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A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), Nova Caledônia: Um paraíso na Terra

Quando você viaja muito, já não se impressiona mais tão facilmente com as coisas. Alguém lhe fala de um café ma-ra-vi-lho-so, e você já tomou vários que são melhores. Ou uma igreja linda, mas você já viu tantas. Claro que cada coisa tem sua beleza, cada coisa tem seu sabor particular a ser apreciado, mas já é mais difícil ocorrer aquele “Uau!”. Ainda assim, volta e meia você se depara com lugares que elevam os seus parâmetros a outro nível. A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), na Nova Caledônia, foi um desses.

A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), ali no canto inferior direito do mapa, a cerca de 100 Km da Grande Terre, que é como se chama essa ilha principal da Nova Caledônia.

A cerca de 100 Km da ilha principal, aqui chamada de Grande Terre, a Ilha dos Pinheiros não tem cidades nem transporte coletivo nem frotas próprias de táxi. Embora tenha uns 10×10 Km de área, há apenas algumas poucas vilas de pescadores, hotéis de luxo, e a natureza à beira-mar.

O mais mágico da Ilha dos Pinheiros é, a meu ver, encontrar árvores de floresta temperada assim pertinho da praia. São paisagens muito particulares.

Na Ilha dos Pinheiros.
Água do mar entrando por entre os bosques de pinheiros. Ali à direita um pescador nativo, melanésio.

A Nova Caledônia é um território ultramarino francês na Oceania, cerca de 1.500 Km a leste da Austrália, Oceano Pacífico adentro. No post anterior, na capital local Nouméa, eu comentei bastante sobre como é a sociedade aqui, mesclada entre muitos franceses europeus vindos da “metrópole” e os negros melanésios nativos chamados aqui de kanak, além de outros imigrantes. Na Ilha dos Pinheiros, afora os gerentes dos hotéis de luxo, os habitantes são basicamente todos kanaks.

Para se chegar aqui, a logística não é tão prática, mas tampouco é impossível. A forma mais simples — porém cara — é tomar um voo doméstico de Nouméa para cá. Você só encontra pelo site da Air Calédonie, e são 30 min de viagem que podem lhe custar mais de 100 euros no total, ida e volta. Os voos domésticos saem do Aeroporto Magenta, mais próximo de Nouméa que o aero internacional.

A outra forma de ir à Ilha dos Pinheiros, a que eu usei, é tomar um dos ferries semanais que saem da Gare Maritime [Estação Marítima] de Nouméa e chegam aqui em um par de horas. Quando eu visitei, só havia esse ferry às quartas-feiras; mas como estávamos na semana do 14 de Julho, a festa nacional francesa, o ferry saiu no feriado. A dificuldade é só que ele só chega (pela manhã) e só retorna a Nouméa (pela tardinha) neste dia. Se você o perder, só tem outro na semana seguinte. Em retrospecto, poderia ter valido a pena pernoitar aqui, relaxar mais tempo — e eu recomendo isso sobretudo a quem vier acompanhado.

No meu caso, foi um bate-e-volta aventuresco meio louco.

Começamos pelo ferry saindo às 7h da manhã, com lindas vistas para o mar.

A vista da costa da Nova Caledônia quando saíamos.
O sol raiante da manhã. Nós, naturalmente, tínhamos a bandeira francesa.
O mar conforme nos aproximávamos da Ilha dos Pinheiros, lá adiante. (São em média 2h30min de viagem.)

Eu comentei como não há na Ilha dos Pinheiros nem transporte coletivo nem frota de táxi. Dizem que, se você desejar táxi, é preciso reservar antecipadamente. Como raios eu me deslocaria aqui? Há como, mas foi preciso ser engenhoso.

Há muitos hotéis de luxo localizados do outro lado da ilha. Lá, inclusive, é que fica a chamada Piscina Natural (Piscine naturelle) que retratei na foto inicial. (Não há como vir à Ilha dos Pinheiros e não vê-la.) Abordei um dos motoristas das vans que faziam traslados aos hotéis e negociei uma ida mesmo sem ser hóspede (normalmente, eles têm uma lista com o hóspedes a apanhar — eu fui Alien, o 8° Passageiro). O hotel mais próximo dela, que eu selecionei estrategicamente, é o Le Méridien (um hotel fabuloso, diga-se de passagem; fiquei com vontade de voltar pra me hospedar aqui quando eu for rico).

Tratei de logo descobrir, é claro, o horário de retorno ao porto para apanhar o ferry de volta, e saí pelo hotel cumprimentando os simpáticos funcionários, que me perguntavam se eu já queria café da manhã, etc. “Não, querida, obrigado.” Sabendo que não há praticamente nada comercial além dos hotéis aqui, eu vim preparado com a minha própria comida e água.

Hora de explorar.

Hotel Le Méridien, na Ilha dos Pinheiros, com seus muitos coqueiros também.
Lugar delicioso, com uma piscina aqui e o mar já ali adiante.

