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Nepal além das trilhas: Lugares, dicas, e o que fazer

A maioria dos turistas ocidentais pensa o Nepal apenas em termos de montanhas e trilhas, mas o Nepal é muito mais que isso. Ainda que você não queira embrenhar-se nas lindas paisagens dos Himalaias por falta de tempo (pois as menores trilhas duram 5-7 dias no mínimo), físico ou interesse, há muito que justifique uma viagem aqui.

A minha estadia foi curta, de menos de uma semana, mas pude presenciar bastante da cultura, da História, e do ambiente do lugar. Abaixo as minhas considerações gerais, e em seguida várias dicas.

  • O que mais gostou. Da riqueza estética, cultural, e religiosa hindu, comparável e até mais impressionante que muito do que você encontra na própria Índia
  • Visita obrigatória. Uma cerimônia aarti às 18:30 no templo hindu Pashupatinath em Katmandu. Lá você verá os rituais de cremação dos mortos acompanhados de uma festiva celebração diária com os fiéis, com fogo e incenso ao anoitecer. É a quintessência da cultura local.
  • O que não gostou. Cobrança para turistas acessarem certos espaços públicos (as Durbar Squares). Imagina se Veneza ou Amsterdã começasse a cobrar ingresso para você circular nos seus centros históricos? Afora isso, como de costume aqui no Sul da Ásia, os homens frequentemente são uns conversadores enrolões. Quase sempre que puxam conversa é com algum intere$$e, como na na Índia.
  • Queria ter visto mas não viu. Lumbini, a cidade de nascimento do Buda; Pokhara, a segunda cidade do país; e, é claro, as montanhas mais de perto. Não ache que o Nepal todo está envolto em picos. Katmandu, a capital, está a meros 1.400m de altitude. Só o norte do Nepal é que é recheado de picos, e pra chegar lá leva tempo.
  • Comida(s) & bebida(s) a experimentar. Momos e dal bhat. Dal bhat é o “feijão com arroz” de todo dia aqui no Nepal, só que em vez de feijão são lentilhas. É básico e saboroso. Ótima opção vegetariana. Já os momos são bolinhos (dumplings) de massa com recheio vegetariano, de frango, ou de búfalo (que eles aqui apelidam de “buff”). Os hindus não comem carne de boi, mas de búfalo, sim. Os momos são em geral servidos com um molho picante.
  • Momento mais memorável da visita. Quando cheguei ao templo de Changu Narayan, o mais antigo do Nepal, e me dei conta da riqueza cultural e de detalhes gravados ali. Mesmo na Índia é difícil encontrar atrações hindus tão bonitas.
  • Alguma decepção. Que as montanhas sejam tão longe e difíceis de ver. Claramente isso foi ignorância geográfica minha, mas que fique avisado: o Nepal não está todo nas montanhas. Tudo tem elevações e vales, mas montanhas mesmo, só na fronteira norte, com a China.
  • Maior surpresa. Que alguns dos mais belos marcos históricos e templos hindus desta região estejam aqui no Nepal e não na Índia. Como o norte da Índia foi governado por muçulmanos desde os idos de 1200, quase todos os marcos lá em Delhi, o Taj Mahal em Agra, e muitas das belezas no Rajastão são islâmicas. Já aqui no Nepal você encontra os templos hindus medievais que na Índia foram destruídos.

Principais dicas

Quando vir. A melhor época para visitar o Nepal é entre outubro e novembro. Há estações bem marcadas aqui. Como no restante do Sul da Ásia, elas consistem em: verão tórrido de março a maio; chuvas fortes e frequentes de junho a setembro (período das monções); um breve outono seco entre outubro e novembro; e inverno seco e frio de dezembro a fevereiro. O Nepal esfria, sobretudo nas partes mais elevadas, e os lugares não têm calefação. 

A umidade das chuvas afeta também a visibilidade, então para ter aqueles panoramas claros e céu limpo, recomendo da metade de outubro em diante. Eu vim no começo de outubro e, embora não tenha chovido em nenhum dia, ainda havia neblina e muitas nuvens no horizonte. Não era possível ver as montanhas dos mirantes. (Desnecessário dizer que essa época, por conseguinte, é a alta estação e os voos ficam mais caros. Reserve com uns 6 meses de antecedência se puder.)

