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Índia: Dicas De Viagem, Lugares Pra Ver, E O Que Fazer

Faz alguns anos desde que eu relatei em detalhes a minha passagem pela Índia. Os indianos adoram dizer que “a Índia está mudando” (India is changing virou um chavão), mas a maioria das coisas não mudam tão rápido assim. Quando eu depois voltei lá a trabalho, foi uma nostalgia reencontrar algumas coisas basicamente como eu as havia conhecido anos antes. 

Foi uma viagem comprida, e eu não havia feito um balanço da minha experiência. Aqui finalmente vai ele, com dicas e recomendações a quem pensa em visitar o país.

  • O que mais gostou. Sem dúvida, os aprendizados. Foi de longe a experiência mais exótica que eu jamais tivera. (Compilei-os neste post anterior.)
  • Visita obrigatória. O estado do Rajastão e o Taj Mahal. Ambos, por sorte, ficam perto da capital Nova Délhi.
  • O que não gostou. A imundície (de todos os quase 100 países que eu já visitei no mundo, a Índia segue sendo o mais sujo); as pessoas interesseiras e por vezes falsas, que normalmente se apresentam como amistosas mas são, na realidade, bastante fechadas e gostam mesmo é de levar vantagem sobre você.
  • Queria ter visto mas não viu. Calcutá, Darjeeling e outras paragens do nordeste do país.
  • Momento mais memorável da visita. Os três dias que passei quase sozinho no Deserto de Thar, oeste da Índia, no lombo de um camelo. (Relatei essa experiência aqui.)
  • Alguma decepção. Os sucos de fruta na Índia, achei que encontraria uma diversidade grande, como no Brasil, mas nem de longe. Além disso, as pessoas sempre que transparecia que sua amabilidade era por algum interesse comercial, eram uma decepção.
  • Maiores surpresas. Que grande parte das pessoas (sobretudo os mais pobres) não soubessem o que era o Brasil. (Certa vez, um motorista de tuk-tuk se recusou a acreditar que esse tal país fosse maior do que a Índia.)

PRINCIPAIS DICAS

 

Visto. Brasileiros — como quase todos os demais estrangeiros — necessitam de visto para visitar a Índia. Leve também o Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela — eles realmente pedem. Brasileiros têm acesso ao visto eletrônico, mais fácil. Todos os detalhes você encontra no site oficial da embaixada no Brasil.

Segurança. Apesar de tudo o que se ouve, a Índia é um país muito mais seguro que o Brasil e que a grande maioria da América Latina. Era estranho pra mim encontrar casas com as portas abertas mesmo à noite em bairros pobres. Meti-me em becos, perdi-me a pé em várias cidades, e por meses nunca experimentei nada que me fizesse sentir sob risco.

As duas exceções são, primeiro, os altos riscos de assédio às mulheres. Mulheres precisarão ter mais prudência na Índia porque, infelizmente, os homens indianos são frequentemente descarados. Elaborei mais sobre esse tema neste outro post.

A segundo ponto a observar é que eles aqui dificilmente partem para a violência (como seria no Brasil), mas não faltam criatividade nem dedos leves para devolver um troco errado ou separá-lo do seu dinheiro de alguma forma. Olho muito vivo aqui, pois os indianos são muito ladinos.

Transporte. Trem é o modo preferido de locomoção na Índia. Quase todas as cidades são acessíveis por trem, e ele se apresenta em várias classes. Eu viajei em todas elas.

1ª Classe: Dois passageiros por compartimento com porta. Refeições inclusas, banheiros aceitáveis, e alguém que até forra a sua cama. Janelas grandes, e suas companhias tenderão a ser outros turistas estrangeiros ou indianos de alta renda. No meu caso, tive certa vez a companhia de um coroa indiano homem de negócios, que dizia que seus filhos insistiam para ele viajar de trem por ser mais tranquilo que pegar avião.

2ª Classe: Quatro passageiros por compartimento com uma cortina separando-o do corredor. Na prática são dois beliches presos às paredes. Ar condicionado (às vezes bastante frio). Refeições (simples mas decentes) inclusas. Banheiros “íveis” em caso de grande necessidade. Seus companheiros serão, em sua maioria, indianos de classe média. O mal são as janelas minúsculas e com vidro 

3ª Classe: Como a 2ª classe, mas com três beliches de cada lado e, portanto, seis passageiros por compartimento. Ar condicionado (às vezes bastante frio). Refeições (simples mas decentes) inclusas. Banheiros “íveis” apenas em caso de grande necessidade. Seus companheiros serão mais provavelmente famílias de indianos de classe média baixa.