Quando você deixa o perímetro do hotel, cruza uma ponte sobre um córrego marinho, e de repente parece que você entrou numa cena paradisíaca onde só há mesmo a natureza e você.

A ponte de saída do hotel, e de entrada para a terra mágica.
Paraíso, cheguei.
Os pinheiros compridos típicos aqui da Nova Caledônia, com córregos marinhos que se estendem por entre os bosques.
Peixes na água.
A vista, com um cidadão nativo ali com a rede.

Após a ponte, comecei a cruzar esses córregos foi por dentro d’água. Sensação maravilhosa. (Venha preparado com calçados que possam molhar, ou terá que carregá-los.) Há trilhas mais adiante, e eu fui logo procurar a Piscina Natural onde estava. Às vezes, como por outras partes da Oceania, é preciso pagar à comunidade local para usar a área, mas quando eu visitei não havia ninguém cobrando. Melhor.

Na água.
Aproximando-me da Piscina Natural. (Pouco importa aqui, mas só pra constar que a placa está escrita errada: deveria ser “naturelle”, no feminino, em vez de “naturel”.)
Trilhas que às vezes lembram as da nossa Mata Atlântica.
Aí você olha pro lado e vê paisagens assim.
Os muitos pinheiros que dão nome à ilha. A impressão é a de que você está numa terra intocada, uma espécie de Éden.
A Piscina Natural, com seus tons que vão mudando do transparente ao azul. Ali adiante, a ligação com o mar.
É digna do nome.
Na Piscina Natural da Ilha dos Pinheiros, na Nova Caledônia.
O azul da água e os pinheiros.

A sua câmera fica louca, os seus olhos também, e você fica ali tentando absorver toda aquela beleza. Algumas poucas famílias brincavam na água, e o subir da maré ia aos poucos enchendo a “piscina”.

Pra quem quer algo mais remoto, há uma trilha de seus 40 minutos pela floresta que leva a uma praia propriamente dita. (Aqui há mapas indicando tudo.) Lá fui eu.

Trilha estilo Mata Atlântica, com direito a caranguejos escondendo-se por entre a folhagem no chão.
Praia deserta do outro lado.
Só havia eu, aves e caranguejos.
Mangue gradualmente alcançando o azul da água.

Foi aí que me deu a louca. Conhecendo algo do mapa da Ilha dos Pinheiros, eu sabia que se contornasse essa costa por mais alguns quilômetros, chegaria ao cais do ferry sem precisar retornar ao hotel nem tomar a van.

O que eu subestimei foi a distância que eu precisaria cobrir andando devagar no mangue — e, sobretudo, a subida da maré. Uma daquelas ideias geniais que a gente tem no impulso.

Depois de muito arrebentar os meus pés nas pedras, me chafurdar na lama, passar por áreas onde só era possível contornar por dentro do mar, e perceber a furada em que estava me metendo ao ver o mar já nos meus joelhos, tive que ter aomildade de voltar.  

Uh-oh.

Voltei, e cheguei ao hotel ainda a tempo de ser “assaltado” por um daqueles idosos que ficam olhando ao redor atrás de alguém com quem conversar enquanto esperávamos pela van. Foi um senhor australiano, a quem faltava a última falange do dedo indicador direito, e que por isso apontava usando os outros dedos.

Ele era velejador veterano e me contou da devastação ambiental causada pela companhia de mineração francesa SLN aqui na Nova Caledônia. Áreas contaminadas onde a vegetação não crescerá mais em pelo menos 30 anos, devido aos químicos jogados. Coisa parecida com o desastre de Mariana, no Brasil, só que aqui em caráter crônico.

Acabou sendo uma conversa inspiradora, tal qual a paisagem.

Às 5h da tarde, tomamos o ferry de volta, vendo o sol se pôr e a Ilha dos Pinheiros ao longe.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “A Ilha dos Pinheiros (Île des Pins), Nova Caledônia: Um paraíso na Terra

  1. Uaaaaaaauuu que paraíso, meu jovem, Fenomenal, impressionante, magnifico, maravilhoso, e tudo o mais que o valha. Um espetáculo para quem gosta da natureza. Imagens impressionantes, vegetação belíssima, águas límpidas, divinas. Que gradação maravilhosa de tons , que azuis e verdes lindos, que transparência, e os peixinhos lindos. Uma beleza, Que Natureza grandiosa.
    Parabéns pela escolha do local, pela postagem e pela coragem. Com vontade de ser o novo Colombo ??? ainda bem que foi ”omirde” e retornou a tempo, antes do mar subir e o senhor ficar ali sem saber como retornar. hahah Notre Dame da Caledônia hahah, Adorei a natureza e a iniciativa. Tenho uma historia parecida quando de uma viagem a Rabat hahah e se algum dia tiver oportunidade conto ao jovem viajante, in off haha

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