You are here
Home > Itália > Roma para além do Vaticano, o básico: Panteão, Coliseu, e outras paragens na “Cidade Eterna”

Roma para além do Vaticano, o básico: Panteão, Coliseu, e outras paragens na “Cidade Eterna”

Lá estava eu no meu magnífico apartamento alugado em Roma, próximo ao Vaticano, preparando-me para definir o que mais eu veria aqui na Cidade Eterna. Roma tem uma infinidade de atrações datadas dos seus mais de dois milênios e meio de História, e mesmo quem mora aqui admitirá que há coisas que ainda não conhece.

São escolhas difíceis. Porém, eu diria que há um “básico” — para além do Vaticano, já retratado no post anterior — essencial aqui que você não pode deixar de ver. (As opiniões certamente vão divergir.) Acompanhem-me neste passeio.

Eu no meu italianíssimo quarto de apartamento em Roma, próximo ao Vaticano.

Na primavera, o sol de Roma dá o ar da sua graça numa temperatura fresquinha, amena, nada comparável aos tórridos verões italianos. Eu acho abril e maio os meses perfeitos para aqui estar.

Uma fatia de pizza cortada a tesoura (como eles aqui fazem), um forte café italiano, e/ou uns biscoitos ou croissant — a culinária italiana é parte essencial da sua visita a Roma, também.

Rua de Roma numa manhã primaveril.
As ruas de Roma têm mais carros do que deveria (desculpem, eu estou habituado às ciclovias de Amsterdã), mas são relativamente tranquilas de andar.

Em Roma muita coisa fica próxima uma da outra. Tomando o inevitável Vaticano como início, você pode seguir ao sul para ver a vizinhança de Trastevere ou cruzar a ponte sobre o eterno Rio Tibre (Tevere em italiano) para onde a maioria das atrações de peso estão concentradas — no que era o centro antigo de Roma. 

Você caminha 100m e se depara com vistas que o congelam. Aí você para pra absorver toda a riqueza de detalhes diante dos seus olhos.

Como aqui na Piazza Navona, uma das mais visitadas. Esta praça era um estádio aberto construído pelo imperador Domiciano no primeiro século depois de Cristo. Hoje ela é dotada de obras barrocas, como a Igreja de Santa Inês (ou Agnes, que foi martirizada aqui mesmo no estádio de Domiciano) e estas fontes.
A 200m dali, outra praça de elevado quilate histórico: a Piazza della Rotonda, onde fica o antigo Panteão romano.
A fachada clássica do Panteão de Roma. Sobre as colunas se vê o nome de Marcus Agrippa, o cônsul romano, genro de Júlio César, que sob o reino de Otávio Augusto construiu um tempo aqui nos primeiros anos depois de Cristo. Um século após, por volta de 125 d.C., o imperador Adriano então edificou este prédio atual, mas mantendo a inscrição original com o nome de M. Agrippa.
O interior do Panteão. Como o nome sugere, ele era um templo dedicado aos deuses romanos (Júpiter, Netuno, Minerva & cia). Naqueles nichos ficavam as imagens dos deuses, mas no século VII o Panteão foi convertido numa igreja a “Santa Maria e os mártires”. Hoje ele é propriedade do Estado italiano. Visita essencialíssima.
E cinco minutos mais adiante, a hiper-famosa Fontana di Trevi, onde as pessoas jogam em média um total de 3.000 euros por dia. Diz a lenda que você deve jogar uma moeda de costas, por sobre o ombro esquerdo, e fazer um pedido. Seu nome provém de estar originalmente no fim de três vias (tre vie) na cidade. Foi inaugurada em 1762.

Prepare-se, naturalmente, para grande número de turistas. As ruelas e becos onde essas atrações históricas se encontram ficam parecendo quase uma Disneylândia. Se você assistiu ao filme de Woody Allen Para Roma com Amor (2012), talvez reconheça os becos tranquilos — alguns mais, outros menos — por entre as casas em tons pastéis.