Sleeper class (na prática, a 4ª Classe): Essa é a maior classe, a que eu chamo de classe “povão”. Três beliches de cada lado, sem cortina. Não tem ar condicionado nem roupas de cama incluídas. A vantagem é poder ter ventilação natural e ver melhor o exterior. Não há alimentação inclusa, mas é possível comprá-la, incluso dos muitos ambulantes que entrarão no trem oferecendo todo tipo de coisa (nesse sentido, é uma experiência mais marcante). Costuma ir com mais passageiros que a capacidade, então não é raro ter que se espremer um pouco e dividir espaço. Os banheiros são somente para os fortes, ou em caso de desespero. Eu relatei uma experiência de 24h de viagem nessa classe neste post aqui, com vídeo.

Há ainda uma última classe, meio sem nome e sem assento marcado, mas que não é realmente viável exceto para viagens muito curtas, pois você irá em pé.

TODAS as classes, exceto a última, têm assento marcado. É preciso reservar com dias ou semanas de antecedência para garantir lugar (lembre-se: há mais de 1 bilhão de pessoas na Índia, e muitos turistas), e você pode deve fazer uso da Foreign Tourist Quota, uma cota reservada para turistas estrangeiros. Uma vez feita a reserva, no dia do trem você encontrará o seu nome numa lista de passageiros na porta de entrada do trem. É um sistema antigo mas que funciona.

Comprar pode ser online neste site do governo indiano ou pessoalmente com o passaporte em mãos. De qualquer forma, você pode verificar online a disponibilidade de assentos e os horários, no site oficial. Em qualquer estação você compra qualquer passagem na Índia, então se você tiver um roteiro definido vale a pena comprar tudo de uma vez. As estações na Índia costumam ser uma muvuca, então vá com paciência e tempo — e de preferência já sabendo os códigos de trens e os horários que você vai querer, informações que você obtém online.

Dito tudo isso acima, os ônibus não deixam de ser uma boa opção para viagens curtas (eu diria que até 6h de viagem, durante o dia, dando preferência a partidas matutinas que te entreguem no destino ainda com luz do dia). Verdade seja dita, de ônibus aqui você vê muito mais das paisagens que nos trens — e não deixa também de experimentar um pouco daqueles adoráveis ambientes de beira de estrada durante as paradas. (Evite banheiros. Os homens frequentemente terão um paredão já habitual onde urinar. As mulheres passarão vontade ou, em caso de emergência, irão atrás de algo.) 

Neste post (com vídeos) eu mostrei um pouco de uma viagem que fiz de ônibus de Délhi a Jaipur.

Custos. A Índia é um destino barato, mas há riscos de fazerem você gastar mais que o necessário. Acomodação é sempre uma variável grande; o seu nível de conforto ditará quanto você vai gastar. Há pousadinhas muito boas na maioria das cidades, sobretudo as mais turísticas (como as do Rajastão), e que você pode conseguir pelo equivalente a 10 USD. As mais básicas podem sair até por 5 USD/noite, e as mais arrumadinhas por 15 USD. Se puder pagar um pouco mais, há muitos hotéis-boutique bem bons por 20-30 USD/noite pra duas pessoas. (Certifique-se de ler as avaliações antes de reservar, pois higiene na Índia é sempre uma roleta russa.)

As passagens de trem e as alimentações também são bem em conta, exceto se você for fazer todas as refeições naqueles restaurantes finos que cobram preços de Estados Unidos. USD 10 numa refeição na Índia é preço de turista; os indianos pagam coisa de 1-2 USD numa refeição. Afora isso, lembre-se das atrações, pois há preços tabelados diferenciados para visitantes estrangeiros. A visita ao Taj Mahal, por exemplo, custa 40 rúpias (0,60 dólar) para cidadãos indianos e 1250 rúpias (20 dólares) para estrangeiros.

