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Vanuatu, Oceania: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar em detalhes a minha viagem por Vanuatu, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de visitar o país.

  • O que mais gostou. Da natureza indomada. Este é um arquipélago grande, de ilhas separadas por centenas de Km, e pouco habitada. Há muito de natureza deixada quieta — praias, rios, florestas, e até vulcões. Isso me fascinou. Faz você o mundo de antes dos grandes impactos ambientais humanos.
  • Visita obrigatória. Alguma vila tradicional, seja autêntica, seja de espetáculos culturais para apresentar a cultura de Vanuatu aos visitantes. Uma ou outra, não vá embora só conferindo a natureza: confira também algo da interessante (e, às vezes, assombrosa) cultura tradicional daqui. (PS: Os vanuatenses geralmente são muito simpáticos.) 
  • O que não gostou. A falta de infraestrutura e os preços. Eu sei, é meio paradoxal eu elogiar a natureza e ao mesmo tempo me queixar da falta de infraestrutura. Mas faz falta. Aqui eu não me refiro a estradas, pois não me importo de passear na buracolândia; refiro-me a mal haver transporte público de uma cidade a outra, de haver até mesmo poucos voos de uma ilha a outra, e coisas assim que atrapalham a visitação. Afora isso, os preços. Embora o país seja economicamente precário, as atrações ao turista são relativamente caras (veja mais sobre Transporte e Custos mais abaixo).
  • Queria ter visto mas não viu. A ilha de Tanna, onde há um dos vulcões mais acessíveis do mundo. É possível fazer trilha até a boca dele, etc. Não fui porque os voos pra lá, que são poucos, estavam lotados.
  • Comida(s) & bebida(s) a experimentar. Lap Lap é o prato-assinatura de Vanuatu: uma massa feita de raízes (taro, inhame, ou mandioca) com leite de coco e, geralmente, frango por cima (ver aqui). Experimente também kumara, uma batata-doce alaranjada muito bem quista aqui. Afora isso, você se deparará com kava, a bebida tradicional da Oceania, uma espécie de chá feito de uma raiz nativa (Piper methyscum) e que tem efeito relaxante (mostrei-a aqui). O kava de Vanuatu é notoriamente forte, então aprecie com moderação.
  • Momento mais memorável da visita. Eu acho que foram três. (1) Ver o cara andando sobre pedras quentes num vilarejo cultural; (2) fazer a trilha inesquecível da Millennium Cave; e (3) sentir-me sozinho na natureza na paradisíaca Praia de Towoc, na ilha de Espíritu Santo.
  • Alguma decepção. Os preços me decepcionaram, pois é uma daquelas economias divididas, em que há as coisas pro povão e as coisas (caras) para turista e a preço de turista. A outra decepção foi a pouca disponibilidade de voos entre as ilhas — são caros (>100 USD) e você precisa reservar com antecedência se quiser ter chance.
  • Maiores surpresas. A forma como os australianos dominaram a indústria do turismo aqui, fazendo de Vanuatu quase um quintal “selvagem” de férias seu. E a quantidade de atrações impressionantes num país do qual eu mal havia ouvido falar antes de vir.

Principais dicas

Quando vir. Eu vim de junho pra julho, e achei ótimo. A temperatura é pouco quente, bem tranquila pra quem conhece os verões do Brasil, e não peguei chuva. A alta estação é abril-outubro, embora julho e agosto às vezes estejam mais movimentados devido às férias escolares de meio de ano na Austrália. Novembro a março é a época de ciclones, a evitar.

Visto. Brasileiros não necessitam de visto para fazer turismo em Vanuatu. Nem é necessário pagar nada na chegada ao aeroporto, nem na partida. 

A moeda de Vanuatu é o vatu. 1 dólar americano dá coisa de 110 vatu. O de praxe, mentalmente, é aproximar cortando dois zeros dos vatus (5000 vatus dá perto de 50 USD).

Custos & câmbio. Vanuatu é um destino mais caro do que eu imaginava. Comida no mercado e transporte coletivo são relativamente baratos (3 USD um almoço, 2 USD uma passagem no coletivo), mas os passeios podem ser bem caros, e transportes privados — que você vai precisar tomar se quiser ir fora das rotas do povão — também são caros.

