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Milford Sound: Natureza pelos fiordes da Ilha Sul da Nova Zelândia

Milford Sound é um daqueles lugares da Nova Zelândia de que eu nunca tinha ouvido falar, mas que me impressionaram profundamente. Estamos falando de fiordes (braços de mar que adentram a terra) cercados de cascatas nas rochas e vegetação nativa. 

Muita gente elogia a natureza da Nova Zelândia sem conhecê-la de fato. A maioria dos visitantes não percebe que o ambiente natural do país foi altamente transformado após a chegada dos ingleses, a vegetação natural quase que inteiramente removida para dar lugar aos pastos e plantações de árvore de corte que hoje dominam a paisagem.

A vegetação nativa da Nova Zelândia é rasteira, cheia de pteridófitas. Parece um matagal de gramíneas grandes, samambaias altas ou baixas, e arbustos molhados. Quase nada tem a ver com as espécies do Canadá ou da Europa que hoje você encontra aqui, com suas folhas que ganham cor no outono. A Nova Zelândia é originalmente muito mais verdejante, úmida e menos fria (devido à maritimidade). Musgos abundam com as samambaias, e o jeitão geral lembra algo de uma selva jurássica, da época dos dinossauros, afora a grama.

A área protegida que você visita no passeio a Milford Sound finalmente lhe mostra isso. São paisagens diferentes de tudo que já vi. Uma visita obrigatória.

Acompanhem-me no caminho até o fiorde. Primeiro de ônibus, depois de barco.

O vale aonde nos dirigíamos.
Tudo começa, de ônibus, na região ainda de pastagens, com as montanhas dos Alpes do Sul ali nos emoldurando.
Aos poucos, a paisagem vai se transformando em algo menos rural e mais floresta.
Os Alpes do Sul ali, e vegetação baixa nativa neozelandesa aqui.
Paradas para apreciar a beleza. A vegetação nativa da Nova Zelândia é assim: despretensiosa, mas verdejante.
Vista por entre as árvores.
O nosso ônibus nas paisagens por onde íamos passando.

Qualquer agência de turismo de Queenstown reserva esse passeio pra você, e ele dura o dia inteiro. Não estamos tão longe, mas as estradas aqui por entre as montanhas são curvas, e não dá pra ir muito rápido. Melhor, pois você vai apreciando o entorno. Ele normalmente inclui tempo para o almoço no barco, após chegarmos ao fiorde. 

Localização de Milford Sound, na área mais remota da Ilha Sul da Nova Zelândia. Perceba Queenstown ali no meio, e Christchurch mais adiante.
Vamos assim margeando as montanhas.
Com verdadeiros mosaicos de musgos brancos ali bem pertinho sobre as rochas.
Cascatas frias por entre a vegetação nativa neozelandesa.
Até que chegamos num vale poderoso onde você se sente minúsculo.
A vegetação rasteira.
E o alto das montanhas.

A partir dali, adentraríamos as nuvens. Esqueça o sol: você fica imerso numa garoa que só lhe permite ver as rochas, as plantas, e depois escarpas dramáticas perante o mar. 

As rochas que nos circundavam, cobertas de musgos e pequeninos filetes de água que escorriam.
Os filetes que escorrem pelas montanhas nessa garoa. A sensação é a de que você está num lugar quieto e encantado.
Nós, parando em meio ao nevoeiro.
E encontramos finalmente o mar, a ponta do Milford Sound. Esse é o nome dado ao fiorde, esse braço de mar que vem até aqui. Os Maori chamavam este lugar de Piopiotahi, e o usavam suas águas fechadas para treinar navegação. (O nome de Milford foi dado pelos britânicos muito mais tarde, em homenagem a um porto de mesmo nome no País de Gales.)
Iríamos nesse barco.
Vamos mar adentro.
Mar, montanhas, e nuvens.
Alguém aceita um café, pra ir apreciando melhor a paisagem?
Nas margens, a mesma vegetação baixa anterior.
A vista é de muitas cascatas e plantas nas rochas.
De perto.
Aproximamos-nos de uma dessas cascatas…
…e o resultado é maravilhoso, ainda que certamente molhado.
Vento frio na cara.
Chegamos em alto mar, e ali fica a entrada para o fiorde que adentra a Nova Zelândia.

Paisagens inesquecíveis, e a sensação de que você está no lugar mais remoto do mundo.

Voltaríamos a Queenstown, e eu no dia seguinte já deixaria a Nova Zelândia rumo a outros mares.


Epílogo

Deixando o muito bonitinho aeroporto de Queenstown (de onde se vê até as montanhas), tive de esperar um tempo até o meu voo com conexão em Auckland. Perto de mim, uma brasileira jovem (com cara de seus 30 anos) estava aos beijos com um senhor gringo com cara de ter no mínimo o dobro. (O coroa narigudo e de cabelos grisalhos penteados para trás estava aceso feito uma vela, não tirava a mão da coxa da moça, e olhava pra ela fixamente, com ares de quem queria “dar uma” logo ali, se não houvesse tanta gente olhando.) Do meu canto, na mesa ao lado, eu saboreava aquele que provavelmente seria o meu último two-shot flat white — um espresso duplo com a quantidade certa de leite — em Queenstown nesta viagem.

Em Auckland, eu ainda almocei e esperei algumas horas, pois só chegaria a Samoa de noite. Presenciei uma cena linda de duas funcionárias Maori, de seus 1,80m e mais ou menos da minha estatura física, formalmente vestidas com blazers, calças pretas, e todo aquele traje formal de funcionário de aeroporto que passa com o comunicador de rádio na mão. Uma de repente, quando a outra estava distraída, meteu-lhe um tapão (daqueles bem dados, de mão cheia) na bunda da outra, que se surpreendeu e pôs-se a rir, aquelas gargalhadas bem dadas, de quem diz à amiga “Sua cachorra, espere só pra ver o seu”. E puseram-se as duas a rir gostosamente.

Essa espontaneidade e real informalidade, esse “peito aberto”, que os aproxima de nós brasileiros, são coisas que você normalmente não verá nos neozelandeses de origem europeia (assim como não verá nos ingleses, canadenses…). Verá, contudo, muito nos outros povos daqui da Polinésia, como os samoanos que eu estava prestes a conhecer.

Eu tenho essa tese de que os polinésios aqui do Oceano Pacífico são muito mais semelhantes em comportamento a nós da América Latina que a qualquer outro povo na Terra, mas vou deixar que vocês próprios avaliem, após ver o que mais eu vi. A trajetória por esta parte tão pouco visitada do mundo só estava começando.

Um flat white bem feito, com a imagem de um ramo de samambaia, maior símbolo da Nova Zelândia. Até a volta.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Milford Sound: Natureza pelos fiordes da Ilha Sul da Nova Zelândia

  1. Que região magnifica, que natureza estupenda, Belos Fiordes, Que altas montanhas e que nublação. haha… Achei lindo o passeio, amei a ideia do banho com aquela água pura e cristalina da cascata que desce das montanhas. uma riqueza.
    O senhor está muito bem meu jovem amigo ao sopro do vento. Ora ora. Enjoy it, my dear. Bela postagem, linda regiao. Imperdivel.

  2. Adorei o epílogo hahah….. bem descontraídas as moças. Curioso que apesar de perdida no meio do Pacífico ela é relativamente perto da America do Sul e o viajante encontrou pontos de contato entre atitudes e comportamento entre povos de la e de cá.

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