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A famosa Galeria Estatal Tretyakov de Moscou em 15 fotos

Pouco conhecida dos brasileiros, ela é o museu mais visitado de Moscou e o maior repositório de arte russa no mundo. A Galeria Estatal Tretyakov, estabelecida em 1856, abriga nada menos que 130 mil itens, entre esculturas e pinturas russas. Tudo começou no século XIX como uma coleção pessoal do mercador moscovita Peter Tretyakov, até se tornar um museu nacional.

Para quem gosta de arte, a visita é mais do que indicada. Há arte sacra, retratos dos monarcas russos, e vistas interessantíssimas de como Moscou e São Petersburgo eram séculos atrás. Eu confesso a minha ignorância e que só vim descobri-la agora na minha terceira visita a Moscou, retornando aqui após alguns anos. A visita foi uma surpresa mais que agradável. Recomendo a todos.

Eu selecionei abaixo 15 fotos de itens que encontrei e que me chamaram mais a atenção no museu. Como sempre, é uma listagem subjetiva, mas eu tentei ser representativo da sua diversidade. Planeje um bom par de horas para gastar aqui, e boa nutrição de olhos e de alma!

1. A Galeria Estatal Tretyakov. O mais visitado museu de arte de Moscou. Fundada em 1856 pelo mercador Peter Tretyakov, cuja estátua se encontra ali à entrada. Abre todos os dias exceto as segundas. Separe umas 2-3h para visitar.
2.O Cristo no deserto” (1872), do pintor russo Ivan Kramskoi. Impressionante óleo sobre tela, mostrando Jesus em simplicidade e ponderação.
3. Retrato da Imperatriz Catarina, a Grande (1763). Pelo pintor russo Fyodor Rokotov, que retratou a mais famosa czarina de todos os tempos. Catarina II, como era conhecida, reinou entre 1762-1796 após o assassinato de seu esposo, e fez da Rússia uma das grandes potências da Europa. (Poucos sabem, mas ela era originalmente alemã. Nessa época, antes dos albores do nacionalismo, o importante era ter “sangue azul”.)
4. “A Praça Vermelha em Moscou” (1801), do pintor Fyodor Alexeev. A mesma Catedral de São Basílio, as mesmas torres e muralhas do Kremlin que se veem hoje em dia, mas uma Praça Vermelha com astral bem distinto na Moscou de duzentos anos atrás.
5. “O casamento desigual” (1862), quadro muito provocante para a época, de Vasili Pukirev, que pintou a si mesmo na extrema direita da tela. Há quem diga que esta obra foi fruto de um amor perdido na vida do pintor. Seja como for, temos a arte aí, como de costume, na vanguarda das discussões sociais.
6. “Vista da bolsa e do almirantado a partir da Fortaleza Petropavlovsk” (1810), do pintor Fyodor Alexeev, o mesmo que retratou a Moscou do início do século XIX, agora retratando a São Petersburgo daquele tempo. São Petersburgo foi a capital da Rússia por 200 anos: desde o término da sua construção, em 1713, até a Revolução Bolchevique de 1917. (Nos meus posts em São Petersburgo, aqui e aqui, você vê mais sobre a cidade.)
7. “A manhã da execução dos streltsy (1881), de Vasili Surikov. Essa bagunça diante do Kremlin na Moscou de outrora retrata um incidente ocorrido 1698, quando o czar Pedro, o Grande, estava em viagem pelas capitais da Europa (embebendo-se de cultura ocidental que ele viria a implantar aqui na Rússia depois) e alguns oportunistas tentaram tomar o poder na sua ausência. Os “streltsy” eram um regimento de artilharia do exército imperial russo. Dizem que essa tentativa de golpe foi uma reação às inovações que Pedro impunha. Os “golpistas” foram executados na Praça Vermelha, e em 1703 Pedro fundaria São Petersburgo, uma nova cidade feita nos moldes das capitais europeias, como se percebe até hoje.
8. “Princesa Tarakanova” (1864), do pintor russo Konstantin Flavitsky. Este quadro dificilmente escapa à atenção, com sua elegante moça em drama diante da inundação da sua cela em 1777. O quadro retrata uma personagem real, uma moça de São Petersburgo que foi aprisionada por fingir ser filha da rainha e faleceu na prisão. (Na realidade, descobriu-se que ela morreu foi de tuberculose em 1775.)
9. Retrato de Leo Tolstoy (1887), por Ilya Repin. Tolstoy (1828-1910) foi uma das grandes figuras da literatura russa, com obras como Guerra e Paz (1869) e Anna Karenina (1877). Ele é tão ou até mais conhecido, todavia, por sua leitura original da ética cristã, centrada na figura de Jesus em si (e não nos preceitos da Igreja), e seu pacifismo. Influenciou figuras notórias do século XX como Gandhi e Martin Luther King. (Os interessados nessa temática de Tolstoy podem buscar o seu livro O Reino de Deus está em Vós, de 1894, que tem tradução para o português.)
10. Iluminuras. Há toda uma seção da Galeria Tretyakov dedicada a ilustrações sacras russas, de tradição originalmente bizantina. Foram monges gregos e búlgaros que converteram os russos ao Cristianismo por volta do ano 1000, e a igreja russa segue alinhada com a Igreja Ortodoxa grega até hoje. Algumas destas iluminuras remontam ao século XIV.
11. Jesus em vestes sacerdotais amarelas. Nesta iluminura temos um Jesus nos trajes dos bispos bizantinos, e moreno, diferente da figura de pele bastante clara comum nas pinturas europeias.
12. “Os portões do palácio de Tamerlão” (1872), do pintor russo Vasili Vereshchagin. Nós ocidentais às vezes nos esquecemos, mas a maior parte da Rússia está na Ásia Central e no Extremo Oriente. Muito da Idade Média na Rússia é uma História de intercâmbios e conflitos entre eslavos e centro-asiáticos, como o conquistador turco-mongol Tamerlão (1336-1405). O pintor aqui retrata com maestria a indumentária dos guardas da época.
13. “Eles são triunfantes” (1872), do mesmo pintor Vasili Vereshchagin, que, embora russo, resolveu aqui ilustrar uma vitória do emir de Bukhara sobre os russos em Samarcanda, com cabeças de russos empaladas em frente à mesquita. (Vasili era escorpiano, talvez isso explique.) Samarcanda e Bukhara são duas belas cidades onde essas estruturas azuis ainda se preservam, no atual Uzbequistão.
14. “Mulher camponesa cobrindo a boca com o xale” (1894), do pintor russo Filipp Malyavin. Malyavin era excepcional por ser, ele próprio, de origens campesinas, o que era raro no meio artístico russo de antes da revolução de 1917. Foi talvez o maior pintor retratista dessa Rússia camponesa que constituía então a grande maioria do país.
15. “Manhã numa floresta de pinheiros” (1889), de Ivan Shishkin, talvez o pintor russo que melhor retratou os bosques e a natureza do seu país. Esta é uma de suas obras mais famosas, e um dos cartões-postais da Galeria Tretyakov, com pequenos ursos negros a brincar na floresta. É comum que famílias russas tenham estâncias na zona rural (aqui conhecidas pelo nome de datchas), e há até hoje uma apreciação muito grande por ambientes naturais na alma russa.

