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Viajando pela Rússia: Dicas de viagem, o que fazer, e cidades para visitar

Estive três vezes na Rússia, passando um total de meses no país. Satisfaço-me em dizer que o percorri de ponta a ponta. Não vi tudo, mas pude ver e rever Moscou e São Petersburgo, além de conhecer vários dos recantos mais remotos do maior país do mundo.

Abaixo, eu faço o balanço das minhas passagens pelo país, e compartilho algumas dicas e sugestões — inclusa uma seção especial sobre como lidar com os russos, já que o seu comportamento costuma ser uma das maiores queixas dos turistas.

  • O que mais gostou. Conhecer pessoalmente a realidade diária de um país altamente (e negativamente) estereotipado por toda mídia ocidental. Vale muito a pena derrubar o mito e descobrir a realidade daqui com os próprios olhos.
  • Visita obrigatória. A Praça Vermelha em Moscou. Não há como vir à Rússia e não ver o coração do país.
  • O que não gostou. A impaciência e o autoritarismo de muitos russos que trabalham no setor de serviços, sejam públicos ou privados. É da cultura, e lhes falta um certo fair play. Policiais, condutores de trem, atendentes de lanchonete… às vezes acontecem de ser simpáticos, mas, especialmente em Moscou e São Petersburgo, frequentemente são carrancudos e às vezes grosseiros.
  • Queria ter visto mas não viu. Kamtchatka, a extrema península onde ursos marrons dançam entre as montanhas, no extremo oriente da Rússia, perto do Alaska. A remota província indígena de Yakutia, cuja capital é considerada a cidade mais fria do mundo. E a região do sul da Rússia, inclusas as cidades de Sochi, Rostov, e Volgogrado (antiga Stalingrado, sítio da mais vital batalha da Segunda Guerra Mundial), que ainda não conheço.
  • Momento mais memorável da visita. Banhar-me no gélido Lago Baikal, o maior do mundo, no coração da Sibéria. Ver os lugares lindos da Rússia foi ótimo, mas esta foi uma experiência de corpo inteiro. O lugar é quase místico. 
  • Alguma decepção. O pouco acesso a vida selvagem. Achei que fosse encontrar aquela Sibéria dos documentários, mas não. Eu já morei no Canadá, e lá em certas áreas você se depara com esquilos, castores, alces, às vezes até vê ursos pela janela do carro. Na Sibéria eu achei que fosse encontrar o mesmo, mas vi apenas fazendas e vilas. É um ambiente muito mais rural que florestal. A vida selvagem existe, mas está mais afastada, onde não há ferrovias e muitas vezes nem estradas.
  • Comida e bebida mais típicas. Borsh, uma sopa de beterraba ultra-típica. Não dá para sair sem provar. E no reino das bebidas, além da vodka (que todo mundo conhece), experimente kvas (“Kvac” em russo), uma tradicionalíssima bebida quase-não-alcóolica feita de pão fermentado e que você compra em barraquinhas na rua. (Mais detalhes sobre comidas nas dicas abaixo.)
  • Maiores surpresas. O quanto os russos conhecem e gostam do Brasil. Literatura e música brasileira são aqui bem melhor conhecidos que na América do Norte, e o que os russos têm de antagonismo pela Europa e os EUA, eles têm de afeição pelo Brasil. (Por que? Acho que sempre se passou uma imagem mais positiva, calorosa do Brasil aos russos. Eles conhecem novelas, escritores brasileiros… Além do que, há uma semelhança no jeito emocional entre nós latino-americanos e os russos. Eles dizem que os europeus e norte-americanos são educados, mas falsos e pretensiosos, enquanto que nós latino-americanos somos mais sinceros e emocionalmente verdadeiros, como eles.

PRINCIPAIS DICAS

 

Visto, Imigração & Registro. Brasileiros não precisam de visto para visitar a Rússia por até 90 dias. Seu direito é a 90 dias dentro de um período de 180 dias, então se ficar 3 meses, tem que se ausentar 3 meses até poder entrar novamente. Não é necessário pagar nada, nem na entrada, nem na saída.

