You are here
Home > Armênia > Armênia & Geórgia: Qual visitar, lugares aonde ir, e dicas de viagem

Armênia & Geórgia: Qual visitar, lugares aonde ir, e dicas de viagem

Geórgia e Armênia são países tradicionalíssimos nas montanhosas paisagens do Cáucaso, um dos cantos menos visitados e mais bonitos da Europa. É um recanto que está finalmente caindo nas graças do turismo, e que merece a sua atenção. Eu passei pouco mais de uma semana entre as duas, e compartilho aqui a minha experiência.

Qual a mais interessante? De preferência visite ambas, pois elas têm muito em comum mas não são idênticas. Geórgia e Armênia ficam pertinho uma da outra, nenhuma requer visto, e viajar de uma a outra é muito fácil.

Porém, para guiá-los, aqui vai um breve comparativo do que esperar, do que mais gostei em cada, e dicas práticas a quem pretende conhecer esta parte da Europa. A ideia não é determinar “quem ganha”, mas destacar as diferenças pra que ao fim deste post você as entenda melhor. 


  • O que mais gostou.  Na Armênia, a elegância do centro de Erevan e a autenticidade das igrejas de pedra nos mosteiros país afora. Na Geórgia, o ambiente dolce vita e multicultural das áreas históricas de Tbilisi. E, é claro, as vistas para as Montanhas do Cáucaso.
  • Visita obrigatória. As respectivas capitais, Erevan na Armênia e Tbilisi na Geórgia. 
  • O que não gostou. Da esculhambação. Ambas são muito parecidas nesse quesito. As pessoas parecem incapazes de formar fila até na imigração; os aeroportos viram uma zona; os ônibus raramente têm hora certa de sair, etc. A desordem é pior que no Brasil.
  • Queria ter visto mas não viu. Mestia e outras áreas de montanha na Geórgia. 
  • Comida(s) a experimentar. Embora ambas tenham uma cozinha tradicional farta, a Geórgia neste quesito talvez ofereça mais que a Armênia. Não deixe de conhecer os georgianos lobiolobiani, e khachapuri. (Ir à Geórgia e não comer khachapuri é o mesmo que ir a Nápoles e não comer pizza.) Ambas se vangloriam do vinho que produzem. Na Armênia, não deixe de procurar por licor de damascos — vale a pena.
  • Momento mais memorável da visita. Um em cada país: (1) Estar de perto, diante das rochosas Montanhas do Cáucaso em Stepantsminda, na Geórgia; e (2) visitar o milenar Mosteiro de Geghard com suas capelas de pedra e ares de cristianismo primitivo, na Armênia.
  • Alguma decepção. Os preços de turista para alimentação em Tbilisi. As coisas na Geórgia são baratas, mas a crescente presença de turistas tem feito muitos restaurantes e bares em zonas turísticas quererem cobrar preços de Europa Ocidental. (Detalhes mais abaixo.)
  • Maiores surpresas. O cosmopolitismo de turistas em Tbilisi, e a elegância de Erevan. Confesso que não esperava tanto quanto encontrei. 

Veredito: O que esperar de cada uma? A Geórgia é mais diversa e versátil, enquanto que a Armênia é bastante focada em História, Cristianismo, igrejas antigas, e mosteiros. Vá se essa for a sua praia. Erevan é sem dúvida a cidade mais elegante, e a melhor em termos de lojas e compras. A Armênia também é mais barata (nível Sudeste Asiático, enquanto que a Geórgia é barata nível Polônia/Rep.Checa/Hungria). Por outro lado, a Geórgia me parece ter paisagens mais fascinantes, trilhas para quem gosta, espaços mais vintage nas áreas históricas de Tbilisi, e uma gastronomia mais rica.

Quer mais informações? Os detalhes vão abaixo.


PRINCIPAIS DICAS

Vistos. Brasileiros e portugueses não necessitam de visto nem para a Armênia nem para a Geórgia. Tampouco é necessário pagar qualquer coisa ao entrar ou ao sair. Facílimo. 

Quando ir? A região do Cáucaso tem estações muito bem definidas. Os invernos (dez-mar) são frios de doer o osso, e parte dos lugares não têm calefação. Os verões (jun-set) são bem quentes, com 35-40ºC durante o dia. Foi quando eu vim. Os dias são quentes como nos verões brasileiros, mas é também quando há mais movimento nas ruas, dias bonitos, longos, e de sol. Já se você quer evitar os extremos de temperatura, o ideal é abril/maio (primavera) ou setembro/outubro (outono).

