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Visitando as ilhas Galápagos, no Equador: Mar, vida selvagem e dicas de viagem

Galápagos é um lugar mágico, dos mais impressionantes do mundo. Famosas pela visita inspiradora do naturalista inglês Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, estas ilhas existiam sem presença humana até poucos séculos. Não só há formas de vida curiosas, como as célebres tartarugas gigantes, iguanas amarelas e aves de pés azuis, como também os animais aqui não foram condicionados a temer as pessoas. (Se você não tiver cuidado, pisa num lagarto ou passarinho, pois eles não fogem de você.) Amantes da natureza aqui atingirão o nirvana.

As ilhas Galápagos ficam a 2h de avião da costa do Equador, país ao qual pertencem. Não há voos internacionais a Galápagos — é preciso ir desde Quito ou Guayaquil, o que em geral custa a partir de 300 dólares ida e volta. (A TAME, empresa mais barata operando esse trecho, funciona bem, mas alterou o horário dos meus voos várias vezes sem me avisar. Fique atento se voar por ela.)

Ao chegar, é preciso pagar 50 dólares de taxa ecológica (equatorianos pagam 10 dólares, e pessoas de outros continentes que não a América do Sul pagam 100 dólares) no aeroporto. Há também a cena linda de cães farejadores saltando por todas as malas na esteira de bagagem pra ver se não tem nada de perigoso à sensível biodiversidade das ilhas.

Há 21 ilhas no arquipélago de Galápagos, apenas 5 delas habitadas. Não imagine (como eu imaginava) que é tudo juntinho: às vezes você leva 2h de barco pra ir de uma a outra. Elas só são juntinhas se vistas na imensidão do Oceano Pacífico. 

Mapa e localização das ilhas Galápagos.

Você deve ter percebido, também pelo mapa, que Galápagos está bem na linha do equador. É, meu amigo, minha amiga, prepare-se para suar.

Eu cheguei com a minha amiga turca pela Ilha Baltra, onde está o aeroporto principal — um lugar miúdo, de onde você toma um ônibus até uma balsa que lhe atravessa até a Ilha Santa Cruz, a principal de Galápagos, onde está a maior vila, Puerto Ayora. (Sim, há pequeninos vilarejos em Galápagos. Não é só vida selvagem; há gente morando aqui, mais especificamente 26 mil pessoas.) Recomendo não trazer mais bagagem do que você é capaz de carregar.

Há duas grandes formas de visitar Galápagos: num cruzeiro de vários dias, parando em várias ilhas e praticamente vivendo no barco, ou instalando-se em alguma das ilhas habitadas e fazendo passeios bate-e-volta de acordo com o seu gosto. Nós optamos por ficar melhor instalados, fazendo passeios bate-e-volta ao nosso gosto.

Claro, é praticamente impossível ver tudo de Galápagos numa só viagem. Tampouco é necessário. Cada ilha tem seu sabor, seu aspecto e sua biodiversidade característica. Não há consenso sobre qual é a melhor (longe disso, em fóruns na internet o você mais vê é fulano dizendo “Ah, não há como ir a Galápagos e não ver a ilha X!“. Exagero. O flair principal de Galápagos — que é seu ambiente, seu isolamento e sua biodiversidade “solta” — você encontra na grande maioria das ilhas. Dito isso, vá a tantas quantas você puder — ou seu orçamento permitir.)

Prepare-se para gastar em média 100 dólares por dia nos passeios bate-e-volta. Alguns são mais baratos, outros são mais caros. Se planejar um cruzeiro, a média diária não sairá muito diferente disso. 

Por sorte, essa viagem me pegou numa época em que minha situação financeira estava melhor, e eu aproveitei.

Esta é a balsa que leva você do aeroporto até a Ilha Santa Cruz, a principal de Galápagos.

Puerto Ayora, o vilarejo principal onde está a maioria das opções de acomodação, é onde vivem 12 mil das 26 mil pessoas do arquipélago. Não imagine um lugar paradisíaco: a cidade é como qualquer lugar urbano razoavelmente pobre da América Latina. Simpático, com flores, mas simples como tantas cidadezinhas de beira de praia do Brasil.

O clima quente e úmido é também digno de Pindorama. 