Guarde a todo custo o canhoto do formulário de imigração que você precisa preencher na entrada e devolver na saída no país. Não sei o que ocorre se você o perder, mas só a perspectiva de ter que enfrentar a burocracia russa para conseguir outro já deve ser razão suficiente para você ter cuidado.

Por fim, você talvez verá, lerá, e ouvirá turistas falando sobre uma suposta necessidade de se registrar com as autoridades quando se instala num albergue ou hotel. Um procedimento que o hotel/albergue executa pra você, e pelo qual alguns cobram uma taxa extra, pois tem um custo, alegando que precisam fazer esse procedimento com todos os hóspedes.

A verdade é que esse é um procedimento completamente desnecessário. Perdi neurônios e preocupação à toa encucando com isso nas várias vezes em que fui à Rússia, em parte porque alguns amigos estavam meio “noiados” e com medo. Bobagem. Pela lei, a obrigação é do hotel de reportar quem hospedou ao governo.

Então alguns hoteis insistem em fazer o tal registro, e provavelmente não há como escapar, mas o tal comprovante de registro é completamente inútil e ninguém o cobrará de você na saída do país. Já assisti a cenas lindas de turistas europeus diligentemente os entregando à oficial de imigração na minha vista, somente para recebê-los de volta sem a oficial nem querer saber. 

Segurança. Há muitos ocidentais que crêem que a Rússia é perigosa, mas francamente, para nós vindos do Brasil, isso aqui é uma tranquilidade sem fim. Assalto de rua praticamente não existe, mas fique de olho aberto em relação a taxistas suspeitos (especialmente à noite), e caso se aventure por bares baixaria ou vizinhanças estranhas. Os russos são pavio-curto, e arruaceiros de bar que fazem provocação e caçam briga não são raros.

Dinheiro & Custos. Na Rússia se usam rublos, uma moeda que sofreu bastante desvalorização nos últimos anos. Um dólar anda na faixa de 60-65 rublos, e um euro sai a 75-80 rublos. Isso é o dobro do que costumava ser em 2012-2013.

Cartões de crédito, inclusos brasileiros, são facilmente aceitos (trens, hotéis, restaurantes, lojas, cafés). No entanto, é sempre bom ter moeda em espécie para pagar coisas mais modestas, como lanches de rua, metrô, ou albergues (os quais muitas vezes não aceitam cartão). 

Há diferenças imensas de preço entre Moscou e São Petersburgo de um lado, e o restante da Rússia de outro. (Vladivostok é um pouco meio-termo.) Naquelas duas cidades, prepare-se para preços de Europa Ocidental: refeições a 10 euros, camas de albergue a 20 euros, e quartos de hotel a 70-100 euros ou mais por noite.

As atrações em Moscou e São Petersburgo também são uma verdadeira extorsão para os padrões russos. Facilmente você se vê pagando 15-20 euros por entradas em palácios e museus. Eles aqui têm o hábito de particionar ingressos. Ex. 15 euros para visitar a área do palácio de Catarina, mas para entrar no palácio propriamente dito, é outro ingresso de mais 10 euros. E por aí vai. Venha preparado. 

No interior da Rússia (ou na periferia de Moscou e São Petersburgo, longe dos pontos turísticos), os preços despencam — você encontra a realidade dos russos. Ali você almoça por 5 euros, e toma café por ainda menos. É mais barato que o Brasil.

Passagens de trem são bem em conta, assim como transporte público nas cidades. (Mais sobre Transporte abaixo.)

Por fim, câmbio você faz facilmente. Traga dólares ou euros. Em Moscou e São Petersburgo há centenas de casas de câmbio nas ruas, e vale a pena comparar as cotações, embora elas não flutuem muuuuuito. Nas demais cidades, é melhor já ir com rublos, pois as casas de câmbio são menos comuns (e as cotações, piores), mas ainda assim é possível trocar em bancos (só que aí é preciso pegar senha e tomar um chá de cadeira até ser atendido).

Moscou-Amsterdã.