A imensa variável, no entanto, serão as compras. Espero que você seja bom de barganha, porque quase nada aqui na Índia tem preço fixo. Tudo vai na negociação, e para turistas — sobretudo os mais bem arrumados, com aspecto de terem mais dinheiro — eles não têm o menor escrúpulo de cobrar 10x o preço que cobram a um indiano. (Mais na seção Compras mais abaixo.) 

Câmbio & Dinheiro. A Índia usa rúpias como moeda. Tradicionalmente, todo mundo aqui prefere ser pago em dinheiro — vi muito poucos lugares que aceitassem cartão de crédito. Também tive dificuldades imensas em achar caixas eletrônicos funcionando (grande parte sempre estavam quebrados), e ainda mais que aceitassem cartões estrangeiros para saque de dinheiro (uma exceção foram os caixas do Citibank). Sobretudo se você estiver fora das maiores cidades, é importante ter dinheiro em espécie suficiente em mãos.

Todas as rúpias indianas têm Gandhi estampado. Esta nota de 2.000 (recém-criada) equivale a cerca de 100 reais. (Prepare-se para andar com os bolsos cheios. De preferência, use um porta-notas sob a roupa na cintura.)

Dizem que desde o experimento radical do primeiro-ministro Narendra Modi de “desmonetização” do país em 2016 para aumentar a coleta de impostos, quando algumas notas mais altas perderam o valor do dia pra a noite, os indianos ficaram meio cabreiros e começaram a usar mais o cartão. Averigue. Meu palpite é o de que muitos comerciantes maiores começaram mesmo a usar o cartão, mas o povão — nas compras menores — continuam aceitando só dinheiro. Melhor estar preparado.

Para a Índia, leve dólares ou euros. É praticamente impossível (além de ilegal) comprar rúpias antecipadamente e entrar na Índia já as portando. Então prepare-se para fazer câmbio após chegar, de preferência em Nova Délhi, Mumbai, ou alguma outra cidade. Pesquise, selecione uma casa de câmbio com tarifas mais atraentes, e troque logo o tanto quanto você puder, pois uma vez que começar a circular por cidades menores e menos turísticas, casas de câmbio serão difíceis de encontrar.

Aonde ir, e quantos dias em cada lugar? A Índia é um país vasto e muito diverso. Vale o conselho que eu costumo dar aos meus amigos europeus querendo visitar o Brasil: considere a opção de visitar as diversas regiões do país em viagens separadas. É difícil conhecer o país inteiro de uma vez só, a menos que você disponha de meses.

Pouca gente tem esse tempo todo vago, então aonde ir? Quais as prioridades?

Arco rosa em Jaipur, capital do Rajastão, o estado obrigatório em qualquer visita turística à Índia.

Aqui vai a minha opinião. Pra mim, o Rajastão é o estado must-see da Índia, a visita obrigatória. Jaipur, a cidade cor-de-rosa; Jodhpur, a cidade azul; e Jaisalmer, a cidade dourada, são pra mim das mais belas, tradicionais e interessantes da Índia. (2-3 noites em cada uma delas estaria ótimo.) Se tiver mais tempo livre, considere visitar também a elegante Udaipur ou Bikaner. Esse é um estado árido, então você aqui pode fazer passeios de camelo no deserto também (mais “selvagens” que os encontráveis em Marrocos).

Nova Délhi, a capital indiana, eu digo que é um mar de lama com algumas pérolas perdidas ali. A cidade em si é feia, cansativa e merece pouco da sua atenção — exceto por alguns monumentos impressionantes que você deve visitar, como o Templo de Akshardham, o medieval minarete com ruínas em Qutb Minar, o Templo de Lótus, a Tumba de Humayun, Purana Qila, e o Forte Vermelho ao lado da impressionante mesquita Jama Masjid. Eu diria que uns 4 dias inteiros são o suficiente pra ver o bastante em Délhi. 

Perto dali, em Agra, você deve visitar o Forte de Agra (Agra Fort) e o imperdível Taj Mahal. Se conseguir programar sua visitar a Agra para uma das 5 noites em torno da lua cheia (procure num calendário com lua), pode tentar vê-lo também à noite, à luz do luar, mas lembre-se de que esses ingressos precisam ser comprados pessoalmente, com passaporte, e pelo menos 24h antes da noite em questão. 