O passeio da trilha com guias na Millennium Cave, na Ilha de Espíritu Santo, me saiu a 6000 vatu (porque eu pechinchei), coisa de 60 USD. O passeio de um dia ao redor da Ilha de Efate (a principal), com almoço incluso, saiu por 70 USD. Por um voo de ida e volta de uma ilha a outra, espere pagar o equivalente a cerca de 150 USD. (A outra opção é ir de navio cargueiro, o que leva vários dias e, segundo dizem, vai do meramente desconfortável ao intolerável.)

Refeições em restaurantes para turista saem de 10 USD pra cima, e mesmo fast food pode sair perto dos 10 USD. Acomodação simples sai por coisa de 30 USD/noite por pessoa. 

Casas de câmbio não são comuns, especialmente fora da capital Port Vila. Há caixas eletrônicos que aceitam cartões estrangeiros, mas praticamente só lá e em Luganville (e eu seria cauteloso quanto a Luganville, pois se os poucos caixas automáticos acontecerem de estar quebrados, você samba). O indicado é levar consigo em vatu todo o dinheiro que você crê que irá precisar — para passeios, alimentação, etc.

Há quem aceite pagamento em cartão de crédito, mas isso é raro, e geralmente limitado aos grandes hotéis e aos (raros) restaurantes de pompa. Não há McDonald’s, nem KFC, nem Subway, nem Starbucks, nem NENHUMA dessas redes internacionais em Vanuatu. 

As pessoas também nem sempre aceitam moeda estrangeira. O mais fácil de trocar aqui são dólares australianos, seguidos dos dólares americanos. Euros e dólares neozelandeses vêm a seguir. Os australianos, donos das acomodações, provavelmente aceitarão dólares australianos, e é comum até que fixem o preço nessa moeda. Mas na rua, e sobretudo nos mercados e lugares mais populares, os vanuatenses vão preferir receber em vatu.

Acomodação & Reservas. Saiba que muitas acomodações mais simples e pensões de família em Vanuatu não estão em sites de reserva online como o Booking. O indicado é reservar um lugar em Port Vila e de lá fazer, com a assistência do seu anfitrião, as outras reservas que quiser.

A segunda dica é olhar no TripAdvisor. Há muitas pensões que não querem pagar os 10% que o Booking lhes cobra, ou não têm condições financeiras pra isso. Elas, no entanto, continuam listadas (gratuitamente e com avaliações) no TripAdvisor. Muitas delas respondem e-mail e podem confirmar a reserva pra você.

Em Port Vila eu fiquei no Travellers Budget Motel e gostei muito. Jack, o dono, me ajudou a fazer todas as reservas que precisei. Em Luganville eu fiquei no Hibiscus, também bom e em conta. 

Transporte & Voos domésticos. Vanuatu é um país espalhado, e se você quiser conhecer mais que a ilha principal (Efate), provavelmente precisará comprar voos domésticos (que facilmente levam 1h de uma ilha a outra). A Air Vanuatu é a única que os opera. Certifique-se de comprá-los com semanas de antecedência, ou suas opções serão limitadas e os preços, altos. Os voos saem facilmente por mais de USD 100 ida e volta.

Se você por alguma razão não conseguir comprar online, saiba que há um escritório da Air Vanuatu na capital Port Vila. Você pega a ficha, espera a sua vez com a pessoa do balcão, e compra. (Prepare-se para esperar um pouco.) Eles aceitam cartões de crédito.

A outra opção, já que os voos da Air Vanuatu não são muitos (e os aviões muitas vezes são pequenos, do tipo que carrega 20 pessoas ou até menos), é tomar um voo fretado (chartered flight). A segurança fica por sua conta, pois em geral são aviões bimotor pequenos, e podem ser mais caros, mas às vezes são a única opção quando os voos da Air Vanuatu se esgotam.

Transporte marítimo entre as ilhas de Vanuatu praticamente inexiste, exceto pelos cargueiros (que aceitam passageiros, mas podem ser barril).

