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Viajando na Mongólia: Dicas de viagem, tours, lugares para ver, e o que fazer

A Mongólia é um país fascinante, tanto em termos de cultura e história quanto de natureza. Após quase 20 dias aqui, digo que foi uma viagem inesquecível. Primeiro vão algumas impressões gerais, e a seguir algumas dicas a quem cogita vir conhecer.

  • O que mais gostou.  A herança cultural viva. As paisagens são espetaculares, não resta dúvida, mas paisagens maravilhosas (ainda que diferentes) você também encontra no Chile, no Brasil, etc. Já a herança cultural e histórica da Mongólia é muito específica dela, diferente, exótica para nós, e interessantemente ela permanece viva nos dias atuais. Isso é fascinante de observar.
  • Visita obrigatória. Ulaanbaatar, a capital. Mas você fará um favor enorme a si mesmo se vier com tempo pra contratar também um tour de alguns dias pelo interior. (Mais sobre isso abaixo.) 
  • O que não gostou. A comida. Pra dizer em poucas palavras, a culinária mongol é a pior que eu já experimentei em toda a minha mundial vida. Quase tudo se resume a carne e laticínios, como pastores que são. De quebra, eles têm uma aversão histórica a temperos, então é leite com gosto de leite, carne com gosto de carne fervida, e massa com gosto de massa. Só.
  • Queria ter visto mas não viu. As paisagens e tradições culturais específicas de certas regiões mais distantes da Mongólia, como o oeste (quase na fronteira com o Cazaquistão), e especialmente o norte, nos arredores do Lago Khovsgol, onde há populações de tradicionais pastores de renas.
  • Comida(s) a experimentar. Kumis, às vezes também chamado de airag, a bebida nacional mongol: leite de égua fermentado. É horrível, mas você não pode ir embora sem provar.
  • Momento mais memorável da visita. Quando cruzamos com uma tempestade de areia ao sair do Deserto de Gobi, a imagem frágil de pessoas em suas tendas, com crianças e cachorros, tendo que lidar com aquilo. E o boné do nosso motorista que foi levado pelo vento e tivemos que correr atrás. (Alcançamos.)
  • Alguma decepção. O contato com famílias nômades. Na internet você vê aquele bafafá enorme, feito por agências de viagem, sobre a experiência de conhecer e conviver um pouco com famílias nômades da Mongólia, etc. Balela. A imensa maioria das famílias que trabalham com agências têm o turismo como uma coisa cotidiana, turistas vão e vêm todos os dias, e você será sumariamente ignorado. Pode, sim, fazer visitas breves a família que não trabalham com turismo, como nós fizemos; mas essas são ocasiões excepcionais. Esqueça essa coisa de que vai tomar um tour e fazer refeições junto com as famílias, dormir na tenda com elas, etc. Quase todos os turistas estrangeiros chegam com essa ilusão, mas não é assim que a coisa funciona (Mais em tours, abaixo.). 
  • Maiores surpresas. Ver que as coisas aqui são mais caras que na Rússia; que os mongóis em geral não falam russo, preferem inglês (em geral não são fluentes mas quebram o galho); e ver o movimento e a infraestrutura da capital Ulaanbaatar. Eu confesso que imaginava um lugar muito mais “roça” que a cidade movimentada que vi.

Principais dicas

Visto. Brasileiros não necessitam de visto para a Mongólia, nem é necessário pagar nada na fronteira, nem na chegada nem na saída. Como o mesmo se dá com a Rússia, vale a pena você considerar uma visita casada aos dois países. Chegar de trem é muito mais barato que voar até a Mongólia. Preços de voos aqui são bem salgados, mesmo entre distâncias curtas.

O tugrik, dinheiro mongol. 1 USD fica em torno de 2400 tugriks. Mas não se impressione com o tamanho do número, pois as coisas aqui sempre custam milhares de tugriks. (O que você nota, porém, é que não há notas grandes de tugrik, então seu bolso fica sempre cheio de muitas notas.)

Custos, câmbio & dinheiro. A visita à Mongólia não é uma pechincha — ela é mais cara que o interior da Rússia —, mas também não é excessivamente cara. A Mongólia usa o tugrik, sua própria moeda com a cara de Chinggis Khan, mas os tours (e algumas hospedagens) têm frequentemente preços em dólares americanos (USD). (Não vale a pena trazer euros pra cá, nem rublos russos.)

