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Romênia com Transilvânia: Dicas de viagem, cidades a visitar, e o que fazer

Mapa da Romênia nos Bálcãs, sudeste da Europa.

Nem todos sabem que a Transilvânia fica na Romênia, ou que a Romênia tem mais para ver que apenas a Transilvânia. Estamos aqui na região dos Bálcãs Orientais, num dos países mais subestimados da Europa do ponto de vista turístico.

Eu já vim 3 vezes à Romênia. Já morei com romenos e me satisfaço em ter muitos amigos aqui. É um país fascinante, culturalmente muito rico, e definitivamente pouco conhecido e subestimado pelos turistas mundo afora.

Aproveitando-me dos 100 anos do país, faço aqui um breve balanço das minhas experiências na Romênia, e compartilho algumas dicas de lugares maravilhosos a conhecer.


  • O que mais gostou. A Transilvânia em geral, esse quase-enclave semi-estrangeiro da Europa Central dentro da Romênia, com seu passado cultural de húngaros e germânicos. É tudo muito bonito e interessante, possivelmente a região mais bonita deste mesclado país. (Detalhes mais abaixo sobre onde ir.)
  • Visita obrigatória. Sighisoara, a cidade onde nasceu o nobre da Idade Média que inspirou a figura do Drácula. Não é por isso que considero Sighisoara visita obrigatória, mas pelo seu ar pitoresco, por ser uma das últimas cidadelas medievais ainda habitadas da Europa, pelos seus cafés e restaurantes aconchegantes, e por toda a sua atmosfera original e cheia de personalidade. É a quintessência da Transilvânia.
  • O que não gostou. A quantidade de fumantes nos lugares. Na rua, na chuva, na fazenda e nas casinhas de sapê. É proibido fumar em ambientes internos, mas as pessoas fumam às portas dos trens, escondidos nos banheiros dos albergues e hotéis, etc. Se você não fuma, é às vezes irritante.
  • Queria ter visto mas não viu. Eu disse que a Transilvânia possivelmente é a região mais bela da Romênia exatamente porque ainda não conheço Maramures, uma região de grande reputação pelas suas belezas naturais e paisagens no norte do país. Além de lá, quero ainda conhecer as cidades de Alba Iulia e Oradea, além da região do delta do Rio Danúbio.
  • Comidas a experimentar. A culinária romena é despretensiosa, mas tem umas delícias. Salada de beringela (com ou sem maionese caseira) é algo a experimentar, o que eles chamam de vínete. Outra delícia é zacusca, um molho grosso feito com pimentões vermelhos e outros legumes defumados, para passar no pão. É coisa divina. Há um forte aqui em saladas frias, servidas até mesmo no café da manhã. Nas refeições quentes, é muita carne de porco com mamaliga, a polenta romena que eles servem como um pirão no prato.
  • Bebidas a experimentar: Socata, uma água de flores levemente adocicada e refrescante; os vinhos da uva Feteasca Neagra, se esta for a sua praia; e, caso se achegue mais aos coquetéis, procure pelos destilados com fruta, como visinata (de cereja) ou afinata (de mirtilho, blueberry). (Estas bebidas mais fortes podem ser boas, mas só as peça em lugares dignos,. Já tomei versões artificiais insuportáveis com gosto de xarope de groselha, mas num bom restaurante podem ser a glória.)
  • Momento mais memorável da visita. É difícil pegar um momento memorável tendo vindo 3 vezes ao país e passado tempo com amigos. Pegarei dois: (1) O aconchego dos ambientes internos gostosos na cidadela de Sighisoara, regado a boas refeições; e (2) a muvuca inerente às praias romenas, uma coisa de filme. (Ver Praias Romenas e Praias Romenas 2.)
  • Alguma decepção. Os trens romenos nem sempre são a coisa mais confortável do mundo, como cheguei a detalhar aqui. Vale a pena, mas modere as suas expectativas. A capital Bucareste também, para brasileiros habituados a vir à Europa e maravilhar-se por dias com as capitais cheias de coisas pra ver, pode decepcionar. Há um centro histórico com coisas bonitas e há alguns museus interessantes na capital romena, mas num dia você vê tudo. 
  • Maior surpresa. O número de cidades encantadoras e pouco conhecidas no interior romeno. Até poucos anos atrás eu jamais tinha ouvido falar de lugares como Timisoara e Sibiu. Entretanto, são cidades surpreendentemente fascinantes, em par com muitos lugares bem mais famosos no oeste europeu. Precisam ser conhecidas. 

