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Epílogo: Dias finais em Ulaanbaatar após tour pelo interior da Mongólia

O meu tour pelo interior da Mongólia havia durado 9 dias, passando por esculturais vales rochosos, pelo famoso Deserto de Gobi, e pelas paisagens verdes, amplas e repletas de rebanhos da Mongólia Central, além de um puxadinho em Karakorum, a histórica capital medieval dos mongóis. Agora, eu estava de volta à capital Ulaanbaatar. Poucos dias me separavam do meu próximo trem.

Havia coisas que eu ainda não havia visto na cidade, especialmente o Mosteiro Gandantegchinlen, no centro da cidade; e significativamente, uma estátua do viajante latino Marco Polo. Eu não podia ir embora sem uma foto ali.

O Mosteiro Gandantegchinlen, no centro da capital mongol Ulaanbaatar.

O budismo na Mongólia é de tradição tibetana, e seus mosteiros passam longe do bafafá movimentado e vibrante (e também turístico) dos templos da Tailândia ou do Japão. Aqui muitos templos têm o ar de que precisam de restauração, e o movimento de turistas é relativamente pequeno. Por outro lado, acho que há aqui uma proporção maior de monges em relação a visitantes circulando, então é interessante vê-los. Dá uma sensação de autenticidade à experiência.

Eu cheguei numa dessas manhãs de céu azul, esse céu azul intenso da Mongólia que fez seus antigos o reverenciarem como uma entidade divina, e naveguei tranquilo o meu caminho por entre os pombos e os mongóis. No Mosteiro Gandantegchinlen, você pode circular livremente, mas o seu pavilhão maior — dentro do qual há uma imensa imagem dourada de Buda — tem um pequeno custo de entrada.

É, sem sombra de dúvidas, o lugar mais singelo pra se visitar em Ulaanbaatar.

Um longo calçadão que leva ao mosteiro, ao longe. Em Ulaanbaatar. Os mongóis, como vocês podem perceber, são bastante descolados.
Mulher empolgada jogando comida aos pombos em Ulaaanbaatar.
Um dos portais de entrada do complexo do Mosteiro Gandantegchinlen (daqui ao final do post todo mundo aprenderá a pronunciar).
Entrada lateral, com um dos estudantes nos típicos trajes carmesim.
Apesar da presença de monges aqui e ali, o mosteiro tem um ar recluso e vazio. Efetivamente, é mesmo mais mosteiro que atração turística.
A bela arquitetura oriental nos telhados.
Garota orando diante da estupa, estrutura típica budista que simboliza a elevação.
O pavilhão principal no Mosteiro Gandantegchinlen.
No interior, uma figura de Buda com quatro braços, revelando sua incontestável raiz hindu. Se não me equivoco, essa figura é o Avalokiteśvara, o iluminado que simboliza a compaixão. (Há mais retratações e “versões” diferentes de Buda que há da Virgem Maria no Catolicismo.) É ele que também é às vezes retratado com mil braços, o que às vezes é mostrado naquelas danças cerimoniais orientais com várias pessoas, uma atrás da outra.

Após passear pelos tranquilos recantos desse mosteiro, fui lavar a égua — não com o hediondo leite de égua fermentado, kumis — com uma comida mais saborosa que as insossas refeições dos 9 dias de tour. Achei meu caminho para um restaurante coreano devidamente apimentado, e lá me esbaldei. Eu depois conheceria um simpático casal de rapaz brasileiro e moça chilena no meu dormitório, e à noite fomos também dar prosa — junto com uma senhora chilena já sexagenária e cheia de aventuras de vida a compartilhar — num restaurante indiano. Eu agradavelmente ia aos poucos tirando o atraso gastronômico.

E Marco Polo? Marco Polo eu encontraria no miolo da cidade, que já havia voltado ao seu dia-dia normal de movimento mediano após os dias de festa de Naadam, o festival nacional que eu havia visto um par de semanas atrás.

Gimbap. (Jamais chame isso de sushi na frente de um coreano. Mais sobre comida coreana neste post aqui.)
Uma das minhas refeições coreanas em Ulaanbaatar. Como a culinária mongol não oferece muito, os restaurantes dos quase-vizinhos coreanos foram a minha salvação.
Ei-lo! Com a estátua do viajante Marco Polo no centro de Ulaanbaatar. Eu não poderia ir embora sem esta foto.

E assim eu ia concluindo minha estadia neste curioso e histórico país. Merece muito mais atenção do que recebe. Por virtude da diferença de tamanho, demais da contribuição histórica e cultural mongol é creditada à China. Quando Marco Polo teria visitado a China, por exemplo, sequer havia “China” como tal: foi na corte de um imperador mongol que ele ficou, Kubilai Khan. Hoje, os mongóis geralmente são de uma simplicidade simpática que os hiperformais japoneses, os arrogantes chineses, e os ansiosos coreanos nem sonham em ter.

Um trem me esperava na manhã seguinte. Era hora de entrar novamente na Rússia e descobrir o que há para além da Sibéria, no seu Leste Distante. 

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Epílogo: Dias finais em Ulaanbaatar após tour pelo interior da Mongólia

  1. Olá, Mairon!!
    Cara, em primeiro lugar parabéns pelo trabalho com o seu blog. Muito amplo e completo, dá pra ver o quanto você realmente se dedicou em pesquisar sobre cada lugar e escrever cada matéria. E sobretudo muito bem escrito! Estes posts sobre o tour pela Mongólia estão inspiradores… hahaha E é sobre eles justamente que gostaria de ter fazer uma pergunta. No momento eu estou em Moscou, prestes a iniciar a transiberiana, e tenho ainda algumas dúvidas com relação ao roteiro. O plano é seguir para a Índia depois daqui, e a ideia original era pegar um avião de Ulaanbaatar, porque também gostaria muito de conhecer a Mongólia. No entanto, os voos da Mongólia pra Índia estão bem mais caros do que eu havia imaginado, então estou tendo que considerar cuidadosamente esta questão do orçamento… Bom, em vista disso, eu gostaria de saber quanto custou esse tour de nove dias que vocês fez, e qual é mais ou menos a média de preços para um tour confiável, comparando com outras opções que você tenha estudado. Além disso, gostaria de saber o nome da agência que você escolheu. Vi que você disse que compartilharia as dicas sobre isso ao final dos posts, mas não consegui encontrá-las, por isso estou vindo aqui! Enfim, é isso, muito obrigado pela atenção, e parabéns mais uma vez pelo excelente trabalho!
    Um abraço,
    Diogo.

    1. Olá, Diogo!
      Um obrigado enorme pelos elogios. Fico contente que esteja gostando da página!

      Segurei um pouco a resposta para poder finalmente terminar as minhas dicas para a Mongólia, que agora estão finalmente publicadas. Você agora pode encontrá-las aqui.

      Lá você encontrará vários detalhes do que procura saber, mas pra te adiantar, meu passeio custou 60 USD por dia por pessoa, pois éramos um grupo de 5 (invariavelmente, o preço por pessoa depende do tamanho do grupo, de 1-6 que cabem no veículo). Eu fiz com a Danista Nomad Tours e fiquei muito satisfeito. A faixa de preço com uma agência confiável vai ser mais ou menos essa aí.

      E sobre voos, de fato as saídas de avião da Mongólia são caríssimas! Às vezes vale mais a pena voltar de trem à Rússia e, de lá, tomar um voo mais barato da AeroFlot ou da S7. Mas aí só comparando os preços.

      Qualquer outra dúvida que você tenha após conferir lá as dicas, é só dizer. Estamos às ordens.
      Abraço e boas viagens de trem!
      Mairon

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