You are here
Home > Taiti & Polinésia Francesa > Flores tropicais no Taiti & Polinésia Francesa em 20 fotos

Flores tropicais no Taiti & Polinésia Francesa em 20 fotos

Eu sou biólogo de formação e, embora a botânica não seja exatamente o meu forte, não há como vir aqui ao Taiti e não ter a sua atenção chamada pela miríade de flores por toda parte — desde algumas encontráveis no Brasil a outras que eu jamais havia visto. Não sei se já vi em outro lugar do mundo tamanha onipresença de arranjos como aqui, desde às flores selvagens que crescem belas nas beira da estrada, aos hibiscus e tiarés que as taitianas põem atrás da orelha, às coroas floridas de usar na cabeça.

Resolvi honrar o florido Taiti fazendo esta compilação de flores que encontrei e fotografei durante a minha estadia aqui na Polinésia Francesa. Um colorido encerramento para a viagem.

Como sempre, a minha seleção é inteiramente subjetiva (e dependeu também do que eu encontrava pelo caminho). Nem todas essas flores são nativas aqui da Polinésia Francesa; afinal, desde as grandes navegações muito da biodiversidade mundial se misturou. No entanto, há algumas que você talvez até conheça mas não saiba que têm nomes originários daqui.

1. Bougainvillea rosa-alaranjada. Estas flores, nativas da América do Sul, estão por toda parte aqui na Polinésia Francesa, nas mais diversas cores. O seu nome deriva do capitão francês Louis Antoine de Bougainville, o qual circum-navegou o mundo em 1763 e daria o pontapé inicial da dominação francesa do Taiti e destas outras ilhas na Polinésia.
2. Bougainvillea lilás e branca. Esta flor merece um comentário adicional, pois quem a levou da América do Sul à Europa e ao restante do mundo foi ninguém menos que a primeira mulher a circum-navegar o globo: a francesa Jeanne Baret, uma botânica que se misturou à tripulação do Capitão Bougainville em 1763 disfarçada de homem. A primeira descrição científica da planta por um europeu foi de Philibert Commerçon, naturalista do Capitão Bougainville e amante de Jeanne. Hoje há mais de 300 variedades de bougainvillea pelo mundo.
3. Metrosideros. Já esta flor (a cor-de-rosa, não o hibiscus vermelho) é nativa aqui da Oceania. Foi catalogada pelos europeus apenas no fim do século XVIII. Há cerca de 60 espécies desse gênero, em diferentes cores.
4. Os metrosideros rosa de perto. As vermelhas são mais comuns, mas estas róseas são bem elegantes. Esse nome usado no Ocidente, do grego, quer dizer “madeira de ferro”, devido à sua dureza.
5. Hibiscus roxo. O hibiscus, gênero de flores espalhado pelo mundo todo, é ultra-comum aqui pelo Taiti. Embora encontremos mais as versões habituais, como o vermelho e o branco, encontrei também alguns que jamais havia avistado, como este hibiscus roxo.
6. Hibiscus selvagem. O Hibiscus hispissidissimus, chamado de “hibiscus selvagem”, é muito comum por toda a Polinésia. Com suas pétalas translúcidas, ele dá em árvores em quantidade enorme assim. Jamais o encontrei pelo Brasil.
7. Tiaré branca. Embora os hibiscus estejam por toda parte aqui, a flor nacional do Taiti é mesmo a aromática tiaré, especialmente nesta sua versão branquinha amarelada. (Não faltarão, nas lojas, produtos cosméticos ou comestíveis feitos com a essência de tiaré.)
8. Plumeria branca. Outra flor extremamente comum aqui — e frequentemente confundida com a tiaré — é a plumeria, também conhecida pelo nome de frangipani. Ela é uma das muitas espécies de flores que são nativas aqui da Polinésia e das Américas, revelando uma biogeografia aparentada com a nossa. (Note que as plumerias têm 5 pétalas, enquanto que as tiarés têm 6.)
9. Plumeria rosa. Suas cores são as mais diversas. Seu nome advém do botânico francês Charles Plumier, do século XVII. Já o nome “frangipani” é de um perfumista italiano que diziam usar o aroma desta flor.
10. Plumeria em dégradé de rosa ao amarelo. Estas são ainda mais especiais, e crescem até em beiras de estrada por aqui.
11. Allamandas. Estas são outras das flores nativas da América do Sul e que vieram a adquirir fama mundial no Taiti. Hoje encontram-se por toda parte aqui na Polinésia Francesa.
12. Singelas allamandas em destaque. Seu nome científico homenageia o botânico suíço Frédéric-Louis Allamand, que viveu no século XVIII.
13. Solandra. Mais um gênero de flores das Américas que encontrou vida farta no Taiti.
14. Helicônia rosa. As helicônias, que têm ganho muita popularidade no Brasil, são ubíquas aqui no Taiti. Ela, nos seus mais variados tons, são nativas de todo o arco tropical do Oceano Pacífico: da Indonésia, à Polinésia, às áreas tropicais das Américas.
15. Helicônia rosa-escuro. (São flores ótimas para atrair beija-flores.)
16. Bastão-do-imperador (Etlingera elatior). Nativa do Sudeste Asiático, foi trazida pra cá e imperou. São flores muito vistosas e bem grandes
17. Banheiro de aeroporto na Polinésia Francesa. No Taiti, as flores se sentem em casa, e são usadas como decoração creio que mais que em qualquer outro lugar do mundo.
18. Bela-Emília ou Formosa-Emília (Plumbago auriculata). Esta é a imigrante do sul da África aqui no Taiti, que imigrou também ao Brasil, onde é bem conhecida.
19. Ixora. Flor encontrada por todas as zonas tropicais do mundo. Cresce livre aqui.
20. Esta última eu não consegui identificar, mas não fica menos bonita por isso. Se alguém souber, me diga 😉

EPÍLOGO

Permitam-me aqui algumas linhas, neste post final, para narrar o término desta minha longa viagem pela Oceania.

