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Istambul na primavera (Parte 3): Ortakoy e passeio de barco no Estreito do Bósforo

Cá estamos em mais uma das adoráveis vizinhanças de Istambul. No lado europeu do Estreito do Bósforo, onde o mar separa a Europa da Ásia, está o bairro de Beşiktaş [lê-se Bê-shik-tásh], uma área que na época da Constantinopla dos Bizantinos — antes dos turcos — ficava fora da cidade, mas que hoje é um dos lugares mais cênicos e verdejantes de Istambul. Poderia-se até dizer que é a orla da cidade.

O Estreito do Bósforo, que separa Europa e Ásia, visto do lado europeu, do bairro de Beşiktaş em Istambul. É uma verdadeira orla da cidade.
A quem deseja uma referência geográfica, é ali que estamos. O Estreito do Bósforo fica entre o Mar Negro e o pequenino Mar de Mármara, que por sua vez se conecta pelos Estreitos dos Dardanelos ao Mar Egeu, ligado ao Mediterrâneo.
Mesa de café da manhã com uma vista dessas, num fresco dia de primavera em Istambul.

Aqui, a este mesmo lugar, eu havia vindo anos atrás quando tomei meu primeiro café da manhã turco ás margens do Bósforo. Uma experiência inesquecível (e ótima comida, como você pode ver no post da época). 

Agora eu fazia um reencontro com o lugar, mas tinha também planos de ir mais além. Desta vez eu iria também à vizinhança de Ortaköy, na parte norte de Beşiktaş, conhecê-la e de lá tomar um passeio de barco pelo mar. Memorável.

A Mesquita de Ortakoy, vista do mar.

Ortaköy tem uma história de cosmopolitismo. Como ficava fora da cidade, a vizinhança servia de abrigo para várias minorias, como judeus, estrangeiros, e gregos cristãos que permaneceram após a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453. Os gregos em sua grande maioria se foram após o intercâmbio de populações depois da Guerra Greco-Turca de 1919-1922, e os judeus se foram quase todos após a criação do Estado de Israel em 1948, mas a vizinhança continua a reter uma ar de lugar alternativo.

O lugar tem um ar boêmio que lembra um pouco do que era Monmartre, em Paris, e aquelas ruelas e cafés do que era a vida urbana na virada do século XIX para o XX. 

Praceta em Ortakoy.
A beira-mar da vizinhança boêmia.
Todo domingo há uma feira, que mistura souvenirs com coisas tipo de “mercado de pulgas”, com as típicas batatas recheadas daqui.
Pra quem, como eu, ficou gamado no cachorro da outra foto.
O pier de Ortakoy, com sua mesquita atrás.

E é daqui que se toma um passeio de barco pelo Estreito do Bósforo. Não é necessário reservar online nem com grande antecedência, mas vale a pena comprar os ingressos no píer assim que chegar, dar uma volta, e fazer hora até o momento da partida. (Há bastante gente, e se você for comprar em cima da hora, pode não dar tempo pela fila. O barco sai de hora em hora, e o tour dura 1h.)

Chegamos, demos uma volta, e cá estava eu pronto para zarpar após a minha batata.

E vamos nós, com a vista para o mar e a ponte entre Europa e Ásia.
O barco é grande, daqueles em que você fica sentado no lado de dentro ou de pé no lado de fora, tomando o vento enquanto as pessoas tiram selfies.
Vista para a Fortaleza de Rumeli Hisari, que eu visitei na minha vinda anterior a Istambul.
A Mesquita de Ortakoy vista desde o barco. Ela foi construída pelos sultões otomanos no século XIX.
A vista para o bairro de Karakoy, com a Torre de Gálata despontando.

E chegava a hora de me despedir uma vez mais de Istambul, para revê-la novamente um outro dia. Retornar é preciso. Garanto que há ainda mais a descobrir.

Por ora, eu seguia neste pequeno périplo de reencontros, desta vez rumo à vizinha Grécia.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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