Visto. Brasileiros e portugueses podem pagar pelo visto na chegada ao aeroporto de Katmandu sem problemas. Eu falo em detalhes sobre o visto para o Nepal neste post aqui

Rúpias nepalesas. Prepare-se para ficar com o bolso cheio de notas. Curiosamente, não vi moedas no Nepal: até as menores denominações são em cédulas de papel.

Moeda & câmbio. A Nepal utiliza as rúpias nepalesas (Nepalese rupees, NPR) como moeda. Um dólar sai a aproximadamente 115 NPR. (Verifique a cotação atualizada quando for viajar.) Dólares, euros e libras esterlinas são trocadas com facilidade tanto no aeroporto quanto em Katmandu e Pokhara. Se for ao interiorzão, melhor já ir munido.

Não troque muito dinheiro no aeroporto, mas também não se assombre. Se precisar, troque, pois a diferença entre as cotações de lá e as das casas de câmbio na cidade não é tamanha. Quando eu vim, cobraram-me 1 USD = 113 NPR no aeroporto, e na cidade você encontra por 114 NPR. (Atente que no aeroporto eles exibem uma cotação melhor, mas lá — ao contrário da cidade — eles cobram 2% de comissão, o que diminui o custo-benefício, mas vale para ter um trocado em mãos na moeda local.)

Via de regra, euros e dólares são igualmente cambiáveis e têm cotações dignas nas muitas casas de câmbio (estão por toda parte no bairro de Thamel). Porém, hotéis, agências de viagem, e a própria imigração cobram preços fixados em dólar. Isso significa que pagar direto na moeda americana é mais vantagem. 

Custos & Acomodação. A qualidade da sua acomodação será a maior variável na hora de calcular os custos da sua viagem. O distrito de Thamel, em Katmandu, é de longe o melhor lugar da cidade onde se hospedar. Algumas pessoas ficam em Boudha, mas este é um distrito pequeno, e que achei melhor como lugar de visita que de hospedagem. Thamel, por outro lado, tem tudo que você precisa: casas de câmbio, hotéis & albergues, muitos restaurantes, lojas de produtos típicos, etc.

Albergues cobram em média USD 8-12/noite, e quartos privados com banheiro podem sair por 20-30 USD/noite. Vale a pena, se você quiser mais conforto. Via de regra os lugares não têm nem calefação, mas nos melhores hotéis você encontra ar condicionado. Elevadores, por outro lado, são raridade. Katmandu é constituída sobretudo de prédios de cinco andares somente com escadas. Venha preparado para o exercício.

Um típico prato nepalês de almoço, com arroz, legumes temperados (e às vezes algo apimentados), lentilhas no caldo, e um potinho de iogurte natural levemente adocicado.

A alimentação é bem barata. Uma refeição normal nepalesa, de dal bhat (arroz com lentilhas) e legumes sai por 200-250 NPR (dois dólares). Às vezes 300-350 NPR se você quiser frango. E os legumes, lentilhas e arroz são “free refill”, ou seja, você pode repetir até estar satisfeito — é da cultura nepalesa. Restaurantes turísticos mais arrumados são, naturalmente, mais caros (o que nem sempre compensa, para lhes ser franco).

(Você notará que os nepaleses diferenciam a comida indiana da sua. Há quem se empolgue. Eu, todavia, digo-lhes com franqueza que não achei a comida indiana daqui essa Brastemp toda. É o mesmo que ir comer comida mineira na Bahia ou comida baiana em Minas Gerais. Morei na Índia e frequento restaurantes indianos há uma década: se você quer comida indiana, encontrará melhor em Londres, Nova York ou Paris que aqui no Nepal. Melhor focar-se na comida nepalesa.)

Dois outros elementos-chave para o seu orçamento serão as entradas nas atrações turísticas e os passeios organizados com agência. Não subestime os ingressos: são 1000 NPR para entrar na praça palaciana (Durbar Square) de Katmandu, 1000 na de Patan, e 1500 na de Bhaktapur. Só aí já temos uns 35 dólares. Os demais templos também quase todos cobram, inclusos aí o Pashupatinath em Katmandu, o templo dourado em Patan, e o Changu Narayan.

