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San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Altiplânicas

(Continuação de San Pedro de Atacama e o Vale da Lua no deserto mais seco do planeta)

Meu primeiro dia havia me apresentado a pequenina cidade de San Pedro de Atacama e seus vales desérticos “de outro planeta”, como o Vale de Marte e o Vale da Lua (ver o post anterior). Agora, neste segundo dia, o nível de beleza das paisagens subiria ainda mais. Era dia de despertar cedo para ver as impressionantes Lagunas Altiplânicas e seus flamingos andinos com reflexos na água.

Flamingos andinos (Phoenicoparrus andinus) diante dos seus reflexos na água, numa das lagunas altiplânicas em Atacama.

As Lagunas Altiplânicas são várias distintas, e o passeio começa cedo. A ideia é chegar logo no início da manhã — antes da maioria dos outros turistas — para ver os flamingos se alimentando nas lagunas. (Não tenha vergonha de apressar o passo para chegar adiante do grupo, ou poderá ter dificuldade em conseguir fotos dos flamingos sem outros turistas nelas. Além disso, quando veem muita gente por perto, as aves se afastam.)

O nosso guia foi um figuraça, um chileno gordo caricaturesco, de óculos, com aquele jeito dos “gordinhos da zoeira” que volta e meia faziam sucesso no YouTube. Sua playlist dos anos 80 ao começo dos 2000 fez sucesso na nossa van. Ele cantava Avril Lavigne (Complicated) com afinco; sabia a letra toda.

Antes de chegar aos flamingos é preciso caminhar um pouco por esta paisagem algo extraterrestre. (Lembra-me alguns cenários de Guerra nas Estrelas.)
Flamingo voando por sobre a imensidão desses corpos d’água formados pelo derretimento de geleiras dos Andes.
Flamingos andinos alimentando-se. Eles são uma das quatro espécies de flamingos da América do Sul. (Não é permitido aos visitantes entrar na água, como você deve ter imaginado.)
Flamingos andinos com seus reflexos na água naquela manhã na região de Atacama.
Às vezes a vista é surreal, a água como um espelho.
Flamingo Narciso.
Sol na cara já àquela hora da manhã.

Sendo deserto, o dia aqui é tão quente quanto a noite é fria. Sendo verão, estamos falando de uns 10ºC à noite e 30ºC durante o dia, com uma potente radiação solar que aumenta com a altitude. Se em San Pedro de Atacama estávamos aos 2.400m, aqui boa parte das Lagunas Altiplanicas está aos 4.000m. Nem sempre o corpo gosta, mas é o preço de estar em parte tão extraordinária da Terra.

Estou chamando-as de “lagunas” num certo espanholismo, pois em português o mais correto seriam lagoas. Não há nada de água marinha aqui, mas água de geleiras, que se derretem e misturam-se aos sais e outros componentes químicos deste ambiente. (Não é o tipo de lugar onde você gostaria de se banhar, ainda que fosse permitido.)

Vistos os flamingos no começo da manhã, era hora de seguirmos a outras duas lagunas onde a vista é diferente. Esse espelho d’água das aves daria lugar a corpos de azul em frente às elevadas montanhas, tudo rodeado por tufos da gramínea quase dourada que aqui existe circundando as pedras.

Minha cabeça podia estar às vezes dando voltas pela altitude e pelo sol potente — beber muita água é essencial —, mas os olhos gostavam do que viam.

Essa gramínea quase-dourada em tufos é parte presente desta região. Ali ao lado, a Lagoa Miscanti, nutrida por água subterrânea.
Quando ultrapassamos os 3.000m de altitude, quem se faz presente são as vicunhas, esses franzinos camelídeos parente das lhamas.
Um grupo de vicunhas lá ao longe, a caminhar na margem da Lagoa Miñiques.
Vista panorâmica.
Toda a vista é de impressionar.

É neste passeio que se cruza o Trópico de Capricórnio, a latitude que marca o fim da zona intertropical e início da zona temperada no hemisfério sul da Terra. As fotos aqui com a placa tornaram-se quase que um “rito de passagem” para os viajantes que aqui cruzam.

Com a antológica placa marcando o Trópico de Capricórnio, no Chile.
Claro que outra tradição são as fotos no meio da rodovia.

Diante da amplidão inóspita do Deserto de Atacama, qualquer povoamento humano com algumas árvores imediatamente adquire a aura de um oásis. Detivemos-nos num desses para uma merenda. Numa das paradas, visitamos uma pequenina igrejinha com motivos andinos. 

Povoado onde nos detivemos um pouco naquela manhã.
Igrejinha com decoração em motivos andinos. Tudo muito simples.

Este é um passeio às vezes combinado com a área das Piedras Rojas, mas esta estava inacessível por alguma razão quando eu visitei. No total, daria um dia inteiro. Neste meu caso, estávamos de volta a San Pedro de Atacama para almoçar. Foi a tarde em que eu também saí a experimentar uns sorvetes típicos aqui dos Andes.

Em Roma, faça como os romanos. A Heladería Babalú é parada obrigatória de San Pedro de Atacama, onde experimentei sorvete de folha de coca e de quínoa. Não são maus. Têm o gosto que você os imagina ter, se já comeu quínoa e bebeu chá de coca.
E, é claro, em se tratando de Chile, não se podem abandonar as empanadas. Algumas são melhores do que outras; vale a pena sair comparando.

E as andanças pela região de Atacama continuam.

Continua em San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Altiplânicas

  1. UUUUUUUUUUUUUuuuuu!……. Que maravilhosa visão… uauu que espetáculo surrreal. Linnnnndo. Que espelho d’água magnifico, que lindos flamengos, e que fofinhas as vicunhas. Meu Jovem, que espetáculo de visual!… Nao parece a terra. Parece um reino encantado e natural. Parece outro planeta, Que água azul límpida e calma.. Que efeito impressionante com os flamingos espelhados nelas. Belíssimas paisagens, parecem foto shop . O azul do céu, o azulado das faldas das montanhas e a água límpida, clara, tranquila e também cor de de anil, formam um quadro impressionante e belo. Nada parecido com o que ate então eu havia visto. Impar.
    . Ufffa, 4 mil metros de altitude é muito alto e deve estar rarefeito o ar. Mas diante de tanta beleza, imagino que valeu o sacrifício.
    Belissima região. Impressionante esse efeito visual de espelho, Meus olhos estão extasiados com tanta beleza.
    Lindinha a igrejinha.
    Adorei a foto no marco do T. Capricórnio no Chile, Significativa. Interessante essa no meio da rodovia e diante da vastidão desértica.
    É deveras impressionante a região.
    Apaixonei-me pelas lagunas espelhadas, pelos flamingos e vicunhas. Lindos todos.
    Maravilhosa postagem, encantadora a região. Obrigada, viajante brasileiro por nos mostrar tantas belezas em terras inusitadas. Valeu.

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