Idioma. Os russos falam russo, e em geral não gostam de ser abordados em inglês. Normalmente porque não sabem. Então, não ache que vai abordar pessoas na rua (ou em lanchonetes ou lojas) em inglês e obter respostas facilmente como na Europa ou em outros países mundo afora. Caso precise, aborde jovens, pois a chance de eles saberem algo de inglês é maior. (Se você souber francês, a língua aqui goza de melhor reputação que o inglês. Há quem saiba francês e não saiba inglês. Certa vez eu encontrei até um cidadão que sabia português e não inglês.)

O melhor — de longe! — é aprender algumas palavras básicas de russo e, sobretudo, a ler o alfabeto cirílico. Muitas palavras russas são parecidas com o português (pelas raízes gregas e latinas), mas estão escritas com letras diferentes. PECTOPAH lê-se “restoran”, por exemplo, e você logo deduz o que significa. Vale a pena investir um par de horas para memorizar os sons. 

Transporte. Transporte coletivo na Rússia é em geral bom e barato, embora às vezes modesto. Eu realmente não recomendo alugar carros, pois você se verá com os policiais russos e seu apetite por propina.

Os trens na Rússia funcionam muito bem. Podem não ser a modernidade máxima, mas há trens super confortáveis, pontuais, e que levam você milhares de quilômetros pelo país. São a melhor forma de percorrer a Rússia, de longe. 

Meu post sobre Trens na Rússia tem todos os detalhes, incluso sobre como reservar online.

Quanto a aviões, as companhias AeroFlot e S7 também servem muitos destinos dentro da Rússia e nos países vizinhos. São uma boa pedida para grandes distâncias. Caso você se encontre na Sibéria ou no Leste Distante da Rússia e queira ir embora, será sempre mais barato voar por dentro da Rússia que tentar ir pra a China ou a Mongólia e voar de lá.

Em Moscou, se você for ficar mais que um ou dois dias, vale a pena obter um troika card nos guichês do metrô, que é um cartão de transporte público. A passagem com ele sai praticamente a metade do preço do que se você comprar bilhetes individuais. 

A Catedral de São Basílio, em Moscou.

Aonde ir, e quantos dias em cada lugar? A Rússia é um país imenso — o maior do mundo —, então é claro que você precisará fazer escolhas, a menos que goze de meses para passear.

A imensa maioria dos turistas se atêm a Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades e, sem dúvida, aquelas com mais atrações. São também as mais caras, como eu disse acima, e não representam tudo que a Rússia tem. Ainda assim, precisam ser visitadas. Eu diria que São Petersburgo merece ao menos umas 4-5 noites se você lhe quiser fazer justiça, especialmente nos meses quentes do ano, quando os palácios estão abertos à visitação. Eu escrevi sobre minhas visitas a São Petersburgo no verão e também São Petersburgo no inverno, e você pode comparar.

Se em São Petersburgo as atrações estão dispersas e, por vezes, fora da cidade, em Moscou está quase tudo de mais interessante concentrado no centro, nas proximidades da Praça Vermelha e do Kremlin, por onde você navega a pé. Eu diria que 3 noites são o suficiente para visitar o principal de Moscou. Um dia inteiro lhe permite ver as várias partes do Kremlin, a Praça Vermelha, e a Catedral de São Basílio. No segundo dia você pode conhecer outros locais, como a bela Galeria Tretyakov.  

Se você quiser dedicar alguns dias a mais na região de Moscou, pode fazer o tour do chamado “Anel Dourado” (Golden Ring) de cidadezinhas históricas repletas, principalmente, de igrejas ortodoxas e mosteiros ortodoxos.

Em Kazan.

Já se a sua disposição é viajar de trem, quiçá fazer a Trans-Siberiana, e conhecer o que mais há na Rússia, não deixe por nada nesse mundo de conhecer e passar umas duas ou três noites na simpática Kazan, e tente se deter em várias cidades em vez de só ficar no trem. Neste post eu fiz uma relação das minhas paradas favoritas na Ferrovia Trans-Siberiana.