Becos por entre os prédios em tons pastéis no centro histórico de Roma.
Alguns desses bequinhos são bem charmosos.
Parada para um sorvete na Frigidarium (sorveteria que eu recomendo), pois sem sorvete não se vive.
O estado de conservação, você verá, talvez não seja perfeito, mas hoje já se tornou o habitual em Roma.
E, claro, os filmes e as fotos promocionais não mostram, mas a realidade do século XXI é que as cidades italianas estão repletas de imigrantes da África ou do Sul da Ásia (especialmente de Bangladesh) sobrevivendo de vender bolsas falsificadas e outros produtos chineses. Não os culpo; a maioria de nós, se morasse em lugares como Bangladesh, também escolheria tentar a vida num lugar onde há mais oportunidades.

E, continuando com o nosso retrato de Roma, não se pode esquecer que essa é, de acordo com as estimativas, a cidade com o maior número de igrejas em todo o mundo. São centenas, e visitar todas elas não é uma tarefa factível, mas há pelo menos algumas pelas quais você não deve passar batido.

Uma delas, talvez aqui a mais visitada após a Basílica de São Pedro, é a de Santa Maria Maggiore. Dizem que aqui há uma igreja desde o ano 432, mas a basílica que você vê hoje foi completada em 1743.

A Basilica Papale di Santa Maria Maggiore., próxima à estação central Roma Termini.
Seu esplendoroso interior, em estilo barroco neoclássico.
No teto.
O altar na Basílica de Santa Maria Maggiore.

A outra igreja que você não deve deixar de ver é a arquibasílica (título único no mundo) de San Giovanni Laterano, a catedral de Roma — e, portanto, do ponto de vista católico, a igreja mais importante da cidade, tendo precedência até mesmo sobre a Basílica de São Pedro no Vaticano. É aqui a cátedra oficial do bispo de Roma, que é o papa.

A igreja foi consagrada no ano 324, mas reformada diversas vezes, daí você encontrar hoje a edificação barroca neoclássica terminada em 1735.

Ali por detrás do obelisco egípcio fica a Basílica de São João em Laterano, cujo nome completo e oficial em latim é Archibasilica Sanctissimi Salvatoris ac Sancti Ioannis Baptistae et Ioannis Evangelistae ad Lateranum. (O nome “laterano” advém da construção romana que ficava aqui na antiguidade.)
O interior decorado da catedral de Roma, com órgãos nas laterais.
Há uma grande nave central com estátuas dos 12 apóstolos nos lados.
São João evangelista, numa de suas raras imagens.
O altar.

E tal qual uma banda que deixa para o final do show a música que todo mundo espera ouvir, eu é claro não posso deixar de incluir o Coliseu. Esse milenar anfiteatro, que diziam poder comportar até 80 mil pessoas, era o principal palco para apresentações teatrais, execuções públicas, e os clássicos combates de gladiadores na capital do império.

Seu nome original era Amphitheatrum Flavium, pois foi construído sob três imperadores de uma mesma família, da chamada dinastia flaviana: Vespasiano, Tito, e Domiciano, os quais governaram um seguido ao outro entre os anos 69 e 96 d.C. 

O “coliseu” tem esse apelido, dizem, porque havia um colosso de Nero (que ele próprio mandou construir, é claro) na vizinhança.

Essa arena continuou em uso para competições até o século VI. Mas como a Itália é uma região de frequentes terremotos, o coliseu sofreu danos consecutivos ao longo do tempo. Sua maior perda foi num terremoto em 1349, quando cedeu grande parte de sua estrutura.

O que permanece hoje à vista, contudo, quase 2.000 anos depois, não é pouco. Ele segue sendo uma das obras melhor preservadas da Roma Antiga.

Diante do coliseu em Roma, num dia de primavera.
Os turistas aglomerados no lado de fora.
É possível visitar o interior, mas francamente eu acho que a magnificência maior está mesmo na sua imagem externa.

Assim eu deixo vocês com este breve compacto do básico de Roma para além do Vaticano. Agora era hora de eu rumar a outras belas paragens da Itália.

Se você tem outros pontos favoritos a recomendar em Roma, não deixe de comentar.

(E se você pensa em vir, não deixe de antes ver também as minhas observações em Comendo na Itália: Particularidades, dicas e alertas. Evite as furadas em que a maioria dos turistas se metem e depois voltam para o Brasil dizendo que se decepcionaram com a comida na Itália.) 

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

Deixe uma resposta

Top