Quanto ao transporte em terra, infelizmente é quase sempre necessário contratar motorista, alugar carro, ou juntar-se a um tour. Em Vanuatu há vans fazendo o transporte coletivo sem pontos fixos — você para onde quiser, é só dizer aonde vai e ele deixa você lá de acordo com o itinerário que o motorista traçar na cabeça dele pra deixar todo mundo e pegar mais passageiros. Saem coisa de 200 vatu a passagem. Só existe em Port Vila. Essas vans também servem o aeroporto de Port Vila, então não se deixe enganar pelos malandros.

Na Ilha de Espíritu Santo, há caminhonetes básicas fazendo lotação por coisa de 600 vatu subindo a costa nordeste da ilha até próximo de Champagne Beach.

Onde ir & Quanto tempo ficar? Depende da sua ambição. Vanuatu, sendo um país espalhado e de limitada infraestrutura de transporte, requer tempo se você desejar conhecer muitas ilhas. Efate, a ilha principal, requer basicamente 2 dias: um para a capital Port Vila, e outro para um tour ao redor da ilha. Mais se você quiser ter uma “gordura” para dar tempo de definir a que outras ilhas ir. (Cuidado se você for às Mele Cascades, pois embora sejam cataratas bonitas, a presença de água depende da época [informe-se na  sua acomodação], e cobram um ingresso salgado de 2000 vatu por pessoa.)

Champagne Beach, na ilha de Espíritu Santo.

Espíritu Santo, a maior ilha, pode requerer no mínimo uns 4 dias se você quiser fazer a Millennium Cave e também ir conhecer a Praia de Champanhe. Se você quiser mergulhar para ver o USS Coolidge, um navio afundado perto de Luganville, acrescente um outro dia.

Tanna, a ilha com um vulcão acessível a pé, é a terceira ilha mais visitada de Vanuatu. Infelizmente não consegui vê-la (ainda), mas me pareceu merecer pelo menos uns 3 dias. Lá é muito bom pra ver cultura tradicional também, me disseram.

Por fim, há também quem queira visitar o land diving na ilha de Pentecostes, pra conhecer a atividade que deu origem ao bungee jump.

Internet. Internet na Oceania em geral é uma pindaíba, só não pior que na África sub-Saariana, mas aqui Vanuatu é uma exceção. Há cabo de fibra ótica ligando-o à Austrália, então a internet em geral funciona bem. Às vezes até áreas meio remotas podem ter wi-fi.

Idioma. Em Vanuatu dá tranquilo pra se virar bem no inglês, embora algumas tenham sido escoladas em francês e só dominem o básico do básico do idioma de Shakespeare. O idioma principal é o Bislama, que parece uma espécie de inglês crioulo. 

Segurança. Vanuatu é um lugar pra lá de tranquilo, mas — sobretudo se você for mulher — é bom não bobear demaaaais à noite, pois as noites são muito mal iluminadas aqui, e após o fim do dia as cidades ficam mortas. No entanto, é tido como mais seguro que Fiji, e nem comparação com o Brasil. 

Casal de artistas aqui de Vanuatu que eu conheci em Port Vila.

Compras. Se você gosta de coisas populares e de conhecer também o lado humano dos países que visita, não deixe de conferir os mercados aonde for — sobretudo em Port Vila. A capital é o único lugar de Vanuatu onde há uma abundância de coisas típicas a comprar (além da comida). 

Você encontrará muitos tecidos coloridos, como por toda a Oceania, mas saiba que tem um risco de eles serem da China. Vai na sua habilidade de diferenciar. O que há de mais autêntico a levar — e bem característico da Melanésia — é arte tradicional, na forma de esculturas em madeira ou telas pintadas. Há muita coisa linda, como esses ao lado que conheci, e que você pode comprar direto do artista.

(Só se certifique de declarar isso na aduana da Austrália ou da Nova Zelândia, se o seu voo de saída for pra lá, pois eles têm regras rígidas de biosegurança. Converse isso com o vendedor, que pode estar habituado a vender a australianos, e de repente ele pode lhe dar informações ou até mesmo um certificado do material.)


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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