As ruas de Puerto Ayora, em Galápagos. Parece que você está no Norte ou Nordeste Brasil. As pessoas aqui também são muito amáveis.
Ruas com casas e muitas flores em Puerto Ayora. Lá adiante, o mar.
O porto, no centro de Puerto Ayora. (As praias não são aqui ainda. Calma.)

Na própria Ilha de Santa Cruz, onde essa cidade fica, você há de visitar o Centro de Pesquisas Charles Darwin e a Baía das Tartarugas (Bahía Tortuga ou Tortuga Bay), uma panorâmica praia selvagem belíssima.

Por toda parte, já nesta ilha, você encontra iguanas circulando pelo chão e até passarinhos que não têm o menor medo de você. (Cuidado pra não pisar neles. As iguanas tampouco fazem algum mal.) No Centro Charles Darwin, que mais parece um zoológico aberto que um centro de tecnologia avançada à là o dos filmes de Parque dos Dinossauros, você também verá tartarugas gigantes centenárias circulando.

As tartarugas gigantes de Galápagos. Elas podem pesar mais de 400kg e viver mais de 100 anos.
Iguana amarela.
Com um monumento a Charles Darwin e à biodiversidade de Galápagos.

Já a Baía das Tartarugas tem praias selvagens surreais (muitas delas vetadas para banho, por esta ser uma área sensível de conservação e haver correntes perigosas sem sinal de salva-vidas em qualquer parte).

As praias de Galápagos em geral parecem ter saído de Game of Thrones ou alguma outra obra de fantasia, pois não há sinal de presença humana. São talvez das praias mais selvagens que você verá na Terra — com iguanas saindo da água sem medo e leões marinhos a se banhar. Você, humano, fica até intimidado em participar daquilo, acostumados que estamos a ambientes onde só há nós e os nossos pets. Você parece que está nas ilhas remotas e desconhecidas das Aventuras de Pi

Na Baía das Tartarugas, em Galápagos.
Dia de luz difusa, daquela branca que dói os olhos (mas que queima; minha amiga, coitada, parecia que tinha sido queimada com o ferro de passar roupa).
Muito amor por Galápagos.

O nome “Galápagos”, pra quem se perguntou o significado e ficou sem resposta, vem do próprio latim: Insulae de los Galopegos, “galopegos” significando cágados, tartarugas de chão. A primeira visita de que se tem registro aqui foi a de um bispo espanhol em 1535, trafegando pela costa do Peru. Nem mesmo os intrépidos polinésios — que já haviam colonizado outras partes do Oceano Pacífico como o Havaí e a Ilha de Páscoa, na costa do Chile — parecem ter chegado até aqui.

Nós daqui iríamos às ilhas de Seymour Norte, San Cristóbal, e Bartolomé. Cada uma muito diferente das outras. Para todas era obviamente necessário tomar um barco, parte do tour, geralmente com almoço incluso.   

Marea?“, certa vez me perguntou um dos funcionários do barco.

Sim, mareio e muito. Da minha cara ele deduziu a resposta, e virou fazendo um sorriso que ele não conseguiu esconder. (Prepare a câmera, mas também prepare o dramin.)

Seymour Norte é uma ilha marcada por essas curiosas aves de papo vermelho. Chama-se tesourão (Fregata magnificens), e há curioso hábito de que os machos é que cuidam do ninho.
O tesourão de perto.
Gaivotas pairando bem perto de nós em Seymour Norte.
O ambiente inóspito (pra nós) da ilha, com as aves do papo vermelho.
Leões-marinhos numa boa noutro canto, com o mar.

O mais engraçado foi alguém notando que havia lobos-marinhos mais claros e outros mais escuros, quando então um turista norte-americano — com a habilidade inigualável que eles têm de dizer bobagem numa pose confiante — observou, em tom científico, que se tratavam de duas espécies distintas.

Seco e molhado“, retrucou o experiente guia local.

Leão-marinho da espécie molhada brincando nas ondas. (A vida que você pediu a Deus.)
Iguanas marinhas sobre as rochas.
Leão-marinho na areia.

Esses leões-marinhos são umas fofuras, mas fedem que é um horror.

Esta é uma foto da internet, tirada com uma câmera subaquática supimpa, mas mostra bem a imagem que é estar debaixo d’água em certas áreas de Galápagos.

