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Quito para além do centro histórico: La Mariscal, o vulcão Pichincha, e a Capilla del Hombre

Embora Quito tenha um centro histórico rico, o primeiro a ser tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial, nem tudo da cidade está restrito a ele. No tempo que passei aqui, eu fui também a alguns outros lugares bem preciosos a recomendar.

A principal área turística de Quito, afora o centro histórico, é conhecida como La Mariscal, um bairro moderno repleto de lanchonetes gourmet, restaurantes turísticos, redes de fast food, e entretenimento noturno. Durante o dia, a área é relativamente parada, mas de noite ganha vida. Algumas pessoas hospedam-se aqui, mas eu confesso que achei mais interessante hospedar-se no centro histórico. Vai de gosto.

A Plaza Foch é o coração de La Mariscal e do entretenimento noturno daqui. (O nome vem do marechal francês Ferdinand Foch, mas cada um aqui hoje pronuncia de um jeito: Fósh, Fótch, ou Fóck.)
Em La Mariscal você tem também o mercado central de artesanato. É amplo e cheio de coisas. Achei-o, inclusive, pouco movimentado, fácil de circular.
Você aqui encontra muitos tipos típicos e modernos de chapéu-panamá, um produto do Equador apesar do nome. (Para a história do porquê do nome, leia o meu post no Panamá.)
Capa de chuva improvisada para o cachorro. Coisas da criatividade latinoamericana.

Mas o que eu gostei mesmo de ver foi a Capilla del Hombre, um museu feito pelo pintor equatoriano Oswaldo Guayasamín (1919-1999). Ele dizia que a humanidade fez templos por séculos a todas as sortes de entidades, mas nunca um templo à própria figura humana. Eis aqui, portanto, uma capela ao homem, ao ser humano, com as suas agruras, sentimentos e vicissitudes da vida. 

A Capilla del Hombre é um museu de obras do pintor que você hoje visita ao lado da própria casa de Guayasamín — uma linda mansão nas colinas dos arredores de Quito. É possível ir de ônibus ou — melhor — de táxi. Não sai caro.

Um autorretrato de Oswaldo Guayasamín, na Capilla del Hombre.
Napalm (1976), obra expressionista feita logo após a Guerra do Vietnã. (Napalm são bombas incendiárias usadas à morte nessa guerra.)
Estes são da série Pichincha (nome do vulcão ao lado de Quito), Quito Rojo [vermelho] e Quito Negro, que mostram a ciada de Quito abraçada como é pelo vulcão. Perceba como a troca de cores representa também uma troca de ares. Cada um dessa série comunica uma expressão de sentimento — coisas que caracterizam o expressionismo. Há também o Quito Azul e outros.
Na varanda da casa do señor Guayasamín. Vale a visita.

Eu comentei no meu post inicial de Quito que a cidade está a 2.850m de altitude. Se você achar pouco — ou quiser uma bela vista dela num dia claro de sol — pode subir mais, tomando o teleférico até o Vulcão Pichincha (4.784m).

O teleférico já o deixa na altura dos 4.000m, e se quiser você pode fazer o restante a pé. (Só lembre que o ar aqui é rarefeito, devido à altitude.)

Dica: Arrume um jeito de ir de táxi para a base do teleférico, pois o lugar é cheio de sobes e desces. Eu fui a pé e me arrependi, pois quando cheguei para tomar o teleférico parecia que eu já tinha feito uma trilha inteira nas ruas da cidade.

Olhe Quito lááá embaixo. Veja se agora ela não parece miúda, envelopada pelo terreno como os quadros de Guayasamín?
Despacito nos 4.100m de altitude.
Umas fofas lhamas no meio do caminho.
Piquenique nas nuvens.
Até que as nuvens nos engolfaram e a caminhada ficou assim, com chuva. Tivemos que bater em retirada do Pichincha. Essas coisas acontecem.

Se, mesmo depois das preciosidades coloniais do centro histórico, você tiver apetite para ver mais igrejas, não deixe de ver a Basilica del Voto Nacional, terminada em 1924, uma impressionante igreja neogótica perto do centro histórico. Além da beleza da própria igreja, é possível subir (de elevador) na torre e ter vistas impressionantes de Quito.

A Basilica del Voto Nacional, neogótica, em Quito.
A frente.
O interior.
Rosácea gótica.
A vista da cidade a partir da torre da igreja.

Essa basílica, próxima do meu albergue, foi a primeira e a última atração de Quito que eu vi antes de seguir viagem. (Eu procrastinei a subida na torre e acabei fazendo-a no último dia, quando então ganhei de uma senhora vendedora uma “fitinha do Bonfim” versão equatoriana que carrego no pulso até hoje.)

A minha passagem por Quito teve muitas cores, muitos sabores. Mencionei vários deles nos posts passados. Uma cidade histórica memorável, muito mais rica de coisas do que a sua (pouca) fama no Brasil leva a crer. Agora, chegava a hora de conhecer o recanto mais exótico e especial de todo o Equador, que muita gente nem sabe que pertence a ele: as famosas ilhas Galápagos.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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