Havia sido um par de semanas nesse paraíso tropical chamado Polinésia Francesa, quando chegou a hora do meu voo de volta à Nova Zelândia e dali ao Brasil. Eu cheguei a comentar, no meu post inicial aqui, sobre a desorientação que foi atravessar a Linha Internacional da Data e, praticamente, voltar no tempo. Eu havia saído da Nova Caledônia num sábado ao meio-dia e chegado a Papeete na sexta anterior. Agora, era a hora de fazer o trajeto oposto. 

Em saindo do Taiti (extremo oeste do mundo) numa terça à tarde, eu de alguma forma — após 5h de voo — cheguei a Auckland, na Nova Zelândia, na quarta à noite. O que desapareceu pelo caminho, eu não tomei conhecimento.

Houve a mudança de tempo e do tempo. Eu saí do calor tropical para, no dia seguinte (ou no mesmo dia, a depender de como você queira enxergar a coisa), desembarcar no miolo do inverno neozelandês num fim de julho. As árvores de Auckland, que eu havia visto no outono do início de junho com ainda algumas folhas em cor a cair, estavam agora desnudas; as ruas, molhadas da chuva de inverno; a temperatura, nos seus 10 graus.

Garantido-me com um café quentinho, de volta nas ruas frias (e sem graça) de Auckland, Nova Zelândia. Que contraste com o que eu deixara para trás.

O meu relógio biológico estava louco. Num dia, peguei-me falando à 1 da manhã com uma amiga na Europa. No outro, acordei às 4 da manhã sem mais sono. Era hora mesmo de ir embora ao Brasil e deixar essa loucura temporal de lado.

Não seria necessário dizer mas, por pura completude, não vou esconder que no dia de ir embora eu despertei com uma febre louca. O meu voo ao Brasil, com uma conexão em Buenos Aires, seria às 20h, e às 4h eu já estava de pé com o corpo dolorido parecendo que tinha tomado uma surra. O dia anterior havia sido inocente, de uns cafés aqui e ali, e eu aproveitando para comprar uns livros internacionais, que prefiro ler no original em inglês sempre que posso. Supus logo que houvesse contraído chikungunya, zika, dengue ou alguma dessas febres tropicais como presente de despedida — febres que, vale dizer, chegaram ao Brasil em 2014 através da Polinésia.

Tive um dia de labéu, pura sofrência até a noite para um voo que me entregaria ao Brasil horas antes daquela em que saí da Nova Zelândia. (Acho que foi o dia mais comprido da minha vida, seja qual for a medida que tomemos.) Mirei por horas aquela estátua de anão gigante que há no aeroporto de Auckland, evocando imagens de O Senhor dos Anéis.

Exames depois mostraram que eu não tinha tido nenhuma daquelas doenças do triunvirato transmitido pelo Aedes aegypti. Eu nunca descobri o que foi, mas também depois de poucos dias já estava bom novamente, e pronto para outra viagem.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Flores tropicais no Taiti & Polinésia Francesa em 20 fotos

  1. Eu não sou bióloga, mas apaixonada pelas flores, pelos relevos particularmente montanhas, águas limpas, pela fauna e flora e pelos ambientes naturais. Em outra encarnação teria trabalhado com flores e frutos. Esta postagem com tantas e tão belas especies de flores, me deixou levitando de contentamento. Lindas!.. seja no colorido, seja nas formas ou na disposição.
    Algumas delas muito conhecidas e amadas no Brasil, outras de nuances diferentes e desconhecidas, enfim, um presente para os olhos e para os corações amantes dessas magnificas criaturas de Deus. Lindas!… doces, mimosas, gostosas de ver e de ter.
    Amei a decoração com flores naturais. E que banheiros chiques com a presença delas. Um bom gosto maravilhoso de quem ornamentou. Viva a Natureza e seus encantos.

  2. Coitado do senhor, meu jovem. São alguns riscos e ossos de viajar por locais onde há grande gasto de energia e pouca alimentação. Ainda bem que não fora nenhuma dessas doenças citadas e conseguiu superar bem. Viva a juventude. haha
    E que diferença chocante de clima, de horários e de realidades. Horrivel haha essa cidade. sem nenhuma graça haha. Queiram me desculpar os que a amam e nela vivem, mas o contraste entre aquelas belezas e este cimento armado cinzento e sem graça é drástico e chocante, Arrrrmaria. É de saltar aos olhos o contraste, como que Adão tivesse perdido o paraiso hahaha. Fazer o que? navegar é preciso, Maravilhosa postagem . Congratulations, meu jovem.

Deixe uma resposta

Top