Outras cidades que visitei, e cujos relatos de viagem você pode conferir, incluem: Ekaterimburgo (2 noites), Novgorod (1 noite), Irkutsk (2 noites), Ulan Ude (3 noites), Blagoveshchensk (2 noites), Khabarovsk (2 noites), Vladivostok (2-3 noites), e é claro, a região do imenso e belíssimo Lago Baikal (3 noites). Em parênteses são sugestões de estadia mínima, mas você pode conferir os relatos para ver os detalhes e decidir o que prefere.

Uma nota sobre calefação e ar condicionado. Os russos frequentemente têm um medo horrível do inverno (o que é compreensível, em se tratando da Rússia). Isso significa que eles têm uma irritante predileção a manter os ambientes um tanto mais quentes que nós no Brasil. No inverno, tudo bem, mas no verão você pode sofrer um pouco e precisa vir preparado.

Os prédios, em geral, tem pouca ventilação, e ar condicionado é coisa relativamente rara. Não é incomum, por exemplo, que aeroportos em pleno verão estejam sem ar condicionado. Os russos ali “de boa” e você, brasileiro, sentindo falta do ar condicionado. Venha com roupas leves se vier no verão, ou vai passar calor. Eu não costumo ir de bermuda a aeroporto, mas aqui precisei abrir uma exceção pra não sofrer desnecessariamente. Nos trens, a mesma coisa. É comum que, especialmente para as longas jornadas, os russos troquem de roupa dentro do trem e fiquem de calção e chinelo. (Mais detalhes sobre viagens de trem na Rússia em Trens na Rússia: Ferrovia Trans-Siberiana, como comprar online, o que levar, e outras dicas)

Comida(s) a experimentar. A Rússia tem uma culinária simples mas de sustança. Os pratos em geral não tem nome, e a fineza gourmet de restaurantes italianos ou franceses aqui dá lugar a um bom bandejão de trabalhador de todo dia — é a cultura russa e suas raízes históricas recentes. Confira o meu post Comidas típicas na Rússia: Está preparado? para saber todos os detalhes. 

Jogos de xadrez na Rússia.

Compras. Se você é do tipo que gosta de levar uma lembrancinha dos países aonde vai, aqui na Rússia você terá opções. Embora o país não seja conhecido como paraíso dos sacoleiros, há bastantes coisas típicas. As mais conhecidas são as matroshkas e babushkas, aquelas bonecas uma dentro da outra. (Os nomes querem dizer “mamãe” e “vovó”, para quem não sabia.)

Há também uma quantidade grande de tecidos típicos (alguns feitos à mão) em padrões russos, como xales ou toalhas de mesa, além de tapeçarias. O melhor lugar pra conferir essas coisas por um preço bom em Moscou é o Ismailovsky Market (ou Ismailovsky Vernisazh, como dizem os russos), um mercadão aberto que opera nos meses quentes do ano. Se você quiser algo mais simples e barato, dá pra comprar bonequinhas até nas lojas dos corredores subterrâneos das estações de metrô. A maior roubada é comprar nas proximidades da Praça Vermelha, onde tudo é mais caro.

Já se você gosta de arte cristã bizantina, as igrejas sempre têm lojinhas com muitas imagens em estilo ortodoxo à venda.

Por fim, vale lembrar que jogar xadrez aqui é um esporte nacional. Então não são poucos os tipos e modelos e designs de tabuleiro que você encontrará. 

Lidando com os russos. Ocidentais que vêm aqui sempre têm algo a dizer dos russos. Ou tiveram uma experiência mui acolhedora, ou queixam-se de como os russos são rudes. É curioso que raramente há um meio termo.

Os russos são calorosos, mas geralmente é preciso atravessar primeiro uma crosta dura que eles criam na superfície. Eles podem ser rígidos ou ásperos como poucos. Sobretudo em posições de autoridade, não os desafie (e isso inclui o rapaz do posto de gasolina, a garçonete, ou o recepcionista do hotel. Eles adoram, em especial, disciplinar jovens ocidentais mal comportados.)