A quem gostou de ver arte russa, recomendo conhecer também o Museu Russo em São Petersburgo. Lembrando que o famoso Hermitage, com a imensa coleção artística dos czares e que também merece a sua visita, se trata essencialmente de arte europeia, não-russa.

Eu, depois de rever Moscou e conhecer mais de suas atrações, como esta impressionante galeria, agora estava pronto para iniciar o meu trajeto pela épica Ferrovia Trans-Siberiana. 

Localizei a minha estação de trem de partida (pois há nove estações de trem em Moscou), e preparei-me para o primeiro trem que me levaria por mais de 9.000Km até o outro lado do continente, à beira do Oceano Pacífico.

A próxima parada? A linda e pouco conhecida cidade de Kazan, a um trem noturno de Moscou. As aventuras continuam.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “A famosa Galeria Estatal Tretyakov de Moscou em 15 fotos

  1. Uaaaauuuu, que maravilha de galeria, que acervo magistral. De encher os olhos. Belíssimas obras, excelentes retratistas, pintores, artistas por excelência, Belíssimas cores, tons, efeitos; temáticas interessantes e por vezes um tanto chocantes mas muito sugestivas e significativas. Muitas vezes as emoções transparecem nos semblantes dos personagens, Belas as obras. Linda galeria, é a Russia mostrando a sua cultura e os seus expoentes, Linda foto do venerável Leo Tolstoy, Esta obra com ursinhos brincando é impressionante. Belissima. Amei tambem a foto do Mestre no deserto. Muito significativa. Esse portal azul parece com um outro existente em Fes, no Marroccco.. Amei, tambem esse quadro com Jesus com um manto alaranjado, Lindo, E coitada da menina a se casar com aquele idoso. Vai ver que ela era o amor do pintor, ô coitados. Absurdo.
    Um charme essa Czarina. E quão diferentes estão a Praça Vermelha e Sao Petersburgo. Belissima galeria. Valeu, viajante, Se eu voltar a Moscow ficarei feliz em visitá=la

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