Quanto aos passeios com as agências, pesquise, compare, e pechinche. Os nepaleses, como os indianos, fazem tudo na base da barganha. Como o transporte coletivo em Katmandu é quase inexistente, e tomado pelos turistas mais por curiosidade que por utilidade, não conte muito com ele. O preço é um nada, mas vai custar tempo. Então muita gente opta por acertar passeios com motoristas e às vezes guias. Negocie direitinho o itinerário e o preço. (Mais detalhes disso em “Aonde ir”, mais abaixo.)  

Transporte. Voos domésticos no Nepal são úteis, sobretudo para ir de Katmandu a Pokhara, mas reserve-os com antecedência pois eles esgotam. 

Não subestime a ineficiência do transporte terrestre no Nepal. O que às vezes parece perto no mapa e na quilometragem pode levar horas devido à péssima qualidade das estradas. A ida de ônibus de Katmandu a Pokhara leva em média 10 horas — para cobrir 210Km de distância. Quando eu estava em Katmandu, meu motorista se ria porque uns turistas no dia anterior levaram 17 horas devido ao tráfego. Portanto, se for, vá com espírito de aventura. (E ainda assim, cuidado com as viagens noturnas, porque os acidentes não são raros.) 

Já dentro de Katmandu, táxis são úteis. Ao contrário da Índia, você não vê tuk-tuks por aqui. Corridas de táxi dentro da cidade saem em média por 500 NPR. Não se deixe abusar pelos taxistas, que podem querer lhe cobrar o dobro. À noite, há um adicional noturno de +100-200 NPR. Tudo é negociado; não caia na besteira de confiar em taxímetro aqui. Acerte o preço antes de concordar com a corrida e de entrar no carro.

Internet & Wi-Fi. Atualmente, quase qualquer bodega em Katmandu tem wi-fi. Não sei dizer a respeito do interiorzão e lugares de trilhas, mas na capital qualquer hotel e quase todos os restaurantes no bairro de Thamel têm wi-fi que funciona. A velocidade pode não ser imensa mas é digna. 

Idioma, segurança & trato com as pessoas. Os nepaleses falam nepalês, uma língua semelhante ao hindi indiano e que utiliza o mesmo alfabeto. Porém, quase todo mundo nas cidades fala algo de inglês.

Embora o país seja bem pobre e de aspecto carente, sua insegurança nem de longe se compara à das cidades latino-americanas. Eu andei aqui sem a menor das preocupações, mesmo nas ruas mais periféricas. Se fosse mulher, eu teria tido mais atenção, mas via de regra o consenso é que o Nepal é mais seguro que a Índia. De modo geral, pode andar com tranquilidade. Só não abandone os seus pertences de valor onde possam ocorrer furtos. Eles aqui não são dados a violência como os latinos, mas podem ser ladinos.

O maior risco não é de assalto, é de você ser enrolado. A forma daqui de separá-lo do seu dinheiro não é na coerção, é na lábia. A conversa deles quase sempre tem por objetivo obter alguma coisa de você. Não é aquela prosa espontânea de nós latinos, que gostamos da socialização pela socialização. Aqui eles ficam com aquela conversa fiada, sorridente, de “Namastê! Bem vindo ao Nepal, sir! Primeira vez? Oh!”, e 5-10 minutos depois — se demorar isso tudo — ele virá com alguma proposta: de que você o acompanhe a tal lugar, que venha conferir a loja de um suposto parente, etc. É irritante pra quem não gosta de se sentir manipulado. Olho vivo.

Como na Índia, eles também esperam gorjeta pra quase tudo. Se for bobagem que não justifique e você não quiser dar, não tem obrigação. Nos restaurantes, se o serviço não vier à parte, 10% é um valor habitual. Taxistas não cobram gorjeta, mas guias e motoristas de passeios esperarão gorjeta sua — e se o serviço tiver sido bom, é meio palha não dar, eles ficarão ofendidos. Pelo que sondei, se tiver sido um dia inteiro bem passado, 1000 rúpias ao guia e umas 300 ao motorista são o apreciável aqui. Eles, via de regra, recebem muito pouco.

Aonde ir & Quanto tempo ficar? 

O Nepal tem três áreas turísticas principais: O Vale de Katmandu; Pokhara e a região de Annapurna; e Lumbini. Esta última é um sítio de turismo quase sempre religioso, por ser a cidade onde o Buda nasceu. Não há muito o que fazer lá, e requer um voo doméstico a menos que você encare 15h ou mais de ônibus desde Katmandu. Cogitei ir, mas o custo-benefício não me empolgou.

