglês, redwoods, refere-se à cor vermelha da madeira. É uma área tranquila onde passear. 

O parque das sequoias em Rotorua.
Eu, como faço o tipo andarilho gastronômico, fiz minha primeira parada no trailer do café, onde tomei um saboroso flat white neozelandês (se você não conhece o flat white, confira-o no meu post sobre café no mundo).
Há pontes pênseis por onde caminhar no alto se você quiser.
Está vendo essas samambaias grandes e pequenas? Elas é que são nativas da Nova Zelândia. A natureza original neozelandesa era em grande medida assim.
Do chão. Assim é uma floresta neozelandesa, com você rodeado de samambaias gigantes.
A plantação de sequoias, que aqui você entende porque são chamadas de redwoods. (Elas são plantadas aqui para uso de madeira. Este é um parque extrativista.)
Junto a uma das maiores que encontrei.

Você vai e volta de ônibus, sem dificuldade.

A cidade de Rotorua em si, como você talvez já tenha deduzido, nada mais é do que um ponto de onde fazer passeios assim, pra ver a natureza ao redor. 

Para encerrar esta postagem, um parque bom de ir é o Te Puia (mais uma vez, nome maori). Lá é possível ver ainda mais termas e gêisers propriamente ditos, além de vulcões de lama (pequenos, antes que você imagine uma hecatombe).

Lá é também um ótimo lugar onde começar a ter um gostinho da cultura tradicional Maori, o povo polinésio que chegou aqui de canoa séculos antes dos ingleses. Mais sobre eles — um monte sobre eles — a seguir. Deixo vocês com a notável parte geológica do Te Puia, em Rotorua.

A paisagem geológica no parque Te Puia, em Rotorua.
Nesses vapores quentes os Maori costumavam cozinhar, como nessa demonstração.
Olha que beleza.
Gêisers em meio à paisagem.
No meio da folia geotérmica.
Cascatas quentes no riacho.
De perto.
E os vulcões de lama. (Não, esses não são para a pele.)
Por fim, aqui você pode ver também o kiwi, ave símbolo da Nova Zelândia, uma ave que vive e faz ninhos no chão. É uma espécie bastante ameaçada, devido à vulnerabilidade desse comportamento. Quando os europeus vieram à Nova Zelândia e trouxeram ratos em seus navios, a coisa ficou complicada para o kiwi. Hoje, eles estão quase que restritos a parques nacionais, onde são bastante protegidos. Como são aves noturnas, você no Te Puia as vê numa sala escura com luz vermelha tipo estúdio de fotografia. Esse é um empalhado. O apelido de Kiwi acabou pegando nos neozelandeses de modo geral. Nos anos 60, como jogada de marketing, agricultores neozelandeses — os primeiros a produzir em escala comercial a fruta que conhecemos, nativa da China — passaram a vendê-la como “a fruta kiwi”. O kiwi original, no entanto, é essa ave.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Natureza em Rotorua, Nova Zelândia: Termas, sequoias, e enxofre

  1. uaaaaauuuuu. Que maravilha esse outono com folhas modificadas e com esses coloridos fantásticos. Lindas esses espécies. Amei E que efeito visual tem e causam. Uma festa para os olhos. Que bela natureza. Esse calorão ai entretanto não me atrai haha , seja pelo calor em si, seja pelo bafo de onça ou pelo fumacê gasoso/umido hahaha Gostei no Senhor dos Anéis hahah só.
    Amei o Kiwi. Pena que empalhado, coitado.
    Linda natureza.
    Curioso esse transplante de especies de outras regiões, principalmente se se comparar à fobia de hoje hahah

  2. Lindas e imponentes as sequoias . Bela cor de madeira.
    E o senhor me parece muito bem nesse ambiente todo. haha bem viajante mesmo hahah; Parabéns pela coragem e destemor. Eu não me aventuraria nesse ambiente gaseificado e quente hahah

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