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Taiti & Polinésia Francesa: Dicas de viagem, lugares para ver, e o que fazer

Depois de relatar as várias histórias da minha viagem pelo Taiti e demais ilhas aqui da Polinésia Francesa, vamos a um balanço geral com algumas dicas e recomendações a quem gostaria de vir aqui.

  • O que mais gostou. Das pessoas e de sua cultura. A natureza no Taiti é linda, não resta dúvida, como por toda parte nesta Oceania. Contudo, aqui me pareceu haver uma dimensão cultural mais forte e presente que em muitas das outras ilhas desta região do mundo. A cultura tradicional parece melhor conservada e exercitada aqui. Além disso, os taitianos são muito amáveis, “dados”, e generosos — além de serem pessoas de grande beleza exterior também. 
  • Visita obrigatória. O festival Heiva, que ocorre todo mês de julho no Taiti e nas demais Ilhas de Sociedade (o arquipélago principal, dos 5 que compõem a Polinésia Francesa). Vale a pena programar a sua viagem em torno desse evento de danças e cultura tradicional. 
  • O que não gostou. A infraestrutura de transportes e hospedagem poderia ser muito melhor. Os ônibus são infrequentes, quando existem. Você altas vezes fica dependendo de pedir carona na beira da pista com o polegar — o que às vezes funciona bem, às vezes não. Hotéis de luxo abundam, mas há pouquíssimas opções mais em conta como pousadas. Quando há, elas são muitas vezes “passáveis”, mas não necessariamente boas. (Nem comparação com as magníficas pousadas acolhedoras e cheias de personalidade que temos em grande quantidade América Latina afora.) Portanto, programe-se com antecedência para que as opções melhores não lhe escapem. 
  • Queria ter visto mas não viu. As Ilhas Marquesas e os demais arquipélagos aqui da Polinésia Francesa. Sua vastidão é impressionante, e requer muitos voos domésticos que não são necessariamente baratos, então requer tempo e dinheiro.

    Os cinco arquipélagos que compõem a Polinésia Francesa: Ilhas de Sociedade, Ilhas Austrais, Ilhas Tuamotu, Ilhas Marquesas, e Ilhas Gambier. Cada um deles têm características geográficas e culturais diferentes. Como você por ver, no entanto, as distâncias são grandes, e os voos podem facilmente custar 200 euros ou mais, ida e volta.
  • Comida(s) & bebida(s) a experimentar. Há muita coisa em termos de comidas típicas (bebidas nem tanto) a conhecer na Polinésia Francesa. É uma das dimensões da força cultural deles que mencionei acima. Vá ao mercado de Papeete; e confira também os pratos que mostrei nos meus posts anteriores. Prove os diferentes preparos de peixe cru no leite de coco (às vezes fresco, às vezes fermentado), os pães com coco, as muitas raízes e tubérculos comuns por toda a Oceania, as folhas de taro cozidas e temperadas (aos baianos, paraenses, sergipanos ou quem mais conhecer, lembra uma maniçoba), os doces de goma de fruta (po’e), e as compotas e geleias de frutas tropicais que eles fazem aqui.

    Comidas típicas taitianas no mercado, inclusa a salada de peixe cru com leite de coco. Se você for do tipo encaro-tudo, experimente também o (fétido) peixe fermentado, vendido naquele pote circular tampado. Boa sorte.

    Po’e, um saboroso doce taitiano de fruta com goma de raízes e calda de leite de coco.
  • Momento mais memorável da visita. Assistir aos espetáculos de dança do Heiva, e ver aquelas falanges de dançarinas taitianas em vestes tribais requebrando à velocidade da luz ao som de batuques rápidos. Impressionante e tipicíssimo. 
  • Alguma decepção. A ilha propriamente dita de Bora Bora. Vendo as imagens, eu supunha que toda aquela magnífica lindeza azul costeira estivesse por toda parte na ilha, mas ela é limitada aos motu, que são os bancos de areia que rodeiam a ilha (inacessíveis a menos que você se hospede num dos hotéis mega-luxuosos que cobram 900 euros por noite). A ilha é bonita, mas não é aquela beleza dos motu. As praias da ilha propriamente dita não se equiparam às brasileiras. Da próxima vez, eu junto um dinheiro e fico num desses hotéis. 
  • Maiores surpresas. A lindeza das Ilhas de Sociedade (Bora Bora, Taiti e Moorea) vistas de cima, com seus milhões de tons de azul devido às barreiras de corais; a organização e o asseio da cidade de Papeete, capital do Taiti e da Polinésia Francesa; a quantidade de franceses vivendo aqui, ainda que proporcionalmente menos que na Nova Caledônia. Se você acha que vai encontrar uma terra tribal remota, reavalie as suas expectativas.