PRINCIPAIS DICAS

Visto e fronteiras. Brasileiros não necessitam de visto para visitar e permanecer até 90 dias na Romênia. Ela desde 2007 faz parte da União Europeia, mas até hoje não foi aceita na Zona Schengen de fronteiras abertas. Isso significa fazer imigração ao vir pra cá e chegar aqui, mas o oficial mal dirá qualquer coisa — no máximo perguntará se você vem é a turismo e lhe desejará boa estadia. (PS: O Brasil tem uma ótima imagem entre os romenos.)

Câmbio & Dinheiro. A Romênia não usa o euro, mas sua própria moeda: o leu, abreviado internacionalmente como RON. 1 leu, 2 lei, 3 lei… Seu valor em 2019 é quase idêntico ao do real brasileiro. Suas notas todas são de plástico, como chegou a ser experimentado com a nota de R$10 no Brasil um tempo.

A maioria dos lugares aceita cartão internacional, mas não chega a ser como o Brasil onde até vendedor autônomo tem sua maquininha. Por isso, bom sempre ter dinheiro romeno no bolso, sobretudo se for ao interior. (Todas as ocasiões em que aceitaram receber euros em alguma compra minha, foi numa cotação horrível. Só mesmo em último caso.) O melhor é trocar no centro de Bucareste todo o montante de que você acha que vai precisar. Em outras cidades grandes como Cluj, Timisoara, Brasov, e Sibiu, também é possível encontrar casas de câmbio, mas não é em todo lugar, nem necessariamente abre nos fins de semana. 

Segurança. A Romênia, como o restante da Europa, é um país muito seguro para quem tem como parâmetro as cidades da América Latina. Praticamente não há risco de assalto. Porém, olho vivo com os taxistas — enrolões mestres, indignos de muita confiança, sobretudo nos aeroportos — e com malandragens dos ciganos ladinos nas ruas. O mais seguro é não lhes dar muita conversa.

Quando vir. A Romênia tem um clima bastante continental: invernos frios, com muita neve e temperaturas abaixo de zero, verões quentes com dias que podem beirar os 40 graus, e tempo mais ameno no outono e na primavera. Abril/Maio e Setembro/Outubro são épocas excelentes pra quem não quer extremos de temperatura. No verão (Jun-Ago) é quando há o maior número de turistas. Já Dezembro oferece as fofas feirinhas de Natal nas maiores cidades romenas, com comidas e produtos típicos. (Estas feirinhas costumam estender-se até o Ano Novo, ao contrário das alemãs, que acabam na véspera de Natal.)

Trem moderno na Romênia. Alguns outros são à moda antiga.

Custos, Transportes & Acomodações. A Romênia é um dos países mais baratos de toda a Europa. Em alguns aspectos, é mais barata que o Brasil.

Uma noite em cama de albergue sai fácil pelo equivalente a 15 EUR/noite, e um quarto para duas pessoas em pousadas ou hotéis simples ficam por 50-80 EUR/noite, a depender do nível de conforto. (Pode parecer mais caro que lugares de Portugal, por exemplo, mas é que aqui me refiro a acomodações com banheiro privativo, nem sempre o caso na maioria das pousadas lusas.) Claro, há hotéis mais caros se você quiser maior conforto.

Transporte é mais barato que no Brasil, tanto entre cidades quanto dentro delas. Só fique de olho porque os motoristas de ônibus frequentemente não vendem passagens; é preciso comprá-las de antemão num quiosque na rua em parada de ônibus ou em alguma estação de metrô (no caso de Bucareste). Perceba que muitas vezes se trata de um ticket que pode ser validado dos dois lados, útil portanto para duas viagens suas ou para uma ida de duas pessoas. Em média, saem por 4 lei (uns R$4), para o que na prática são duas passagens. (Acho que nenhuma cidade no Brasil tem mais esse preço.).

