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Ao alto das Montanhas do Cáucaso na Geórgia: O Monte Kazbegi, Stepantsminda, e a Igreja de Gergeti

Era um ensolarado dia de verão na Geórgia quando eu fui conhecer as Montanhas do Cáucaso. Estas montanhas, que separam a Rússia das antigas (outras) repúblicas soviéticas da Geórgia e do Azerbaijão, são o lugar que originou os termos “caucasiano” e “caucasóide”. Daqui, disseram no século XVIII, teria surgido a “raça branca”, uma balela do ponto de vista biológico, mas que não deixou de trazer atenção ao lugar. 

A quem precisar de orientação, é ali que estamos. (As áreas listradas são regiões em disputa entre a Geórgia e a Rússia, como dito no post anterior.) Toda essa fronteira é de altas montanhas que chegam a mais de 5.600m.

Hoje, estas montanhas entre o Mar Negro e o Mar Cáspio são visitadas por adoradores das paisagens, trilheiros, e amantes da natureza. Ah! Como estamos na Geórgia, um país eminentemente cristão, é claro que há também mosteiros antigos e pequenas igrejas seculares aqui e ali entre as montanhas. Mais pra o charme do lugar.

São montanhas que chegam a mais de 5.600m de altitude em relação ao nível do mar — mais altas que os Alpes ou que qualquer outra cordilheira na Europa. 

Montanhas do Cáucaso, na Geórgia.

Há uma quantidade grande de passeios possíveis a partir de Tbilisi, e não faltam agências oferecendo-os. Se você gostaria de conhecer o máximo possível do Cáucaso, prepare-se para vir e passar uma semana ou mais por aqui. No entanto, se seu tempo for mais curto — ou você estiver interessado em já conhecer direto as jóias mais badaladas da coroa —, o passeio obrigatório é este à região de Kazbegi, onde fica a cidadezinha de Stepantsminda, circundada de montanhas. Ali no alto fica a pitoresca Igreja de Gergeti, então você verá este passeio sendo vendido sob nomes diferentes.

É possível vir e pernoitar em Stepantsminda, mas não é necessário — a menos que você queira fazer todas as caminhadas possíveis. Eu optei por um passeio que nos trazia de van à pequena Stepantsminda, cá no norte do país, parando em vistas e sítios históricos no caminho, e que aqui em Kazbegi nos passava a uns veículos locais com tração 4 rodas para subir a estrada de terra na montanha e nos deixar já diretamente no topo. Há esta opção, caso você não queira (ou não tenha pernas) para subir a pé. (Perceba que, quase sempre, o preço desse trecho é pago diretamente aos motoristas locais, à parte, e não vem incluso no preço do pacote do tour. Em dúvida, pergunte.)

Este tour eu fiz com a agência Spirit of Georgia, mas na mesma rua (Kote Afkhazi) há várias outras que oferecem roteiros e preços parecidos. Recomendo visitar pelo menos umas três e comparar. Algumas buscam você no hotel, outras não. Vá com o que o agradar mais.

O metrô de Tbilisi, naquela manhã. Optei por ir eu mesmo à agência, e evitar passar 1h rodando pela cidade para buscar pessoas.
Meu quitute de café da manhã foi essa massa com recheio de feijão, aqui conhecido como lobiani. Eles aqui na Geórgia têm uma diversidade imensa dessas coisas de padaria.

Cheguei à agência, ocupei meu lugar na van, e tomamos a estrada rumo ao norte. A nossa primeira parada era o pitoresco Lago Jinvali, que é na verdade um reservatório de água feito pelos georgianos, mas você nunca saberia se não lhe dissessem. É uma linda vista para águas verdes por entre as colinas do relevo.

O pitoresco Lago Jinvali, próximo a Tbilisi.
Sendo esta uma parada garantida de turistas, há — é claro — os vendedores. Aqui você verá mel, doces da região, e alguns souvenirs em oferta.
Vendedora de mel e uma turista. Aqui na Geórgia, sobretudo no interior, é comum que as mulheres usem um lenço na cabeça. Não se trata de religião, é hábito cultural, que você encontrará daqui até a Ásia Central.
A selfie com o lago.

Daqui nós iríamos só um pouco mais adiante, mantendo-nos ainda à margem do lago, até a Fortaleza de Ananuri, que era uma morada de senhor feudal do século XIII. Como de costume na época, era uma morada fortificada e com a sua própria igreja ao lado.

As muralhas da Fortaleza de Ananuri, hoje em meio às plantas.
Você pode subir e circular pela fortificação.
As capelas na fortificação.
Vista para o Lago Jinvali.

Como estamos na religiosa e mui tradicional Geórgia, as capelas continuam em funcionamento. São belas!

