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Islândia: Dicas de viagem, tours, lugares para ver, e o que fazer

Como eu sempre prezo pela sinceridade, a foto de capa é uma foto sincera: feliz, porém sob nuvens. Não caia na ilusão das agências de turismo de que vai encontrar aqui plenos dias de sol e céu azul. Pode até encontrar (aproveite-os ao máximo!), mas é bom estar mentalmente preparado para a probabilidade maior, que são dias nublados e de chuvisco, seja qual for a época do ano.

Passei uma memorável semana de verão aqui na Islândia, e abaixo compartilho as minhas principais impressões e recomendações.


  • O que mais gostou. Da sensação de estar numa parte remota da Terra. Natureza bruta, primeva, diferente da maioria do planeta. 
  • Visita obrigatória. A capital Reykjavík, única cidade de porte no país. Eu sei que todos vêm à Islândia é pela natureza, mas acho que conhecer algo deste povo e de como eles são e de onde vieram é também “de lei”.
  • O que não gostou. Os preços muito altos de tudo aqui, só comparáveis a Noruega e Suíça. (Ver mais abaixo em Custos.)
  • Queria ter visto mas não viu. As partes mais remotas do país, para onde não há tours. Se possível, eu gostaria de ter feito um passeio de carro ao redor da ilha, como alguns fazem. 
  • Comida(s) & bebida(s) a experimentar. Não recomendo carne de baleia. Você verá alguns lugares aqui oferecendo como “tradicional”, mas a verdade é que só 3% do consumo é por islandeses — o grosso é para turistas, e de uma caça baleeira muito problemática. Em vez disso, há peixes e mariscos mil, além de belos pães integrais e manteiga produzidos aqui na Islândia. Há, inclusive, um tipo de peixe seco que era comida de inverno aqui tradicionalmente, e que você encontra em qualquer supermercado como lanche. Aos mais atrevidos, há ainda hákarl, que é carne de tubarão fermentada. Tem um cheiro hediondo, e não é realmente algo que os islandeses comam frequentemente, mas você pode encontrar se quiser experimentar.
  • Momento mais memorável da visita. Estar imerso nas gélidas águas de Silfra a 3ºC. Há uma coisa quase mística em que estar aqui nesta terra nórdica, em meio à natureza, numa água tão gelada por entre as rochas.
  • Alguma decepção. Não é bem uma “decepção”, mas eu não sabia que a natureza na Islândia era tão “básica”, sem árvores nem bosques. Achei que fosse encontrar florestas boreais com vida selvagem animal, mas isso praticamente não existe aqui. A Islândia é mais um paraíso para geólogos que para biólogos, se você me entende.
  • Maior surpresa. Saber que os islandeses têm o maior consumo per capita de coca-cola no mundo. Não deveria surpreender pela proximidade geográfica, mas há uma perceptível influência cultural norte-americana aqui. Grande parte dos turistas também são do Canadá e EUA. Aqui você se percebe entre os dois mundos culturais, o da Europa e o da América do Norte.
Snaefellsness, Islândia.

Principais dicas

Quando vir. Você pode vir à Islândia o ano inteiro; em termos de temperatura a coisa muda pouco, de uma média de 10ºC no verão a -5ºC no inverno. Mas a luminosidade varia muito. Por isso, a época mais popular é de maio a agosto, quando os dias são bastante longos. Em junho, o sol quase não se põe.

Visto. Brasileiros não necessitam de visto para fazer turismo na Islândia. Embora não seja parte da União Europeia, a Islândia participa to Acordo Schengen de fronteiras abertas, então na prática é como ir à Espanha ou Portugal.

Idioma. Na Islândia se fala o islandês, a língua nórdica que mais se assemelha ao que falavam os Vikings da Idade Média. No entanto, praticamente 100% da população é fluente em inglês.

WOW, empresa islandesa de baixo custo com muitos voos pela Europa.

Voos, tours & transporte. “Como chegar à Islândia?” é sempre a primeira questão. Por sorte, isso hoje em dia está muito mais barato que antigamente. A Iceland Air é uma boa empresa, mas há voos mais baratos pela WOW, uma companhia islandesa de baixo custo. Há voos diretos de muitas capitais da Europa, mas a maior variedade de opções é fazendo conexão no Reino Unido. Se você vier do Brasil, o mais fácil e barato provavelmente será via Londres.