Pelamordedeus cuidado com os táxis, ladinos de marca maior na Romênia (como no Brasil, só que aqui você é estrangeiro). Só recomendo quando necessário, tendo uma noção anterior do preço, e solicitado via telefone desde o hotel ou algum lugar. Esses de rua são malandrérrimos. (Note, no entanto, que se você for a algum aeroporto de táxi, o motorista às vezes para na saída da cidade para alterar a tarifa no taxímetro. É uma bandeira para os limites da cidade e outra para o lado de fora. Isso é normal.)

Entre cidades, os trens na Romênia são uma opção algo pitoresca e barata. Escrevi todo um post mostrando eles e informando como reservá-los online por conta própria. Lá também eu falo das alternativas em ônibus.  

Mapa da Romênia.

Lugares a visitar & Quanto tempo em cada lugar. Bucareste, a capital, é o principal centro aonde voar e por onde entrar na Romênia, mas não se atenha demais a ela — o que há de mais bonito na Romênia está no interior. Se quiser vir por aqui, 2-3 noites na capital romena são o suficiente. Neste post e neste outro post eu faço relato das minhas visitas lá, com atrações da cidade.

A Transilvânia, região no centro da Romênia, realmente é a área que mais atrai turistas estrangeiros aqui. Não é sem razão. Suas cidades pitorescas, bem conservadas, juntam-se à natureza de montanhas e colinas verdes para criar um ambiente super gostoso e tradicional. Sighisoara, a cidade onde nasceu o nobre que deu origem à lenda do Drácula, certamente é o coração do lugar — não pelo vampiro, mas pelo seu charme.

A Transilvânia, no entanto, tem várias outras cidadezinhas gostosas a conhecer: Brasov, Sinaia, Sibiu, Cluj, dentre outras. Se você quer algo menor e ainda mais mimoso, visite os pequenos vilarejos saxões como Viscri. Transporte pra lá nem sempre é simples, mas nas cidades você se informa. Nos posts há todos os detalhes do que ver e do que esperar dos lugares.

Eu acho que um par de noites em cada uma dessas cidades da Transilvânia lhes faz justiça. (Exceto Sinaia, que é uma simples parada entre Brasov e Bucareste.) Se você viaja rápido, ou não dispõe de tempo, pode tentar ficar apenas uma noite em Brasov ou Sighisoara, mas só recomendo se você dispuser de bastante tempo no dia da chegada ou da partida.

Para além da Transilvânia, no extremo oeste do país, descobri em Timisoara uma cidade adorável e elegante. Merece umas 2 noites também (3 se você quiser ficar de boa na cidade, visitando com calma seus museus e saboreando café enquanto assiste às pessoas). Tecnicamente, aqui hoje não é mais Transilvânia, mas pertence ainda à Transilvânia histórica, com seu legado cultural centro-europeu, de influências húngara e austríaca. Você notará.

Repare que Sibiu, Cluj e Timisoara têm aeroportos próprios — às vezes com voos mais baratos para outras partes da Europa do que Bucareste. Vale considerá-las como (aero)porto de entrada ou de saída. E se você preferir vir de trem, provavelmente a partir da Hungria, há muitas linhas de Budapeste pra cá. Oradea é uma cidade romena quase fronteiriça que recebe muitos trens húngaros. (Já desde a Sérvia, por Belgrado, acredito que os ônibus são mais comuns.)

Tente passar pelo menos uma semana aqui na Romênia, se quiser conhecer múltiplas cidades. Vale a pena! 

Afora os lugares que mencionei, há cidades menores que não conheci mas das quais ouvi falar bem, como Oradea e Alba Iulia, que você pode considerar incluir em seu roteiro. Além delas, há Baia Mare e toda a cênica região de Maramures, no norte do país (pra quem gosta de paisagens e, quiçá, trilhas). E há toda a costa do país no Mar Negro. As praias romenas, admitamos, não têm nem comparação com as brasileiras. Mas se você gosta daquela muvuca e festa praieira mais do que da praia em si, experimente. Eu fui duas vezes (aqui e aqui).


Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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