Entrada para uma das capelas. (Sim, a influência persa e centro-asiática é visível. Essa arcada larga é a mesma que você encontra pelo Irã, Uzbequistão e outros países da região.)
Interior.
Nas igrejas ortodoxas, o altar fica escondido por detrás de uma iconostasis, um painel de figuras sacras com uma porta que só é aberta, pelo sacerdote, na hora da celebração. A missa é rezada de frente para o altar (portanto de costas para as pessoas), como era também na Igreja Católica até algumas décadas atrás. Não há bancos; as pessoas acompanham a celebração de pé.
Altar a São Jorge, com incensário e vela.
Cidadão sentado diante de um mural com escritos seculares no idioma georgiano e seu alfabeto. (Não me perguntem o que está escrito.)

Apenas mais uma parada nos separava de Stepantsminda agora. Conforme subíamos rumo ao norte, a elevação aumentava. Detivemos-nos num mirante de onde era possível ver também alguns visitantes voando de asa-delta. (Há barraquinhas de frutas mil, mas todas a preços de turista muito salgados.)

Corredeira.
Estamos nas elevações do Cáucaso.
As barraquinhas estratégicas vendendo frutas a preço de ouro aos turistas.

Chegando à cidadezinha de Stepantsminda (que não tem quase nada além de uma rua com alguns restaurantes e poucas casas), o guia nos indicou que seria mais prudente deixar o almoço pra quando retornássemos da subida nos veículos de tração quatro rodas. Eu recomendo.

O trajeto acima pelas estreitas estradas de chão tem seus sacolejos, mas é de vistas encantadoras. Aqui, você finalmente encontra aquela sensação de estar rodeado pelas montanhas.

E vamos nós! São 20-30 min de estrada de terra. Se você optar por fazer a trilha de pedestres, a caminhada leva cerca de 90 minutos.
Vilarejo lá embaixo.
Lá no alto, a capela de pedra de Gergeti.

Esta capela, aqui a 2.170m de altitude, data do século XIV. Seu nome popular vem do vilarejo de Gergeti, aqui próximo, mas oficialmente ela é uma Igreja à Santíssima Trindade. O lugar é simples — não permite fotos no interior —, mas muito pitoresco pela localização inusitada.

Se você é friorento, recomendo trazer uma jaqueta para lidar com o vento aqui, mesmo no verão.

A Igreja de Gergeti, no alto da montanha.
A entrada. Esta igreja data do século XIV. Não é permitido fotografar no interior, mas seu estilo vai na linha das outras igrejas georgianas que mostrei neste e no post anterior.
A Igreja de Gergeti, vista em meio à paisagem montanhosa do Cáucaso.
A paisagem montanhosa compõe esse cenário idílico que faz parte do ambiente e da identidade nacional da Geórgia, com suas montanhas e seu interior ainda muito rupestre.
As magníficas Montanhas do Cáucaso, aqui no norte da Geórgia. (Parece cenário de O Senhor dos Anéis.)
Nunca diga “desta água não beberei”.

Visto o lugar e apreciadas as vistas, era a hora de descer para almoçar. O almoço aqui acabou sendo bom; a comida georgiana não me desapontou. Melhor do que costuma ser o caso na Rússia e nos demais países da Europa do Leste, aqui houve opções vegetarianas de respeito. Comi uns cogumelos refogados com queijo, e uma sopa de feijão bem temperada, do tipo que não estou habituado a encontrar fora do Brasil. Os georgianos a chamam de lobio. O gosto, com cebola e tempero verde, acaba parecido ao que estamos acostumados no Brasil.  

Embora aqui na Geórgia não haja tradição alguma de vegetarianismo, há pratos vegetarianos de respeito. Alguns cogumelos deliciosos com queijo por cima.
Lobio, o prato de feijão temperado dos georgianos. Saboroso!

Após o almoço tardio, ali na rua principal de Stepantsminda, fiquei a conversar com um sudanês que veio conosco no passeio. Morava em Dubai, e falava-me que o Sudão é muito menos perigoso e mais interessante ao turista que parece. Que, na realidade, tinha mais pirâmides que o Egito (é verdade) mas isso é pouco conhecido. (Justo a quem ele foi fazer esse tipo de encorajamento…). Ok, meu irmão, um dia eu vou lá.

Por ora, era preciso primeiro terminar meu périplo pela Geórgia. Meu destino agora era Kutaisi, no oeste, para encerrar minha estadia no país. 

As nuvens se fechado no que era já um meio de tarde em Stepantsminda. A vila, caso você tenha ficado curioso, tem esse nome em homenagem a Santo Estêvão (Stepan).
Hora de partir.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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