Na Armênia a moeda é o dram (AMD). Um euro costuma equivaler a cerca de 550 drams.

Dinheiro & Câmbio. Como países muito tradicionais, quase tudo aqui se compra apenas em dinheiro. Portanto, deixe o cartão de lado e prepare-se para encher os bolsos de notas. Saque das moedas locais nos caixas automáticos ou venha com euros ou dólares americanos para trocar.

Casas de câmbio são fáceis de encontrar, sobretudo em Tbilisi. Ali elas abundam devido ao intenso turismo, mas evite trocar dinheiro perto das estações de trem ou de ônibus. As melhores cotações que encontrei foram na Av. Davit Aghmashenebeli.

Este é o lari (também conhecido pela abreviação GEL, de Georgian Lari), a moeda georgiana. Um euro fica em torno de 3 lari.

Nas casas de câmbio mais informais, que não tem os valores num mostrador, ou ainda se você quiser trocar moedas da Geórgia pelas da Armênia ou vice-versa, não tenha vergonha de pechinchar. Às vezes eles fabricam a cotação de cabeça, e quando me deram cotações ruins eu consegui negociar uma cotação melhor.

(Evite ao máximo levar desses dinheiros pra casa, pois mesmo na Europa você terá dificuldade em convertê-los por outra moeda de mais valia. Gaste tudo.)

 

Acomodação. Opções de todos os preços abundam aqui. Em poucos lugares do mundo eu vi tamanha disponibilidade de albergues e Bed & Breakfasts, e tão baratos. Muitos são organizados por famílias. Parece que, com a ascensão do turismo nas fracas economias da Armênia e da Geórgia, todo mundo resolveu que ofertar acomodação é um bom negócio.

Os preços começam em 3-4 euros/noite e vão até o luxo. Fiquei num desses super baratos e eles são ultra-básicos — quase uma cama num canteiro de obras. Pode valer a pena pagar um pouquinho mais (o que ainda será barato) e se hospedar melhor. Sobretudo, recomendo as acomodações com café da manhã incluso, especialmente nas pousadas de família, pois os georgianos e armênios tendem a ser quituteiros de mão cheia. Costuma valer a pena. 

Localização também é um critério importante. Em Erevan, faça questão de ficar no centro, no anel de contorno ou dentro dele. Em Tbilisi, eu fiquei na Av. Davit Aghmashenebeli, o que não é mau, mas acho que acomodar-se no centro histórico na margem ocidental do rio é mais interessante.

Comidas típicas na Geórgia. Um khachapuri em destaque.

Alimentação. Na Geórgia e na Armênia você come muito bem sem gastar muito. Contudo, é preciso ser criterioso.

Os armênios têm boa culinária, mas o turismo é pouco e na rua eles próprios têm hábito de comer bobagem, então o que você mais vê é fast food. São poucos os restaurantes armênios de comida típica, mas recomendo enfaticamente que você faça uma refeição num dos restaurantes Tavern em Erevan (há três). Ele às vezes está lotado na hora do jantar e as reservas são feitas com dias ou semanas de antecedência, mas se você for “fora de hora”, como num almoço de meio de tarde, você encontra lugar sem dificuldade. Por 10 euros você come um banquete. Fast food, tipo kebab, sai por 1,5 euro.

Na Geórgia é mais fácil encontrar comidas típicas, mas evitem os restaurantes em áreas muito turísticas. Eu achei os preços na Av. Davit Aghmashenebeli um pouco forçados. Fora das ruas obviamente turísticas, onde as pessoas ficam com cardápio na mão chamando você, é possível comer tão bem quanto (ou melhor) e mais barato. Por 10 euros você faz uma refeição normal nas áreas turísticas. Fora delas, por esse valor você se empanturra. Se quiser economizar, quitutes nas padarias saem por menos de 1 euro.

Transporte. Transporte é das coisas mais baratas nesta região. Nas capitais há metrôs do tempo dos soviéticos, mas que funcionam bem, sobretudo em Tbilisi. Lá você obtém um cartão magnético onde põe crédito e que também pode utilizar no bondinho da Praça da Europa para a Fortaleza de Narikala. Em Erevan o metrô é menos útil e a coisa é mais antiga, na base da ficha, mas custa a pechincha de menos de 1 euro.