Já Pokhara e a região de Annapurna são destino sobretudo para quem busca trilhas e montanhas. O circuito dos picos de Annapurna é talvez o mais popular entre os trilheiros que vêm ao Nepal — mas ele requer no mínimo uma semana. É o mesmo tempo que leva a trilha de Katmandu ao campo-base do Everest (Everest basecamp). Não vou entrar em maiores detalhes porque são roteiros que eu não fiz. Só saibam que só são viáveis se você vier com tempo. A menor das trilhas saindo de Pokhara — e a mais recomendada para quem não dispõe de muito tempo — é a Ghorepani poon hill trek, que dura 5 dias. 

A boa notícia é que a parte histórica e cultural se encontra quase toda na própria capital Katmandu e nos seus arredores, neste que é o chamado Vale de Katmandu e que também inclui as cidades históricas de Bhaktapur e Patan. Tudo é pertinho. Eu recomendo um mínimo de 4 noites em Katmandu. Há bastante o que ver na cidade, como o Mosteiro Kopan e a estupa de Boudhanath no distrito tibetano; o templo dos macacos com vistas para a cidade; a praça palaciana (Durbar Square); e o templo hindu shivaíta Pashupatinath, onde há cremações ao longo do dia e às 18:30 todos os dias uma cerimônia festiva conhecida como aarti, com incensos e fogo.

Detalhes no templo de Changu Narayan, do século XIII.

Bhaktapur, Patan e Changu Narayan (este o templo mais antigo do Nepal, do século XIII) fazem um bom passeio de um dia com motorista e guia. Eu acho o guia recomendável, para explicar-lhe os detalhes históricos, culturais e religiosos dos lugares. Um preço razoável é de USD 50 pelo carro (não por pessoa). Se você for empolgado para o lado de hinduísmo, pode também incluir Sanga, onde há a maior estátua de Shiva do mundo, da foto de abertura deste post.

E se você toparia uma trilha curta, que não tomasse todos aqueles dias? Dá pra fazer, mas não lá nas altas montanhas. Os percursos de Nakarkot a Dhulikel ou de Nagarkot a Changu Narayan são os mais populares saindo de Katmandu. São umas 5-6h de caminhada relativamente fácil. Eu recomendo se você gostar de bosques e paisagens de colinas verdes, ambientes rurais para ver a vida das pessoas, terraços de arroz, etc. Não é uma paisagem de picos rochosos e brancos de neve, mas de colinas povoadas e verdes de cultivo. É legal. Eu mostrei o meu percurso aqui. Um passeio destes de 1 dia, com guia, carro que o leve a Nagarkot e o traga de volta, sai por uns USD 65. Não aceite pagar muito mais do que isso (houve quem quisesse me cobrar 130 USD!).

Terraços de arroz no Vale de Katmandu.

Outros passeios em oferta aqui incluem idas ao Butão (país vizinho) e voos panorâmicos para ver o Monte Everest, o maior pico do mundo. Eu não os recomendo. Ao Butão você pode ir de forma mais barata se negociar diretamente, pela internet, com uma agência butanesa. E quanto ao voo panorâmico, sai pela bagatela de USD 200 e dura 1h, saindo às 6 da manhã do aeroporto de Katmandu. Vale a pena? Há controvérsias. Se você ler as avaliações no Lonely Planet, quase todas são positivas. Já no TripAdvisor, dominam as avaliações que dizem ser uma perda de dinheiro e de tempo, pois você não chega perto da montanha.

Eu fui convencido a não fazer quando li alguns relatos mais críticos e vi as fotos. Quer dar seu próprio veredicto? Veja as fotos (não-promocionais) no Google e veja se o satisfazem. Como li num comentário, um voo comercial por sobre os Alpes na Europa mostra mais montanhas que isso. Se você quer avistar o Everest sem caminhar uma semana até ele, a forma mais prática é tomar um voo comum de Katmandu a qualquer destino mais a leste, e da janela você vê — o piloto normalmente até avisa na hora.

Já caso você esteja resoluto e determinado a fazer o tal voo, pelo menos não deixe para o último dia, pois é comum que os voos sejam cancelados devido às condições climáticas e você seja posto no voo do dia seguinte.

Por fim, vale dizer que se você planeja uma viagem que inclua Nepal e Índia, acho o Nepal mais light pra começar, sobretudo para quem for marinheiro de primeira viagem aqui nesta região do mundo.