Os russos são uma gente escabriada. (Cujo significado é explicado por sua etimologia: Como cabras, que, cismadas, partem do princípio de que você não é de confiança, até que prove o contrário.) Fazem geralmente uma cara fechada, inexpressiva, e observadora — cara de jogador de pôquer. Acho que pelas longas décadas de autoritarismo soviético, com a KGB permanentemente de olho em traidores. Entre amigos, se abrem. É preciso ter compreensão com a gênese sócio-histórica desse comportamento. 

As russas em geral fazem o tipo combativas e dengosas ao mesmo tempo. Combativas no exterior, pois é assim foram cultivadas no período soviético no século XX (assista ao filme clássico de 1980 “Moscou não acredita em lágrimas”, se quiser uma ilustração). Internamente, elas frequentemente são do tipo que gostam de ser paparicadas por um homem do tipo macho alfa. Buscam sempre estar elegantes, bem vestidas, frequentemente de unhas feitas e cabelos repicados no salão ou cuidadosamente trançados. Como em qualquer lugar, há pessoas mais simpáticas que outras. Suas fotos de perfil de Whatsapp são quase que invariavelmente posers e às vezes carregadíssimas de maquiagem pesada, tipo “arrumada para o casamento da melhor amiga”.

Já os homens fazem o tipo valentão, “homem da Segunda Guerra”. Acho que eles ainda acham inspiração naqueles homens soldados do front oriental da guerra contra a Alemanha. Cigarros, garotas, bebida e muita macheza. Claro que não todos são assim (muitos russos estão longe disso), mas esse parece ainda ser o paradigma do homem russo, a imagem que os homens jovens buscam atingir. Vocês acham que é à toa que Vladimir Putin faz propaganda de si mesmo nas poses e situações mais “homem macho” possíveis? Tipo sem camisa segurando um rifle, vestido em kimono e faixa preta de judô, etc. Ele ilustra o homem russo típico da mesma forma que Donald Trump infelizmente representa o norte-americano branco mediano.

O que eles não têm, se os comparamos aos brasileiros — ou aos latinos de modo geral — é uma irreverência, uma falta de medo de fazer graça de si próprio, etc. Eles aqui são sisudos; e mesmo as pessoas simpáticas tendem a ser um tanto enrijecidas, travadas em sua pose, como que com medo de perder a elegância. Dizem o que pensam (e orgulham-se disso!), mas não se soltam. Não sem antes uma boa sessão de ice-breaking, com tempo. São também impacientes. Perdem fácil o estribilho. Ao mesmo tempo em que podem ser calorosos, são passionais sem ter o jogo de cintura dos latinos-americanos. Perdem a paciência e reclamam com facilidade.

Portanto, se você quiser se dar bem com os russos e reduzir o choque cultural, aqui vão algumas recomendações:

  • Trate as pessoas com seriedade até criar uma amizade. Não sorria para estranhos. Isso aqui na Rússia é tomado como falsidade. Eles têm ditados, com rima e tudo, dizendo que quem ri sem razão é abestalhado. Trate os estranhos com seriedade, e eles o tratarão com respeito.
  • Não se ofenda com as rudezas ocasionais dos desconhecidos. Se você lidar com aquilo (em vez de tomar ofensa e querer mandar a pessoa para a P… que pariu) e mostrar uma vontade sincera de resolver a questão, pode descobrir que dali em minutos a pessoa pode se tornar sua amiga do peito.
  • Faça como nos tempos de antigamente: muito respeito aos mais velhos, cavalheirismo, hombridade, e todas essas coisas que eram tidas como fundamentais no tempo dos nossos avós e a que as gerações de hoje no Ocidente dão pouca atenção.
  • Não os desafie em posições de autoridade — seja a funcionária do museu ou a garçonete do hotel. Aqui não é o Brasil, onde temos a cultura (herdada dos tempos de colônia) em que as pessoas em funções de serviço são vistas como vindas de uma classe inferior. Se você fizer o tipo “cliente sempre tem razão” aqui, vai tomar chumbo grosso. Seja sério, mas também cordial e cordato.
  • Aproveite o calor humano (após passada a crosta dura na superfície), que nos russos você encontra muito mais facilmente que na individualista América anglófona ou mesmo na Europa Ocidental. No fundo, os russos são muito “gente como a gente”.

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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