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Bora Bora, na Polinésia Francesa, e os seus 50 tons de azul

Um voo de 50 minutos me levou do Taiti, a ilha principal da Polinésia Francesa, à lendária Bora Bora, talvez a mais comentada das demais ilhas deste arquipélago das Ilhas de Sociedade (Îles-de-Société). Vir aqui, a este lugar tão remoto e de curioso nome, era pra mim um sonho, uma realização deveras simbólica.

Aquele voo doméstico, operado pela Air Tahiti, é a única forma de chegar a Bora Bora — excetuando-se, é claro, viajar em barco próprio, como alguns velejadores fazem. Não há serviços de ferry.

Ainda que houvesse serviço de ferry, contudo, não valeria a pena, pois das melhores vistas de Bora Bora se têm do alto.

Aproximando-nos de Bora Bora. Como eu comentei no post anterior, estas Ilhas de Sociedade são em geral formações vulcânicas montanhosas com um anel de barreiras de corais e bancos de areia.
Bora Bora vista da janela do avião em seus muitos tons de azul. Aquelas partes construídas sobre os bancos de areia da barreira de corais são chamadas de motu. Na ilha propriamente dita, as montanhas.
Ali na parte clara da água são cabanas de hotéis um tanto caros.

É num desses motu que fica o aeroporto, e é neles que as águas são mais lindas e claras. (Verdade seja dita, os motu são as áreas mais espetaculares de Bora Bora, onde — é claro — localizam-se também os hotéis de grandes redes como Hilton e Intercontinental. Invariavelmente, eles têm serviços de traslado de lancha até o hotel. Para plebeus como eu, sem reserva em hotel cinco estrelas, há um ferry gratuito até o porto de Vaitape, na ilha.)

Ali fica o aeroporto de Bora Bora. Aqui, o barco que leva os passageiros que quiserem ir ao porto de Vaitape, o maior ajuntamento urbano de Bora Bora. Moram cerca de 10.000 pessoas na ilha.
A vista para o lado de fora, ainda com algumas mesas da pequena área de alimentação do aeroporto.
A pista de pouso, com palmeiras e a água desse azul surreal de Bora Bora.
No breve saguão do aeroporto há os stands dos respectivos hotéis, onde você consegue o traslado de barco (geralmente incluso na sua reserva).
Bem vindos a Bora Bora! Seu nome original era “Pora pora mai te pora”, que significa “criada pelos deuses” na língua nativa taitiana. Com o tempo, reduziu-se a “Bora Bora”, nome conhecido dos ocidentais desde que o navegador holandês Jacob Roggeveen passou por aqui em 1722.

Do outro lado, no porto de Vaitape, aguardava-me Florence, uma suíça francófona de seus 26 anos. Ela trabalhava numa agência da ilha e me albergou através do CouchSurfing em sua casa. (A quem não conhece, CouchSurfing é uma rede social que conecta pessoas dispostas a serem acomodadas ou acomodar visitantes sem custo, por simples solidariedade ou interesse em conhecer gente de outras partes.) Ao visitante pouco disposto a gastar com acomodações de luxo, tenho a má notícia de que albergues, hostels e hoteis simples aqui são bastante raros. (Mais sobre isso a seguir.)

Embora o mais embasbacante de Bora Bora sejam mesmo os motu com suas águas claras, era hora de conhecer mais a fundo a ilha de Bora Bora em si.

A vista da varanda da casa de Florence. (Sim, eu às vezes punha-me a imaginar que bastaria uma onda maior e eu seria atingido durante o sono.)

É preciso dizer que há duas realidades muito distintas em Bora Bora.

Uma é a dos turistas nos hotéis chiques nos motu. Outra é a da ilha em si, onde vivem polinésios simples, e onde o mar pode não ser tão espetacular assim. É a realidade. Há praias bonitas, como a de Matira (talvez a mais famosa em toda a ilha), mas que não são mais impressionantes que as que temos no Brasil. (Como há a barreira de corais, elas são bem tranquilas.)

A Praia de Matira, a mais badalada de Bora Bora. É tranquila, é bonita, mas não é necessariamente melhor daquilo que se encontra no Brasil.
O pôr-do-sol no entanto, meus queridos, é espetacular, com as luzes amarelas do sol poente de alguma forma clareando o azul da água do mar.
O pôr-do-sol na Praia de Matira, em Bora Bora.
Luz do sol poente na água de Bora Bora.
Ali Florence e Agathe, uma francesa visitante que também estava conosco.

Ter alguém que desse carona foi uma mão na roda, pois não há transporte coletivo — você depende mesmo de pedir carona com o polegar na beira da estrada (“faire du stop“, como os franceses dizem). 

Florence nos levaria ainda nas alturas das montanhas de Bora Bora, no interior da ilha. A vista é fascinante. (De um lado a outro são meros 3 Km, então você logo avista o mar de ambos os lados. O pico mais alto, o Monte Otemanu, reminiscências de um vulcão antigo, chega a 727m de altura.)

A nossa subida da trilha ao alto da ilha começou perto de águas assim, muito plácidas.
Bora Bora, eu preciso dizer, não tem (mais) selvas tropicais do jeito que você talvez imagine. A vegetação é esparsa.
A vista lá de cima para os montes de Bora Bora e os contornos da ilha.
Numa boa.
Ao longe você vê as cabanas dos hotéis nos motu.
Selfie com a vista lá de cima.

