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Christchurch (Nova Zelândia) e o seu belo jardim botânico no outono

Cheguei a Christchurch num fim de tarde de outono. O sol caía tímido, ainda raiando por entre a folhagem enquanto um ar friozinho já tomava conta. Esta é a maior cidade da ilha sul da Nova Zelândia, com quase 400 mil hab. dos 1 milhão da ilha.

Com franqueza lhes digo que é uma cidade de poucos atrativos, uma cidade normal, um tanto tediosa não fosse pelo seu lindo jardim botânico em pleno centro.

Christchurch ganhou as manchetes em anos recentes por ter sofrido com vários terremotos consecutivos, um em setembro de 2010 e outro pior em fevereiro de 2011. Aí, após um fôlego, mais um veio em 2016.

Aos poucos a cidade tem se recuperado, mas você ainda caminha pelo centro e se sente como se uma nave alienígena tivesse sobrevoado a cidade e “deletado” quarteirões inteiros que hoje são terrenos baldios ou estacionamentos improvisados, no meio da cidade. Hoje eles já retiraram os escombros, mas os vazios permanecem.

A beleza do outono em Christchurch, Nova Zelândia.
Um dos principais danos foi à catedral anglicana que deu nome à cidade: a Christ Church Cathedral, do século XIX. Recentemente, aprovaram um plano público para restaurar a igreja, mas vai levar tempo.
Este é o mesmo lugar em 2006, a mesma igreja. É chocante a diferença. A torre, como você notou na foto anterior, ruiu completamente.
No centro de Christchurch o que mais há hoje são guindastes, obras, e terrenos ainda vazios. A cidade vai ainda levar anos para se reconstruir.

A beleza que não ruiu foi a do Jardim Botânico, por razões óbvias. Árvore é mais resistente a terremoto que prédio de concreto. Em junho, embora os jardins de rosas e hortênsias já estivessem um tanto dessecados pelo frio do inverno que se aproximava, as árvores maiores estavam repletas de cores e folhas a cair — um espetáculo de outono. (A cereja do bolo é que a entrada é gratuita.)

O amplo jardim botânico de Christchurch no outono.
Árvores repletas de cores de outono.
As folhas tomando o lugar das flores, ganhando cor enquanto as outras a perdem. Algumas hortênsias ali ainda coloridas mais adiante.
Um espetáculo da natureza.
Sol poente, folhas no chão.
Esta é a seção de vegetação nativa do jardim botânico. Como eu já coloquei antes, aquelas árvores coloridas podem ser lindas, mas são todas espécies exóticas, introduzidas pelos ingleses. A vegetação nativa neozelandesa é geralmente assim, de plantas que não perdem as folhas no inverno, e marcadas sobretudo por essas típicas grandes samambaias.

Andei por ali respirando aquele ar frio de quase inverno, eu e as plantas. Depois, retornei à cidade (tudo a pé) e ainda passei por aquela que é provavelmente considerada a sua principal atração turística: a New Regent Street, um calçadão de compras de arquitetura espanhola feito nos anos 1940. (Foi um empreendimento privado; não há espanhóis aqui além dos ocasionais intercambistas.) É bonito, embora pra quem já foi à Europa (ou a qualquer cidade colonial brasileira), isso aqui não passa de uma pitada de sal.

Cair da noite na New Regent Street, a mais elegante rua de lojas de Christchurch. Toda em estilo arquitetônico chamado de “espanhol missionário”. Surgiu aqui como um empreendimento privado nos anos 1940, um shopping center avant la lettre. Um bonde antigo em trilhos (hoje de propósitos turísticos) transita pela rua durante o dia.
O Isaac Theatre Royal iluminado à noite. De 1908, ele é um dos prédios ainda preservados de estilo inglês do começo do século XX na cidade.

Na hora de jantar, Deus foi bom e eu achei um restaurante chinês, pois peixe frito com batatas e outros dotes sem gosto da culinária inglesa todos os dias, ninguém merece.

No dia seguinte, eu já rumaria ao miolo da Ilha Sul, um dos lugares mais bonitos da Nova Zelândia, com seus lagos azuis e os chamados Alpes do Sul. A viagem continua.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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