Souvenirs em Katmandu, Nepal.

Compras. As ruas das cidades nepalesas são repletas de lojas. O turismo é uma atividade econômica das mais importantes aqui, se não for a mais. Há de tudo, quase sempre coisas com motivos religiosos hindus ou budistas: máscaras, estatuetas, bibelôs de pedra, esculturas em madeira, etc.

Como sempre, negocie — e lembre que vendedor mente. Cansei de encontrar pedra vagabunda sendo vendida como mármore, resina sendo vendida como madeira e plástico se passando por pedra.

— “Que material é este?“, perguntei eu certa vez a um vendedor em Katmandu.

— “Pedra“, respondeu ele tranquilo. Mentira. Era plástico duro.

— “Qual pedra?“, indaguei.

— “Pedra da montanha“, respondeu ele com naturalidade.

Çei.

Se você quer algo bem típico — e diferente do que se encontra na Índia —, pode optar por  uma mandala ou várias das pinturas típicas daqui de influência tibetana. Eles chamam essas pinturas de thangka. Você as verá por toda parte. Só se certifique, claro, de pesquisar preço e de barganhar.

Um bom lugar onde ter uma noção geral dos produtos é a Pilgrims Book House, provavelmente a loja mais famosa entre os turistas em Katmandu. É um lugar agradável, com muitos livros sobre espiritualismo oriental. Muito dos souvenirs gerais vendidos lá você acha mais baratos pela rua, mas vale a pena para ter uma dimensão dos tipos de coisas que há, e como referência de preço. (Os preços aqui são etiquetados nos produtos, ao contrário do que ocorre em 90% das lojas de souvenirs, onde é preciso perguntar e a resposta virá de acordo com a impressão do vendedor sobre você.)

O básico aeroporto de Katmandu, o único internacional do país.

A saída do país: detalhes do aeroporto. Chegue com uma antecedência de 2h ao aeroporto. No entanto, não subestime o tráfego. De manhã cedo, antes do horário comercial, levam-se 20 min para ir de Thamel ao aeroporto. No miolo do dia, calcule uns 30-40 minutos ou um pouco mais em caso de imprevisto.

A saída do Nepal é relativamente tranquila. Cheguei a ler alguns relatos histéricos de outros ocidentais aqui, mas não há nada com que se preocupar. O aeroporto é pequeno, básico, mas funcional e razoavelmente confortável. Tem até wi-fi que funciona! As filas funcionam, a muvuca é relativamente pequena, e voar daqui é muito mais tranquilo que de boa parte dos aeroportos do Oriente Médio ou da África. Você só precisa estar ciente de alguns costumes da região.

Primeiro, só passageiros entram no aeroporto. Isso é comum na Ásia devido aos medos de terrorismo (embora aqui no Nepal essas chances sejam remotas). Então é preciso mostrar sua reserva impressa e seu passaporte ao guardinha na entrada. (No meu caso, foi engraçado porque ele solicitou meus papeis, mas antes mesmo de eu os tirar da mochila, ele saiu para tomar um café. As pessoas foram entrando sem se deter, e eu fiz o mesmo.) É preciso também passar a bagagem no raio-x na entrada do saguão.

Lá dentro é só fazer seu check-in. As partidas são no andar superior. Para subir, o guarda solicitará ver seu cartão de embarque. Lá em cima, você passa primeiro na imigração (tranquila) e depois na segurança. Preencha um “cartão de partida” (departure card) para entregar ao oficial de imigração.

Antes da segurança há um saguão com assentos, algumas lojas, e uma cafeteria. Tudo básico. Na segurança, há uma fila pra homens e outra pra mulheres. Perceba que aqui, ao contrário do Ocidente, *não* há restrição de líquidos a bordo. Então você poder levar tranquilamente sua garrafa de água.

Após a segurança estão uma lanchonete (com café, arroz frito, momos, etc.) e os cinco portões de embarque, com lugar de sentar e também banheiros. Tudo muito tranquilo. Daí é só aguardar o seu voo. Os portões são todos lado a lado.

Diz a lenda que, se você tiver levando souvenirs que se pareçam com antiguidades, os oficiais podem lhe solicitar um recibo de compra. Não passei por isso; mas, por via das dúvidas, melhor estar preparado.

Boa viagem!


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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