Depois veio a melhor parte: fomos fazer snorkel (“mergulho” de superfície, com aquela máscara com o tubo pra respirar) numa costa próxima com peixes coloridos e tartarugas marinhas. Parecia que havíamos de repente entrado em Procurando Nemo (2003), com todos aqueles peixes amarelos, vermelhos e laranja a mover-se ao seu redor. As tartarugas, então, quando você as vê graciosamente nadando ali próximo quase ao seu alcance (não as toque), é uma satisfação daquelas que já fazem valer a viagem.

Já em San Cristóbal, fizemos um snorkel mais audacioso perto do rochedo chamado de León Dormido, onde foi possível ver tubarões-martelo abaixo de nós. Coisa que você faz por seu próprio risco, mas não me pareceu nada excepcionalmente perigoso. São 18m de profundidade nesse lugar. Estar sem chão, porém, requer um mínimo de habilidade com o mar.

O rochedo León Dormido (de longe parece), próximo à Ilha de San Cristóbal, em Galápagos.
Mais de perto. Rochedos em alto mar. O lugar onde entramos na água.

Dali fomos a uma ilha deserta que eu nem sei se tem nome. Mal tinha sombra, o que sob o sol de 1h da tarde num clima equatorial foi um programa de sabedoria duvidosa por parte da agência.

A beleza do lugar, porém, era impressionante. Só o que as fotos não mostram é que havia grandes e vorazes moscas nessa praia, que mordiam sem piedade, e que ficavam zumbindo atrás de resíduos de água do mar em você. Naquela hora, o paraíso virou inferno.

Praia onde fomos em Galápagos, perto da Ilha San Cristóbal. Linda, mas a beleza oculta as infernais moscas que vão atrás do seu sangue. Há uma razão pela qual alguns lugares remotos permanecem desabitados.

Por fim, a Ilha de Bartolomé, um lugar que parece a Terra primeva, de centenas de milhões de anos atrás, antes de haver formas de vida para além de musgos e bactérias. É uma ilha de circulação restrita, mas muito interessante exatamente pelo seu aspecto.

A costa da Ilha de Bartolomé, com seu aspecto de Terra primeva.
Na Ilha de Bartolomé você se esquece de em que era geológica está.
Minha amiga turca naquele ambiente que fazia parecer que entramos numa máquina do tempo e voltamos à Terra de 1 bilhão de anos atrás.

E assim é Galápagos, um destino diverso e exótico, onde você encontra desde as intrigantes tartarugas gigantes, a peixes mágicos, às moscas que mordem. Há todo um cardápio de opções de ilhas a visitar. Não é um safari na África rico de grandes animais portentosos, mas aqui há beleza de encher os olhos sob a água, e ambientes pra lá de diferentes sobre a terra. Aos amantes de História Natural, uma visita obrigatória.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Visitando as ilhas Galápagos, no Equador: Mar, vida selvagem e dicas de viagem

  1. Meu jovem, que paraíso é esse? Parece uma parte da terra primitiva, inexplorada, e habitada pelas lindas criaturas de Deus não racionais!… Que espetáculo para os olhos e para os corações/espíritos amantes da natureza e dos seus habitantes. Que espetáculo!… Magnificat.
    Que belos rochedos, que lindo esse histórico arquipélago, que belas e verdes águas do Pacifico, que diversidade e que beleza selvagem e primitiva. Sem palavras para traduzir tamanho encanto.
    Que emoção ver as tartarugas gigantes, famosas , os fofos leões marinhos, as belas aves, e demais habitantes dessas lindas e distantes paragens. Faço minhas as emoções e alegrias do jovem viajante. Deve ser muito bom estar assim tao perto de seres dessa natureza neste sitio histórico.
    E que linda fotografia com essa homenagem a esse grande e luminoso ser que foi Darwin. Belíssima.
    Adorei também a rua cheia de flores e o casario, Muito interessante saber que há moradores humanos e que a bio diversidade é respeitada e protegida. Bela região, bela postagem. Parabéns pela escolha do lugar. A sua fisionomia, meu jovem revela as emoções que lhe vão na alma.. Amei conhecer esse sitio tao importante e seus habitantes maravilhosos. Congratulations.

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