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Heiva, o festival de verão de danças e esportes no Taiti & Polinésia Francesa (com vídeos)

O Heiva provavelmente é o melhor festival de que você nunca ouviu falar. Ele é tão bom que vale a pena você programar a sua viagem ao Taiti na época dele.

Mistura de Carnaval com Olimpíadas, o Heiva é um festival que acontece anualmente em julho desde o século XIX no Taiti e em outras ilhas aqui da Polinésia Francesa. Ele reúne competições de esporte (coisas curiosas, como levantar rochas pesadas, correr carregando cachos de bananas, entre outras coisas tradicionais e típicas daqui), cantos tribais, e — o que mais atrai o olhar do espectador — competições de dança. O negócio é fascinante.

Eu me agendei para estar em Papeete, a capital do Taiti, no fim de semana, que é quando as competições principais ocorrem, mas a bem da verdade há apresentações em datas diferentes nas várias ilhas, então se você for muito hábil em se programar (ou muito sortudo) pode até pegar os Heiva das várias ilhas diferentes um após o outro. Eu fiz assim com o Taiti e também Bora Bora, outra das ilhas deste arquipélago.

Em Papeete, era um sábado e — como relatei no post anterior — eu estava a passear pelo mercado e pela cidade. Naquela noite seria a final da competição de dança e música do Heiva do Taiti. Como eu não havia sido capaz de adquirir ingressos pela internet (não sei sequer se é possível), pus-me na fila da bilheteria à tarde, quando disseram (no Ponto de Informação Turística) que começariam a vender a cota de ingressos deixados para serem vendidos no dia. Pensei que fosse ser tarefa difícil, mas foi moleza. E também não é caro pra o valor cultural e o exotismo do que você assiste: 3.000 francos pacíficos, o equivalente a cerca de 22 euros.

Antes de eu passar a mostrar a dança propriamente dita (que é o principal), deixem-me mostrar um dos esportes curiosos do Heiva que vi apenas pena TV. A parte esportiva ocorre longe da cidade; não cobra ingresso, mas é difícil ir acompanhar sem carro.

A apresentadora do telejornal na TV taitiana. (E você achando que o Brasil é que é a terra da vestimenta informal e das morenas sensuais. Isso aí é uma teocracia conservadora se comparada ao Taiti.)
Taitianos fazendo corrida com cachos de banana. Tive que fotografar da televisão. Vi também um levantamento de pedra pesada.

Na entrada para a arena onde ocorrem os espetáculos, várias barraquinhas vendendo produtos típicos taitianos. (Tudo, no entanto, bastante caro. Melhor comprar no mercadão da cidade, onde há variedade ainda maior.)

Artesanato taitiano à venda perto do palco de espetáculos do Heiva. Muitos lindos colares de conchas, entre outros.
A entrada da área restrita onde ocorrem os espetáculos de dança do Heiva. É um pouco como o Carnaval das escolas de samba no RJ ou em SP: seu ingresso tem o setor e o assento, e de acordo com essa informação você vê qual entrada usa. Lá dentro há venda de lanches.
A vista para o palco do meu assento, ainda antes de lotar.

Claro que não chega a ter a magnitude (nem o orçamento) do Carnaval carioca, mas é lindo. Várias comunidades de diversas partes da ilha competem — e os trajes lembram, sim, os do Brasil. A duração total é de 4-5h, com apresentações de dança individual masculina, dança individual feminina, dança em grupo (como na foto inicial), e “canto das velhas” intercalados. Esse “canto das velhas” é como um taitiano que eu conheci disse que apelidavam os cantos tribais típicos aqui do Taiti, e que fazem parte da competição. (É a hora que o povo aproveita pra levantar e ir fazer um lanche ou ir ao banheiro.)  

Durante os espetáculos do aqui no Taiti, infelizmente não podia fotografar e nem fazer vídeos — embora a transmissão estivesse sendo televisionada (mas calma que eu já mostro como consegui vídeos).

Os taitianos gritam feito brasileiros no estádio ou em festas de formatura. “Vai lá, fulano!!!”, “Fulanaaaaaaa!”, e assobios altos. Os franceses às vezes olhavam com cara de choque pra aquela gandaia divertida. Mas, antes que você os tenha em alta conta, eles eram os primeiros a tentar violar a regra de não fotografar. À minha frente, um casal francês tentou tirar foto e foi repreendido; do nosso lado havia um rapaz gay que parecia particularmente dedicado em fiscalizar isso. Volta e meia alguém tirava uma rápida, e ele logo — com seu cabelo negro no ombro — chegava com o dedo em riste e aquele jeito de “A pró já falou que não pode”, a repreender crianças desobedientes.

As danças são de um glamour e de uma beleza imensas, e quando a percussão começa, parece que vibra o seu lado carnal tal como fazem também as baterias de samba. Abaixo, uma palhinha no escuro, um breve aquecimento.

A dança masculina eu descreveria como “baixou o caboclo”. E a feminina, mais sensual, é tipo “a filha do cacique chamando o furacão”. Quando os grupos começaram, eu confesso que fiquei hipnotizado.

Como o espetáculo em Papeete eu não pude filmar, os vídeos do Heiva que eu veria em Bora Bora, outra ilha aqui próxima, num dos dias seguintes. É a mesma coisa, só que, como diria um turista perto de mim num restaurante, “em Bora Bora mostram mais pele“. Dá vontade de voltar aos tempos de Adão & Eva — ou, talvez melhor dizendo, de Pindorama. (Perdoem o som do vento no início; estamos em Bora Bora.)

Estes festejos estão com os taitianos e outros polinésios desde que o mundo é mundo, mas entre os idos de 1840 e 1880 eles foram interrompidos quando os então reis do Taiti foram convertidos ao cristianismo puritano dos europeus. Foram taxados de “festejos lascivos”. Para a minha sorte hoje, eles a partir de 1880 foram liberados novamente, para a felicidade geral da nação. (Faz-me lembrar que em Samoa, que antigamente também devia ser assim, as moças com quem fui à praia recusaram-se a usar roupa de banho e entraram no mar com as roupas de rua.)

Toda a minha admiração às hábeis sambistas, amo dança do ventre, mas aprendi que ninguém requebra como no Taiti.

Eis um dos vários dançarinos na individual masculina, e depois uma das taitianas lindas impossivelmente morenas com pernas de fazer o cidadão suspirar na individual feminina. Às vezes parece até que ela faz um moonwalker na areia.

Passava da meia-noite quando tudo acabou. Eu estava a 30 min de carro da minha pousada, e não tinha carro nem disposição para pagar 40 euros num táxi. Eu era um homem livre no centro de Papeete com dinheiro no bolso e pernas para andar.

Estão apresentados ao lindo Heiva. A sequência da noite e os passeios do dia seguinte (já engatando) ficam para o próximo post.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Heiva, o festival de verão de danças e esportes no Taiti & Polinésia Francesa (com vídeos)

  1. Nossa!… que espetáculo! Imperdivel!. Muito semelhante ao que ocorre no carnaval carioca, claro com as nuances locais e o porte menor. Maravilha. A menina parece de mola. Uma beleza. Amei a dança em grupo. O colorido e as evoluções ímpares. Lindas manifestações culturais. Surpreendentes. Não os conhecia nem sabia que havia tamanha manifestação cultural nessa regiao. Ponto para Grifinória e para o viajante que mais uma vez encanta os nossos olhos que essas maravilhas. Valeu!…

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