Dentro da Islândia, ou você aluga um carro ou contrata tours para se deslocar de Reykjavík aos outros pontos de interesse. Eu diria que alugar um carro começa a valer a pena a partir de 3 pessoas, já que os preços dos tours são “por cabeça”. Nada aqui é barato, então os tours saem na faixa do equivalente a 60-110 euros por pessoa. Recomendo fazer todas essas reservas antecipadamente pela internet, especialmente se você vier no verão islandês.

As várias agências normalmente oferecem as mesmas coisas, mas às vezes há um diferencial aqui, outro ali. Vale a pena conferir os roteiros que lhe interessam. Algumas agências a ter em mente são: Reykjavik ExcursionsIceland HorizonSterna Travel, e Dive.is. Eu fiz tours com praticamente todas elas e, no geral, francamente as achei todas muito parecidas. As duas primeiras me parecem ser as maiores, com preços ligeiramente mais camaradas (em alguns casos), mas também ônibus maiores e tours com mais gente.

Na Islândia se utilizam as coroas islandesas (ISK) como moeda. Não se deixe enganar pelos números: 1 EUR equivale a 125 ISK, mas quase tudo custa milhares de coroas.

Custos & câmbio. A Islândia é um destino bastante caro. Na Europa, eu diria que só é comparável à Noruega ou à Suíça. 

Cartões de crédito são facilmente aceitos, mas às vezes nos tours há só uma opção de almoço — na casa de alguma família — e nem sempre dá pra pagar com o cartão, então é bom ter umas coroas islandesas consigo. Você pode trocá-las nos bancos pela cidade. (Não espere pagar nada com euros ou dólares.) 

Os tours diários variam entre o equivalente a 60-100 euros por pessoa. A entrada na Blue Lagoon sai por pelo menos 50 euros. Para alimentação, pense em 8 euros por um sanduíche de marisco comprado em trailer na rua, ou 20 euros por uma refeição num prato num restaurante despretensioso. O melhor esquema para economizar é comprar comida no supermercado e fazer algumas refeições “em casa”. (Mais em Acomodações abaixo.) Eu diria que, assim por cima, se você pensa em passar uma semana aqui, pense num orçamento de 1.000 euros por pessoa com tudo incluso.

Acomodações. Acomodação na Islândia é osso. Junto com o preço dos tours, é provavelmente onde irá a maior parte do seu orçamento. Uma cama de albergue custa 40-50 euros, e um quarto duplo pode ficar facilmente em torno de 100 euros por noite em Reykjavík. O AirBnB tem mais opções, mas de preços semelhantes. É a realidade daqui, não tem muito pra onde correr. Só reserve com antecedência.

Aonde ir & quanto tempo ficar? A minha recomendação é uma semana para a Islândia. Não vale a pena pagar centenas de euros em voos até aqui e ficar apenas um par de dias. Reykjavík, a capital, eu diria que merece ao menos 1 dia inteiro da sua atenção. Há vários museus interessantes, além de uma rua principal simpática, uma linda igreja e um belo centro de convenções, como eu mostrei no meu post lá.

A igreja Hallgrímskirkja, feita à imagem das colunas de basalto islandesas, em Reykjavík.

Afora a capital, se você não for alugar um carro para dar a volta na ilha, eu recomendaria ao menos 3 dias inteiros fazendo tours. O “Círculo Dourado” passa pelas atrações mais características do país (gêisers, cachoeira…). A Península de Snaefellsnes tem das paisagens mais belas. E aí um terceiro à sua escolha, como a Costa Sul, ou mergulho na fissura continental de Silfra, ou algum outro tour.

A Blue Lagoon, as termas de água azul que são talvez a atração mais famosa da Islândia, se encontra próximo ao aeroporto e é melhor feita em combinação com o seu voo de chegada ou de saída do país. Eu diria que um turno é o bastante para chegar, aproveitá-la, e ir.  


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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