Então a minha recomendação é que você venha abonado de dólares americanos pra pagar os tours e converta rapidamente uma quantidade em tugriks na capital. Há bancos em Ulaanbaatar que realizam esse serviço. Converter é importante porque muitos lugares não aceitam cartão (quase que só os supermercados, e alguns restaurantes mais caros), e afora quem trabalha com turismo, não se aceitam pagamentos em dólares, nem em Ulaanbaatar e muito menos pelo interior.

Ulaanbaatar é realmente a única cidade do país, e camas em dormitórios são por coisa de 15 USD/noite. Há hotéis melhores (e de todos os preços), naturalmente. Refeições você faz pelo equivalente a 5-10 USD em restaurantes dignos. Pode, é claro, gastar menos se comprar comidas prontas de supermercado.  Já no interiorzão, os tours geralmente incluem todas as refeições, e os lanches não são caros — exceto se você quiser batata Pringles e essas coisas importadas.

O custo dos tours é a grande variável em jogo.

Tours pela Mongólia. Dá pra viajar de forma independente? Eu recomendo enfaticamente que, se possível, você não fique só em Ulaanbaatar. Aproveite que veio à Mongólia e vá conhecer o seu interior, nem que seja num tour de 5-6 dias.

Eu gosto de viajar de forma independente, acho que é óbvio, mas a Mongólia é extremamente difícil de percorrer por conta própria. Quase não há estradas, nem sinalização. Transporte público é raríssimo e quase inexistente também, e ainda que você alugue um carro, perder-se na vastidão das estepes é um sério risco — o que será agravado se você não for fluente em mongol pra se comunicar com as pessoas caso precise de ajuda. No interior ninguém fala outra língua, exceto talvez uma pontinha de russo. Então viajar por conta própria pelo interior da Mongólia é algo que quase ninguém faz, exceto às vezes uma ida tortuosa a um ponto específico numa rara linha de ônibus, mas à custa de muito tempo.

Há tours de todos os preços em oferta na internet. As agências mais chamativas cobrarão milhares de dólares por pessoa, oferecendo traslado desde o aeroporto, etc. e tal. A menos que você seja rico, esqueça essas opções — tampouco elas são necessárias. A melhor pedida é negociar direto com a acomodação onde você for ficar. Quase todo albergue/pousada aqui na Mongólia trabalha também como agência de tours. Basta enviar um e-mail.

Na vastidão das estepes na Mongólia.

O tour que eu fiz foi pela Danista Nomad Tours, que recomendo. O preço sai em média de 50-100 USD por dia de tour. A variação é com o número de integrantes. As kombi que quase todas as agências usam cabem 6 pessoas mais o guia e o motorista. Quanto mais gente, menor o preço por pessoa.

Frequentemente não há datas fixas de saída, você é que tem que informar quantas pessoas são e quando gostaria de ir. Daí a acomodação/agência se encarrega de organizar. No meu caso, eu lhes avisei com semanas de antecedência que éramos duas pessoas interessadas no roteiro X, e eles puseram o anúncio na agência, caso outros turistas quisessem se juntar a nós (para baratear). Três franceses se juntaram, e ficou mais barato pra todo mundo. Você pode também, é claro, fazer como eles fizeram e esperar chegar lá pra ver quais saídas há, se tem espaço etc., mas é arriscado, pois pode não ter nada nas suas datas e na duração que você quer. Eu só faria isso se estivesse viajando sozinho e tivesse muito tempo e flexibilidade.

Os roteiros são fixos, mas nem tanto. Todos os tours vão basicamente aos mesmos lugares, fazendo praticamente as mesmas rotas. Há uns 8-10 pontos que são os básicos aonde todas as agências vão. As durações variam de 4-5 dias até quase um mês. Os mais habituais, contudo, são de 5-15 dias. Eu fiz 9 e achei suficiente. (Não sei se gostaria de ter passado mais tempo rodando.) Como é você quem dá a ideia das datas, normalmente é possível negociar ajustes nos roteiros básicos, acrescentar uma noite a mais para ver também aquele outro lugar, etc. Sendo perto, você pode fazer combinações entre roteiros e discutir com a agência.

As noites são quase sempre em gers, as redondas tendas tradicionais mongóis, em acampamentos turísticos organizados por famílias mongóis. Normalmente têm camas dentro (meio duras, mas confortáveis o bastante), e as refeições são preparadas pelo seu guia com a comida trazida no veículo. Os talentos culinários variam de guia pra guia. Às vezes, eles encaixam uma noite de camping, com tendas, mas nem sempre acontece. (Se informe sobre isso quando estiver negociando o tour.)