Se você quiser, pode experimentar o Lagoonarium de Vaitape, onde pode nadar nessas águas calmas da laguna junto com a biodiversidade marinha local: incluindo arraias que ferroam e pequenos tubarões. A gosto de cada um. (Faça por sua conta e risco. Eu me recusei por uma questão de princípio a fazer esses passeios de snorkel em áreas fechadas de mar aqui na Oceania, pois normalmente a biodiversidade fica ali em cativeiro, frequentemente mal alimentada, e sem os cuidados de saúde que seriam necessários. Não quis compactuar.)

O que acabamos fazendo naquela noite da caminhada ao alto foi ir ver as movimentações do Heiva, festival cultural de verão taitiano, aqui em Bora Bora. Como coloquei antes, no post mostrando o Heiva, os dançarinos e dançarinas aqui em Bora Bora apresentam-se de modo muito mais “raiz”: com menos roupa e na areia da praia, em vez de num palco como acontece em Papeete.

Há uma série de barracas com bons restaurantes de peixes e frutos do mar no porto de Vaitape, que é basicamente o único lugar da ilha onde há alguma atividade noturna. Sendo Heiva, estava bem animado. (Só tenha paciência, pois o serviço é lentíssimo. Eu decidi esbanjar, pedindo um prato de lagosta, e levaram quase 1h pra trazer.)

Eu animado, ao aguardo, ainda antes de saber o quanto demoraria. (O restaurante, essa barraca de palha, tinha uma decoração vegetal toda interessante.)
Quando chegou, valeu a pena o meu prato de lagosta com arroz e fritas.
Perto dali, assisti aos lindos dançarinos do Heiva em Bora Bora. (Quem quiser ver os vídeos, assista a eles neste post anterior aqui.)
Por ali, a região do porto de Vaitape à noite. Lembra o Brasil, tanto na temperatura quanto no ambiente e, até certo ponto, nas pessoas. E, assim, Bora Bora vai ganhando um aspecto humano que as brochuras de hotel nunca revelam.
No ambiente das barracas de Vaitape. As taitianas no dia-dia geralmente usam sandálias tipo havaianas e têm os cabelos presos assim em cima, devido ao calor.

Se você quiser captar um pouco mais da vibe deste lugar, assista ao pequenino vídeo que eu fiz, aí abaixo, com o menino dançarino.

E assim eu experimentava dos dois lados de Bora Bora: a apresentação estonteante inicial, dos muitos tons de azul na água (a Bora Bora turística, mais conhecida dos estrangeiros), e um pouco da Bora Bora “real”, da ilha com suas simplicidades.

A bem da verdade, eu não deprecio a Bora Bora turística (não há como!), e se for pra ser sincero, digo que na próxima vez guardarei um dinheiro pra ficar ao menos uma noite num hotel chique num motu, com acesso direto da minha cabana privada ao mar. (De preferência, o farei bem acompanhado, em lugar de numa viagem solo. Não à toa muitos casais vêm casar-se ou em lua de mel a Bora Bora.) Mas acho também valioso conhecer algo da Bora Bora onde vivem as pessoas.

Depois de um par de dias, era hora de eu retornar àquele aeroporto para continuar o meu périplo pelas ilhas da Polinésia Francesa. Era hora de reencontrar-me com aquele inesquecível azul. Sonho realizado.

As cabanas dos hoteis nos motu, mais de perto. A quem ficou curioso, pra dar uma ideia, uma noite numa cabana privada num hotel cinco estrelas aqui em Bora Bora sai na faixa de 900 euros a noite pra duas pessoas. Reserve com uns bons 6 meses de antecedência se quiser ter abundância de opções.
Cruzando a água do mar na laguna em direção ao aeroporto, no retorno. Parece uma imensa piscina natural.
Turistando de mochila até a linda ilha “criada pelos deuses”.
Bora Bora.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

3 thoughts on “Bora Bora, na Polinésia Francesa, e os seus 50 tons de azul

  1. Arrrrremaria!…. que águas lindas são estas? parece fotoshop. Que espetaculares tons de azul e verde. Impressionantes. Belíssimas. Região de uma beleza rara. Incrível conhecer esse paraíso insuspeitado haha. Apesar de conhecido de nome e de fama, não o imaginava tão belo. Maravilha. Semelhanças com o Brasil, mesmo. O mercado, o povo, a pracinha …
    Amei. A região e a postagem. Lindas. Colírio para os olhos de quem ama a natureza. Muito bonita. Parabéns pela escolha do local, como sempre muito apropriados e belos e pela postagem. Gosto de ver o que os turistas pouco sabem e veem.

  2. Belíssimos ocasos. Efeitos espetaculares da luz do sol se pondo nas águas maravilhosas. Belas e elegantes palmeiras, Um pedacinho do céu.
    Nossa!… Essa Aventura de voces. Grande altura.
    E as danças são lindas. esse garoto é um grande aprendiz.
    E a felicidade estampada no rosto do viajante. É isso ai.
    Valeu. Lindas paragens.

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