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Viajando sem carro, de trem e ônibus pela Nova Zelândia

A primeira coisa que me perguntei quando decidi viajar à Nova Zelândia foi o quanto eu conseguiria visitar sem carro. Quase todos os relatos, em inglês ou português, descrevem viagens em carro próprio ou alugado. (E isso é, de fato, fácil de obter. Alugar carro na Nova Zelândia é bastante simples, as estradas são boas, e há até quem compre um carro usado por 1 ano e o venda antes de deixar o país.) No entanto, nem todo mundo dirige ou quer dirigir num país alheio.

A resposta é: Sim, é perfeitamente possível visitar a Nova Zelândia em transporte coletivo, sem problemas. Verdade, há recantos específicos (certas praias, parques, etc.) que você teria dificuldade de chegar sem carro — isso não há como negar, e nesses casos seria preciso arrumar um tour ou juntar-se com alguém que dirija. No entanto, o grosso do país você visita facilmente em ônibus ou trens.

Na verdade, como os quase todos os neozelandeses se deslocam de carro (como é mais que habitual nos países de língua inglesa, de forte cultura individualista e amantes do automóvel como meio de transporte principal), o transporte coletivo interurbano atende quase que exclusivamente a turistas.

Os ônibus são simples mas confortáveis, como um ônibus executivo médio no Brasil, e contam até com comentários do motorista sobre a paisagem, histórias dos lugares por onde você passa, etc. É como um “intercity tour” — um city tour, só que na estrada. (Certa vez, assisti a uma neozelandesa pobre perguntando ao motorista se era possível ele evitar os comentários, pois ela já estava cansada de transitar por ali e ouvir as mesmas coisas sempre. E ele disse que não: “Este é um serviço com comentários, sorry“.)

Como turista, eu adorei os comentários, francamente. Deixam a viagem muito mais interessante. Fica com cara de passeio. Quase todos os passageiros, de fato, são turistas ou estudantes estrangeiros tirando uma folga para viajar pelo país, sobretudo asiáticos.

Os trens são mais raros, restritos a algumas poucas linhas cênicas. Portanto, são viagens durante o dia. Na Ilha Norte, há a Northern Explorer, uma linha que liga Auckland a Wellington. Na Ilha Sul, há a linha TranzAlpine, entre uma costa e outra da ilha, cruzando as montanhas no meio (aqui chamadas “Alpes do Sul”), ligando as cidades de Greymouth e Christchurch. Mais adiante em 2018 deve retornar também a linha Coastal Pacific, margeando a costa leste da Ilha Sul entre Picton e Christchurch. Essa ferrovia foi danificada pelos terremotos recentes e ainda está para reabrir.

Você pode comprar todas as passagens de trem — e de ônibus — online com o cartão de crédito. Recomendo comprar com certa antecedência se você já tiver um itinerário em mente. As passagens de ônibus na Nova Zelândia são um pouco como passagens de avião em companhias de baixo custo, e saem com preço promocional se você comprar antecipadamente.

É super prático: você imprime a confirmação da reserva, ou a mostra mesmo no seu telefone ao motorista, e pronto.

Para verificar (e comprar) os itinerários e passagens de trem, basta visitar o site Great Journeys of NZ.

Para ver os trajetos de ônibus, as duas principais companhias na Nova Zelândia são a InterCity e a NakedBus. Eu usei principalmente os ônibus InterCity e gostei muito. Percorri o país inteiro e não tive problemas de atraso nem nada.

Boa viagem! Qualquer questão, é só fazer abaixo nos comentários.   

“Kiwi” é o nome da ave símbolo da Nova Zelândia e, por conseguinte, é o apelido dos neozelandeses. Só a partir dos anos 60 é que o nome foi dado também à fruta que nós conhecemos. (A fruta é exportada pela Nova Zelândia, mas é nativa da China, faça-se saber.)
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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