    Bora Bora vista do alto, com seus bancos de areia criando lindos tons diferentes de azul no mar. A beleza estonteante, no entanto, está concentrada nos motu, esses bancos de areia, mais que na ilha em si.

Principais dicas

Quando vir. Como outros países da Oceania, o mais indicado é vir entre  abril e outubro, mas vale muito a pena vir em julho para assistir ao Festival Heiva, que ocorre tanto no Taiti quanto nas demais Ilhas de Sociedade ao longo do mês, sobretudo nas primeiras três semanas. Os eventos principais concentram-se nos fins de semana, especialmente sexta e sábado à noite. Antes de vir, procure tentar descobrir o calendário do evento daquele ano na internet.

Visto. É como estar entrando na França europeia. Brasileiros não necessitam de visto para fazer turismo. Nem é necessário pagar nada na chegada ao aeroporto, nem na partida. 

Os belos francos pacíficos, com suas imagens tanto das morenas polinésias quanto das negras melanésias. Esta é a moeda usada nos territórios ultramarinos franceses pela Oceania. 1 euro está fixado a muitos anos em 119 francos pacíficos.

Custos & câmbio. A Polinésia Francesa é um destino caro, mais do que eu imaginava. Finja que está indo a Paris. Uma pousada simples vai lhe custar um pouco mais que 20 euros/a noite; um almoço em restaurante sai por mais de 10 euros, e no mercado, pelo equivalente a 5-6 euros.

Aqui, contudo, não se usa o euro, mas o franco pacífico (francs pacifiques). Esta moeda é usada por toda a Oceania francesa, que inclui também Wallis & Futuna e a Nova Caledônia.

Como a conversão é praticamente fixa em 1 euro = 119 francos pacíficos, o câmbio sempre tem comissão. No aeroporto, a comissão tem o custo não-desprezível de 10 euros, portanto o negócio é converter tanto quanto possível de uma vez. Ou, o que pode sair mais barato, sacar dinheiro nos caixas automáticos. Nos bancos, não acredito que o câmbio custe muito menos. 

Não há muitas casas de câmbio pela Polinésia Francesa. Se você não trocar dinheiro no aeroporto internacional, provavelmente terá de ir a algum banco. Não espere pagar as coisas em euros, muito menos em dólares aqui. Caixas automáticos são muito comuns na capital Papeete, mas é melhor estar bem munido de dinheiro em espécie quando sair dali a outros lugares.

A Air Tahiti Nui opera voos de longa distância, internacionais. Já a Air Tahiti opera (com exclusividade) os voos dentro da Polinésia Francesa.

Transporte. Como eu comentei acima, a Polinésia Francesa é um lugar fraco pra transporte coletivo. Há ônibus, sobretudo no Taiti, mas eles são raros e demoram de passar. Nas demais ilhas, boa sorte — informe-se com os locais se há ônibus e com qual frequência passam. Táxis existem no Taiti, mas são bastante caros. Para pegá-lo no aeroporto, melhor averiguar o custo do traslado oferecido por sua acomodação.

Já para o deslocamento entre ilhas, a grande maioria dos casos requer um voo doméstico com a Air Tahiti. Ela é funcional, embora seus aviões não sejam necessariamente grandes. Um voo do Taiti a Bora Bora, por exemplo, custa por volta de 150 euros ida e volta. Para ir aos outros arquipélagos, as passagens são mais caras, mas é o jeito. Pode valer a pena.

Para ir do Taiti a Moorea, é possível usar o Ferry Aremiti. Online você identifica os horários dos vários ferries, mas para comprar é preciso ir pessoalmente à Estação Marítima. A travessia, que dura menos de 1h, é muito tranquila. Recomendo comprar já ida e volta quanto for a Moorea, pois transporte lá é difícil e você provavelmente ficará hospedado longe do porto. Melhor ter as passagens de volta já compradas.

Acomodação & Reservas. Se você pretender ficar em hotéis de luxo, não faltam opções. Bora Bora, em especial, é repleta de hotéis 5 estrelas visitados sobretudo por casais em lua de mel. Os sites desses hotéis têm muitos recursos, inclusos àqueles que pretendem se casar em Bora Bora.