O que a grande maioria dos turistas fazem é o chamado Golden Triangle, que é o percurso entre Délhi, Jaipur e Agra. É uma opção interessante pra quem dispõe de bem pouco tempo; mas já que veio até a Índia, tente ver mais.

Varanasi, cidade sagrada dos hindus à margem do Rio Ganges.

Varanasi, pra os curiosos ou aqueles ligados em religião hinduísta, pode ser uma cidade interessante de visitar, com o Rio Ganges e os crematórios à sua margem. É tida como uma das mais antigas cidades continuamente habitadas na Terra (cerca de 8.000 anos). Recomendo 2-3 noites.

Nessa veia, se você gosta de espiritualidade indiana, pode gostar de Rishikesh, dita “a capital mundial do yoga”, uma charmosa cidadezinha no sopé dos Himalaias, extremo norte da Índia. Foi uma das minhas paragens favoritas em toda a Índia. 2 noites, a menos que você queira fazer algum curso de tai chi, reiki, yoga, meditação ou o que for. Esses podem durar semanas ou meses.

Já o sul da Índia é um mundo regional diferente, um pouco como o Nordeste do Brasil. Clima e cultura bastante distintas, embora com alguns traços gerais presentes em toda a Índia. Aqui, prepare-se para comer muito arroz e leite de coco. O sul, via de regra, é menos turístico que o norte, sobretudo em termos de turismo cultural e histórico. O sul é mais visitado a negócios que a turismo, e os turistas que aqui vêm costumam buscar praias ou passeios de barco pelos coqueirais nas backwaters (entradas tranquilas de mar) de Kerala.

Eu, francamente, não sairia do Brasil para ver praia na Índia. Europeu é que faz muito isso. Contudo, acho que Goa merece, sim, uma visita pelo seu interessante legado histórico, estético e cultural português (foi colônia de Portugal até 1961). E acho que o estado de Kerala é bem bonito e culturalmente interessante, além dos sítios históricos de Cochim e Calicute, onde havia colônias portuguesas. Bangalore, Hyderabad e Chennai são outras grandes cidades do sul, mas bem menos interessantes do ponto de vista turístico. Tal qual Mumbai, eu só recomendo se houver tempo sobrando.

No total, veja se consegue pelo menos umas 3 semanas de viagem aqui na Índia. Eu diria que 2 semanas são o mínimo básico.

Comida(s) a experimentar. A Índia tem uma gastronomia riquíssima. Só se prepare pra algumas características típicas: (1) Quase tudo é vegetariano ou tem, no máximo, cordeiro ou frango. Os hindus não comem carne de boi, e a minoria muçulmana não come porco, então você não vê nem um nem outro. O n.1 do McDonald’s é o McVeggie. (2) Grandes quantidades de pimenta e outros condimentos já vêm na comida (até eu, que sou baiano, acho que os indianos às vezes carregam demais a mão. Tipo, pimenta no café da manhã?). E (3) seja seletivo de onde come, pois a higiene não é o forte dos indianos, mesmo em lugares insuspeitos como shoppings.

Aqui vão alguns pratos típicos para você procurar e experimentar:

  • Biryani (um risoto do sul da Índia, com cravo, anis-estrelado e outras especiarias mágicas);
  • Butter chicken (um dos clássicos indianos, de frango no molho condimentado feito com manteiga);
  • Chana masala (grão-de-bico temperado à moda indiana com condimentos);
  • Daal (uma tipicíssima sopa indiana condimentada de lentilhas amarelas);
  • Kheer (uma deliciosa sobremesa de arroz doce com leite, canela e cardamomo);
  • Naan (um pão chato muito macio com manteiga derretida por cima).
  • Paratha ou prantha (uns pães de massa feita junto com farinha de lentilha, e assadas no óleo, com recheio de batatas, couve-flor ou outras coisas);
  • Pulao (um risoto originário da Caxemira, com frutas e manteiga, delicioso);
  • Rajmah (uns feijões vermelhos que os indianos preparam num molho apimentado);
  • Saag paneer (um espinafre delicioso, feito em creme, com pedacinhos de queijo paneer dentro);
  • Tikka masala (um delicioso curry — que na Índia é um nome genérico para qualquer molho temperado — feito com tomates e o que você quiser dentro, como paneer ou frango).