Os terminais de ônibus na Armênia e na Geórgia costumam não passar de estacionamentos onde vans particulares gritam por clientes.

Entre uma cidade e outra, há trens, ônibus e vans (marshrutkas) particulares. Estas últimas são as mais práticas na maioria dos casos. Os trens aqui são lentos, velhos, e saem apenas em horários muito limitados. As vans, muito mais práticas, fazem o percurso entre as duas capitais em 5-6h, quase sempre partindo de manhã e chegando de tarde. Não é necessário fazer nenhuma reserva antes; basta chegar.

Dentro da Armênia e dentro da Geórgia a coisa funciona na mesma base, mas pra viajar entre um país e outro, vai ser sempre mais fácil se você o fizer entre as capitais.

Já ônibus, os únicos recomendáveis são os da empresa Georgian Bus, que operam de quase qualquer lugar na Geórgia até o Aeroporto de Kutaisi, que como eu disse no post de lá, é o principal aeroporto de baixo custo do país. Clicando no nome você chega ao site oficial da empresa e descobre as rotas. É possível comprar online com cartão de crédito estrangeiro sem problemas; eu mesmo o fiz; e eles até buscam você em alguns endereços. Ou seja, se você estiver em Tbilisi e tiver voo de Kutaisi, pode ir da capital direto àquele aeroporto.

Se você estiver interessado em buscar voos para Kutaisi, os mais baratos costumam ser da WizzAir, e funcionam bem.

Aonde ir? Quanto tempo em cada lugar? Ir por conta ou em algum tour? O que achei de mais interessante em ambos os países foram as capitais, e é nelas que recomendo passar a maior parte do seu tempo. Na Armênia, o mais fácil é hospedar-se em Erevan e visitar o resto do país em tours bate-e-volta. Na Praça da República há vários vendedores ofertando, o que valerá a pena se você tiver seu pequeno grupo e desejar apenas um motorista com veículo. Já se você preferir usar uma agência comercial e se juntar a um grupo, a principal é a Hyur. Esta opção pode sair mais em conta se você estiver viajando sozinho(a).

Eu diria que 3 noites são o suficiente para Erevan propriamente dita, incluso aí tempo para visitar o Museu do Genocídio, o tesouro de manuscritos medievais Matenadaran, etc. Porém, é preciso 1 dia extra para ir às várias atrações imperdíveis nos arredores da cidade  (Templo de Garni, Mosteiro de Geghard, Catedral de Etchmiadzin), e eu recomendo que faça pelo menos um tour bate-e-volta mais longo. Eu optei por ir ao Mosteiro de Tatev no sul da Armênia e não me arrependi, embora sejam várias horas de estrada. (Não recomendo fazer muitos tours a menos que você seja fissurado em igrejas, pois os mosteiros armênios são parecidos e a coisa começa a se repetir, mas acho que fazer pelo menos um é essencial.)

Paisagem em Stepantsminda, norte da Geórgia.

Na Geórgia, acho que com 3 noites você visita Tbilisi confortavelmente. Agregue 1 noite extra se você quiser fazer um bate-e-volta até Stepantsminda, o que eu recomendo. O que tomará realmente o seu tempo é se você desejar fazer tours de caminhada na natureza — estes são quase todos bem afastados, e requerem na maioria das vezes um dia pra ir, outro(s) pra ver o lugar, e no mínimo um terceiro pra voltar. Em Tbilisi há várias agências com opções, sobretudo na Rua Kote Afkhazi. Compare preços.

Kutaisi, hub de voos baratos no país, é uma cidade modesta. A maioria dos que vêm aqui estão de breve passagem. Eu só recomendo se você tiver tempo extra para explorar as atrações naturais e mosteiros nos arredores, ou se estiver indo a Mestia. Caso contrário, o Georgian Bus pode levá-lo diretamente entre o aeroporto de Kutaisi e outras partes no país. Quanto a Batumi, na costa, não cheguei a ver mas não ouvi nada positivo a respeito. Me parece um balneário de mar frio com alguns cassinos na orla.

No total, estamos portanto falando de em média uns 10 dias aqui na região. Claro, você pode fazer escolhas se estiver interessado apenas em um dos país. Pode apressar o passo se tiver menos tempo, ou esticar o tempo sobretudo se quiser fazer trilhas nas montanhas na Geórgia.


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

Deixe uma resposta

Top