Colinas Flamejantes (Flamming Cliffs), perto do Deserto de Gobi.

Aonde ir? Lugares para conhecer. A Mongólia é um país bem grande. Normalmente se chega pela capital Ulaanbaatar, e daí o mais depende dos tours que você eventualmente tomar.

Os carros-chefes do interior são o Deserto de Gobi e o vale do Rio Orkhon na Mongólia Central. Ambos valem muito a pena, e são diferentes. Num você vê paisagens secas, dunas, camelos de duas corcundas, vales rochosos… Na outra região você vê pastagens infinitas nas estepes, rio, cachoeira, rebanhos pastando, e pode visitar famílias nômades. Karakorum também é interessante se você gostar de História e cultura, por todo o legado secular dos mongóis.

Vista do alto das escadarias de um templo budista no Parque Nacional Gorkhi-Terelj.

Afora esses lugares acima, que são os principais, aonde vão a maioria dos tours, você pode tomar um rumo diferente para o norte da Mongólia, e conhecer a região do Lago Khovsgol. E pode também tomar um avião até o extremo leste da Mongólia e conhecer as Montanhas de Altai. São percursos mais custosos em termos de tempo e dinheiro, menos movimentados e que não fiz, mas podem valer a pena.

Por fim, se você quer uma experiência que mescla natureza e budismo, pode cogitar visitar (e, de preferência, passar uma noite) no Gorkhi-Terelj National Park, pertinho de Ulaanbaatar. Não é tão rústico quanto talvez pareça; ele é um parque bastante habitado, mas com sua cota de animais pastando, belas vistas, bosques, e alguns templos budistas bem localizados também.

Acomodação. Como eu comentei acima, as acomodações aqui na Mongólia quase sempre fazem as vezes também de agências de viagem. (Você, porém, pode contratar o tour por uma e hospedar-se em outra. Eu mesmo fiz isso.No ramo das pousadas e albergues, o mais cotado de longe é o Zaya Hostel, mas pra esse você às vezes precisa reservar com meses de antecedência, pois não há muito espaço. No mais, eu achei o Danista Nomad Tours bem confortável, e hospedei-me também por uns dias no Sunpath, que foi OK.

Os custos, como eu disse, saem coisa de 15-20 USD/noite em dormitório. E quanto à localização, opte por um de onde dê pra ir fácil a pé à Praça Sukhbaatar, que é o coração da cidade.

Segurança. Na internet eu vi observações sobre riscos em Ulaanbaatar etc. Francamente, achei extremamente mais seguro que o Brasil ou que qualquer destino na África ou na América Latina. Não senti risco quase nenhum. Eu manteria os olhos abertos na periferia da cidade, mas também não há porque ir lá, já que não há nada pra ver. Pode vir e ficar de boa. 

Trens. Se você precisar comprar passagens de trem saindo da Mongólia, seja para a China, seja para a Rússia, não tem como comprar online — exceto pelas careiras agências ocidentais, uma roubada.

Eu portanto deixo a dica do site Mongolian Train Tickets, do Mr. Ganba, que comigo foi bem eficiente e pontual, e BEM melhor que as agências ocidentais, que cobram bem mais caro. Além dos preços, a grande diferença é que você paga a ele pessoalmente em dólares (o que, de certa forma, torna a transação mais segura, pois não há nenhum gasto adiantado não-reembolsável. Você só paga mesmo quando recebe os tickets na mão. Ele vem pessoalmente à sua acomodação.)

O prédio da State Department Store em Ulaanbaatar.

Compras. Pra quem gosta de comprar souvenirs e ver produtos típicos, um dos melhores lugares é a State Department Store, não muito longe da Praça Sukhbaatar. Como há pouco turismo em Ulaanbaatar, são raras as lojas de souvenirs, e aquela é uma das exceções. Se você fizer um tour, às vezes comprar no interiorzão sai mais barato, mas aqui em Ulaanbaatar há mais opções.

Coisas típicas da Mongólia são, quase sempre, produtos de couro, gers em miniatura, joguinhos de dados ou de adivinhação com pequenos ossos (como os que mostrei na visita ao parque 13th Century e no Festival Naadam), etc. 


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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