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Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

Continuação de Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 4): Indo a Savai’i, a outra ilha

Pati foi o mórmon mais simpático que eu já conheci. Os mórmons, pra quem não sabe, são a principal Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (há várias), que seguem uma doutrina fundada por Joseph Smith Jr. em Utah, nos Estados Unidos, nos idos de 1840. São aquelas duplas de rapazes de camisas brancas e calças pretas que você vê circulando por aí, mundo afora. Samoa e a Oceania em geral são repletas dessas igrejas.

Aqui, longe do uniforme preto e branco, Pati usava uma camisa folgada, bermudas e havaianas — a indumentária masculina típica em Samoa. Era um rapaz moreno de seus 27 anos. Ele hoje seria o meu guia num passeio a algumas das atrações aqui da ilha de Savai’i.

Como sempre nos trópicos, o princípio da manhã já trazia consigo o calor. Soprava uma brisa do mar bem gostosa no varandão do hotel enquanto eu tomava meu inusitado mingau samoano de arroz com chocolate e leite de côco (koko araisa, eles chamam isso aqui, uma combinação que a língua não-habituada a princípio estranha, mas depois passa a gostar, se você for fã de chocolate).  

Koko araisa, um mingau samoano típico, de arroz com leite de côco e chocolate. A cara pode ser estranha, mas é gostoso. Como eles usam chocolate de verdade (e não achocolatado em pó, que é mais açúcar que qualquer outra coisa), o sabor fica bem aguçado.

Juntou-se a mim um casal jovem: uma jovem enfermeira loira australiana e um rapaz iraniano moreno vendedor de ouro. É isso mesmo. (O rapaz era um conversador fiado de marca maior.)

Dirigimos um tempo pela costa da ilha de Savai’i até chegar a uma das coisas mais curiosas (e belas) que eu já vi, os Alofaaga blowholes. Blowholes, chamados em espanhol de bufaderos e às vezes traduzidos como “furos de sopro” em português, são buracos nas rochas à beira-mar que ejetam água do mar bem alto quando as ondas batem. A onda chega com força, incluso por debaixo das rochas, e a pressão a obriga a subir, indo ao alto. 

Vejam no vídeo abaixo. Pati tenta jogar uma casca de côco bem na hora, pra ela sair voando. (Perdoem o barulho do vento.)

Neste abaixo eu filmei de perto bem a hora que a água sobe.

Eu que achava que na costa das ilhas do Pacífico só encontraria praias idílicas, areias e coqueiros, fiquei encantado com essa beleza natural outra — intimidadora por certo, mas bela.

O mar e a costa rochosa na ilha de Savai’i, em Samoa.
Há vistas assim, como esta do mar abraçando as rochas e a água convergindo para aquele buraco.
Na costa de Savai’i.
Tons de azul impressionantes na água. (Não, Pati não logrou fazer o côco subir.)
Os Alofaaga blowholes em ação.

Dali, fomos terminar de nos molhar — agora de vez — na Cachoeira de Afu Aau, ilha adentro. 

É aqui que Samoa começa a parecer cenário de Lost, Robinson Crusoé, ou qualquer outra obra de visitantes perdidos em ilhas tropicais remotas.

O ambiente do lugar.
A Cachoeira de Afu Aau, que, segundo me disseram aqui, significa algo como “não sabe de onde vem a água”, pois a nascente está por entre as rochas.
Vida boa.

Banho de cachoeira é sempre uma coisa maravilhosa. Quase tiveram que me arrancar amarrado aí da água para irmos embora.

Almoçamos ali mesmo, uns sanduíches que Pati havia trazido, e de tarde fomos ver uma senhora pintar tala, aqueles panos decorativos samoanos feitos a partir de uma planta, que eu mostrei num dos posts anteriores.

Samoana pintando as talas com extratos vegetais em padrões típicos daqui.
Talas pintadas à mão em Samoa.

No caminho, Pati foi me contando das suas aventuras no Caribe e na América Latina, onde foi missionário mórmon. Ele adorava tudo lá, e não parava de falar entusiasmadíssimo, como alguém que acaba de voltar de um intercâmbio. Contou que na Venezuela o detiveram por 4h na imigração porque ninguém sabia onde era Samoa, se esse país existia mesmo, e se ele podia realmente entrar lá sem visto.

A mais louca foi ele querendo entrar pra pregar numa favela em Trinidad, no Caribe. As favelas caribenhas não são menos perigosas que as brasileiras. Segundo Pati, seu par, um norte-americano, tentou persuadi-lo de que seria perigoso demais, e chegou a ligar pro chefe. “O que Jesus faria?“, teria dito Pati ao chefe pelo telefone.

Doidinho de pau, mas gente boa.

Passaríamos, ao fim do passeio, pela Igreja da Congregação Cristã em Samoa, a maior denominação do país, fundada pelo missionário inglês John Williams em 1830. Não há como entender a Oceania de hoje sem se levar em conta esse esforço missionário dos últimos dois séculos. É o mesmo na África, onde creditamos seus comportamentos a um tradicionalismo africano, quando na verdade muito deriva mais é do missionarismo das igrejas que chegaram por lá com o imperialismo europeu.  

Esta é a igreja da CCCS (Congregational Christian Church in Samoa), o maior grupo do país.

Depois de ver belezas naturais, comer bem, e fazer amizade com mórmons e testemunhas de Jeová, a minha estadia em Samoa estava chegando ao fim. No post seguinte eu concluo estas crônicas, com a minha despedida do país.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Crônicas em Samoa, Oceania (Parte 5): Da Cachoeira de Afu Aau aos Alofaaga blowholes

  1. Já vai?! 🙁
    Iremos para onde? Tonga? Você são os meus olhos fora do Brasil.
    Escolha um bom lugar para eu passar meu recesso que se inicia em Dezembro, ok? Rsssss.
    Adoreiiiiiiiiiiiiii

    1. Haha, muita gentileza sua, Daniele! E honra minha. Pode ficar certa de que vem mais coisa bonita e interessante por aí. Mas antes disso ainda tem o epílogo de Samoa na segunda-feira ;-).

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