E, no reino das bebidas, não deixe passar um lassi (iogurte batido com açúcar, ou sal, ou — o meu favorito — com manga, o mango lassi. No Rajastão você encontra um de açafrão também, o saffron lassi.)

Evite comidas não-indianas na Índia, tipo comida italiana ou chinesa, ou pode se arrepender feio. Especialmente, afaste-se dos bolos e tortas, que os indianos geralmente fazem muito mal. Por fim, se vir uma coisa bizarríssima chamada masala lemonade, não compre — é suco de limão com Sprite e condimentos dentro, das coisas mais bizarras que já tomei na vida.

Compras. Você precisa ser muito desinteressado por compras para passar pela Índia sem levar nada. Eu não me considero um sacoleiro de marca maior, e mesmo assim precisei adquirir uma mala nova pra fazer caber tudo que comprei aqui na Índia — têxteis, tapetes, roupas, objetos de pedra e madeira para decoração em casa, incensos, quadros… (Ok, sou um pouquinho sacoleiro, sim.)

Você na Índia achará uma vastidão de produtos, eles aqui sendo como são para o lado de artesanias e comércio. No entanto, duas observações de ouro a ter consigo.

1. Muitos produtos indianos são lindos e baratos, mas de baixa qualidade. Aquela roupa interessante que custou uma pechincha? Possivelmente soltará toda a tinta quando você for lavar (cuidado!). As roupas desenformam com uma facilidade imensa. E de repente aquela maravilha derrete diante dos seus olhos. Então seja muito criterioso. 

2. Barganhar, barganhar, barganhar. Nunca vou me esquecer de uma moça brasileira que conheci Varanasi, comentando comigo no café da manhã do hotel: “Pô, eu tô de férias. Não dá pra comprar nada que os caras já vem com aquela putaria de ‘Qual é o seu preço?’. Já tô cansada disso. Eu só quero pagar o preço justo, acabou.” Por maior solidariedade que eu tenha com ela (também me canso de barganhar), essa é a realidade. Quase não há compra na Índia sem pechinchar.

Há algumas recomendações gerais que podem facilitar o processo. (A mais comum é dizer que faça um lance e feche depois pela metade do preço que ele quis, mas eles já estão um passo na frente com essa tática e em geral começam com um preço 3 ou 4x maior que o normal. Ou seja, mesmo se reduzir à metade você ainda estará pagando bem caro.)

A tática mais segura é procurar uma loja governamental (como a que há em Dilli Haat, em Nova Délhi), que usa preços tabelados, e começar a aprender os preços “normais” disso e daquilo, para ter uma referência. Hoje em dia há muitas lojas anunciando fixed prices (“preços fixos”), pois sabem que os turistas ocidentais preferem assim, então comece por elas para ter uma referência de preço.

Afora isso, os toques a seguir podem ser úteis.

  • Deixe que o indiano comece dando o primeiro lance, e saiba que esse será provavelmente um preço bem alto. Almeje reduzir a pelo menos 1/3 do preço inicial dele. Se ele pedir que você dê o preço primeiro, jogue bem por baixo.
  • Não fique sem jeito de botar defeito no produto — eles aqui fazem isso comumente. Faz parte. (Se você vir um(a) indiano(a) comprando, você verá do que estou falando. “Material de baixa qualidade”. “Isso aqui desenforma em duas lavagens.” “Vai ficar desbotado rapidinho.”)
  • Comece pleiteando apenas um produto. Quando chega na questão do preço, o vendedor logo vem com “Quantos você vai querer?”. Comece com um e baixe tudo que você puder. Aí sim, depois, você vem com o “E se eu levar dois, qual o desconto?”. A norma exigirá que ele dê um novo desconto.
  • Não hesite em, se conseguir, perguntar a dois funcionários diferentes o preço da mesma coisa. Você verá que o preço muda, e você pode sempre aderir ao mais baixo dizendo “Ele ali me disse X”.
  • Se precisar, vá embora da loja. Sobretudo se você já tiver gasto um tempo negociando o preço, é possível que ele venha atrás de você fazendo um preço menor.
  • A única norma de ouro é não se recusar a dar um preço que você próprio ofereceu. Então, atenção. Boas compras!

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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