Se você quiser algo mais em conta, no entanto, suas opções serão poucas. Há algumas pousadas no Booking.com e alguns Air BnB e CourchSurfers, mas são poucos. Outras mais eu avistei pelo TripAdvisor mas enviei e-mail e nunca tive retorno. Além disso, como eu disse acima, a qualidade das pousadas deixa a desejar. Algumas não têm wi-fi; outras têm, mas são capengas e pouco confortáveis, etc. Isso mesmo custando mais de 20 euros/noite.

C’est la vie. A recomendação, portanto, é averiguar isso com antecedência para que não lhe restem só as opções piores. Uma viagem longa como ao Taiti, os franceses (que são os principais visitantes) muitas vezes planejam com uns quatro meses de antecedência. Sobretudo se você vier no pico da alta estação (junho-julho), fique esperto.

Aonde ir & Quanto tempo ficar? Como sempre, isso depende muito da sua ambição. A Polinésia Francesa é muito vasta, como o mapa acima dá a entender.

O Taiti é de lei, pois é também aonde seu voo internacional o trará. Vale a pena passar no mínimo um dia inteiro na capital Papeete, embora eu ache que um segundo dia não seria perdido. Vale a pena também planejar um outro dia inteiro para fazer um passeio ao interior da ilha, algo que você arranja fácil no Ponto de Informação Turística na cidade.

Moorea é a segunda ilha mais visitada, sobretudo por sua proximidade. Como eu disse antes, há vários ferries por dia. Moorea, no entanto, é muito menos urbanizada, e deslocar-se é mais complicado se você não tiver um carro alugado. Caso não o tenha feito, tome um ônibus para dar uma volta completa na ilha e ver, especialmente, as suas belas baías de Cook e Opunohu. Eu diria que umas três noites em Moorea são o bastante.

Moorea.

Bora Bora é a terceira ilha mais visitada, especialmente por ser sensação como destino de lua de mel. O lugar é, de fato, lindo, embora haja relativamente pouco a fazer além de espichar-se na beira-mar ou nadar nas águas azuis e comer lagosta. É um destino caro, não preciso lhes dizer.

Para além daí, ouvi muitos dizerem coisas boas de Raiatea ou Rangiroa, como também das Ilhas Marquesas. (No caso deste último arquipélago, só tenha em mente que lá você irá pela paisagem ou pela cultura, mas não pelas praias, pois estas são infestadas de moscas que mordem. É tipo as Aventuras de Pi, com loucuras peculiares destas ilhas remotas do Pacífico.)

Em suma, eu diria que duas semanas são um tempo razoável para se passar aqui. Uma semana é muito pouco, especialmente dada a distância. Aos interessados numa volta ao mundo, há um voo semanal de Papeete à Ilha de Páscoa, que pertence ao Chile. Perceba que ida-e-volta sai mais barato que só ida, então é melhor perder a volta.  

Internet. A Internet pode funcionar bem aqui na Polinésia Francesa; o problema é menos a capacidade técnica e mais o fato de que a maioria dos lugares não oferecem wi-fi. Não se surpreenda se sua pousada não tiver. No aeroporto do Taiti, você pode comprar horas de uso, e funciona bem.

Idioma. Tudo aqui é em francês, mes chers. Algumas pessoas no setor de turismo falam algo de inglês — como na França europeia —, mas não espere encontrar fluência de inglês nas ruas, nem coisas escritas em inglês, exceto mesmo as coisas para turista. 

Segurança. A Polinésia Francesa é bastante segura. Embora haja quem fale mal de Papeete à noite, eu passei dias aqui, inclusive virei a noite nas ruas da cidade, me senti muito mais seguro que em qualquer cidade brasileira. Você pode ver um pouquinho de delinquência juvenil ou o ocasional bêbado dormindo na rua, mas via de regra é tudo muito tranquilo.

Tiozão tirando um cochilo num banco de rua em Papeete, no Taiti.
Colar de conchas.

Compras. O Taiti é um lugar muito bom para compras se você gosta de artesanato com conchas marinhas, panos estampados, camisões coloridos, ou pérolas negras. (No caso destas, cuidado onde compra, para não levar plástico em lugar de pérola.)

O melhor lugar a ir é o mercadão de Papeete. Há várias outras lojas na cidade, mas o mercadão costuma ser mais barato. Fora dali, especialmente nas outras ilhas, você pode ficar limitado às lojas dos grandes hotéis, que são sempre mais caras.

Pérolas negras do Taiti.

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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